REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

A Cabala Maçônica do Brasil: O Primeiro Grande Oriente Brasileiro (Bahia e Pernambuco, 1802-1820)

Pablo Antonio Iglesias Magalhães[1]

 

record do compendio
Print da ficha no Museum of Freemasonry de Londres.

 

 

Em 1827, José da Silva Lisboa, então Visconde de Cairú, publicou no Rio de Janeiro a Historia das principaes successos politicos do imperio do Brasil, descrevendo no capítulo VIII, Revolução na Cidade da Bahia, o que ocorreu após as notícias da Revolução do Porto chegarem a Salvador:

Tendo as Praças do Porto e Lisboa activo Commercio com a da Bahia, as noticias de Revolução de Portugal chegarão em breve a esta Cidade, com as Proclamações e papelladas incendiarias do Douro e Téjo. Já os espiritos de seus habitantes se achavão exasperados com a nova do Despacho que ElRei havia feito em fim de Dezembro de 1820, nomeando o Conde de Villa-Flor para Governador da Capitania. A Cabala Maçonica se precipitou a fazer (quanto antes) a explosão da Cratéra Revolucionaria da predominante sociedade correspondente do Grande

Oriente. Os Emissarios da antiga Metropole não perderão tempo em pôr no seu partido a Tropa do Paiz. […] esta Praça, sendo quasi huma Colonia do Minho, tomou vivo interesse na Revolução do Porto; […]. Os naturaes da Bahia seguirão o impulso dado pelos emissarios da Cabala Maçonica de Lisboa. Poserão-se em movimento os membros mais activos das Sociedades Secretas, assaz notorios na chronica escandalosa do Paiz, cujos nomes ora he desnecessario individuar, por honra de suas pessoas; He todavia impossivel não declarar alguns dos Corifêos, que forão a Causa de tantas desgraças da Nação Brasileira, e da propria Patria local, para execração da posteridade e são o Tenente Coronel Manoel Pedro de Freitas Guimarães, o Desembargador Luiz Manoel de Moura Cabral, e o Cirurgião Cypriano José Barata. […] A selecta Mestrança dos Pedreiros Livres em a noite de 9 de Fevereiro do corrente anno accordou no seu Club Jacobinico fazer acclamar a Constituição de Portugal pelo Corpo de Artilheria na Praça do Trem, contigua ao Forte de S. Pedro. Os principaes Chefes da Tropa da Guarnição da Praça estavão de mãos dadas com o dito Tenente Coronel Manoel Pedro, Commandante do Corpo de Artilheria (LISBOA, 1827:43-46).

O parágrafo acima revela a atuação das sociedades maçônicas da Bahia no início do processo de ruptura política que teve lugar na Bahia, após a Revolução do Porto. O Visconde de Cairú destaca a existência de um grupo de influentes indivíduos, civis e militares, que se articularam no seio da maçonaria em Salvador, entre 1821 e 1822. É notório que o referido cronista tornou-se um ferrenho inimigo das sociedades maçônicas, apesar de membros da sua família, incluindo seu filho Bento da Silva Lisboa, ter alcançado elevados cargos no seio da maçonaria brasileira, sendo Grão Mestre do Grande Oriente Brasileiro (do Passeio), já sob a Ordem Imperial (MAGALHÃES, 2013:789-824).[2]

Uma questão negligenciada tanto pela historiografia política, quanto pela historiografia maçônica, em particular, é a existência de uma influente associação de pedreiros livres na capitania da Bahia na segunda década do século XIX, organizada sob o Grande Oriente Brasileiro (G. O. B.). Nessa questão, a historiografia sobre a maçonaria brasileira, que remonta aos Annaes Maçônicos Fluminenses (1832), apresenta diversos problemas, sob qualquer aspecto. A referida obra, que mais tende a esconder do que a apresentar os fatos e personagens ligados à maçonaria brasílica, foi escrita por Januário da Cunha Barbosa (Ir:. Kant), à época pedreiro livre que alcançara o grau de Cavaleiro Rosa Cruz (Grau 18o). Impresso em 1832, em seguida à criação dos dois Grandes Orientes no Rio de Janeiro (1831) ao tempo em que, na Bahia, ocorriam movimentos federalistas (1831-1833), nos quais atuaram sociedades de pedreiros-livres, o livro buscou minimizar a presença histórica das lojas maçônicas em outras capitanias, observando apenas a existência da maçonaria fluminense.

É possível que a razão desse silêncio historiográfico sobre a existência (e primazia) de um Grande Oriente Brasileiro, na Bahia colonial, esteja na própria instabilidade política sob o período regencial. Os Annaes Maçônicos Fluminenses contém um Quadro Histórico da Maçonaria no Rio de Janeiro, que dividiu a história da presença daquelas sociedades em três épocas, sendo a primeira compreendendo os anos 1800-1805, a segunda 1805-1822 e a terceira 1823- 1832. Para a primeira fase, o autor afirma que os maçons do Rio de Janeiro, ao buscar um tratado com o Grande Oriente Lusitano em 1804, travaram contato com os maçons da Bahia e nada mais foi registrado sobre aquele grupo. Nota-se, ainda, que a divisão de épocas sequer considerou o Alvará de 1818, que extinguiu, pelo menos na forma da lei, as sociedades secretas (ou iniciáticas) no Brasil, já então elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves. Isso indica que o referido Alvará, feito sob o ministério do implacável inimigo da maçonaria Tomás Antonio de Vila Nova Portugal, não teve sobre as lojas fluminenses o mesmo impacto que teve sobre as lojas da Bahia e de Pernambuco.

Dezesseis anos depois da publicação dos Annaes, o cirurgião e pedreiro livre Manoel Joaquim de Menezes (1789-1872) retomou os estudos sobre a história da maçonaria no Brasil. Menezes (Ir:. Penn), um dos autores da Constituição do G.O.B de 1839, escrevera o Esboço histórico da maçonaria no Brasil, Rio de Janeiro, 1848, com 20 páginas. Esse texto foi ampliado na Exposição histórica da maçonaria no Brasil, particularmente na província do Rio de Janeiro, em relação com a independência e integridade do Império, Rio de Janeiro, 1857, contando 67 páginas.  Nesse segundo livro, Menezes buscava demonstrar que a Ordem imperial brasileira devia à maçonaria o Dia do Fico de 9 de Janeiro, o título de Defensor Perpétuo, o 7 de Setembro e a proclamação do Imperador D. Pedro. Mesmo em tempos de estabilidade política interna do Império, e quando a maçonaria baiana havia retomado seu crescimento de associados, sua expansão geográfica e importância política, os historiadores continuaram a negligenciar a história das lojas maçônicas que não estavam inseridas na Corte Fluminense (MENESES, 1857).

Em 1895, já sob a República, Alfredo Paiva publicou no Rio de Janeiro uma História da Maçonaria que, concernente à maçonaria na Bahia, limita-se a repetir trechos do texto publicado pela Astrea (1847), que é a cópia de um capítulo do Almanak do Rit:. Esc:. Ant:. e Acc:.  em Portugal para o Ano de 5845, de que adiante se tratará.

Na segunda metade do século XX, em 1968, Kurt Prober (cujo pseudônimo era Isa Ch’an) em nada avançou nas investigações acerca de um Grande Oriente Brasileiro criado na Bahia em 1813, mas admite acertadamente que “a maçonaria brasileira (sic) dos tempos primevos, por força das circunstâncias, tomou uma feição puramente política” (CH’AN, 1968:35 e 37).[3] José Castellani, também historiador da maçonaria brasileira, afirma que as três lojas maçônicas da Bahia colonial foram “tomadas por muitos fantasistas como um Grande Oriente Brasileiro”, afirmando em seguida tratar-se de uma “Obediência efêmera e sem suporte legal” (CASTELLANI, 1993:29 e 31). Ao invés de buscar fontes documentais mais sólidas, Castellani continuou a minimizar ou negar a existência do Grande Oriente que atuou no período colonial.

Em 1990, Antonio Henrique de Oliveira Marques, historiador da maçonaria portuguesa, afirmou que aquele primeiro Grande Oriente Brasileiro, que prefigurou a autonomia das lojas brasílicas em relação ao Grande Oriente Lusitano, teria sido fundado em 1813, restrito a quatro lojas, três na Bahia e uma no Rio de Janeiro (MARQUES, 1990:109). Oliveira Marques, não obstante, em nada avançou sobre a existência do primeiro Grande Oriente Brasileiro e tampouco teve notícias de quem pertencera aos seus quadros. As incertezas sobre aquela instituição perduram tanto que Alexandre Mansur Barata, em 2006, afirmou que “caso esse centro de poder maçônico tenha existido, ele possuiu vida breve, visto que em 1815 suas atividades já se encontravam encerradas” (BARATA, 2006:78). Assim, a historiografia luso-brasileira ignorou completamente a existência de uma das instituições mais influentes nos últimos anos do Brasil colonial.

As primeiras tentativas de investigar os primórdios da maçonaria na Bahia focaram apenas a hipotética existência da Loja Cavalheiros da Luz. Foi Francisco Borges de Barros, no cargo de Diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, sendo também Grão-Mestre da Grande Loja da Bahia (1928), quem apresentou os primeiros estudos sobre a existência da Loja Cavalheiros da Luz, que teria sido criada em Salvador por volta de 1798. Essa loja teria sido o suposto centro de articulação da Conjuração Baiana e entre seus associados estariam os baianos José da Silva Lisboa, Francisco Agostinho Gomes, Cipriano Barata, Paulo José de Azevedo e Brito e José Borges de Barros, sendo este último ancestral do próprio historiador. Francisco Borges de Barros não indicou onde encontrou alguns documentos que utilizou ao longo de artigos publicados nos Annaes do Arquivo Público do Estado da Bahia e no livro História da Maçonaria na Bahia (1932). Por isso não foi possível, até o presente, confirmar ou negar a existência da Loja Cavalheiros da Luz. Francisco Borges de Barros, à época alinhado ao projeto de cisão da maçonaria brasileira encabeçado por Mário Behring (1927), nada diz da existência do Grande Oriente Brasil na Bahia colonial.

Celso Jaloto Ávila, no livro A Maçonaria na Bahia e sua História (2000), foi o único pesquisador que tentou apresentar um esboço histórico sobre o primeiro Grande Oriente Brasileiro, sem oferecer aos pesquisadores, contudo, qualquer indicação de fonte que fundamentasse suas afirmações. Na prática, as dificuldades em compreender a real dimensão da maçonaria colonial e provincial limitaram e até comprometeram o conhecimento mais amplo não só da História da maçonaria baiana, mas da própria História da Bahia. Segundo Luís Henrique Dias Tavares,

Nestes, como em outros autores, sem indicação de fontes, comportamento que se repete nos historiadores da maçonaria brasileira, a começar pelo bem informado Alexandre José de Mello Morais (foi maçom que alcançou o mais alto grau), continuando-se em Mário Behring e nos mais recentes Nicola Aslan e José Castellani, apesar do valor dos seus trabalhos. As dificuldades que encontramos repousam nas muralhas de segredos e proibições da maçonaria (TAVARES, 2005a:37).

Na investigação sobre a existência do primeiro Grande Oriente Brasileiro, a historiografia fracassou tanto como uma História da maçonaria em si, quanto em inserir a maçonaria na História do Brasil. Não é exagero observar que a História da Maçonaria no Brasil é importante demais para permanecer restrita apenas aos historiadores maçons. Os historiadores acadêmicos podem oferecer novas informações e leituras sobre a influência do(s) Grande(s) Oriente(s) na História do Brasil. No geral, os historiadores maçons brasileiros, a exemplo de Francisco Borges de Barros, Mario Mello e Kurt Prober empregaram parte considerável dos seus trabalhos a questões referentes à primazia das lojas maçônicas no Brasil, discutindo se foram criadas no Rio de Janeiro, em Salvador ou no Recife. Essa, contudo, parece uma questão de menor valor. A importância de estudar as primitivas lojas maçônicas existentes desde o período colonial consiste em compreender as conexões políticas dessas influentes sociedades no contexto da década que antecedeu a Independência.

O presente artigo tem como objetivo, portanto, apresentar as origens das primeiras lojas maçônicas em Salvador e o estabelecimento do primeiro Grande Oriente Brasileiro (1813), cuja existência, conforme demonstrado acima, é constantemente posto em dúvida. Também será discutida a relação entre o G.O.B. e a Revolução Pernambucana de 1817. Além disso, diferente da prudência de José Silva Lisboa em 1827, é necessário, ao presente, identificar e revelar os indivíduos que atuaram na maçonaria baiana antes de 1822, visto que a maior parte deles exerceu profunda influência na vida política e cultural da capitania da Bahia entre 1802 e 1820.

As Primeiras Lojas na Capitania da  Bahia (1802-1813)

Há notícias de que desde fins do século XVIII os pedreiros-livres circulavam pela Bahia. O cronista mineiro Joaquim Felício dos Santos, em 1868, afirmou que na referida capitania funcionava um importante centro de conluios políticos concebidos no seio da maçonaria:

Não sabemos como a maçonaria se introduzira no Brasil; é certo, porém, que no meiado do seculo passado já funccionava na Bahia o grande oriente maçonico, e é um facto, que se não pode negar, a sua importante cooperação no trabalho lento, occulto, persistente, para a nossa independencia. A inconfidencia de Minas tinha sido dirigida pela maçonaria. Tiradentes e quasi todos os conjurados erão pedreiros livres. Quando Tiradentes foi removido da Bahia, trazia instrucções secretas da maçonaria para os patriotas de Minas (SANTOS, 1869:251-255).

A afirmação de Joaquim Felício dos Santos carece de comprovação documental e, portanto, torna-se temerária de ser aceita. O cronista Emílio Maia, filho de Joaquim José da Silva Maia, escrevendo nos anos de 1830, confirma que na “Cidade da Bahia se estabeleceram lojas maçônicas desde os fins do século passado”.[4] Sua fonte seria seu próprio pai, comerciante portuense estabelecido no Recôncavo baiano desde 1795, que se tornou Venerável da Loja Humanidade, de que se falará adiante. Atualmente, não obstante, a documentação comprova que pedreiros-livres se articulavam politicamente em Salvador antes de 1798, a exemplo do bahiense José Borges de Barros, que se iniciou na maçonaria na Ilha da Madeira e estivera na mira das polícias de Portugal e da Inglaterra entre 1799 e 1803 (MAGALHÃES, 2017:01-48).

Não é uma tarefa fácil investigar as sociedades iniciáticas na América portuguesa, particularmente a maçonaria, em decorrência de dois fatores. Primeiro, obviamente, por se tratar de associações onde apenas os iniciados têm acesso aos rituais e à circulação de informações. Segundo, porque não existe significativa documentação acerca das primeiras lojas maçônicas no Brasil, na transição entre o século XVIII e o XIX. Eventualmente, os pedreiros-livres foram arrolados em devassas de conjurações e inconfidências em Portugal, Brasil e Ilhas Atlânticas. A maçonaria na Capitania da Bahia aparece pela primeira vez, como ente político, no episódio da Conjuração Baiana (1798) e em decorrência de supostamente ter sido organizada pela Loja Cavalheiros da Luz, da qual praticamente nada pode ser afirmado com fundamentos documentais.

Diante do silêncio dos primeiros historiadores e da escassez de documentos, como então é possível recuperar elementos e documentos da História da maçonaria colonial? Acima foi exposto que desde a criação do Grande Oriente Brasileiro no Rio de Janeiro (1822, refundado em 1832), os historiadores da maçonaria oitocentista, oriundos do centro-sul do país, particularmente do Rio de Janeiro, negligenciaram e omitiram a existência de outras lojas e, até mesmo, da primeira Obediência Maçônica, constituída ainda na América portuguesa.

O que foi possível apurar dos primeiros tempos da presença da maçonaria na Bahia deve-se ao historiador e pedreiro-livre português Rodrigo José de Lima Felner (1809-1877), que, em parceria com e a Antônio Nunes dos Reis, imprimiu em 1846 o «Progressos da Maçonaria na Bahia» inserto no Almanak do Rit:. Esc:. Ant:.  e Acc:. em Portugal para o Ano de 5846, entre as páginas 66-71 ([FELNER], 1846). Completamente desconhecidos pelos pesquisadores brasileiros, o «Progressos da Maçonaria na Bahia» é relevante na medida em que apresenta informações precisas sobre a criação das três primeiras lojas maçônicas estabelecidas na Bahia entre 1802 e 1813, bem como do Grande Oriente Brasileiro. As informações apresentadas por Lima Felner não puderam mais ser negligenciadas pelos cronistas maçons de meados do século XIX. Parte delas foram reproduzidas, com muitas omissões propositais, no Astrea: Almanak Maçônico, impresso no Rio de Janeiro em 1847. O Astréa, diga-se que não era uma publicação oficial de nenhum dos dois Grandes Oriente fluminenses.

A fonte de Lima Felner foi o pedreiro-livre baiano José Mendes da Costa Coelho, que enviou para o cronista português uma carta e dois impressos, possivelmente de sua autoria. Um dos impressos pode ter sido o Discurso recitado no 3o dia do sétimo mez do anno 1837 da V. L. Cap. Humanidade em o acto da posse do presidente, do qual infelizmente não possível encontrar nenhum exemplar, mas está referenciado por Sacramento Blake. Pouco se conhece sobre José Mendes da Costa Coelho, mas era natural da Bahia e serviu na Guerra de Independência em 1822, sendo “condecorado com a medalha da campanha da independência em sua província, na qual serviu o cargo de official da secretaria do governo provisório”.[5] Traduziu em 1826 Entretenimentos de Phocion sobre a relação do moral com a política, traduzidos do grego em francez pelo abbade de Mably, do qual existe um exemplar na Biblioteca do Itamaraty. Foi sua correspondência com Felner que preservou a história das primeiras lojas maçônicas na Bahia.

De acordo com o «Progressos da Maçonaria na Bahia», a primeira associação maçônica em Salvador foi a Loja Virtude e Razão, no Rito Francês (ou Moderno), que começou a operar a 5 de julho de 1802 [15/04/5802 A:. V:. L:.][6]. Observaria a Constituição do Grande Oriente Lusitano (1804), mas não era subordinada a ele. A crer nas informações de Emílio Maia, a Virtude e Razão “possuída de espírito de independência democrática, compunha-se de proprietários, fazendeiros e alguns empregados”. Não há indicações de quem teria sido o seu venerável, mas não deve ser coincidência que essa loja tenha surgido em seguida ao retorno de Francisco Agostinho Gomes, que, após livrar-se das suspeitas de participar da Conjuração de 1798, voltou de Lisboa apadrinhado por D. Rodrigo de Sousa Coutinho.

As informações apresentadas no «Progressos da Maçonaria na Bahia» de Felner está em perfeita sincronia cronológica com as notícias apresentadas pelos viajantes que estiveram na Bahia entre 1802 e 1813. Em alinhamento ao que Felner afirmara, a existência da Virtude e Razão foi registrada também pelo contrabandista Thomas Lindley, quando esteve preso em Salvador em 1803. Proprietário do brigue Packet, cujo diário de viagem foi impresso em Londres, em 1805, relatando sua permanência em Porto Seguro e Salvador entre julho de 1802 e agosto de 1803, Lindley afirma que “Os maçons da Bahia ousaram ir além dos limites de sua cautela habitual, reunindo-se em assembleia, na catedral, a fim de cumprir os últimos deveres de humanidade, no enterro de um irmão ex-capitão de marinha, vítima dessa lastimável doença, tuberculose, na flor da idade (LINDLEY, 1805:128).” A pesquisa no Arquivo da Cúria, em Salvador, permitiu identificar quem era o maçom a quem Lindley presenciou o funeral:

No dia vinte e sete de abril de mil oitocentos e tres nesta Sé Cathedral, tendo recebido todos os sacramentos falecera tísico com idade de trinta e tres annos o Capitão de Ingenheiros e Lente da Real Academia de Goarda Marinha na cidade de Lisboa, Antonio Caetano de Siqueira Serio, casado com D. Maria do Carmo moradora da Freguesia de Nossa Senhora da Saúde na cidade de Lisboa, foi amortalhado na forma militar, e sepultado na Igreja da Sé, conduzido por despacho do Ilmo. Dr. Providor Manoel Marques Brandão; sendo acompanhado pelo seu Reverendo Paroco de capa de aspergir, e sacristão. De que fiz este assento, que assignei. O Coadjutor Manoel Pereira de Souza.[7]

A atuação da Loja Virtude e Razão ultrapassava, contudo, os limites de uma associação fraternal. Foram seus membros que ajudaram o pedreiro-livre Thomas Lindley a fugir da cadeia e seguir viagem para a Inglaterra, onde as autoridades portuguesas não poderiam alcançar o contrabandista. Segundo o próprio Lindley relata:

Partíamos, agora, com esses valiosos amigos, que tanto nos tinham ajudado materialmente , num país que suas terras e bens teriam sofrido severamente se houvessem sido descobertos; e que procederam nisso, pelos mais puros motivos de humanidade e benevolência (as grandes características da sociedade a que tinham a honra de pertencer.). (LINDLEY, 1805:128).

É notável que já em 1803 a Virtude e Razão estivesse tão organizada a ponto de cuidar do funeral de um maçom português recém-chegado, como demonstra o episódio de Sequeira Sério. Ainda mais surpreendente foi sua capacidade de articulação política a ponto de resgatar um maçom inglês prisioneiro e dar-lhe os meios de fugir de Salvador rumo a sua terra natal. Em 1806, um ano após o relato de Lindley ser publicado, esse episódio chegou a tramitar como denúncia no Conselho Ultramarino, sem que nenhuma investigação fosse, inexplicavelmente, levada à diante.[8] Anos depois, José da Silva Lisboa, em mais um ataque às sociedades maçônicas brasileiras, criticou o resgate do contrabandista inglês pelos pedreiros-livres da Bahia.

Ainda em 1806, contudo, D. Marcos de Noronha e Brito chega ao Rio de Janeiro, no cargo de Vice-rei, com instruções de proibir o funcionamento dos clubes e sociedades secretas, o que fez por meio do decreto de 2 de agosto de 1806. Isso levou à diminuição das atividades maçônicas fluminenses (BARATA, 2006:78).9 Na Bahia, contudo, a maçonaria experimentou uma significativa expansão nos seus quadros locais. Em 30 de março de 1807 [10/01/5807 A:. V:. L:.], segundo registrou Felner, doze dissidentes da Virtude e Razão fundaram a Loja Virtude e Razão Restaurada, também do Rito Francês, mudando o nome, a 10 de agosto de 1808 [25/05/5808 A:. V:. L:.], para Loja Humanidade, que “compreendia muitas pessoas do comércio, dominadas o maior número pelo espírito constitucional”. 10 A existência dessa loja é fundamental para compreender os eventos políticos na Bahia até às vésperas da Guerra de Independência, que assolou o Recôncavo.

Outro visitante que esteve na Bahia colonial registrou suas impressões da maçonaria local. O tenente da marinha holandesa Quirinus Maurits Rudolf Ver Huell, na sua estadia forçada entre fevereiro de 1808 a julho de 1810, quando toda a equipagem do seu navio De Vlieg ficou retida e o militar foi mantido em prisão domiciliar por causa do virtual estado de guerra entre Portugal e a Holanda napoleônica, conheceu na residência de um amigo, certo professor Ferreira, o coronel “Don Andrade”.  Esse militar, descrito como homem com aparência severa e sempre apoiado numa bengala com cabo dourado, falava mal da maçonaria, definindo-a como “godvergeten” (condenada por Deus) e “hoogste schandelijk” (altamente escandalosa), entregando ao marinheiro neerlandês um exemplar do livro anti-maçônico do abade Barruel. Huell ouvira dizer que havia uma loja maçônica funcionando numa casa abandonada, nos arrabaldes de Salvador, onde a população que transitava nas proximidades tinha receio e que fosse habitada pelo diabo. Essa loja pode ser a Humanidade, localizada na Água Brusca (HUELL, 1842:174-175).

Mais revelador é o relato de Sir James Prior que, em novembro de 1813, registrou a presença da maçonaria em Salvador. Prior diz que “a greater curiosity, considering the place, is a full-lenght picture of his Royal Highness the Prince Regent of England, in masonic regalia, occasionally seen in a recess of the body of the church” (PRIOR, s/d:103).[9]

O príncipe regente, duque de Sussex, desde 1813, tornou-se o Grão-Mestre da maçonaria inglesa e seu retrato com insígnias maçônicas estava exposto na Basílica de Nossa Senhora de Conceição da Praia, pois Prior descrevera o templo mais rico na Cidade Baixa (lower town) “built with a species of blue stone, resembling marble, brought hither for this express purpose from Lisbon”(PRIOR, s/d:104-105).[10]

Surpreso pela maçonaria ser admirada e frequentada em Salvador, apesar da perseguição que sofria nos países católicos, Prior revela ainda que “There are here three lodges of the society, wich boast among their members the governor, archbishop, and the majority of the principal people, who do not, however, publicly own it; several of the minor clergy have been lately initiated” (PRIOR, s/d:104-105).[11]

A afirmação de Prior está em sincronia com o que foi registrado por Rodrigo Felner. Segundo o Almanak de 1845, pela segunda vez, dezoito dissidentes da Virtude e Razão fundaram em Salvador a 12 de março de 1813 [23/06/ 5813 A:. V:. L:.] a Loja União. Há indícios de que está última situava-se na Rua Nova, que atualmente é a Rua Portugal, no bairro do Comércio, contendo “em seu seio indivíduos de diversas profissões, grandes nomes de militares e quase todos os oficiais de artilharia baiana”. [12]  Deste modo, Prior mostra-se bem informado ao afirmar que haviam três lojas maçônicas pois existiam a Virtude e Razão (1802), a Humanidade (1807) e a União (1813). Prior afirmou ainda que o Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, e o Arcebispo D. José de Santa Escolástica Alvarez Pereira (1804-1813), assim como boa parte do clero menor, eram iniciados na maçonaria.

O Grande Oriente Maçônico na Bahia (1813-1817)

O desenvolvimento da maçonaria na capitania da Bahia e o estabelecimento do Grande Oriente Brasileiro podem ser explicados a partir das suas conexões com o mais influente pedreiro-livre luso-brasílico que atuou nas duas primeiras décadas do século XIX: Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça. A iniciação de Hipólito na maçonaria deu-se durante sua viagem à Filadélfia, nos Estados Unidos em 1798 e 1799. De volta a Lisboa (1800), ligou-se a D. Rodrigo de Sousa Coutinho e foi nomeado um dos diretores da Impressão Régia, junto com frei José Mariano da Conceição Veloso. Sua ativa participação no Capítulo dos Cavaleiros da Espada no Oriente (18011802) e no reconhecimento do Grande Oriente Lusitano (1803) pela maçonaria inglesa lhe rendeu a prisão no Santo Ofício após seu retorno para Lisboa, de onde fugiu para a Inglaterra em 1805, com auxílio dos pedreiros-livres de Lisboa. No autoexílio em Londres, Hipólito da Costa atuou continuamente nos negócios da maçonaria portuguesa. É pouco conhecido, até o presente, que o editor do Correio Braziliense (1808-1822) também intervira profundamente no desenvolvimento das lojas maçônicas coloniais. Francisco Muniz Tavares, que tomou parte na Revolução Pernambucana de 1817, afirma que “Erigirão o Grande Oriente, ou Governo Supremo da Sociedade, na Bahia, residência do maior número dos sócios, que tinhão sido iniciados, e elevados aos altos graos na Europa” (TAVARES, 1884:11-12).

Em 1812 foi criada a Loja Luzitana N.o 184, ao Grande Oriente de Londres, tendo como seu venerável Hipólito José da Costa. Os estatutos foram impressos por L. Thompson e naquele mesmo ano Hipólito teve a iniciativa de convidar portugueses influentes, na política e na imprensa, chegando até mesmo a convidar antigos adversários políticos, para ingressar naquela sociedade.[13] A partir da Luzitana 184 e de um dos seus sócios fundadores, Domingos José Martins, os anos de 1812 e 1813 foram decisivos para a maçonaria tanto na Bahia quanto em Pernambuco. É certo que a maçonaria da Bahia não se submeteu ao Grande Oriente Lusitano. Somente as lojas do Rio de Janeiro o fizeram desde 1804. Acertadamente, Evaldo Cabral de Melo afirma que

Ao contrário da maçonaria fluminense, a pernambucana escapou ao controle do Grande Oriente Lusitano. Seu aparecimento datava também dos primeiros anos do século, sob o estímulo do naturalista Manuel Arruda da Câmara e do seu discípulo, padre João Ribeiro. Mas foi igualmente a partir de 1813 que ela foi reativada não de Lisboa ou do Rio, mas de Londres, por Domingos José Martins, emissário de pedreiros-livres ingleses (MELLO, 2002:9).

Domingos José Martins era, decerto, um dos agentes de Hipólito da Costa na América portuguesa. Um ano antes de criar a Luzitana 184, Martins apresentava-se bem relacionado com outros pedreiros-livres portugueses. Desde meados de 1811, os maçons portugueses na Inglaterra estavam se organizando e em 25 de julho aquele ano, Domingos de Sousa Coutinho, irmão do Ministro D. Rodrigo, tomou parte de uma cerimônia no “club” City of London Tavern que servia de fachada para uma loja maçônica presidida pelo madeirense José Sebastião de França e Andrade. Naquela noite, os membros daquela associação “depois de terem tractado dos seus respectivos negocios, celebrarão com hum esplendido jantar a entrada, como seu Membro honorario, do Excellentissimo Sr. D. Domingos Antonio de Souza Coutinho, Embaixador Extraordinario, e Ministro Plenipotenciario”. O club londrino, que prezava pelas virtudes da “união, patriotismo e fidelidade”, era formado por Jacinto José Dias de Carvalho (secretário) Manoel Ribeiro Guimarães, Antonio Martins Barroso, João Ferreira Duarte, José Antonio Gonçalves de Oliveira, Manoel Fernandes Alves, Ignacio Palyart, João Antonio Fructuoso, Francisco Alves de Carvalho Vianna e Domingos José Martins.[14]

Domingos José Martins é fundamental para entender as transformações da maçonaria nas capitanias do norte da América portuguesa entre 1811 e 1817, especialmente na Bahia e em Pernambuco. Segundo Evaldo Cabral de Mello, a partir de 1813, “as lojas pernambucanas haviam-se tornado exclusivamente brasileiras, excluindo portugueses, os quais por isso mesmo fizeram seu inferno à parte” (MELLO, 2004:36). A maçonaria estava dividida entre a influência do Grande Oriente Francês e das lojas inglesas. Entre 1811 e 1813, a guerra entre a França napoleônica e a Inglaterra, aliada de Portugal, estava no auge. A realidade das lojas maçônicas de Pernambuco era, contudo, diferente das lojas da Bahia, onde a presença portuguesa foi constante até 1822.

O que os historiadores não perceberam é que antes de seguir para Pernambuco, Domingos José Martins estivera em Salvador desde o início de 1812. Domingos José Martins, que seria um dos chefes da Revolução Pernambucana de 1817, estava na Bahia a pretexto de divulgar suas duas firmas, em Londres e Liverpool, em sociedade com o supracitado Antônio Martins Barroso. [15] Decerto a firma de Martins e Barroso já não era prospera e faliu em 1814, mas foi essa sociedade que trouxe para Salvador, em 1810, os dois prelos utilizados na Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva. No primeiro semestre de 1811, Hipólito da Costa tentara introduzir uma imprensa e duas caixas de tipos em Salvador, embarcados secretamente no navio Americana, que foi interceptado pelas autoridades coloniais em decorrência de uma mensagem enviada pelo embaixador português na Inglaterra, D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho, Conde do Funchal, ao Conde de Linhares, ministro no Rio de Janeiro, que alertou o Conde dos Arcos em Salvador.[16] Essa imprensa funcionaria, decerto, clandestinamente na Cidade da Bahia, possivelmente por meio de conexões entre o editor do Correio Braziliense e a maçonaria local.

Em maio daquele mesmo ano, contudo, foi inaugurada a Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva (1811-1819). Os primeiros anos do funcionamento da imprensa na Bahia foram de expansão dos quadros maçônicos na capitania. A própria família Silva Serva estava ligada ao Grande Oriente Lusitano e Manoel José da Silva Serva, parente do tipógrafo Manoel Antonio da Silva Serva, era o tesoureiro daquela instituição, sob o nome iniciático de Ciro, que chegou a ser denunciado à intendência da polícia em maio de 1817 por ser o responsável pelo aluguel de um sobrado no Pátio da Galega onde funcionavam clandestinamente agremiações maçônicas (MAGALHÃES,  2016b:223-256).[17]

Após examinar, um por um, o nome dos autores/tradutores/editores dos 147 impressos produzidos pela Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva, é possível afirmar que os intelectuais que gravitavam em torno desse personagem e da sua tipografia eram pedreiros-livres, ligados não somente ao Grande Oriente Brasileiro, mas também à maçonaria portuguesa. O redator do jornal Idade d’Ouro do Brazil, o padre Ignacio José de Macedo, foi um dos acusados por frei Amador da Santa Cruz de ser um dos mais influentes maçons da Bahia. A partir da sua trajetória e dos seus escritos, particularmente da coleção do Velho Liberal do Douro (1826-1827; 1833-1834), foi possível confirmar as ligações do Ignacio “Gazeteiro” com as sociedades maçônicas e os ideais liberais em Salvador e em Portugal (MAGALHÃES, 2013:221262).

Ignácio José de Macedo foi acusado de ensinar um catecismo maçônico impresso em Londres na “Impressão de Segredo”; o nome correto é Impressão do Silêncio e os três volumes do Compendio das Instrucções Maçonicas para uso do G:. O:. B:., foram preparados em Londres por diligência de Hipólito José da Costa. Por intermédio de Domingos José Martins seus exemplares foram distribuídos entre os pedreiros-livres iniciados na Bahia e em Pernambuco. Até as presentes linhas, foi repetidamente afirmado que esse livro não existia. A principal prova material da existência de um Grande Oriente do Brasil nos tempos coloniais reside na própria existência dos três volumes desse livro.

Na correspondência da Legação de Londres, conservada no Itamaraty, existe uma carta na qual D. Domingos Antônio de Souza Coutinho, referindo-se a Hipólito da Costa, afirma “ouvi depois que ele tinha composto certas cartas maçônicas e hum catecismo que aqui se imprimiu em portuguez” (DOURADO, 1857:121). Esse “catecismo” está desaparecido há mais de dois séculos e todos os autores que escreveram sobre Hipólito da Costa duvidaram da existência do referido impresso. Segundo Rubens Borba de Moraes, o renomado conhecedor de impressos sobre o Brasil, “o catecismo impresso em português em Londres não me consta que tenha sido publicado, nunca vi um exemplar mencionado e nem os biógrafos de Hipólito da Costa citam a existência de algum. É pouco provável, aliás, o ministro português  não o afirma, ouviu dizer” (MORAES, 1968:244-245). Borba de Moraes, nessa questão,  subestimou Hipólito da Costa e Domingos José Martins.

Outra pista sobre a existência do “catecismo” sobre o qual Souza Coutinho “ouviu dizer” está na carta de frei Amador da Sancta Cruz. Esse misterioso frade, que possivelmente se esconde sob um pseudônimo, vivia em Salvador e em 1817, após o Seis de Março, enviou às autoridades na Corte do Rio de Janeiro uma missiva contendo graves acusações contra os pedreiros-livres da Bahia. A carta foi encontrada pelo historiador português Ângelo Pereira no arquivo particular do Conde dos Arcos e impressa em 1956.  Nela, o denunciante revela que a malvada seita dos Pedreiros Livres, cujo principal acento he nesta Cidade [da Bahia], plantada, há mais de vinte annos por Joze Francisco Cardozo (…). Os Padres Ignacios, Gazeteiro, o M.e de Grammatica, e outro mestre da mesma lingoa, Dominicano, e o Substituto das mesmas Cadeiras são iguaes aos antecedentes, todos elles profanadores do seo estado, e as mais fortes columnas da Massonaria; elles são, q. explicão o cathecismo, e Ritual das funçoes massonicas, cujo livro foi impresso em Londres com o titulo = Compendio p.a o Oriente da Bahia= na Impressão de Segredo (PEREIRA, 1956:251-252).[18]

Apesar de Borba Moraes, Carlos Rizzini e Mecenas Dourado duvidarem da existência do “catecismo” foi possível, após dois séculos da sua impressão, encontrar uma coleção completa dos três volumes, que comprovam tanto o valor do ouvido do Souza Coutinho quanto da carta de frei Amador da Sancta Cruz. Pesquisas no The Library and Museum of Freemasonary, em Londres, possibilitaram identificar um exemplar do Compendio das Instrucções Maçonicas para uso do G:. O:. B:. [insígnias maçônicas] :recopilado por hum cavalleiro de todas as ordens maçonicas maçoneria Adonhiramita azul.[London] : Impressão do Silencio, Anno L. 3 v; 12 x 7.5 cm.  Call Number: VBR 200 BRA Item ID: L4297.[19]

Cada volume do Compendio das instrucçoens maçonicas para uso do G:. O:. B:. contempla um dos graus iniciáticos da maçonaria adonhiramita; o primeiro volume é para o grau de aprendiz, o segundo é para o grau de companheiro e, por fim, o terceiro é para o grau de mestre maçom. Não estão datados, apresentando apenas “Anno L.”, ou Ano Lucis (Ano da Luz), em conformidade com o tipo de calendário usado pela maçonaria.

Corrigindo um importante detalhe na denúncia de frei Amador de Sancta Cruz: não é “Impressão de Segredo”; o correto é Impressão do Silencio, mas isso demonstra cabalmente que o denunciante sabia muito sobre a sociabilidade maçônica na capitania da Bahia. De todo modo, essa tipografia, nunca registrada pelos historiadores da maçonaria, do livro e da leitura ou da história luso-brasileira em geral, foi uma forma de Hipólito José da Costa ocultar a sua influência (ou política e intelectual) sobre diversos indivíduos espalhados pelas capitanias brasílicas, mas ligados ao Grande Oriente Brasileiro. Não resta dúvida de que a Impressão do Silêncio era a casa tipográfica de Wright, o mesmo que imprimia o Correio Braziliense.

A existência desses três livros demonstra como os principais biógrafos de Hipólito José da Costa pouco conheceram a real extensão de sua influência sobre a maçonaria brasílica.

Essas instruções maçônicas foram impressas para serem utilizadas na Bahia entre 1813 e 1817. Kurt Prober conhecia o rito utilizado nos primeiros tempos da maçonaria brasílica:

Usava-se primitivamente no Brasil o rito Adonhiramita e por isto mesmo a Arte Real de 1800 até 1834 tinha (…) o nome genérico de ‘Maçonaria Adonhiramita’, nome derivado do mestr.: Adonhiram, designação que ainda encontramos no Manual Maçônico ou Cobridor de todos os ritos maçônicos, impresso no Rio de Janeiro em 1833 (PROBER, 1981:92).

Kurt Prober, o maior colecionador particular de livros sobre maçonaria no Brasil, contudo, sequer teve notícia do Compendio impresso para o Grande Oriente Brasileiro.

Outro elemento que merece ser observado é a importância do conteúdo dos livros feitos para a maçonaria da Bahia, que continuaram a ser copiados pela maçonaria fluminense até os anos de 1830. Tanto isso que, na verdade, os três volumes do Compendio feito na Impressão do Silêncio para o G.O.B. foram reimpressos por diligência de Januário da Cunha Barbosa no Rio de Janeiro em 1833, na Tipografia do maçom Seignot-Plancher, para ser utilizando na Loja Comércio e Artes. Na edição fluminense foi revelando, finalmente, que o autor do Compendio fora Hipólito da Costa. As duas obediências maçônicas em atividade no Rio de Janeiro a partir de 1832 tomaram cuidado de não mencionar qualquer ligação do Compendio com o primitivo Grande Oriente que fora implantado na Bahia. O Compendio das Instruções maçônicas para uso na Loja Comércio e Artes, que está na raiz da formação do Grande Oriente Brasileiro do Rio de Janeiro, é uma mera cópia dos que foram utilizados no primeiro Grande Oriente Brasileiro, em Salvador e também pelos rebeldes pernambucanos de 1817, já que foram achados na casa de Domingos José Martins, que os distribuía no Recife e em Olinda.

É possível, até mesmo, identificar outros agentes de Hipólito da Costa atuando em Salvador na distribuição dos seus impressos. José Joaquim da Silva Maia, que redigiu o Semanário Civico da Tipografia da Viúva Serva, e Carvalho entre 1822 e 1823, revelou:

Nós com maior satisfação, nos encarregamos naquele tempo [isto é, durante a década entre 1812 e 1822] de ser o agente para distribuir nesta cidade os seus folhetos, e a nossa estima a seu respeito ainda mais se aumentou, quando cabalmente soubemos que, tendo sido consultado pelos corifeus democratas de  Pernambuco, ele não aprovou os seus planos (que eles a seu pesar puseram em prática em 1817), formalmente declarando-lhe que o Brasil está ainda no estado infantil, não tinha ainda a virilidade para constituir-se em Estado independente.[20]

Hipólito, apesar dos seus diversos agentes e da sua influência política, estava demasiado distante para interferir no cotidiano do Grande Oriente Brasileiro. Assim, uma questão importante diz respeito à identidade do Grão-mestre do Grande Oriente Brasileiro entre 1813 e 1817, ou seja, a maior autoridade instituída naquela Obediência maçônica. As informações são imprecisas, mas uma pista está no MANIFESTO do G:. O:. B:. [Grande Oriente Brasileiro] a todos os GG:. OO:. GG:. LL:. LL:. RR:. E MM:. [a todos os Grandes Orientes e Grandes Lojas Regulares e Maçónicas] de todo o Mundo, de autoria de José Bonifácio de Andrada e Silva:

Passado este primeiro golpe da partida e do despotismo, os dispersados maçons se reuniram de novo e instalaram a Loja Beneficência, e outras; já então amestrados na escola da experiência, reconheceram a necessidade de nacionalizar o regime maçônico, criando um Grande Oriente do Brasil [Sic] que oferecesse um ponto de apoio e de união a todos os seus filhos, vedasse novas tentativas lusitanas e desse aos maçons brasileiros aquela força que só pode resistir aos tufões da tirania. Animados deste espírito convocaram as Lojas existentes na então primogênita do Brasil [Bahia] e na pátria do Camarão [sic, Pernambuco]; e com a sua zelosa aquiescência deram impulso à grande empresa, inaugurando o primeiro Grande Oriente do Brasil, que foi logo reconhecido e saudado pelos Orientes estrangeiros, e proclamado grão-mestre interino o cidadão Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado. (…) (ANDRADA E SILVA, 1832).

Ainda segundo se pode inferir do Manifesto (1832), a Loja Beneficência, estabelecida no Rio de Janeiro, também estava subordinada ao Grande Oriente estabelecido na Bahia, por curto período, quando “já as Lojas das Províncias procederam à nomeação de seus representantes, quando a revolução de uma delas eriçou de suspeitas o coração do chefe da nação e pôs em movimento as cem garras do despotismo” (Idem). Bonifácio também sinaliza uma aproximação entre o Grande Oriente e as lojas de Pernambuco. O historiador maçom José Castellani, que bem conheceu o referido Manifesto de 1832, demonstrou desprezo pela história do primeiro “Grande Oriente Brasileiro”. Segundo o referido autor, tratava-se de uma instituição “sem qualquer regularidade e sem as características de um núcleo maçônico com influência disciplinar sobre as demais Lojas, o que configura, apenas, uma tentativa de criar uma Obediência nacional, sem qualquer consequência, não podendo, portanto, ser considerada como uma real instalação, como pretende o manifesto, ao falar de uma reinstalação do Grande Oriente” (CASTELLANI, 1993:91). José Castellani, contudo, também não conheceu os Compêndios impressos em Londres e muito menos conheceu a História dos indivíduos que gravitavam em torno daquela associação.

Decerto que uma instituição que tivera, entre seus associados, tão influentes indivíduos deixaria significativos registros na Bahia colonial. Onde, então, esses registros estariam? Ora, estão dispersos no lugar mais seguro para se esconder algo: à vista de todos.  Por exemplo, na literatura, a mais importante e bela obra literária que se imprimiu na Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva foi a Parafraze dos Provérbios de Salomão que é um poema de cariz maçônico. Seu autor foi o pedreiro-livre mineiro José Eloi Ottoni, primo de Joaquim José Vieira Couto, que estivera preso no Santo Ofício de Lisboa junto com Hipólito da Costa. Em recente artigo, publicado na Bahia e em Lisboa, pelo bicentenário daquela obra, foi demonstrado que o poema de Ottoni (1815, mas supostamente teve sua primeira edição em 1813) é um código moral inçado de elementos da simbologia e dos rituais maçônicos de então (MAGALHÃES, 2015:369-419).

Desde 1812, agentes associados a Hipólito da Costa começaram a disseminar textos de autores maçônicos na capitania da Bahia. Exemplo disso foi o gramático baiano, radicado em Liverpool, Manoel José de Freitas, que por meio de sua Arte da Grammatica, revendida na loja de Silva Serva, divulgou textos dos influentes pedreiros-livres Andrew Michael Ramsay e Wellins Calcott. Não foi à toa que Hipólito fez um elogioso editorial sobre essa gramática e o seu autor nas páginas do Correio Braziliense (MAGALHÃES, 2013:8).

Outro pedreiro-livre bastante influente em Salvador foi Diogo Soares da Silva e Bivar. Fundara em 1802, na vila de Abrantes, a Sociedade Tubuciana, junto com Filippe Ferreira de Araújo e Castro, o mesmo pedreiro-livre que ajudara Hipólito da Costa a fugir do Santo Ofício de Lisboa para Gibraltar na Espanha.  O inconfidente português Diogo Soares da Silva e Bivar, preso em Salvador desde 1810 por auxiliar as tropas francesas de Junot, foi colaborador de Macedo no jornal Idade d’Ouro e redigiu a revista As Variedades (1812), a primeira do Brasil, também impressa por Serva, estampando as insígnias dos pedreiros livres no seu frontispício.[21]

Não chega a surpreender a facilidade com que a tipografia de Serva publicasse um poema maçônico ou estampasse as divisas dos pedreiros livres na revista As Variedades. A Comissão de Censura de Livros instituída na Bahia em 1811 era formada por pedreiros-livres cujos nomes são indicados nas listas de denúncias, conforme será abaixo demonstrado.  Entre os membros da Comissão de Censura estavam os pedreiros-livres José Francisco Cardoso de Moraes, José Fernandes da Silva Freire e Antonio Luiz Pereira da Cunha. Francisco Carneiro de Campos, apesar de não ser citado em nenhuma das três listas, também era iniciado na maçonaria. Em suma, a Comissão de Censura literária na Bahia era formada por membros das lojas maçônicas soteropolitanas (MAGALHÃES, 2017:203-236).

Esses sinais da presença do Grande Oriente do Brasil em Salvador não se restringem a discretos impressos, alcançando também a arquitetura. O obelisco construído em homenagem a D. João VI e inaugurado em janeiro de 1815, decerto o primeiro monumento comemorativo estabelecido no Brasil, no antigo terreno do Passeio Público (e hoje esquecido defronte ao Palácio da Aclamação) é, antes de uma homenagem ao rei, uma manifestação da influência política da maçonaria local. Se restar alguma dúvida de que o referido monumento é um constructo da maçonaria colonial, o beneditino Francisco de Paula de Santa Gertrudes Magna a ele se refere em 1816 como a “Pyramide, erecta no Passeio Publico” (MAGNA, 1816). Sua disposição no Passeio Público, dirigido desde 25 de janeiro de 1812 pelo maçom Domingos Borges de Barros (CALMON, 1963:1448), sinalizava aos viajantes e estrangeiros iniciados na maçonaria que havia em Salvador lojas de franco-maçons e, portanto, a sua fraternal assistência, em caso de necessidade. No dia da inauguração, o orador da maçonaria, não por coincidência, Ignacio José de Macedo, concorreu para consagrar o obelisco

Concluido o Pontifical subio ao pulpito o R.do P. Ignacio José de Macedo, e aproveitando as circunstancias da columna pyramidal, que no dia seguinte se havia consagrar ao mesmo Real assumpto, principiou a orar com aquelle texto do Genesis = Erexit titulum Lapideum: Levantou hum titulo de pedra.[22]

Ignacio José de Macedo imprimiu um sermão para celebrar a inauguração do monumento, observando ter sido esse tipo de padrão servia como um “código” capaz de “instruir os homens”:

Singelos Padrões levantados em cima da terra pelas devotas mãos dos Patriarchas, forão os primeiros Templos, e os primeiros Altares em que o Ceo recebeo as primicias da Religião Natural: e pedras lavradas pelo Dedo do Altissimo forão o primeiro Código, em que o Mundo recebeo os preceitos da Religião Revelada […] Logo os Monumentos de pedra são os mais dignos de agradarem a Deos, e os mais capazes de instruirem os homens (MACEDO, 1815).

O Grande Oriente do Brasil expandiu-se até 1817, ano que foi conturbado para a maçonaria nos dois lados do Atlântico. Em Portugal ocorreu a Conspiração de Gomes Freire de Andrade, levando ao cadafalso doze pessoas acusadas de Inconfidência, incluindo o próprio líder, que ocupava naquele ano o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (OLIVEIRA MARQUES, 1990:112-5). Na América portuguesa teve início, em 6 de março, a Revolução Pernambucana, chefiada por Domingos José Martins, que organizou uma loja maçônica “Pernambuco Occidente” em sua casa no Recife (TAVARES, 1884:LXX).[23]

Os dois movimentos estavam articulados pela maçonaria. O historiador José Inácio de Abreu e Lima (também maçom), filho do padre Roma, emissário enviado pelos dirigentes do movimento pernambucano para a Bahia, afirmou em 1843 que a Revolução Pernambucana havia sido arquitetada em conjunto pelos pedreiros livres do Brasil e do Reino, com o objetivo de impelir a saída de D. João VI do Rio de Janeiro para Lisboa e recuperar a autoridade do governo para a monarquia, então sob as ordens de Lord Beresford (LIMA, 1843:183). Essa leitura, contudo, carece de fundamentos documentais. Evaldo Cabral de Mello afirma que o movimento de 1817 ocorreu devido a uma divisão na maçonaria pernambucana, que ficou sob influência da maçonaria inglesa, enquanto os centros maçônicos do Rio de Janeiro e da Bahia permanecerem alinhados às lojas do rito francês, mas “a insurreição não foi um fenômeno isolado, pois no Rio, na Bahia e em Lisboa as conspirações maçônicas estavam na ordem do dia” (MELLO, 2002:9-38). Denis Bernardes observou que:

Uma viagem de Domingos José Martins a Salvador acompanhado de Domingos Teotônio Jorge teria ligação com está correspondência por todos os lugares que a maçonaria propiciava. O Desembargador João Osório de Castro Sousa Falcão já observava que os maçons de Pernambuco esperavam o apoio dos de outras capitanias e a ida do padre Roma à Bahia, em busca de apoio para a revolução e mesmo na esperança de que aquela capitania se levantasse conta o poder real, não foi uma missão feita às cegas. Ele levava a indicação de pessoas a serem procuradas (BERNARDES, 2006:182).

O padre Roma trouxera cerca de setenta cartas para indivíduos em posições estratégicas, mas sua missão fracassou. Não se pode negar, apesar disso, que a conspiração de Pernambuco de março de 1817 estava ligada a indivíduos associados aos centros maçônicos instalados nas outras capitanias da América portuguesa, o que incluí também a Paraíba e o Ceará.

A composição das lojas maçônicas de Salvador era muito diferente daquela existente em Pernambuco. A divisão dentro da maçonaria pernambucana constatada por Evaldo Cabral de Mello somente se manifestaria na Bahia em 1821. A existência de um Grande Oriente do Brasil equilibrou as tensões políticas internas entre os maçons da Bahia. Parte significativa do seu quadro de associados era formado por portugueses, tanto militares quanto comerciantes e intelectuais ligados aos que seria conhecido na Guerra de Independência como “Partido da Praia”, que possuíam sólidas ligações econômicas com as principais cidades portuguesas, especialmente da região do Minho. Não é coincidência que influentes pedreiros-livres ligados ao Grande Oriente do Brasil agiram na repressão aos rebeldes de Pernambuco.

Em 1817, alguns moradores de Salvador foram denunciados como partidários da Revolução em Pernambuco e por, supostamente, terem convidando outras pessoas para “jurar bandeiras francesas”. Aliás, articular-se com esses indivíduos era o objetivo da missão “secreta” e frustrada do padre Roma em março daquele ano, que o levou a ser executado em Salvador, por ordem do Conde dos Arcos. A questão, não obstante, é mais complexa.

Essa denúncia está inserida na documentação referente à Revolução Pernambucana, conservada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, onde consta a lista dos conspiradores da Bahia, que teriam permanecido sob a proteção do Conde dos Arcos.  Seu autor é o padre cura da Sé Catedral, Francisco José da Costa, que já ocupava o cargo desde antes de 1795.[24] Esse documento é, na verdade, uma relação dos principais pedreiros-livres que viviam na Bahia, ligados às três lojas que então existiam. Tanto assim que outro documento, uma carta escrita em Pernambuco pelo pedreiro-livre Antonio de Moraes Silva para seu tio Dr. Rodrigues de Miranda, a 11 de julho de 1817, nega a ligação dos pedreiros-livre da Bahia nos eventos ocorridos na capitania de Pernambuco a 5 de março:

Não tenho que dizer mais gabos do Sr. Conde dos Arcos na sua repartição que não fique mui curto em seus louvores, brade por ele a Paz de Pernambuco, e aclame ao Mundo a sua energia, e atividade, eu já disse parte dos meus sentimentos nos que atribui aos negociantes desta praça, na carta que lhes fiz para S. Exa. Nela vai um toque relativo aos pedreiros livres da Bahia, que talvez tenha mais de calúnia, que de verdade. Mas os vis conspiradores desta terra, que de tudo se ajudavam para dar a Pista à sua moribunda causa, espalharam que na Bahia e Rio havia muita gente desta, que fazia causa comum com eles. Eu não tenho dados para julgar disto; vi os catecismos que se acharam em casa do infame Martins.[25]

Os catecismos encontrados na casa de Domingos Martins são, sem dúvida, os que foram publicados na Impressão do Silêncio. Hipólito da Costa abandonou os rebeldes pernambucanos à própria sorte, apesar de usar o Correio Braziliense para protestar contra a violência empregada na repressão.

É notório que Antônio Carlos de Andrada e Silva, o Grão-mestre interino do Grande Oriente do Brasil, estava em Olinda durante a eclosão da Revolução Pernambucana e teve participação no movimento.[26] É da sua autoria o Preciso dos Sucessos, o primeiro impresso produzido em Pernambuco. Em sua defesa, Antônio Carlos Andrada e Silva tratou de  negar a sua participação no episódio de 1817, mas isso excede os limites do presente estudo.[27] O resultado jurídico da Revolução Pernambucana de 1817 foi o Alvará de 30 de março de 1818, que estabelecia:

[…] sou servido declarar por criminosas e proibidas, todas e quaisquer sociedades secretas, de qualquer denominação que elas sejam, ou com os nomes e formas já conhecidas ou debaixo de qualquer nome ou forma que de novo disponha ou imagine; pois que todas e quaisquer, deverão ser consideradas, de agora em diante, como feitas para conselho e Confederação contra a Lei e o Estado.

O Grande Oriente do Brasil teve existência efêmera, sendo desativado em consequência das turbulências políticas advindas da Revolução de Pernambuco em 1817.  Naquele mesmo ano, D. João VI recebeu uma carta de certo frade chamado frei Amador da Santa Cruz. Nela, o “fiel vassalo” afirmou que a cidade de Salvador estava infestada por seis mil membros, de toda “hierarquia, classe e qualidade [da] malvada seita dos Pedreiros-Livres”. Nas palavras do frade:

Se V. Majestade não der pronto remédio a este mal os seus fiéis vassalos chorarão sem remédio, e serão vítimas da ferocidade de tais malvados; igual bloqueio sofre o Conde Governador atualmente pois as pessoas que o cercam são desta raça, e apenas desponta qualquer projeto, é logo transmitido às sociedades noturnas disputado, acautelado, ou ridicularizado.

A loja Humanidade, segundo Rodrigo Felner, seguindo as informações de José Mendes Costa Coelho, encerrou suas atividades a “15 do 3.o mez de 5817” [4 de Junho de 1817], após o início da Revolução Pernambucana de 6 de março de 1817. O fim da loja Humanidade acabou por encerrar a existência do Grande Oriente Brasileiro. Felner afirma que iniciado ao tempo em que estudava na Universidade de Coimbra, em fins do século XVIII, em uma loja clandestina cujo o venerável era um alemão chamado Matheus.

Os archivos d’este Gr:. Or:. que deviam conter papeis preciosos, foram mandados pelo Gr:. Secr:. para a villa da Caxoeira, onde a pessoa incumbida da sua guarda, temendo o perigo que via imminente, os entregou às chamas.

Os arquivos da Loja Humanidade, contudo, teriam sobrevivido à destruição devido ao zelo dos seus associados (FELNER, 1846:268; ASTRÉA, 1847:80-81). Os seus antigos associados permaneceriam ligados às lojas maçônicas e influenciando os rumos da política nas diversas capitanias do Brasil, inclusive ao longo do processo de Independência.

As três listas de denúncias (1817- 1819)

Se não existem documentos das três primeiras lojas maçônicas da Bahia, como então é possível identificar seus associados? Através de três listas com denúncias contra indivíduos ou agrupamentos que estavam ou tiveram lugar em Salvador. A primeira lista, a mais explícita, está na já aludida Carta de Frei Amador da Sancta Cruz em 1817.

A segunda lista, a maior delas, que apresenta 45 nomes de civis, militares e religiosos pode ser tomada como a mais controversa. Seria uma lista de habitantes da Bahia que teriam sido “chamados a jurar a bandeira francesa” ao tempo da Revolução de 1817. [28]

A terceira está no Arquivo Histórico do Itamaraty (Lata 195, maço 6, pasta 13.  S.d /s.l cerca de 1819). Essa provavelmente trata-se de uma lista com os membros da Loja Humanidade. Não apresenta título, local ou data, mas os nomes nela contidos são, sem exceção, de pedreiros-livres.

As três listas tem dois elementos em comum; o primeiro é momento histórico em que foram elaboradas, já que duas são de 1817 e a terceira possivelmente de 1819 ou 1820. O segundo elemento em comum é a fragmentação das informações. Todas apresentam nomes incompletos, estropiados ou apenas o cargo que ocupavam os denunciados. Foi um desafio identificar todos os nomes indicados nas três listas, mas, em grande parte dos denunciados, pode ser constatado a partir do exame do Almanach para a cidade da Bahia impresso na Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva, em dezembro de 1811.  Em alguns casos, as informações foram completadas a partir de documentos custodiados no Arquivo Público do Estado da Bahia, Arquivo Ultramarino e o Arquivo da Cúria (LEV-UCSal).

Alguns indivíduos são indicados nas três listas, a exemplo de Ignacio José de Macedo, o mesmo jornalista e pregador régio que fez a consagração do obelisco em 1815. A sua presença na lista da Biblioteca Nacional é uma das provas que aquele documento, apesar do que está assinalado, não se trata de um grupo de apoio à Revolução Pernambucana. O padre Macedo foi, na imprensa, o maior opositor ao Seis de Março de 1817 e não perdeu nenhuma oportunidade de condená-lo, mesmo nos anos de 1830 quando já vivia em Lisboa e editava o Velho Liberal do Douro, afirmando-se sempre contrário aos princípios franceses. Publicou sermões e usou a gazeta Idade d’Ouro do Brazil para atacar os rebeldes pernambucanos ao longo de 1817 (MAGALHÃES, 2013:221-262). Segundo José Agostinho de Macedo, seu inimigo, o “Velho Liberal do Douro [Ignacio José de Macedo ], mettido na Bahia, [era] membro em 5.o gráo em Agua Bruca (sic).”[29]  Essa afirmação, além de confirmar que o redator da Idade d’Ouro era pedreiro-livre, revela a localização geográfica de uma das lojas que atuavam na Bahia, a atual ladeira da Água Brusca. José da Silva Lisboa, no seu Atalaia, publicado entre 31 de maio e 2 de setembro de 1823, sempre atacando a maçonaria, também se refere a uma “pedreirada da Agoa-Bruca (sic)”[30]

Em outras passagens das suas trinta e duas Cartas a J.J.P.L. [Joaquim José Pedro Lopes], impressas em Lisboa, em 1827, José Agostinho de Macedo continuou a atacar as posições liberais de Ignacio José de Macedo e José Joaquim da Silva Maia, afirmando que “de hoje em diante não será assim. Velhos Liberais do Douro, Imparciaes, ou Pucarinhos da Maia, Cheios “Agua Bruca, que he Orago de huma Loja de Pedreiros na Bahia”.[31][32] A confirmação de Silva Maia, que à época publicava o Imparcial do Porto, surge em outros trechos, onde José Agostinho de Macedo afirma que “Isto diz o Veneravel da Agua Bruca”.[33][34]  O publicista português em mais de uma passagem associa os nomes dos jornais editados por Maia à sua função na maçonaria: “O Imparcial, ou Veneravel da Agua Bruca”;[35] “O Imparcial do Porto! O seu Auctor he o mesmo Auctor do Semanario Civico da Bahia, que vem a ser a Gaita de folles d’Agua Bruca, como aqui me dizem os que já foram residentes na mesma Bahia.”[36] Por afirmar que seu pai, Joaquim José da Silva Maia, era o Venerável da Loja Humanidade, Emílio Maia, indiretamente, confirma que a agremiação maçônica situada na Água Brusca era a Loja Humanidade. [37]

Também não se pode considerar o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Mello como favorável ao movimento de 1817. A carta de frei amador da Santa Cruz acusa Madeira de Mello de ser membro do Grande Oriente. Um dos participantes da Revolução de 1817, Muniz Tavares, também confirma que “o Marechal (sic) Mello, segundo a voz publica pertencia ao Grande Oriente Maçônico da Bahia” (TAVARES, 1844:149). Apesar de sua associação, a carreira do militar português demostra contínua oposição a qualquer tipo de separatismo entre Portugal e Brasil. Frei Santa Cruz revela uma tentativa de envenenamento contra Madeira de Mello que, contudo, sobreviveria para fazer ferrenha oposição separatistas baianos na Guerra de Independência entre 1822 e 1823.

O pedreiro-livre Felisberto Caldeira Brant Pontes, que aparece em duas listas, inclusive na da Biblioteca Nacional, também era adverso à Revolução de 1817. Em carta ao Conde da Barca (notório pedreiro-livre), Brant Pontes afirma que aprovou as medidas tomadas pelo Conde dos Arcos contra os rebeldes de Pernambuco, com o objetivo de libertar a capitania da “facção jacobina que surgiu no Recife”. Informou ao ministro que os cofres da fazenda Real não estavam preparados para aquela situação, mas colocou à disposição do General tudo o que possuía “por forma a providenciar o armamento e sustento das duas expedições de mar e terra”. Em outra carta, prometeu “expor todos os recursos que disponibilizou para sufocar a revolução”. [38] Felisberto Caldeira Brant Pontes juntou-se com o brigadeiro José Ignacio Accioli de Vasconcellos Brandão, segundo marido da sua sogra, Pedro Rodrigues Bandeira (ambos presentes na lista da Biblioteca Nacional), Manoel José dos Reis e José de Barros Pimentel para contribuir com 400 mil cruzados para compra de recursos e munições para a expedição que partiu da Bahia contra os rebeldes de Pernambuco (AGUIAR, 1896:18).

A lista encontrada junto aos papéis de Pernambuco em 1817, na Biblioteca Nacional não é uma relação dos apoiadores do Seis de Março na Bahia, mas uma relação, decerto parcial, dos pedreiros-livres que integravam as três lojas subordinadas ao Grande Oriente na Bahia. Alguns dos nomes na lista da Biblioteca Nacional, composta majoritariamente por militares, são os suspeitos de envolvimento na Conjuração de 1798. Alguns conjurados também figuram na lista de nomes conservada no Itamaraty. Nelas está Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja, o “doge da Bahia” [39], o boticário João Ladislau de Figueiredo e Mello, Cipriano Barata e Marcellino Antonio de Souza, implicados ou suspeitos na Conjuração de 1798, que se tornaram sinônimos de conspiradores na Bahia. O militar e poeta Paulo José de Melo Azevedo e Brito também era cúmplice do movimento de 1798, apesar do seu nome não aparecer nos Autos. Ele é o “fulano Paulo” que aparece nas denúncias feitas aos inquisidores em 1800 pelos cúmplices de José Borges de Barros, maçom baiano iniciado na Ilha da Madeira nos anos de 1780 ou 1790 (MAGALHÃES, 2016:144-145).

A presença desses indivíduos, ao tempo que o Grande Oriente funcionou em Salvador, impulsionava as afirmações sobre a existência de uma cabala maçônica local. Em 1814, o padre Leonardo Correa da Silva em uma memória encaminhada a D. João VI, sugeriu que a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana foram influenciadas pela maçonaria e, ao mesmo tempo, acusou as autoridades lusitanas de serem lenientes com os conspiradores. Segundo ele, a Conjuração de 1798 tivera origem entre jovens afortunados, que em festas e banquetes, planejaram imitar os franceses instalando uma república na Bahia, não sendo devidamente punida por contar com influentes protetores nos quadros do governo.[40]

José Lino Coutinho, que aparece na lista do Itamaraty, foi nominalmente citado na obra de Felner, como membro da Loja Humanidade, junto com o militar Manoel Pedro de Freitas Guimarães. José da Silva Lisboa indicou como a “selecta mestrança dos pedreiros livres” José Lino Coutinho, Manoel Pedro de Freitas Guimarães, Cipriano Barata e o Desembargador Luiz Manoel de Moura Cabral. Este magistrado, nascido em Portugal, estava ligado ao Grande Oriente Lusitano ou, no dizer Emílio Maia, “recomendado e incumbido na Bahia pelo Club Central de Lisboa”.[41]

Apesar de ter sido acima demonstrado os fundamentos das afirmações contidas na carta de frei Amador da Sancta Cruz, encontrada e publicada pelo historiador português Ângelo Pereira em 1956, sua lista de nomes merece um exame mais profundo, já que nem mesmo Oliveira Marques tivera sucesso em identificar os nomes e cargo nela relacionados. Sancta Cruz aponta que “Há mais de trez annos os Pedreiros-Livres desta Cidade jurarão união cõ os de Buenos Ayres, e ultimarão suas negociaçoens pela pessoa de hum certo D. Lucas q. esteve nesta cidade, homem habil, astuto, e capaz desta, e outras empresas (PEREIRA, 1956:251-252).” Não há registro dessa aproximação entre maçonaria da Bahia colonial e as lojas da Argentina, que fizera sua independência em 1811. A presença de um obscuro personagem em Salvador permite, não obstante, substância à carta de Sancta Cruz e essa aproximação entre as lojas da Bahia e de Buenos Aires.

Esse personagem é o político e advogado D. Lucas Jose Obes (Buenos Aires, 1782 – Niterói, novembro de 1838), pedreiro-livre uruguaio nascido na atual Argentina. Até o presente, todos os que escreveram sobre ele ignoraram sua presença na Bahia desde 1812, afirmando que vivera exilado em Londres entre 1810 e 1814. Ao examinar as páginas da Idade d’Ouro do Brazil foi possível, contudo, encontrar que “Lucas Ovés (sic), estrangeiro” já era subscriptor da Gazeta da Bahia desde o primeiro semestre de 1812.[42]

Lucas Obes era uma das figuras mais importantes da maçonaria de Montevidéu. Advogado nascido em Buenos Aires, estudou no Colegio Nacional de Monserrat, em Córdova, concluindo o curso em Madrid. De lá retornou em 1804 ao Rio da Prata, fixando-se em Montevidéu. Mais tarde retornou à sua cidade natal, onde foi assessor do vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros e manteve contato, antes e depois da Revolução de Maio, com Mariano Moreno. Em 1810 retornou a Montevidéu, foi preso pelo governador Gaspar de Vigodet, enviado preso para a Espanha, desembarcando mais tarde em Londres. É possível que aí tenha conhecido Hipólito da Costa e Francisco Miranda, fundador da Loja Gran Reunión Americana, que desde 1798 operava ideológica e politicamente em prol da independência das colônias americanas.

Na Biblioteca Nacional do Uruguai, na Colección Manuscritos Julio Lerena Juanicó, existem cartas de Obes escritas no Brasil. A mais antiga foi escrita no Rio de Janeiro a 5 de junho de 1811, na qual afirma que tivera “un buen viaje y un buen recibimiento de la Corte”.[43] Do Rio de Janeiro, passou a Salvador. Até o presente ninguém havia notado a sua estadia na Bahia, mas ela terá durado entre 1812 e 1813, justamente os anos da criação do G.O.B.[44]  Em janeiro possuía um escritório comercial ao Corpo Santo, por cima do Trapiche Grande.45 Em junho anunciou a transferência do seus escritório “para a casa da sua residência no principio da Ladeira da Preguiça”46 Seu escritório despachava diversos produtos, como cacau, cascarilha e cobre, em embarcações espanholas e portuguesas.47 Sua saída de Salvador foi anunciada na Idade do Ouro em 12 de novembro de 1813, quando Lucas José Obes, “avisa a esta Praça, que se retira, por tanto, quem tiver contas a arranjar com elle, apareça nas casas de sua rezidencia a Preguiça”.48

A 14 de dezembro de 1813, contudo, ainda estava em Salvador, quando recomendou a Francisco Juanicó que seguindo para a Montevideo o casal baiano 49“Sr. Luis Pinto y su señora Bárbara Garces”, o destinatário os fosse visitar “ya que lo quieren conocer porque están interesados en un determinado negocio”. Obes não descreve o negócio, somente menciona que ele também está envolvido. Além de dois folhetos publicados no Rio de Janeiro, Lucas Obes escreveu uns Apuntes sobre la Revolución de Mayo enfocada desde Montevideo, na qual menciona “Los Amigos de la Independencia de América” e de “Los Americanos amigos de la Independencia” que havia em Montevideo (GARCIA, 1960).50 A 2 de outubro de 1814, Obes já estava em Montevideo, conforme a “Exposición de Lucas José Obes al Gobernador de Montevideo sobre lo observado en territorio del Brasil”.51 Obes viveu, portanto, quase dois anos em Salvador, o que empresta ainda mais fundamentos à Carta de frei Sancta Cruz.

Não há dúvidas das profundas ligações de Obes com a maçonaria luso-brasílica, como comprovam as atas do Grande Oriente Brasileiro [G.O.B fluminense de 1822; não confundir com o da Bahia]. Ele estava presente na [re]instalação do Grande Oriente Brasileiro, já no Rio de Janeiro, em 1822. Na sessão de 29 de junho daquele ano, o presidente José Bonifácio de Andrada e Silva anunciou a partida de Obes para Montevidéo e Labatut para a Bahia. Na sessão de 2 de agosto, também presidida por Bonifácio, Obes estava presente, junto com Felipe Nery Ferreira e Jacques Le Breton, na condição de visitantes. Essa foi justamente a sessão que aclamaria D. Pedro I foi iniciado nos “Augustos Mysterios”, recebendo o nome Guatimosim (BEHRING, 1920,1921:xiii-xiv; PIVEL DEVOTO, 1948:8-9). Em 1822, Obes foi nomeado Procurador Geral da Província Cisplatina.

No geral, no que tange à realidade da maçonaria na Bahia, as três listas são formadas principalmente por grandes proprietários, comerciantes, militares, religiosos, professores-régios e intelectuais (jornalistas, poetas, gramáticos, o bibliotecário, o boticário, etc.). Essas listas, contudo, estão longe de apresentar o total dos maçons que atuavam na Bahia. Esse número deve alcançar algumas centenas de indivíduos. Sancta Cruz afirma existir 6 mil maçons na Bahia em 1817, mas esse número certamente está muito exagerado.

Confirmando as observações de James Prior em 1813, o nome ou o cargo de diversos sacerdotes católicos aparecem nas três listas. Identificá-los foi um desafio que Oliveira Marques não conseguiu. A Carta de frei Sancta Cruz é bastante contundente na denúncia contra a infiltração do Arcebispado da Bahia por elementos secretamente ligados ao Grande Oriente. Segundo o denunciante:

O Provizor do Arcebispado [José Fernandes da Silva Freire] he hum dos mais execrandos Pedreiros-Livres; sendo Conego não frequenta nunca o Coro, não reza, nem diz Missa, e quando por obrigação a deve dizer na Sé pede, ou paga a quem as diga. O Verão passado athe á procição (sic) dos Passos conservou-se na sua quinta na Barra fazendo n’ella continuados jantares massonicos, e conventiculos,  sendo ferquentes (sic) socios d’ellas o Marechal [Madeira de] Mello, homem de caracter detestavel pela falta de Religião, e de moral. Este Padre com os seos  estratagemas insinuou-se no animo do defuncto Arcebispo, e de maneira tal, q com as suas intrigas, e cabalas sacrificou  á morte o innocente Prelado, muito mais quando soube, q elle reprezentava a V. Mag.e contra os Pedreiros-livres (PEREIRA, 1956:251-252).

José Fernandes da Silva Freire, que aparece em duas listas, servindo ainda como censor, apesar de natural da Bahia, publicou uma exortação contra a Revolução Pernambucana,[45] sempre se manteve pro-Portugal e acompanhou Madeira de Mello em 1823, falecendo em Lisboa poucos anos depois. Tornou-se, à época da independência, na principal autoridade religiosa do Arcebispado da Bahia.

Em todas as três listas figura também o nome do vigário da Rua do Passo, Vicente Ferreira de Oliveira. Em outra assertiva, Santa Cruz acusa “O Pe. Mestre Fr. Luiz, franciscano, a quem o provizor por ser amigo íntimo o meteu para mestre do Seminário”. O Provisor do arcebispado era o deão José Fernandes da Silva Freire, que foi inspetor do Seminário de São Dâmaso (MATTOSO, 1992:353).

A lista da Biblioteca Nacional, a mais longa das três, apresenta o nome de diversos militares, em sua maioria de elevada patente. Além dos já referidos Madeira de Melo e Manoel Pedro de Freitas Guimarães, está também o intendente da Marinha, Henrique da Fonseca Sousa Prego, a quem Oliveira Marques já identificara como pedreiro-livre (OLIVEIRA MARQUES, 1990:187). Também estava também o Coronel Inácio José Aprígio da Fonseca Galvão, o autor do primeiro livro didático de História que se imprimiu no Brasil (1826), uma versão resumida da Corografia Brasilica do Padre Cazal e utilizado no Seminário de São Joaquim (SACRAMENTO BLAKE, 1970a: v. 3, 261). Outro que aparece na lista é o coronel Manuel Inácio da Cunha Menezes “sesmeiro das terras do Rio Vermelho, Amaralina e Pituba, [que] usava o título de tenente-coronel, mas não era militar”, que fez parte da junta governativa de 1821 (TAVARES, 2005b:39).

Uma das consequências imediatas da Revolução Pernambucana de 1817 foi a necessidade encerrar os trabalhos das lojas maçônicas soteropolitanas. A prisão de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada o Grão-Mestre interino do Grande Oriente Brasileiro, em março de 1817, que se estendeu até meados de 1821, teria deixado aquela Obediência Maçônica acéfala, o que abriu caminho para o enfraquecimento e sua extinção.

Apesar do Grande Oriente Brasileiro encerrar suas atividades em 1817, decerto as lojas maçônicas continuaram funcionando em Salvador. É certo que a Loja Humanidade retomou suas atividades, se é que as encerrou de facto, em 19 de março de 1820:

Todavia os trabalhos da L:. Humanidade […] recomeçarão em 27 do 12.o mez de 5820 [19 de março de 1820], devendo-se ao zêlo de todos os seus obreiros a conservação do archivo, por elles subtrahidos aos furores dos inimigos da instituição. Ao Quadro d’esta Off:. pertenciam os II:. Manoel Pedro de Freitas Guimarães, tenente coronel, e depois brigadeiro, que, posto à frente do corpo d’artilheria, fez echoar na Bahia o brado patriotico de liberdade, levantado no Porto, repetido em Lisboa, e propagado sucessivamente por toda a extensão do reino de Portugal; – e os II:. doutor José Lino Coutinho, e Francisco Antonio Felgueiras, que por essa occasião passarão a formar parte do governo provisorio d’aquella opulentissima província (FELNER, 1846:68).

O encerramento das atividades do primeiro Grande Oriente do Brasil não significou o fim da maçonaria na Bahia colonial. Além do restabelecimento da Loja Humanidade, outras lojas foram criadas em Salvador entre 1819 e 1822, atuando com mais discrição por causa do decreto 1818. Estavam, não obstante, sem uma Obediência posta acima de seus projetos particulares e, portanto, incapazes de equilibrar as diferenças políticas entre as lojas. Na prática, essas divergências políticas fomentadas dentro de lojas maçônicas conduziram a Bahia à guerra de 1822-1823.

QUADRO DOS  PEDREIROS LIVRES NA CAPITANIA 

DA BAHIA (1812-1821)

SC = Carta de frei Amador da Sancta Cruz  (1817). In: PEREIRA, Ângelo. D. João VI, Principe e Rei. Volume III, A Independência do Brasil. Lisboa: Empresa Nacional de Publicações, 1956, pp. 251 e 252.

IT = Arquivo Histórico do Itamaraty – Lata 195, maço 6, pasta 13.  S.d /s.l (cerca de 1819).

BN = Documentos Históricos da Biblioteca Nacional, Vol. CII, Rio de Janeiro, 1953,

Revolução de 1817, pp. 204-206. O original está na Seção de Manuscritos da

Biblioteca Nacional I – 31,32,13

 

N NOME REFERÊNCIA MAÇONARIA OUTRAS REFERÊNCIAS
01 ALBUQUERQUE,

José Freire de

Carvalho e

BN “Tenente Coronel” Almanak de 1812, p.252. Tenente-Coronel do Regimento de Cavalaria de Milícias de São Francisco. Luís Henrique Dias Tavares. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2005. 2. Ed., p. 159. Entregou a Labatut o tesouro dos engenhos Passagem e Cachoeirinha, num total de 113 contos de réis.
02 ALMEIDA,

Cypriano José

Barata de

Almanak de 1812, p.225.  Cirurgião Aprovado.  Saúde, N. 18.

Curiosamente não aparece em nenhuma das três listas, mas é apontado por José da Silva Lisboa como mestre maçom. Na juventude foram amigos tornando-se adversários na maturidade.

03 ALMEIDA,

Joaquim José

Barata de

IT “O Baratinha Escrivão” Irmão de Cipriano Barata.  AHU, Castro Almeida. Documento n. 18.777 REQUERIMENTO de Joaquim José Barata de Almeida, relativo a opposição que tivera para tomar posse da serventia do officio de Escrivão da Ouvidoria Geral do Cível da Bahia, de que se lhe fizera mercê por despacho de 22 de fevereiro de 1797. Ousou processar os desembargadores Antonio Gabriel Henrique Passos e Agostinho Petra de Bittencourt. Quando o processor alcançou o Desembargo do Paço, no Rio de Janeiro, passou a condição de “caluniador de ministros”. Foi determinado que seguisse preso para Fernando de Noronha, pena comutada em prisão no Forte São Marcelo, por intervenção de Nabuco de Araújo, chanceler do Tribunal da Relação da Bahia. Luís Henrique Dias Tavares. Da sedição de 1798 à revolta de 1824 na

Bahia. Salvador: EDUFBA, 2003.

p. 161.

 

N NOME REFERÊNCIA MAÇONARIA OUTRAS REFERÊNCIAS
04 ALVES, Manuel José BN “Capitão do Forte de Santo Antônio”
05 BANDEIRA, Pedro Rodrigues BN /IT Almanak de 1812, p.189 e 204. Soledade, N.4. Empregado na Casa da Moeda da Bahia. Idade d’Ouro do Brazil n. 24, 1813: “O brigadeiro inspetor Felisberto Caldeira Brant, a quem esta capitania deve a introdução da vacina, uniu-se com o comendador Pedro Rodrigues Bandeira em 1810 e mandaram encomendar a Walsh e Bolton uma bomba de vapor aplicável aos engenhos de açúcar semelhante à que se usam nas colônias inglesas”.

Foi um dos deputados brasileiros que se recusou a jurar a

Constituição portuguesa.

APEB. Seção Judiciária. Inventário de Pedro Rodrigues Bandeira, 14.10.1835,  Inventários/ Capital, maço 146; Testamentos/ Capital, Livro 23, ff. 233v-246v, 28.06.1835.

06 BARBOSA, José

Avelino

(Bahia, 10.11.1768

– 18.01.1838)

BN “o médico José Avelino” Almanak de 1812, p. 219 Médico da Misericórdia. Rua dos Capitães, N. 52.

Médico     pela     Faculdade     de

Medicina de Coimbra.

07 BARRETO,

Antônio de Sá

BN “Capitão” Diccionario Aristocratico contendo os alvarás dos foros de fidalgos da Casa Real que se achão registrados nos Livros das Mercês. Tomo Primeiro. A-E. Lisboa: Imprensa Nacional, 1840. p.113. ANTONIO DIOGO DE SÁ BARRETO, natural da Villa de Sergippe do Conde, Arcebispado da Bahia, filho de Gaspar Maciel de Sá Barreto, Fidalgo da Casa, e neto de Diogo Antonio de Sá Barreto. Fidalgo Cavalleiro, por Alvará de 20 de Julho de 1799. Livro 29 das Mercês da rainha D.

Maria I, folhas 222.

08 BARRETO,

Francisco Joaquim

Alves Branco

Muniz

BN Francisco Joaquim Alves Branco Moniz Barreto, filho de Domingos Alves Branco Moniz Barreto, o “Vovô Maçom”, nos quaes pede para assentar praça de cadete voluntario, passagem para o Estado da India e que se lhe passe. Estava no Rio de Janeiro em 1817.
09 BARRETO,

Joaquim Anselmo

Alves  Branco

Muniz

BN Almanak de 1812, p. 159:  Juiz dos Órfãos, Rua do Colégio, n. 25.

PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-

001/B/001705

Matrícula   na    Universidade        de

Coimbra em 31-10-1792

Formado   a    03-10-1795-10-03

Naturalidade: Baía, Brasil

Faculdade: Direito

10 BARRETO,

Teotônio Mendes

BN Estava ocupando cargo no Erário Régio no Rio de Janeiro em 1817.
11 BARROS, Domingos Borges de (Salvador

10.10.178020.03.1855)

IT “Borges Naturalista”. Era filho do Capitão Mor Francisco Borges de Barros e de Luiza Borges de Barros. Em 1811, D. Rodrigo de Sousa Coutinho demonstrou preocupação com a chegada à Bahia, vindo da França, com uma escala em Nova York, de Domingos Borges de Barros e dos irmãos Sebastião e Vicente Carvalho. Acompanhava-os João Pereira de Souza Caldas, que desembarcou no Rio. Todos os quatro foram imediatamente detidos e interrogados sob suspeita de serem pedreiros-livres envolvidos em uma conspiração contra a monarquia portuguesa.

Borges de Barros manteve uma casa em Paris, frequentada por diversos maçons brasileiros. O médico Johnatas Abbott, iniciado na maçonaria na Bahia em 1824, deixou vários registros no seu diário.

12 B O C A C C I A R I ,

Felippe      Rodrigo

Lucas

IT

“Seu    irmão   Felipe

Bocaxar”

Almanak de 1812, p. 101, Morava ao Palácio do Governo.
13 BOCACCIARI, José Thomas IT            “O                Brigadeiro Bocaxar” Almanak de 1812, p. 109, Morava ao Palácio do Governo.

Foi o procurador do casamento do inconfidente e maçom português Diogo Soares da Silva e Bivar, preso no forte de São Pedro, em Salvador.

14 BRANDÃO,      José

Inácio   Accioli    de

Vasconcelos

BN “brigadeiro José Inácio” Almanak de 1812, p. 108 e 210. Major Reformado, ao Cabeça n.1. Comerciante, Corpo Santo N. 2.

Casado com d. Ana Joaquina de S. Miguel de Souza Menezes e Castro (viúva do coronel Antonio Cardoso Santos), cuja a filha d. Ana Constança Guilhermina de Castro Cardoso era casada com Felisberto Caldeira Brant Pontes desde 27 de junho de 1801.

15 BRITO, Paulo José de Melo Azevedo e

(Salvador,

01.01.177925.09.1848)

BN Almanak de 1812, p. 178.  Atrás do muro do Desterro N. 2.

Foi vice–presidente da primeira junta provisória do governo da Bahia, na eleição de 10.2.1821; depois presidente da mesma província e seu representante na 3.a legislatura da Assembléia Geral. Foi vereador, deputado geral, presidente da província da Bahia, de 15 de outubro de 1840 a 26 de junho de 1841. Foi também senador do Império do Brasil, de 1846 a 1848. Foi comendador da ordem de Cristo, veador da imperatriz e senador do império pela província do Rio Grande do Norte.

16 BULCÃO, Joaquim

Inácio de Siqueira

(São Francisco do

Conde, 14.06.1768

– 25.05.1829)

BN “Capitão-mor Joaquim Inácio de

Siqueira Bulcão”

Joaquim Inácio de Siqueira Bulcão, primeiro barão de São Francisco, era proprietário de vários engenhos de açúcar e plantações de tabaco. Cunhado do Secretário de Estado José Pires de Carvalho e Albuquerque. Durante a conjuração de 1798, Cipriano Barata e Marcelino Antonio de Souza lavravam suas canas no engenho de Joaquim Inácio de Siqueira Bulcão. Foi capitão-mor da Vila de São Francisco, onde foi artífice político da proclamação da Independência do Brasil na Bahia, em 13 de junho de 1822, lançou uma proclamação concitando os baianos a aclamar a regência de D. Pedro I, simultaneamente, em todas as vilas no dia 29 de junho. Durante o movimento acolheu e sustentou os emigrados da capital, arregimentando-os e armando-os para a Independência da Bahia. Depois foi membro da junta de governo instalada após a saída das tropas portuguesas da Bahia, junto com Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque e José Joaquim Muniz Barreto de Aragão.
17 C A L D E I R A ,

Felisberto Gomes

(1786-1824)

IT “Ajude de Ordens Felisberto Gomes” Almanak  de 1812, p. 110. Nazaré, N.32.

Militar nascido no Serro Frio, Minas Gerais, atuando na guerra de independência da Bahia como comandante do Exército Pacificador no Recôncavo. Era primo de Felisberto Caldeira Brant Pontes.

Morreu na Revolta dos Periquitos.

18 C A R D O S O , Lourenço da Silva

Magalhães

IT “Vigário de São Pedro” Almanak de 1812, p. 96. A São Pedro Velho, N. 28. Em 1812 servia interinamente como vigário da paróquia de São Pedro.

Biblioteca Nacional. Seção de Manuscritos. 12,3,2, fls. 150-150v: Segundo a Junta Provisória da Bahia, seguiu para Cachoeira para “fomentar revoluções” em 1822. Arquivo da Cúria (LEV). Apresentação do Pe. Lourenço da Silva Magalhães, 8 de novembro de

1781. A.A.B. Apr. P. 2, n. 39. 145.

19 CARDOSO, Pedro Antônio BN “Coronel”
20 CASAS, Tomás Aquino de las SC “Outro da mesma Língua dominicano” Almanak de 1812, p.231. O reverendo Padre Fr. Thomas de Aquino. Atrás de São Pedro, N. 20. Mestre de Gramática Latina. Achão-se matriculados 25 estudantes.

Thomas de Aquino de Las Casas, ex dominicano, que ensinou por 14 anos gramática na Bahia e depois no Rio de Janeiro, perfazendo 44 anos de magistério, passando por suas aulas mais de 1000 alunos, entre eles futuros ministros do Império. MOURA, Laércio Dias de. A educação católica no Brasil: passado, presente e futuro, p. 67 Dedicou-lhe uma oração latina o Moniz Barreto

21 CASTELBRANCO, Alexandre Gomes

Ferrão

BN Diccionario Aristocratico contendo os alvarás dos foros de fidalgos da Casa Real que se achão registrados nos Livros das Mercês. Tomo Primeiro. A-E. Lisboa: Imprensa Nacional, 1840. p.21-22. Alexandre Gomes Ferrão Castello Branco, natural da Cidade da Bahia, filho de José Diogo Gomes, Ferrão de Castello Branco, Fidalgo da Minha Casa, e neto de Alexandre Gomes Ferrão Castello Branco. Fidalgo Cavalleiro, por Alvará de 30 de Julho de 1796. Livro 18 das Mercês da Rainha D. Maria I, folha 301v.
22 CESLAO, Antonio de Almeida Pacheco SC “O Me. de Grammatica Pe.

Antonio de Almeida

Pacheco Ceslao”

Almanak de 1812, p.184 e 231. O Reverendo Padre Antonio de Almeida Pacheco Cesláo. Ladeira do Carmo, N. 31. Achãose matriculados 27 estudantes. Mestre de Gramática Latina.

Cândido da Costa e Silva. Os segadores e a Messe, p. 308.

É o mestre de gramática e “Promotor do juízo eclesiástico” apontado na carta de Sancta Cruz.

23 COUTINHO, José Lino dos Santos IT Maçom ligado à Loja Humanidade. Além da lista do Itamaraty, o Almanak do Rito Escocês de Rodrigo Felner confirma que Lino Coutinho era pedreiro-livre.
24 CUNHA,     Antônio

Luiz Pereira da

BN Almanak de 1812, p.162; Conselheiro Comendador, Rua da Ajuda, N. 10.
25 DALTRO,     Manuel

da Silva

BN “Capitão” Almanak de 1812, p. 124. Capitão da 8.a Companhia do Primeiro Regimento de Infantaria.  Rua de Baixo, N. 13.

Segundo Supplemento à Gazeta de Lisboa. N. IV, Sábado, 26 de Janeiro de 1805.  Alferes de granadeiros da 4. Companhia do 1. Regimento de Infantaria da Cidade da Bahia.

No documento da BN aparece como Manuel dos Santos Daltro.

26 DÓRIA, Antônio

Frutuoso de

Menezes

BN “coronel”

IT “O Coronel Doria”

Almanak de 1812, p. 109. Ao Saboeiro, n. 3. CARTA DE ANTÓNIO FRUTUOZO DE MENESES DÓRIA O autor, pede ao Conde da Barca, “que actualmente Dirige os Negocios Publicos”, proteção para o requerimento incluso onde suplica a efetividade do Posto de Coronel de Infantaria do qual já tem graduação há seis anos, embora continue no exercício de Ajudante de Ordens do Governo da Baía.Datas 1817-03-08 – 1817-03-08 Código de referência PT/UM-ADB/FAM/FAA-

AAA/000562 Cota atualB-8(32, 1)

 

N NOME REFERÊNCIA MAÇONARIA OUTRAS REFERÊNCIAS
27 FALCÃO, Rodrigo Antônio BN “capitão” Almanak de 1812, p. 131,  Capitão da 3.a Companhia da Cavalaria.

Rua de Guadalupe, N. 56.

28 FRANÇA, Antonio

Ferreira

BN/IT   “Médico” Almanak de 1812, p. 140 e 229. Lente de Matemática. Na Ladeira da Palma, N.33. Médico,  Casa da Ópera, N. 33.

Ingressou no Apostolado de José Bonifácio.

29 FREIRE, José

Fernandes da Silva

BN/ SC “Provizor do arcebispado” Almanak de 1812, p. 94, Cruzeiro de São Francisco, n.15.
30 FREITAS,         Félix

Gonçalves de

(1765-1836)

SC           “Vigário   do Passé” Vigário da Freguesia de Nossa Senhora da Encarnação de Passé, seis léguas distante da Bahia. Apresentado por Carta Régia de 17 de fevereiro de 1808.
31 GALVÃO, Inácio José Aprígio da

Fonseca

BN “coronel” Almanak de 1812, p. 137 e 177. Coronel honorário. Rua Direita do Palácio, N. 53. Official Maior da Secretaria de Governo.

É o autor do primeiro livro didático de História que se publicou no Brasil.

32 GALVÃO, Luis

Antonio da

Fonseca

BN Arquivo Público de Alagoas. Termo de Demissão do Brigadeiro Graduado Luiz António da Fonseca Galvão. Dezembro de 1822.
33 HENRIQUES, João Joaquim de Freitas BN          “O                Sargentomor” Almanak de 1812, p. 112. Agregado ao 1. Regimento de Infantaria. Rua de Baixo, N. 46.
34 HORTA, Felisberto

Caldeira Brant Pontes de Oliveira e

(Mariana, MG, 19.09.1772 – Rio de Janeiro

13.06.1842)

BN/IT Almanak de 1812, p. 108. Marechal e inspetor das tropas. Ao Barril, n.27.

CALÓGERAS, João Pandiá. O marquês de Barbacena. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora

Nacional, 1936

35 HORTA,      Manços

Vieira da

IT “O Curigião (sic) Manço” Almanak de 1812, p. 227. Cirurgião Aprovado. Ás Portas do Carmo N. 9.
36 LIMA, Antonio

Carlos de

Alvarenga de

Abreu e

SC       “Vigário       de

Paripe”

AHU, Bahia. Eduardo Castro de Almeida. 25.162 e 25.163. Carta do Padre Vicente Ferreira da Silva para o Governador da Bahia, em que acusa o Vigário encommendado da freguezia de Nossa Senhora do O’ de Paripe [Antonio Carlos de Alvarenga de Abreu e Lima] de commetter graves faltas no exercício das suas funções. Bahia, 17
37 LISBOA, Francisco José BN Almanak de 1812, p. 218. Mordomo dos Prazos da Mesa da

Misericórdia. Ao Pilar, N.13.

38 LISBOA, Manoel Inácio BN Almanak     de     1812,    p.     212.

Comerciante. Cais Dourado, N. Seu filho Gaspar José Lisboa estudou direito em Coimbra (1820).

39 LOPES, Joaquim José BN Almanak de 1812, p. 199. Guarda Mor da Alfândega do Tabaco. Rua da Ajuda, N. 9.
40 MACEDO, Ignacio José de BN/IT/SC                “Ignacio Gazeteiro” IGLESIAS      MAGALHÃES,     Pablo

Antonio (2013). «Ignacio José de Macedo: da Idade d’Ouro ao Velho Liberal do Douro (1774-1834)». Revista do Instituto Geográfico e

Histórico da Bahia, v. 108, p. 221262. http://media.wix.com/ugd/ e32957_26d995f8f5004b02a6 0e7af44ff1864f.pdf  Consultado em 06 de janeiro de 2015.

41 MACHADO, José Antonio IT “Joze Anto

Machado e seus Irmaos”

42 MACHADO, Manuel José BN Almanak de 1812, p. 212 e 241. Comerciante. Pilar, N. 12.

Administrador do Teatro São João.

43 MATOS, Lúcio José de BN “Bibliotecário da Livraria Publica” Almanak de 1812, p. 237. Bibliotecário da Livraria Pública. Rua da Faísca, N. 3.

Amigo de Francisco Agostinho Gomes.

44 MELLO, Inácio

Luís Madeira de

(Chaves, 1775 – 1833)

SC “Marechal

Madeira de Mello”

Comandante das tropas portuguesas na Guerra de

Independência.

45 MELLO, Manoel José de IT/BN Almanak de 1812, p. 212, 236 e 241. Comerciante e Tesoureiro da Livraria Pública. Rua de Baixo, N. 18.  Bibliotecário da Livraria Pública. Tesoureiro do Teatro São João. Amigo e sócio de Francisco Agostinho Gomes.
46 MELO, João

Ladislau de

Figueiredo

IT “o Boticario Ladisláo” / BN Silva, Evaristo Ladisláu e. Recordações-biographicas do coronel João Ladisláu de Figueirêdo e Mello. Salvador : Typ. de C. de Lellis

Masson, 1866. 152 p. : ret. ; 21 cm

47 MENEZES,

Francisco

Agostinho de

Mello Sousa e

BN “Tenente

Francisco

Agostinho”

Foi nomeado segundo-tenente da Marinha portuguesa por decreto de 10 de setembro de 1795. Manuel Lopes de Almeida (ed.). Notícias históricas de Portugal e Brasil (17511800). Coimbra: Coimbra Editora, 1964, p. 300.

Francisco Agostinho de Mello Sousa e Menezes, foi oficial-tripulante da nau Príncipe Real, que transportou a família real portuguesa em sua vinda para o Brasil em 1808.

BNRJ. Seção de Manuscritos. C-0809,032.  Menezes, Francisco Agostinho de Mello de Souza e, capitão-de-mar-e-guerra e moço fidalgo da Casa Real. Requerimentos encaminhados ao Ministerio do Império, solicitando perdão de uma divida contraída com o Erário Real e nomeação para o cargo de comando de qualquer embarcação destinada a Lisboa ou para o cargo de governador de Moçambique, Goiás ou ilha de Cabo Verde. Solicita também nomeação para o cargo de inspetor do Arsenal ou intendente da Marinha na Bahia, Para ou Rio Grande do Sul

01/01/1779

48 MENEZES,

Manoel Coelho de

Sampaio

IT “O Vigário de Sta Anna” Almanak 1812, p.100. Vigário da Freguesia de Santana do

Sacramento. Ao Desterro, N. 1. Manuel Coelho Sampaio Menezes, 3 de outubro de 1806. A.A.B. Apr. p. L, n. 48. 144.

“O padre Roma foi sepultado na matriz de Sant’Anna, em logar não assignalado, por concessão especial do respectivo vigario, padre Manuel Coelho de Sampaio e Menezes, attendendo a condição sacerdotal do arcabuzado”. Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 1977. O Vigário Manoel Coelho de Sampaio e Menezes. 7 — Dos seus sermões e escritos publicados podemos enumerar apenas os seguintes: 1860 — História Eclesiástica da Bahia. 1870 — Quelques Mots sur l’église de Bahia (Brésil), par l’abbé Romualdo Maria de Seixas Barroso.

Roma: imp. de Salviucci, 1870.

49 MENEZES, Manuel

Inácio da Cunha

BN “Capitão” Almanak de 1812, p. 130. Capitão da 2.a Companhia de Cavalaria. Rua da Poeira, N. 24.
50 MORAES, José

Francisco Cardoso de

SC/BN Almanak de 1812, p. 190.  Secretário e Deputado da Mesa de Inspeção, morador às Portas do Carmo N.79.
51 NOGUEIRA, José

Malaquias Soares

Serpa

IT “Ajude de Ordens Malaquias” Almanak de 1812, p. 110. Rua dos Capitães, n. 25. Era Ajudante de Ordens do Inspetor Geral das Tropas, junto com Felisberto Gomes Caldeira. AHU, Bahia. Eduardo Castro. 28.348 Requerimento do Tenente de Artilharia José Malaquias Soares Serpa Nogueira, filho do Sargento-mór de Infantaria João Soares Nogueira e de D. Joanna Theodora Soares Serpa, no qual pede a justificação dos seus serviços.

Annaes do Archivo Público da Bahia, Volumes 56-57, 2000, p. 260. Doc. 55 – Oficio de D. Rodrigo de Souza Coutinho para D. Fenando José de Portugal solicitando que interponha um parecer a respeito do conteúdo do requerimento de José Malaquias Soares Serpa e de

José Gonçalves Galeão

52 NOGUEIRA,

Manuel dos Santos

BN “do Regimento Velho” Almanak de 1812, p. 122 Quartel mestre do Primeiro Regimento de Infantaria. Rua do Saldanha, N. 20.
53 OBES, Lucas José SC “D. Lucas de Buenos Ayres juraram união com os maçons brasileiros”. Ver as informações sobre esse personagem no corpo do texto.
54 OLIVEIRA, Vicente Ferreira de BN /SC / IT “O Vigário Vicente

Ferreira de Oliveira” / “Vigário do Passo” /  “Vigário da Rua do

Passo”

Almanak de 1812, p. 101. Vigário do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo. Morador na Ladeira do Carmo, n. 69.
55 PANTOJA,

Hermógenes

Francisco de

Aguilar

BN/IT Almanak de 1812, p.126. Capitão, morava à Piedade, N.9.

Envolvido    na    Conspiração    de

1798.

56 PEIXOTO, Manoel Tomás BN Almanak                 p.             213.                Comerciante. Praça de São Bento, N.9.

Memorias Históricas da Bahia vol. 4, p.35, 2. ed.

“general Madeira que se reunisse a Camara no dia 2 de Junho para dar posse a essa junta, mas recusou acceitar a respectiva presidencia o nomeado para isso, Manoel Thomaz Peixoto”.

57 PITA, Manuel Teles de Souza BN Almanak p. 232. Substituto das cadeiras de Gramática Latina. Rua da Ajuda, N. 32.
58 PREGO, Henrique da Fonseca Sousa (Lisboa, 1768 — Gaeiras, Óbidos,

25 de Março de

1847)

BN “intendente da Ribeira Prego”.

Oliveira Marques,

História da Maçonaria, Vol. 1,

p.187, já o confirma como maçom.

AHU, Bahia, Eduardo Castro, 26.318 Officio do Intendente da Marinha Henrique da Fonseca Sousa Prego. O primeiro cargo de relevo que desempenhou foi o de Intendente da Marinha da cidade da Bahia,  para o qual foi nomeado por decreto de 17 de Dezembro de 1802. Já tinha regressado a Lisboa em 1807, sendo comandante da nau Medusa quando ocorreu a transferência

 

da corte portuguesa para o Brasil. Ao comando da Medusa, coube a Sousa Prego proteger a retaguarda da esquadra que largou do porto de Lisboa a 29 de Novembro de 1807; Como Chefe de Esquadra, recebeu do Príncipe Regente D. João o encargo de comandar a esquadra que conduziu a Princesa Real D. Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena de Livorno ao Rio de Janeiro, porto aonde chegou a 5 de Dezembro de 1817, já graduado em vice-almirante. Em 1822 foi nomeado comandante da esquadra destinada a patrulhar as costas da Província da Bahia, o último cargo que exerceu antes de regressar a Portugal.  Henrique da Fonseca Sousa Prego retirou-se em 1842 para a Casa das Gaeiras, na freguesia homónima do concelho de Óbidos, onde viveu até falecer. Está sepultado na Capela de São Marcos da Casa das Gaeiras, freguesia de Gaeiras, num túmulo onde está inscrito: “Aqui jaz o vicealmirante H.F.S.P. que serviu por mais de 60 anos o Rei e a Pátria com fidelidade”. Ver:  José Filipe Menéndez. A Verdadeira Varonia do Vice-Almirante Henrique da Fonseca de Sousa Prego, Subsídios para a genealogia dos Sousa Prego.

Queluz: edição de autor, 1999.

AHU, Rio de Janeiro, Avulsos (16141830). CARTA (cópia) do chefe da divisão e intendente da Marinha da Bahia, Henrique da Fonseca Sousa Prego, ao príncipe regente [D. João], informando que tomou posse do seu ofício no ano de 1803 e as reparações que mandou fazer no porto, entre as quais a construção de casa para a guarda do arsenal a fim de armazenar as madeiras de construção, uma serralharia e ferraria com oito forjas que serve para os consertos dos navios e das armas dos regimentos de linha e milícias; apresentando algumas observações para a continuidade

 

dos melhoramentos necessários para o porto daquela cidade. 5 de agosto de 1808.

Diário do governo, Lisboa, sábado 14 de setembro de 1822. p. 2625

Senhor : O Vice-Almirante Henrique da Fonseca Sousa Prego, vendo com assombro a injustiça com que seus inimigos tem espalhado boatos calumniosos contra a sua honra, boatos que infelizmente resoarão debaixo das Abobadas deste Augusto e’ Soberano Congresso, e derão lugar ás desfavoráveis expressões que o Supplicante vê com magoa, e com espanto na falia de hum Illustre Deputado transcripta no Diário do Governo N. 205.

59 ROCHA, José

Ribeiro Soares da

BN “Padre José

Ribeiro

Soares da Rocha,

Professor de

Retórica”

Almanak .p 231. Professor de retórica e morador na Ladeira da Palma N. 33. (mesmo endereço de Antonio Ferreira França). Cônego da Sé da Bahia. Achão-se matriculados 3 estudantes.
60 SANTA      TEREZA,

Luis de

SC “O Pe. Mestre Fr. Luiz, franciscano, a quem o provizor por ser amigo íntimo o meteu para mestre do Seminário” Almanak, p. 98; Menor reformado de São Francisco.
61 SILVA,  João Pessoa da BN “do dito

Regimento [velho]”

Almanak de 1812, p. 123. Tenente da 5.a Companhia do Primeiro Regimento de Infantaria.
62 SILVEIRA, Manuel Fernandes BN “Tenente Coronel” Almanak de 1812, p. 111. Tenentecoronel da Legião de Caçadores.

Santo Antonio da Mouraria,  N. 21.

63 SODRÉ, Luiz Pereira BN/SC Almanak de 1812, p. 177 e 190. Deputado da Mesa de Inspeção pela repartição dos lavradores de açúcar. Escrivão do Senado da Câmara.

Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha. Diccionario aristocratico, que contem todos os alvarás de foros de fidalgos da Casa Real. Lisboa: Typ. do Panorama, 1817 p. 106; Luiz Pereira

Sodré e seu filho homônimo foram elevados a fidalgos da Casa Real por Alvará de 8 de agosto de 1816 e 4 de setembro de 1816, respectivamente.

64 SOUSA, Marcellino Antonio de BN Almanak, p. 154, Caminho da

Vitória. Escriturário.

65 VELHO, Vicente de Souza BN Almanak, p. 111 e 117. Tenentecoronel agregado ao Regimento de Artilharia a Santa Ana.  Santa Ana, N. 20.
66 VILAS BOAS,

Bento de Araújo

Lopes

BN “Coronel” Almanak, p. 135 e 251, Em 1812 era Tenente-coronel de infantaria de Santo Amaro.  No mesmo ano foi promovido a Coronel de Cavalaria de Milícias de São Francisco.

 

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NOTAS

[1] Sócio Efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB. Doutor em História pela Universidade Federal da Bahia. Professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia.

[2] É possível que José da Silva Lisboa, suspeito de atuar na Conjuração Baiana de 1798, tenha sido pedreiro-livre até por volta dos 50 anos, quando sua indisposição contra as sociedades maçônicas se acentuou, levando-o, em 1823, a publicar o Atalaia, declarado periódico anti-maçom.

[3] Esse livro não foi posto à venda, mas distribuído entre iniciados na maçonaria.

[4] Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. Lata 345, pasta 17. Estudo Sétimo. Agradeço a Maiara Alves do Carmo por ter, generosamente, transcrito e cedido esse documento.

[5] Arquivo Público do Estado da Bahia. Seção Judiciária. Testamentos/Salvador/ Livro 43, fl. 85-89v. Natural de Salvador, batizado na freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Praia, filho do capitão Francisco Mendes da Costa e de sua mulher Paula Maria do Carmo. Foi casado em primeiras núpcias com sua prima Thereza Claudia de Jesus, com que teve nove filhos. Após enviuvar, casou-se em segundas núpcias com outra prima, Anna Joaquina de Jesus. Faleceu no Engenho das Pedras, Vila da Capela, Sergipe. A 11 de janeiro de 1864 ocorreu abertura do seu testamento (SACRAMENTO BLAKE, 1970: v. 5, 97-98; TITARA, 1835: v. 4, 42). A Loja Acácia Cachoeirense, sendo filiada ao GOB [no Rio de Janeiro], no Rito Escocês, sob o N° 90, foi regularizada em 16/abr/1849, pelo Delegado do GOB, na Bahia, José Mendes da Costa Coelho. Segundo Rodrigo Felner (1846:67), “O Resp:. Ir:., José Mendes da Costa Coelho, gr:. 33 Grande Dignatario honorario do Gr:. Or:. do Brasil [no Rio de Janeiro], e Pres.: do Gr:. Cap:. Bahiense, nos favoreceu com uma carta acompanhada de dois impressos, de cujo conteúdo passaremos a dar conhecimento”. Dos dois impressos, Blake cita um. Atualmente não se conhece nenhum exemplar dos dois, mas é possível indicar que José Mendes da Costa Coelho foi o primeiro cronista da maçonaria na Bahia.

[6] O Astréa: Almanak Maçonico para 5847 oferece a data de fundação das lojas no calendário gregoriano. O Almanak de Lima Felner indica a data de acordo com o calendário maçônico.

[7] Arquivo da Cúria. Catedral da Sé – Livro de Assentamentos de óbitos (17971816), fls. 106. Gazeta de Lisboa, terça-feira 29 de janeiro de 1799, p. 4. Por Decreto de 12 de dezembro de 1798, Sequeira Serio foi promovido de Segundo Tenente para Primeiro Tenente. Segundo Supplemento à Gazeta de Lisboa, sábado, 29 de maio d 1802, p. 4: “Por Decreto de 5 de maio de 1802 foi o Principe Regente N. S. servido conceder passagem no posto de Capitão para o Real Corpo de Engenheiros a Antônio Caetano Sequeira Sério, 1.o Tenente da Aramada Real, sem perjuizo (sic) da antiguidade daquelles que a tiverem maior, e conservando o mesmo exercicio que tem de Lente Substituto de Navegação na Academia dos Guardas Marinhas. Sério era o encarregado das observações de eclipses na Academia de Marinha”.

[8] Arquivo Histórico Ultramarino, Bahia. Avulsos. Cx. 243, doc. 16790. Narrativa

(tradução para o português) de uma viagem ao Brasil publicada no Montley Re-

[9] “Uma maior curiosidade, considerando o lugar, é uma imagem inteira de Sua Alteza Real o Príncipe Regente da Inglaterra, em insígnias maçônicas, visto ocasionalmente em um nicho do corpo da igreja”  (PRIOR, s/d:103). (Tradução do autor).

[10]  “(…) construído com uma espécie de pedra azul, assemelhando-se a mármore, aqui trazido para este expresso propósito de Lisboa” (Idem, 104-105) (Tradução do autor).

[11] “Existem aqui três lojas da sociedade, que gabar-se ter entre os seus membros, o governador, arcebispo, e a maioria das principais pessoas, que não fazem, todavia, publicamente; vários clérigos menores foram recentemente iniciado” (Ibidem, 104-105) (Tradução do autor).

[12] Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. Lata 345, pasta 17. Estudo Sétimo.

[13] PT/UM-ADB/FAM/FAA-AAA/000409 Carta de Bernardo José de Abrantes e Castro ao Conde da Barca. Londres, 04 de novembro de 1812; 4 pp.; 201 mm x 253 mm ; “Ha outra causa da raiva do perverso Hyppolito contra mim, a saber elle organizou aqui huma Loja Maçonica intitulada Loja Luzitana: convidou–me para entrar nella – respondi a q.m me veio fallar da parte delle que não queria sociedades, e que era precizo ter hum grande T na testa para cahir outra vez depois que eu tinha promettido a S.A.R. e ate publicado pela imprensa que nunca mais me ligaria a semelhante Sociedade enquanto S.A.R. não consentisse. Nada indignou tanto o perverso Hyppolito. Eu prometti a VEx.ca de abandonar a Sociedade; e eu não sou homem capaz de faltar ao que prometo”.

[14] Idade d’Ouro do Brazil. N. 56, sexta-feira, 22 de novembro de 1811.  Sobre o presidente José Sebastião de França e Andrade, natural da Ilha da Madeira, ver OLIVEIRA MARQUES, 1990:141.

[15] Idade d’Ouro do Brazil. N. 23, sexta-feira, 20 de março de 1812.

[16] Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Seção de Manuscritos – 33, 24, 6; Oficio do Conde de Linhares, ao conde dos Arcos. Rio de Janeiro, 04 de setembro de 1811.

[17] Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Intendência da Polícia. Papeis diversos, maço 600, DOC. nº199-199ª.

[18] O único catálogo bibliográfico onde o Compendio está referenciado é o da Wigan Free Public Library (1882), onde está descrito: “Compendio das instrucções maçonicas para uso do G.: O.: B.: Recopilado por hum cavalliero (sic) de todas as ordens maçonicas. Maçoneria Adonhiramita, Azul, Impressão do Silencio, Anno L. [Lond.] 3vols. 18mo.”.

[19] Agradeço ao bibliotecário sr. Martin Cherry e ao sr. Paul Saxton, ambos do Library and Museum of Freemasonry, de Londres, que ao meu pedido, generosamente enviaram as imagens do Compendio das Instrucções. Eles não conheciam a real natureza do impresso que a referida instituição custodia. Durante a correspondência, o sr. Cherry escreveu: “We haven’t dated this book but there is a small publisher/book seller catalogue for F. Wingrave of the Strand at the back of the book. He appears to have specialised in foreign language books (including Portuguese) and was active from about 1795 to the middle of the 19th Century. Most of the books listed in his catalogue were printed between 1800 and 1815 but as the Grand Orient of Brazil did not come into being until 1822, I suspect this book was printed in the 1820s. Do you believe this is correct? ”. Isto posto, foi possível demonstrar que os três volumes das Instrucções eram de autoria de Hipólito da Costa e que fora impresso por volta de 1814. Tanto o sr. Saxton quanto o sr. Cherry aceitaram as informações e incorporam ao catálogo da biblioteca, a 18 de julho de 2016.

[20] Semanário Cívico, n. 103, 1823.

[21] Sobre as ligações maçônicas de Bivar, ver MAGALHÃES, 2016a.

[22] Idade d’Ouro, n. 7, terça-feira, 24 de Janeiro de 1815.

[23] Segundo a referida obra, que publica em nota um oficio de Caetano Pinto Miranda de Montenegro, em 1817, além da loja “Pernambuco Occidente”, na casa de Antônio Gonçalves da Cruz funcionava a loja maçônica “Pernambuco Oriente”.

[24] Biblioteca Nacional, Seção de Manuscritos. I – 31,32,13 O documento com a lista de nomes dos supostos conspiradores da Bahia foi entregue pelo padre cura a Bernardo Teixeira Coutinho Alvarez de Carvalho, que a encaminhou ao Príncipe Regente, no Rio de Janeiro. Foi possível identificar a autoria, em razão da indicação do cargo, do padre cura Francisco José da Costa. Por decreto de 8 de maio de 1815, D. João VI elevou a côngrua do Cura da Sé da Bahia:  “Attendendo ao que me representou Francisco José da Costa, Cura da Sé da Cidade da Bahia: hei por bem fazer-lhe mercê e aos sucessores, de que em logar da congrua de 50$000 que actualmente tem o referido Curato, vençam daqui em diante a de 100$000, para assim serem indemnisados da despeza que fizerem com um Coadjutor. A Mesa da Consciencia e Ordens o tenha assim entendido e faça executar com os despachos necessarios. Palácio do Rio de Janeiro em 8 de Maio de 1815”.

[25] Documentos Históricos da Biblioteca Nacional, Vol. CII ( Revolução de 1817), Rio de Janeiro, 1953, pp. 40 e 41. “O filólogo era verdadeiramente um homem sem religião. Não ouvia missa nem jejuava nos dias de preceito, impedindo sua mulher, filhos e escravos de o fazerem; mandava trabalhar os pretos nesses dias não só pela vantagem pecuniária daí decorrente, mas também ‘por reputar a missa coisa inútil e irrisória” (MELLO, 2000:276). Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Inquisição de Coimbra. Processo nº 8094 – Antônio de Moraes Sylva, nascido no Rio de Janeiro.

[26] Preciso dos sucessos que tiveram lugar em Pernambuco desde a faustíssima e gloriosíssima Revolução operada felizmente na praça do Recife aos 6 do corrente mês de março, em que o generoso esforço dos nossos bravos patriotas exterminou daquela parte do Brasil o monstro infernal da tirania real (10-3-1817) — O original, com assinaturas autografas do autor foi apresentado na Exposição de História do Brasil, n.° 6.779 do Cat. da Exp.

[27] Defesa do Conselheiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva, por motivo dos acontecimentos de 1817 em Pernambuco, sendo desembargador da Relação da Bahia e ouvidor de Olinda. In: Revista Literária e Recreativa do Rio de Janeiro, vol. I de 8-3-1858. Isa Ch’an (1968:36) afirma que Antônio Carlos Ribeiro foi

[28] Documentos Históricos da Biblioteca Nacional, Vol. CII ( Revolução de 1817), Rio de Janeiro, 1953, pp. 204-206. Original está na seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, I – 31,32,13. Dado por Bernardo Teixeira, o qual lhe entregou o Padre Cura da Bahia. Consta um autógrafo do punho de D. João VI.

[29] Carta[s] de José Agostinho de Macedo a seu amigo J.J.P.L. José Agostinho de Macedo. Lisboa. 1827.  Carta 19a , p. 5.

[30] Atalaia, n. 5, 28 de junho de 1823, Rio de Janeiro,  Imprensa Nacional, p.20.

[31] Carta[s] de José Agostinho de Macedo a seu amigo J.J.P.L.  Lisboa. 1827.  Carta

[32] a , p. 2.

[33] Carta[s] de José Agostinho de Macedo a seu amigo J.J.P.L.  Lisboa. 1827.  Carta

[34] a , p. 1.

[35] Carta 23a, p.12.

[36] Carta 24a, p. 2.

[37] Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. Lata 345, pasta 17. Estudo Sétimo.

[38] PT/UM-ADB/FAM/FAA-AAA/000181. Carta de Felisberto Caldeira Brant Pontes para o conde da Barca; Bahia, 23 de março de 1817. 4 pp. [2 pp. + 2 pp. em branco]; 205 mm x 259 mm.

[39] Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Inquisição de Lisboa. Processo nº 13541 – Sumario contra o Tenente Hirmogenes (sic) e outros todos moradores na Cidade da Bahia.

[40] Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Manuscritos – C-0359,007. Silva, Leonardo Correa da, padre. Requerimento encaminhado ao Ministério do Império, solicitando providencias com respeito a certas averiguações do Real Serviço, para as quais foi chamada a participar; pede providencias contra Bernardo Jose da Garra, e que o mesmo seja julgado no Rio de Janeiro, 1811-1813.  7 docs; ver o documento 3.

[41] Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. Lata 345, pasta 17. Estudo Sétimo.

[42] Idade d’Ouro do Brazil, n. 54, terça-feira 7 de julho de 1812.

[43] Biblioteca Nacional do Uruguai [Carta de Lucas José Obes] 1811 jun.5, Río de Janeiro [a] Francisco Juanicó [Montevideo] Colección Manuscritos Julio Lerena Juanicó, volume 10, fls. 1721 e 1722. Número de registro  000029548.

[44] Agradeço ao meu amigo Lucas de Faria Junqueira que resolveu a charada sobre quem era o “D. Lucas de Buenos Aires” que aparece na carta de frei Sancta Cruz,

[45] Idade d’Ouro do Brazil, n. 41, terça-feira, 27 de maio de 1817.

 

 

Publicado na Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e  Geográfico Pernambucano – Número 70 – Recife, 2017

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