REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

A regra dos 20%: Aplicando o segredo de Benjamin Franklin e Isaac Newton

Tradução J. Filardo

Por Zat Rana

Brincando na interseção de ciência, arte e negócios. Eu escrevo para reduzir o ruído.
http://www.designluck.com.  CNBC, Business Insider interno, World Economic Forum, etc.

 

O termo Eureca foi usado pela primeira vez pelo matemático grego Arquimedes.

Ele estava entrando no banho quando percebeu que o nível da água aumentou quando ele entrou na banheira. Sua constatação repentina foi que o volume de água deslocada devia ser igual ao volume da parte de seu corpo que ele submergiu.

Conforme se conta, ele gritou“Eureca!”duas vezes em seguida, para comemorar. A palavra agora é comumente usada para reconhecer uma descoberta repentina ou invenção.

O exemplo mais famoso de uma situação que a justificaria seria a descoberta da gravidade por Isaac Newton. Pelo que sabemos, em seus últimos anos, Newton falaria sobre como ver uma maçã cair no chão em sua juventude o levou a fazer as perguntas que inspiraram a formulação de sua teoria.

Da mesma forma, a invenção da penicilina por Alexander Fleming foi bastante um acidente, e a contribuição de Louis Pasteur para a descoberta da vacina de corea de frango foi um produto de um acaso semelhante.

De fato, o psicólogo Kevin Dunbar estima que 30% a 50% de todas as descobertas científicas são de natureza acidental.

Benjamin Franklin, o pai da eletricidade, era um notável programador e planejador de hábitos. No entanto, em seus últimos anos, ele também abriu espaço para aleatoriedade e experimentação para alimentar sua criatividade e ampliar suas experiências.

Em um mundo tão consumido pelo mapeamento de cada minuto do dia, e se o verdadeiro segredo para a produtividade e os avanços estiver em outro lugar?

A Importância do Caos

O poder do planejamento não pode e não deve ser subestimado.  Ter uma direção estratégica forte em tudo o que você queira realizar é o primeiro passo para se colocar no caminho certo.

Dito isto, se tudo o que você faz é se expor a uma vida pré-planejada, você também está limitando grandemente sua exposição ao crescimento e à descoberta.

Como diz o autor e estatístico Nassim Nicholas Taleb,

“Algumas coisas se beneficiam de choques; elas prosperam e crescem quando expostas à volatilidade, aleatoriedade, desordem e estressores e amam a aventura, o risco e a incerteza “.

Isso se aplica especialmente a nós enquanto seres humanos, não só porque a aleatoriedade e o caos podem levar a uma visão criativa, mas mais importante, porque existem algumas coisas que não podemos entender e aplicar às nossas vidas, a menos que as experimentemos em situações selecionadas.

Se você atualmente não tem filhos, tente perguntar a um pai como ser uma mãe ou um pai muda você. Eles podem juntar uma série de palavras, e essas palavras podem até mesmo evocar uma emoção, mas não há nada que alguém possa dizer para prepará-lo para algo dessa magnitude até que você experimente.

Da mesma forma, existem muitas coisas que você não pode planejar.

Apresentando a Regra dos 20%

Uma das minhas coisas favoritas no mundo é  a descoberta por acaso, chamada pelo anglicismo “serendipidade” ou em inglês, “serendipity”. A palavra foi inicialmente cunhada por Horace Walpole em uma carta a um amigo, e essencialmente representa uma agradável surpresa.  Algo aleatório, mas bem-vindo.

A ideia é que aquilo não pode ser projetado ou planejado. Dito isto, é possível nutrir as condições necessárias para que ela tome forma.

Uma das coisas que tento fazer com bastante regularidade é introduzir um distúrbio intencional na minha agenda e meus planos.  Eu viso que cerca de 20% da minha vida, seja medido em semanas ou meses, seja completamente aleatória.

Alguns dias, isso pode significar tirar uma noite para subir em um trem para o outro lado da cidade, enquanto outras vezes, planejo uma viagem súbita para algum lugar.

Meus critérios para fazer isso são simples.  Se eu acordei e fiz o mesmo por muitos dias seguidos, deixarei minha mente vagar pelas possibilidades aleatórias que posso seguir.  Se eu gostar do pensamento de algo, e é viável considerando as demandas da minha vida, eu vou e faço aquilo.

Algumas ideias para fazer coisas podem incluir:

  • Fazer uma viagem de fim de semana a algum lugar que você nunca esteve antes
  • Explorar aleatoriamente partes de uma cidade que de outra forma não teria
  • Começar uma conversa com estranhos em situações que o justifiquem
  • Tentar algo que você temia ou descartava como “não sendo você”

Agora, não posso prometer que qualquer dessas coisas mudará sua vida de repente.

Isso posto, em mais de uma ocasião, encontrei-me empacado em tempos de confusão, aprendi a apreciar coisas que anteriormente desconsiderei, e tive minha perspectiva mudada de maneiras que de outra forma não teria.

Às vezes, serendipidade é mais do que apenas um presente não planejado.

O que aprendi

Embora pesquisadores já tenham sabido por um tempo que as experiências serendipitais têm um papel a desempenhar na visão criativa e produtiva, também há mais coisas.

Ok. A queda daquela maçã fez bastante por Newton e que a experimentação a que Franklin se dedicava ajudou-o a tirar mais proveito tanto de suas aventuras pessoais quanto de projetos de trabalho. Mas essas coisas só foram possíveis porque eles estavam preparados para elas com conhecimento prévio.

O planejamento e o pensamento estratégico são partes importantes da vida. Dito isto, existem algumas coisas que apenas estão além do alcance deles. Algumas experiências não podem ser simplesmente internalizadas até que você tenha sido aleatoriamente exposto a elas.

Enquanto a maioria de nós gostaria de pensar que nos conhecemos muito bem, a verdade é que não sabemos o que queremos, ou o que gostamos, ou o que apreciamos até ter tido a chance de se envolver em uma experiência.

A intelectualização só pode levá-lo até um certo ponto.

Quer você queira ou não dedicar 20% de sua vida à exploração, depende de você.  Mas não há dúvida de que alguma exposição à desordem pode levar a experiências poderosas e às vezes até transformadoras.

Talvez você esteja empacado. Talvez você tenha feito a mesmo coisa por tempo demais. Talvez tenha chegado a hora de algo um pouco mais excitante.

Seja o que for, o caos pode ajudar.

 

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