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E os obreiros estão satisfeitos? Uma reflexão sobre Maçonaria e a Pandemia

Tradução J. Filardo

Falhas e desafios da Maçonaria e dos Maçons em face da pandemia. Os obreiros estão satisfeitos …?

Por Victor Guerra **

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Queridos irmãos e irmãs, em seus graus e qualidades.

Agradeço mais uma vez a este grupo de Irmãos que apoiam a Academia Vº Imperio pela sua resiliência e, claro, ao Muito Venerável Irmão Belmiro Sousa, pela perseverança perante aquela equipe, que ano após ano, nos permite participar neste fórum, e já se passaram nove anos.

Mais uma vez, estou feliz por estar novamente com vocês, queridos irmãos e irmãs, lamentando as perdas que tivemos durante toda esta pandemia de COVID.19, que manteve confinados tantos seres humanos, que também custou milhares de vidas; portanto, minhas condolências a todos aqueles que perderam um ente querido, e em especial quero oferecer minhas condolências à fraternidade maçônica por todas as suas perdas, e as situações tão graves pelas quais passamos e estamos passando.

Introdução

Situados no tema proposto, indicar que no ano passado, nessas mesmas épocas, refletíamos sobre que tipo de Maçonaria que deveríamos buscar durante um período de pandemia.

Nesta ocasião apresentei uma exposição sobre uma possível práxis: a filosofia maçônica como meio de combate para tempos difíceis, com o qual pensava que poderíamos enfrentar os desafios que apresentva a referida pandemia.

Não sei se a minha reflexão foi acertada em termos da análise e das propostas finais, eu acho que sim, mas devem ser vocês, queridos irmãos e irmãs, que devem julgar a perspectiva que apresentei na mesa em novembro de 2020. A verdade é que nunca teremos melhor oportunidade de analisar objetivamente o que foi escrito e levantado nesses fóruns, como foi o meu caso, portanto, acredito que é uma boa instrução maçônica analisar tais exposições, para comprovar sua funcionalidade se é que a teve, e poder analisar de passagem se damos a esses trabalhos a devida importância, além de serem lidos e escutados.

Exposição

Já se passaram dois anos desde que esta pandemia nos desnaturou enquanto sociedade, com especial impacto sobre nossa fraternidade maçônica singular, uma vez que nos deixou presos nas salas dos passos perdidos de nossas lojas, sem que tenhamos recebido muita ajuda, além das indicações das obediências e das lojas em relação às situações que surgiam durante a pandemia e suas restrições, embora seja verdade que em face de toda esta situação pandêmica, enquanto membros desta fraternidade desenvolvemos, cada um nas suas qualidades e possibilidades, um conjunto importante de ações, amplas e diversas, e às vezes muito imaginativas, mesmo em em meio a um ambiente muito individualista e de desconfiança do outro, até mesmo como maçons agiu-se dando ênfase ao bem-estar comum e determinou-se lançar as bases para o surgimento de uma cidadania ressocializante.

Como fraternidade, enfrentamos um terrível esforço para sair indenes desta situação com o conhecimento da angústia produzida pela finitude das coisas. Estivemos em muitas frentes, tanto sociais quanto assistenciais; nos envolvemos no debate político sobre a redução e corte de direitos e liberdades que, como sociedade conquistamos, que às vezes nos colocam no fio da navalha, e que remete aos debates do Irmão Almeida dos Santos nas diferentes conexões , entre outros, embora seja verdade e deva ser dito alto e em bom som, que nem todas a estruturas maçônicas perceberam isso, nem debateram, lutaram e se envolveram da mesma forma, nem estiveram à altura das circunstâncias. Essa será uma reflexão que cada um deverá enfrentar.

Houve posições para todos os gostos, cores e orientações, o que revelou as desigualdades, convergências e divergências existentes, que deixou claro que mesmo ainda exista um longo caminho a percorrer para alcançar a fraternidade universal de homens e mulheres mulheres que perseguimos como tais maçons.

Análise

É possível afirmar à luz do que se viu até agora que “o discurso das instituições internacionais, governo e mídia, consistiu em um alerta de pandemia que causou medo, e cuja função foi gerar um proteção biologicamente, e uma resposta saudável em relação às emoções. O que também parece claro é que, entre as medidas tomadas, como o confinamento – com diferenças entre os diferentes países – seguiu-se um discurso único, uma diretriz que, além de razões de saúde também envolveram razões políticas”.[1] O que nos deveria convidar todos, mas especialmente os maçons, para uma reflexão crítica sobre o que aconteceu.

Nesse sentido sabemos que o esforço realizado foi intenso, embora em tom maçônico pelo menos e temos certeza de que a resposta ampla e importante, embora também se revelou manifesta a incapacidade de muitas organizações (sociais, políticas e maçônicas) de responder e proteger a ampla gama de necessidades de seus respectivos membros, ficando demonstrado o quão fracos podemos ser enquanto sociedade.

Além disso, tendeu-se após os primeiros momentos, a criar um quadro de socialização, que veio em chamar Vidas nas telas, isto é o desenvolvimento de uma profilaxia da comunicação, «a realização do sonho da conexão sem contágio, como a Graça ou a Caridade na teologia cristã, o digital correu por nossas veias de fibra de vidro através da nova vida nas telas sem aparente pecado original.

Porém, por trás da tela que nos salvou, ansiamos pelo paraíso perdido do corpo que, diante da

nova expressão sonora e visual da luz, pode sofrer para se adaptar. Após o feitiço inicial por sua expressão digital está enfrentando uma espécie de substituição sensorial, a de estar conectado e sem contato, juntos, mas sem o suor, os odores, ou os contatos, lembrando a corporalidade de um paraíso perdido”.[2]

É verdade que houve um primeiro grande impulso de natureza virtual, uma vez que nossas lojas foram fechadas pelas exigências sanitárias da Covid-19, e devido a essas circunstâncias, nos convertemos da noite para o dia em uma fraternidade virtual graças às plataformas digitais, pelas quais terminaram chamando de fraternidade zoom, como tantas outras ,

E, portanto, em um piscar de olhos, nos tornamos um fraternitas universal via telas, sobre a qual podemos dizer que nos faltou tempo para atender a todos os chamados, todos os convites virtuais que choveram de um lado e do outro, tornando plausível, depois de muito tempo, o poder de continuar nesse intercâmbio de ideias em prol de uma fraternidade universal perseguida e desejada , ainda que sob esse modelo de comportamento via telas.

Mas é chegado o momento em que, depois desse grande esforço que paramos no meio do caminho, sinto que nos exaurimos, sem forças, sem ideias e quase sem recursos, a persistência da crise apesar da nossa resiliência nos afetou inexoravelmente, e quando nenhum projeto nasce de uma análise prospectiva, os esforços tendem a diminuir com o tempo. Eu mesmo sofri como muitos de vocês, e deixamos de ter lugar na agenda para participar de mais e mais eventos maçônicos ou paramaçônicos, todos eles de natureza virtual, e ficar abandonados como náufragos solitários.

Além do mais, como sempre sugiro, podemos tirar as dúvidas fazendo uma pesquisa no Google, colocando termos como: Maçonaria e pós-pandemia, e vocês verão qual é o resultado. Minha descoberta, dados os algoritmos de minhas pesquisas, é que parece que o mundo maçônico foi bloqueado no início de 2020.

É como se a Maçonaria tivesse desaparecido com a eclosão do vulcão pandêmico Covid-19, e, é claro, que podemos analisar as consequências de todo esse pandemônio, no qual não parece nos ter ajudado referências intelectuais da Maçonaria para usar, digamos, visto que os únicos textos que li sobre essa questão foram um livro dos Irmãos Alain Bauer e Roger Dachez que nos deram um relato detalhado sobre a Covid-19 com análises muito tangenciais sobre a Maçonaria, e que foi publicado apenas no início de 2020, e intitulado: Como viver em tempos de coronavirus: Um manual para compreender e resistir.

Também no domínio francófono, outro Irmão vinculado ao Grande Oriente de França (GOdF) e ao Rito

Francês, como o é Gerard Chomier, nos deixou outro pequeno texto, que poderia ser interessante neste momento dado o seu título: Covid 19, e depois? Embora eu ache que o autor se perde nas divagações filosóficas que faz, e seu livrinho seja mais uma aproximação do que qualquer outra coisa.

Diagnóstico  

Para termos alguma perspectiva e antevisão sobre o tema que nos preocupa, cuja ação faz falta no paralisado mundo europeu, devemos ir às áreas ibero-americanas nas quais tem havido um intenso estudo da Covid-19 e do seu impacto nas situações e as etapas criadas, em especial uma reflexão orientada sobre as repercussões econômicas e sociais, e especificamente e principalmente sobre a as percepções e os imaginário que ocorreram e se criaram em nossa sociedade pandêmica e pós-pandêmica.

Desta forma, temos um excelente trabalho monográfico publicado na revista. Imaginação ou Barbárie,[3] intitulado: Coronavírus e novos esquemas de Sentido. A este trabalho de reflexão é necessário juntar outro texto doCentro de Pesquisa em Mediatizações do México: Conversas na pandemia.[4]

Está claro que podemos fazer muitas análises e que as conclusões podem ser diversas e variadas, visto que esta pandemia afetou muitos setores e muitos níveis, e alguns deles nos afetaram de forma importante, conforme expõe uma tese de pesquisa sobre O significado intelectual da pandemia de Covid-19. Codificações sagradas e profanas, desenvolvido por Nelson Arteaga Botello e Luz Angela Cardona Acuña.  

As primeiras conclusões diante dessas análises sobre a Covid 19, pelo menos em um tom político, o imaginário é que os liberais tentaram diluir o Estado e, por sua vez, a esquerda buscou substituir o mercado pelo Estado, enquanto os conservadores tentaram regulá-lo por meio o Estado, ou seja, um desenvolvimento clássico e sem imaginação, que se viu na questão do desenvolvimento e implantação de vacinas.

«Nessa altura e em paralelo, veio se consolidando um posicionamento cripto-normativo – onde as visões distópicas do mundo funcionaram como uma estrutura normativa – sobre o Mercado e o Estado – particularmente de inspiração foucaultiana –[5] ao passo que houve a privação de direitos e até mesmo o aniquilamento de identidades, o que expôs uma mercantilização da vida humana que a submete a rotinas de vigilância biopolítica e necro-política, ou seja, à imposição de estritos mecanismos de gestão da vida e da morte ».[6]

Todos esses desenvolvimentos vêm indicar várias questões sobre o sagrado e o profano, que nesta pandemia nada mais foram do que o Mercado e o Estado, que alguns autores enquadram “em um conjunto de teodiceias, religiosas e seculares, em torno da pandemia do Covid-19. Proporcionando narrativas sobre o mal e o bem na sociedade, bem como seu destino.[7]

Diante disso, temos que partir de uma forte premissa existencial: temos que viver, pois esta crise veio para ficar, mas com um axioma de que a pandemia nos deixou muito claro que temos que aceitar a finitude das coisas, digamos que a questão da pandemia é o símbolo do fim do otimismo no progressismo moderno, [8] por isso é importante recuperar a importância dos limites, pois se reconhecermos nossa “reação” estaremos revelando a expressão mais genuína de nossa filosofia, a progressividade, que usamos tanto da tradição como um enraizamento dinâmico da força entendida como o vitríolo alquímico usado como metáfora no campo maçônico, isto é, Visita Interiora Terrae Retificando Invenies Ocultum Lapidem (Visite o interior da terra, e retificando você encontrará a pedra escondida que é o verdadeiro remédio), aqui o que nos interessa é que esse retificando, que nos servirá para abandonar uma solidariedade mecânica das elites e altas organizações, para a articulação de uma fraternidade orgânica de que procede essa força de que falei. Em outras palavras, da retificação de nossas posições e questionamentos, assim como fazemos em loja. E os obreiros estão satisfeitos…?

Antes de responder, temos que saber que a pandemia desencadeou três grandes narrativas nas quais nos envolvemos para dar sentido a essa situação. A primeira dessas considerações é que o capitalismo neoliberal é considerado sua causa principal, enquanto essa última propicia o estabelecimento de formas autoritárias de controle político e proteção do modelo neoliberal: o estado biopolítico, o necro político e os estados de exceção. [9]

A segunda narrativa coincide na leitura de que o neoliberalismo está por trás da pandemia, mas discorda sobre seus efeitos; e, portanto, abre-se a possibilidade de uma mudança impulsionada pela efervescência de formas de organização e solidariedade coletiva diferentes do estabelecido.

A terceira narrativa ressalta que a globalização neoliberal está por trás da pandemia, mas que só o Estado é capaz de enfrentar duas grandes questões: sobre o risco, a distopia, o pessimismo e o medo; o outro, relacionado à oportunidade, a utopia, o otimismo, a esperança.

A compreensão atual e os desafios do futuro

Além das diferentes perspectivas e várias interpretações e perspectivas, temos que nos perguntar se estamos satisfeitos enquanto obreiros da fraternidade maçônica com esta situação de crise que há muito se configura, tanto no social quanto no maçônico, e cuja resposta deve ser difícil obter porque não deixamos de estar em um mundo em que, hoje, é difícil enfrentar questões tão complexas e transversais como aquelas em que vivemos, especialmente quando estamos atolados em nossa próprias dúvidas e contradições e em meio a um complexo magma midiático que tenta nos impor respostas plausíveis.

Será que podemos ficar satisfeitos com uma nova era em que não só se estimulam e persuadem certos comportamentos, com a intenção de levá-los a resultados lucrativos dentro do sistema liberal em que estamos envolvidos? Claro, com uma exceção, que é que agora nossos comportamentos e condutas são moldados sem que tenhamos consciência disso, e a pandemia, nesse sentido, há em a entendeu como um experimento social em grande escala, que não se pode negar que em muitos casos ele passou, de certa forma, por meio de um sistema cibernético complexo.

Foi-se a automação da informação para as pessoas, até o estágio atual, que é bem diferente, pois trata de automatizar as pessoas, digamos que nos tornamos “os objetos de uma operação de extração de matéria-prima tecnologicamente avançada da qual é cada vez mais difícil escapar”[10], digamos que os clientes são as empresas que comercializam comportamentos em mercados organizados. Portanto, gostemos ou não, estamos acorrentados a este estágio da situação que se tornou evidente após a pandemia.

Diante do que resta responder à questão vital se nós mesmos enquanto Maçons, estamos satisfeitos com este modelo no qual nossas próprias organizações e nós mesmos enquanto membros delas colaboramos ativamente na implementação da chamada “entelamento” social, ou seja, criar uma status quo, onde tudo acontece atrás de uma tela: o celular, o tablet, o computador, enfim, a virtualidade na sua forma mais pura.

 A resposta é que não podemos estar satisfeitos e, portanto, é necessário um esforço e reflexão sobre esses modelos e comportamentos, e analisar o papel que temos desempenhado até agora, embora entenda que a resposta seja parcial, pois não temos referências anteriores porque as nossas referências até dois anos atrás eram outras e, portanto, é lógico que o que é inédito nos é difícil de identificar, razão pela qual «precisamos observar e analisar com novos olhos a profundidade dos fenômenos, e também encontrar novos nomes com os quais nomeá-los, se quisermos captar e compreender o que não tem precedentes como prelúdio essencial para qualquer forma eficaz de refutá-lo.”[11]

À luz destas reflexiones poder-se-ia pensar que o que ocorreu durante toda esta pandemia, de 2019 a 2021, não foi um problema tecnológico, o que foi, y foi a peça chave de mutos debates, bem como a questão não só da intencionalidade mas também do emprego que produziu na gestão da pandemia para concretizar a velha utopia autoritária de conseguir maior controle social e político da sociedade.

Por isso é importante, enquanto maçons, que participemos do sabá de pensar e repensar a partir da dúvida com a devida tolerância sobre todas essas questões que nos aconteceram com a pandemia de Covid -19: o vírus, o confinamento, as medidas sanitárias, os cortes e limitação de direitos, a crise econômica, que revelou o autoritarismo político, o que nos obriga a refletir ainda mais sobre questões tão básicas quanto: Quem se beneficiou com esta pandemia? Embora já existam indicadores que apontam que os ricos se tornaram mais ricos e as classes médias mais pobres, e os pobres se tornaram diretamente o grande bolo do lumpen proletariat, e isso nas sociedades avançadas, razão pela qual vale a pena perguntar o que não está acontecendo em outras latitudes?

Acima de tudo, devemos repensar: para que nos está servindo esta pandemia? Em um mundo como este em que vivemos, que é pressionado pelo prevalecente “capitalismo do desastre, do quanto pior melhor, mais oportunidades, um sistema de caos onde a vigilância e o controle está sendo um fator estratégico, diante de uma supremacia financeira montada sobre o tecno-globalismo, com uma superestrutura tecno-digital e big data que facilitam o anonimato e a gestão de comportamentos e condutas sociais por meio da inteligência artificial e do transumanismo.[12]

 Diante dessas questões devemos refletir muito profundamente como sociabilidade maçônica, mas reaprendendo e projetando, ao mesmo tempo em que destacamos nossa mensagem de “uma Maçonaria da ser e estar e não a partir de aparências, e é claro mais intelectual do que formal.”[13]

 Nesse mesmo sentido, Michel Maffesoli em seu livro O Tesouro escondido. Carta aberta aos maçons… nos deixou algumas propostas, assim como outros autores: «diante de narrativas utópicas esperançosas e otimistas que desenham futuros mais justos, mais próximos, mais humanos devemos pensar com calma e nos reprogramarmos. É preciso também pensar se é possível unir projetos, buscar equilíbrios, encontrar o caminho do meio, desejado e desejável. Não acreditar que estamos certos. Escutar a vida e como ela conspira para criar mais vida. Estar dependente do outro e da outra, que não são inimigos porque têm opinião contrária à nossa ou porque são fontes de contágio viral; eles são seres humanos, como você e eu; confusos, desolados, iludidos, vivos.”[14]

O que nos interessa aqui, pelo menos enquanto maçons e como nos indica Philippe Guglielmi [15]é redescobrir a maneira de «escutar para refletir internamente e projetar um futuro para a humanidade, fazendo do intenso debate um combate de ideias, onde a tolerância diante de diferentes teorias, abordagens, opiniões deve prevalecer num momento turbulento e crítico da história da humanidade como este”, fugindo dos mimetismos sociais catastróficos e das sociedades iluministas; devemos caminhar em direção a uma mudança no sistema e nos modos de vida da sociedade, pelo menos como os entendemos até agora; recuperando valores que sejam considerados coerentes e éticos, e sobretudo distantes do protecionismo e controle e o “entelamento” social, e por isso debemos abrir nossa fraternidade que não pode estar sujeita a um metro e meio de distancia, a beijar máscaras ou viver atrás de uma tela protetora por toda a vida.

Diz-se que a mudança de paradigma envolve ouvir todas as vozes, atender aos diferentes pontos de vista e às diferentes leituras sobre a pandemia, analisando profundamente a questão de como vivíamos. Isso nos obriga ao exercício de nos escutar e dialogar, obviamente sem excluir outras perspectivas, pois todos contribuem com algo em prol de um bem-estar social, mas deve ser necessariamente realizado com respeito e compreensão, a partir das diferenças e distintas bagagens culturais, políticas e sociais.

Ficam claros, então, os nossos desafios mais prementes diante de uma fraternidade maçônica convulsionada, perplexa e até certo ponto paralisada, que são três: Recuperar, redescobrir e Redefinir a nós mesmos.  

Devemos nos Recuperar. Dos modos e formas desencadeados pela pandemia, não podemos continuar a nos esconder atrás do clássico “entelamento” virtual que cumpriu seu papel durante as proibições de nossos trabalhos maçônicos devido à questão pandêmica, e por isso não pode passar a fazer parte de nossa realidade ritual, saindo da opacidade.

Na medida do possível, que se busquem fórmulas para a recuperação de todos aqueles Irmãos e irmãs que por uma razão ou outra se afastaram do trabalhos em loja e na potência, do contrário acabaremos fechando nossas oficinas por falta de obreiros. É uma tarefa imprescindível que deve ser realizada tendo em vista a diminuição do número de membros, e os fatores que ocasionaram tal queda deverão ser analisados.

É preciso recuperar a lacuna deixada com tal sociabilidade, reflexão e ação; não devemos deixar nosso combate de lado, devemos continuar a impor novamente o nosso melhor para fazer como fiadores da democracia, pois como já comentei anteriormente, nosso papel na sociedade deixou de ter presença mediática especialmente a partir de 2020, e esse desafio é algo que não deve ser esquecido, é preciso recuperar o nosso papel e ação social, e principalmente em uma sociedade tão mediatizada como esta.

Portanto é necessário Reencontrar no ser e estar maçônico nos espaços que conhecemos e que nos ajudam a compreender-nos e a compreender o nosso papel em loja e na sociedade; portanto, é necessário mais do que nunca fortalecer o estudo e a reflexão, abrindo novas pontes para oe debate, interno e externo, e devemos dirigir esse esforço sobretudo trabalhando na externalização, envolvendo-nos ativamente nela.

E, claro, é importante nos Redefinirmos; é a tarefa que nos cabe neste espaço borrado que nos deixou como estranhos na sociedade atual, o que exige de nós que, após esta pausa, redefinamos o nosso papel para sermos úteis à sociedade a partir dos valores que encarnamos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

E aqui eu vos deixo, porque não se trata de expor um amplo catálogo de iniciativas, mas sim que estas devem vir de um aprofundamento interno e em resposta às nossas inquietações e necessidades, tendo como marco a tolerância e o consenso, como sinal de respeito mútuo.

** Victor Guerra é espanhol, mestre maçom do Rito Francês, autor de uma coleção de livros sobre Maçonaria e dirige o blog https://ritofrances.blogspot.com/ .


[1] Fernández Poncela, Anna María. Pensar juntos: intelectuais, perspectivas e prospectivas para a crise de 2020 Universidade Autônoma do México. 2021.

[2] Cabrera, Daniel H; Martins Ricardo. Imaginário e estética diante da pandemia e da vida nas telas. Imaginação ou Barbárie no 21 julho de 2021.

[3] Boletim de opinião da Rede Ibero-americana de Pesquisa em Imaginários e Representações (RIIR) No 21, julho 2020.

[4] UNR Editora. Universidade Nacional de Rosário (Argentina). 1. Comunicação. 2. Redes sociais. I. Scolari, Carlos. II. Valdettaro, Sandra, comp. CDD 302.231. https://cim.unr.edu.ar/assets/archivos/pub_conversaciones-en-panmedia-delcim_20207263.pdf

[5] Colima, Fernando. Foulcaultiana. Ed. A Revolução Delirante. 2019

[6] O Coronavirus e seus impactos na sociedade atual e futura. Colégio de Sociólogos do Peru.

[7] http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0187-01732020000200241

[8] Maffesoli, Michel. A crise do Coronavírus ou o grande retorno do trágico. Cimatierra.org 26 de abril de 2020.

[9] https://lavoragine.net/apocalipsis-biopolitica-y-estado-destituyente-la-precarizacion-en-tiempos-de-colera/

[10] Zuboff, Shoshana. A era do capitalismo da vigilância. Edito Paidós. Estado e Sociedade.

2020.https://www.marcialpons.es/media/pdf/44333_La_era_del_capitalismo_de_la_vigilancia.pdf

[11] Zuboff, Shoshana. A era do capitalismo da vigilância. A luta por um futuro humano diante das novas fronteiras de poder (Estado e Sociedade) Ediciones Paidós.2020.

[12] VVAA. Sociedade digital e direito. 2018. https://www.ontsi.es/sites/ontsi/files/2019-

06/SociedadDigitalyDerecho_0.pdf

[13] Chomier, Gérard. Covid 19, e depois?  Editions Conform .2020.

[14] Michel Maffesoli 2015, Viktor Frankl, 1983; Brigitte Champetier de Ribes, 2020.

[15] Mui sábio e perfeito Grande Venerável do Grande Capítulo Geral do Rito Francês do Grande Oriente da França.

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