Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

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Rito de York Vs. Rito Inglês

 

Tradução José Filardo

 Por Ir.´. VM. F. Kuhn

Tem sido afirmado que “um Rito na Maçonaria é uma coleção de graduações ou graus sempre fundados nos três primeiros graus.” Esta definição é totalmente enganosa, e constitui um grave erro chamar de “Rito Americano”, o “Rito de York” conferido nos Estados Unidos.

Com a finalidade de adicionar “mais luz” ao assunto, podemos afirmar que nos Estados Unidos existem dois Ritos Maçônicos conhecidos como Rito de York e Rito Escocês Antigo e Aceito.

Ambos são nomes equivocados, se o nome do Rito destina-se a indicar seu parentesco ou lugar de nascimento. O Rito de York não nasceu na antiga cidade de York, nem o Rito Escocês Antigo e Aceito foi gerado na Escócia.

O chamado Rito de York é o resultado de uma evolução na Inglaterra do Craft Operativo de um Grau de 1717, para um sistema de seis ou mais graus, conforme é praticado atualmente nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Escócia e Irlanda. O Rito Escocês evoluiu do Rito de Perfeição de 25 graus, com a adição de mais oito em Charleston, Carolina do Sul em 1801, onde o Supremo Conselho Matriz foi formado.

Se for para qualquer um dos ritos ser conhecido como o Rito americano, o título provavelmente pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito. Para designar o chamado Rito de York nos Estados Unidos como o Rito americano, seria ainda mais absurdo do que chamá-lo de Rito de York, para ele não é nenhum dos dois.

O que se entende pela palavra Rito? Um Rito é definido como “Um costume de prática de um tipo formal; um procedimento formal de uma observância religiosa ou solene”. Mas, tal procedimento religioso ou observância solene deve ter um fim ou propósito definido. Ele deve ter uma ideia objetivo. Uma ideia central que a cerimônia do processo se destina a transmitir. A cerimônia pode ser breve ou volumosa, simples ou ornamentada, mas a ideia central deve ser mantida e alcançada, como acontece no Rito do Batismo, no Rito de Casamento, no rito do Santíssimo Sacramento, etc.

A ideia central ou pivô em torno do qual todas as cerimônias maçônicas ou Graus deve girar é a Perda, a Recuperação e a Interpretação da Palavra de Mestre. Esta ideia objetivo deve ser o núcleo de um sistema de Graus, e sem o que nenhum sistema de Graus pode ser chamado de Rito.

Qualquer série de Graus, embora intimamente ligados, que não contenha a ideia central de Perda, Recuperação e interpretação não pode ser chamada de um Rito Maçônico. Esta é a ideia objetivo ou pivô do chamado Rito de York. O número de Graus em um rito é meramente eventual. Não importa se há três ou 33 graus, desde a ideia central, o fim de todo simbolismo maçônico esteja presente.

A Perda e Recuperação, com uma interpretação positiva, ou a Perda e Recuperação, com uma interpretação geral ou individual, é a própria essência de um Rito.

A perda é simbolizada nos Graus do Craft ou Loja, a Recuperação é simbolizada no Arco Real.

No Rito de York, a interpretação do simbolismo do Arco Real é deixada para a interpretação individual do Maçom do Arco Real, ou ela encontra sua interpretação positiva e especial à luz da nova gradução, conforme ensinado na Ordem Maçônica da Cavalaria Cristã.

Os Três Graus de Loja Azul ou Craft, o Arco Real, e as Ordens Unidas do Templo e de Malta são os graus essenciais do Rito de York. Os graus de Marca, Past, Mostais Excellent, Royal, Select e a Ilustre Ordem da Cruz Vermelha não são essenciais, nem essencialmente necessários para o Rito de York, mas eles são de grande ajuda na elucidação do simbolismo da ideia central do Rito e eles adornam e ampliam o Rito. Os Graus de Loja, o Arco Real, e as ordens maçônicas de Cavalaria Cristã constituem o chamado “Rito de York”. Eliminar o Real Arco seria como remover a pedra fundamental de um arco, e todo o tecido se esfacelaria e cairia.

Em essência, o Rito de York é o mesmo nos Estados Unidos que é em cada província ou país do Império Britânico; em outras palavras, é essencialmente o mesmo no mundo anglo-saxão. Mas cada país tem seu próprio sistema. Nos Estados Unidos, ele consiste de sete graus e três Ordens; no Canadá, de seis Graus e três Ordens, embora o Canadá tenha adicionado os excelentíssimos graus no Capítulo e a Cruz Vermelha da Comanderia para harmonizar, com a finalidade de visitação com os Estados Unidos; na Inglaterra, ele consiste em quatro Graus e duas Ordem; na Irlanda, de cinco Graus e duas Ordens; na Escócia, o sistema se parece bem de perto com o da Irlanda. O grau excelentíssimo é desconhecido no Império Britânico, exceto no Canadá; na Inglaterra, o grau de Mestre de Marca está sob o controle de uma Grande Loja de Mestres Maçons de Marca.

Note-se que nos países mencionados, o número de Graus no Rito varia, mesmo que os Graus tenham o mesmo nome, eles variam nas cerimônias de apresentação da mesma verdade. O Grau de Mestre na Pensilvânia varia muito em relação ao mesmo Grau nos outros Estados, embora seja simbolicamente o mesmo. O Arco Real nos Estados Unidos é mais dramático em sua forma do que o da Inglaterra e Canadá, ainda que essencialmente seja o mesmo.

A Ordem do Templo no Ritual Inglês é breve; no Ritual Canadense é mais elaborada e tem suas características militares; nos Estados Unidos, ela é mais prolixa, possivelmente mais ornamentada e dramática, mas é essencialmente a mesma em todos estes países.

Os Rituais da Ordem de Malta nesses países são tão semelhantes que uma pessoa que esteja familiarizada com um pode facilmente usar o outro; mesmo um observador casual pode ver facilmente que este assim chamado “Rito de York”, em essência é o mesmo em todos os lugares onde a língua inglesa é falada. A Concordata adotada em 1910 pelos Poderes do Templo do Mundo, sublinha este grande fato.

O nome “Rito de York” é um erro indesculpável, pelo menos um erro lamentável. Nunca existiu um Rito de York. Não é necessário entrar em qualquer discussão sobre as reivindicações da Grande Loja de York ou um sistema York de Maçonaria, pois a questão foi resolvida além de qualquer controvérsia. O nome “Rito de York” é uma herança dos antepassados ​​da Maçonaria nos Estados Unidos, que eram mais hábeis em alterar o ritual do que na história da Maçonaria. Isto torna-se especialmente evidente, quando se lembra que a efêmera Grande Loja de York jamais forneceu carta constitutiva a qualquer loja na América. A Maçonaria dos Estados Unidos começou com a Grande Loja Provincial de Massachusetts, então sob a Grande Loja da Inglaterra (Modernos), com Price como Grão Mestre. A Grande Loja de Inglaterra (Antigos) e a Grande Loja da Escócia emitiu cartas constitutivas para lojas na América, e é razoavelmente possível, que antes da união das duas Grandes Lojas da Inglaterra, o Arco Real e as Ordens Maçônicas de Cavalaria Crista eram conferidos neste País pelas Lojas militares ligadas aos Regimentos irlandeses estacionadas nas colônias. Para resumir tudo, o nosso chamado Rito de York é o Rito Inglês vestido com roupas mais fantasiosas.

O nome “Rito de York” deveria ser eliminado e substituído pelo nome de Rito Inglês. Em vista dos fatos precedentes quanto ao que constitui um rito, nós, nos Estados Unidos estamos praticando ou formulamos um sistema americano do Rito Inglês; não um Rito Americano como é frequente e erroneamente chamado, mas um sistema de Graus do Rito Inglês; que deveria ser conhecido como o Rito Inglês, ou Rito anglo-saxão.

Fonte:   The Builder – November 1916

Publicado em: http://www.masonicdictionary.com/yorke.html

10 comentários em “Rito de York Vs. Rito Inglês

  1. Isso confunde um pouco para nos(eu) que sou aprendiz e fui iniciado dezembro 2020 em NY na Grande Loja do Estado de New York (na Brazilian Lodge 1182).
    sao muitas informacoes, as vezes cada uma diferente totalmente de outra, espero encontra a resposta certa para cada questionamento, mascomo disse o Irmao Zefilardo assim citando Shakespeare:

    “Existem mais coisas entre o céu e a terra sobre Maçonaria do que sonha a vossa vã filosofia.”

    1. Brother Miguel,
      Você nem imagina onde cheguei sobre Maçonaria nesses 41 anos de Ordem, principalmente nos últimos anos, quando a Maçonaria despertou o interesse de historiadores não-maçons que pesquisaram a Maçonaria como manifestação social dentro da história da humanidade, sem os usuais preconceitos dos historiadores maçons que não se atrevem a desafiar teorias e ideias estabelecidas e, com isso, passam a ser meros papagaios repercutindo sempre as mesmas ideias.
      Perseguimos um segredo que é tão secreto que se perdeu. Na realidade, você vai passar toda a sua vida achando que o segredo está no próximo grau, na próxima lecture, no próximo livro e estará sempre na expectativa.

      Somente como pista promissora, concentre seus estudos em William Schaw e o que acontecia na Escócia naquele momento histórico. Estude onde se encaixa o Rosacrucianismo, o Hermeticismo, a Alquimia, a Cabala na cultura daqueles dias na Escócia.

      Esqueça o que diz a Grande Loja da Inglaterra. Essa versão oficial do nascimento da Maçonaria Especulativa é totalmente falsa. Estude o que é Maçonaria Jacobita, o que havia por trás daquela maçonaria e como os acontecimentos políticos ligados à sucessão do trono da inglaterra determinaram o formato da Maçonaria que conhecemos.

      Espero que isso encurte seu caminho e você não precise de 40 anos para chegar a alguma conclusão.

  2. Qual o problema de se nominar o Rito de York, Rito Escocês Antigo e Aceito se eles não tiveram o seu nascimento nesses locais? Os americanos resolveram chamar de York como poderiam chamá-lo por outro nome. O fato é que eles resolveram homenagear essa antiga cidade inglesa como fizeram com a Nova York americana, apenas ressaltando a importância daquela cidade para a maçonaria, que teve origem romana com o nome de Eboracum, em 70 d.C, lembrando que os primeiros registros que se tem sobre um ordenamento das guildas dos maçons, que etimologicamente significa pedreiros, ocorreu no final do Sec. X quando o Rei Athelstan, em York, incumbiu seu filho Edwin de regulamentar o oficio dos construtores. Chamam de lenda, mas existem registros de tal fato. Quando foi fundada a Grande Loja Provincial de Massachusetts, então sob a Grande Loja da Inglaterra (Modernos), com Price como Grão Mestre, já existiam Lojas fundadas com patentes dos Antigos, dos Irlandeses e Escoceses. Quanto ao Rito Escocês, devemos lembrar que ele nasceu na França, não com esse nome, que foi assim nominado na América. Quando o Rei Charles Stuart I ( maçom), foi morto por decisão do Parlamento Inglês, liderado por Olliver Crommwel ( também maçom), a sua viúva, que era francesa, irmã do Rei Luiz XIV, levou seus filhos para a França, com seus batalhões militares escoceses e irlandeses como proteção, porque ela não confiava nos ingleses, indo morar no palácio de Saint Germain en Layer e nesse período algumas lojas maçônicas foram criadas dentro das fileiras dos batalhôes alojados naquele local, tudo sustentado com recursos franceses.

    1. Hold your horses, Brother Herminio,

      Colocado da forma como você coloca, o rito ou o ritual passa a ser um detalhe de menor importância para a Maçonaria.
      Nada tem a ver com homenagem a isso ou aquilo, e precisa estudar mais história da Maçonaria.
      O sanguinário Cromwell não era maçom, o Rei Charles I não foi morto, nem era esse o rei da vez. O rei certo era o James III e ele não foi morto mas se exilou na França, sob a proteção de seu primo Luis XIV e levou apenas um filho para a França, James Edward que nasceu de seu segundo casamento com Mary of Modena e que foi o pivô do complô montado contra ele por sua própria filha Mary, casada com William de Orange, que tendo perdido o direito ao trono com o nascimento de James Edward, mancomunou-se com nobres protestantes e o Arcebispo anglicano que pediram a William que assumisse o trono e removesse James III.
      Quando a esquadra de William se aproximava, o exército de James desertou e ele foi obrigado a se exilar na França.

      Já Rito Escocês foi desenvolvido na França com base em um rito escocês de Heredom trazido pelos jacobitas exilados.
      E o rito de York não é um nome de homenagem.
      Por trás de cada rito se esconde a ideologia, se podemos chamar assim, do ramo de maçonaria.
      O Rito Escocês é o rito original da Maçonaria. Nasceu na Escócia com o rei James VI, inventado por William Schaw e com o exílio de James III da Inglaterra para a França, ali foi desenvolvido e posteriormente ampliado nos Estados Unidos e devolvido à Europa sob a forma atual. É um rito “antigo”.
      O rito da Grande Loja de Londres de 1717 desfigurou o rito tradicional jacobita com a introdução da Religião Natural, mas ele foi derrotado pela Grande Loja dos Antigos de 1751, quando ocorreu a união entre Antigos e Modernos. O rito que emergiu da União foi o rito dos Antigos, que está mais próximo do escoces jacobita original.
      O Rito Schöeder é um rito “antigo”.
      O Rito Francês é um rito dos “modernos”, assim como o seu descendente Rito Moderno (praticado somente no Brasil e na Bélgica)
      O Rito de York é um rito dos “antigos”

      Parodiando Shakespeare, “Existem mais coisas entre o céu e a terra sobre Maçonaria do que sonha a vossa vã filosofia.”

  3. Se usar a mesma temática, O GOB precisa então rever sua nominação de ritos. Vejo da seguinte forma, chamar o Emulation de “Rito de York” pela referida potência é tão errado quando questionar o nome a seu “lugar de origem”.

    O REAA, é um rito que nasceu na frança, e teve seu corpo formatado por Pike nos EUA. (Interessante observar que na America do Norte, praticamente não existem lojas simbólicas do REAA, a não ser meia duzia delas em News Orleans, devido ao fator histórico de colonização). Eles funcionam do 4 ao 33 em seus Supremos. e não veem problema nenhum disto.

    O Rito de York tem esse nome, devidos suas bases nos antigos ritos Irlandeses, Escoceses e Ingleses, que se instalaram nas Colônias Americanas. (grande partes das lojas era surgidas nas campanhas da guerra de sucessão, as tão faladas lojas militares)

  4. O RITO YORK E O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO É PRATICADO NO BRASIL PELA ORDEM GLÓRIA DO OCIDENTE DO BRASIL.

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