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A possível sobrevivência das ordens do Rito Francês em Portugal e no Brasil

Publicado em FREEMASON.PT

Por Joaquim Grave dos Santos

rito francês

Índice

  • Introdução
  • Portugal
  • Brasil
  • Conclusões

Introdução

Desde que as Ordens de Sabedoria foram revivificadas no seu país de origem, na década de 60 do século XX, muito se tem discutido, relativamente à possibilidade de ter havido uma eventual continuidade da sua prática, nas Maçonarias de dois países para os quais foram transmitidas por Irmãos decorados com estes Graus, no princípio do século XIX. Em concreto, esta sobrevivência dos Altos Graus do Rito Francês poderia ter-se verificado tanto no Brasil como em Portugal, atendendo à importância que o Rito Francês teve no desenvolvimento das Maçonarias destes dois países, com Histórias Maçónicas que se tocam. A possível atividade ininterrupta das Ordens de Sabedoria no Brasil, justificou aliás a concessão de Cartas Patente, por parte do Supremo Conselho do Rito Moderno deste país, a várias Jurisdições Europeias e Americanas. Mas, esta sobrevivência dos Altos Graus do Rito Francês fora do Hexágono, durante o final do século XIX e a primeira metade do século XX, terá sido real ou é mítica?

A este respeito, e em resposta a trabalhos muito pouco fundamentados, que têm vindo a aparecer em defesa desta hipótese de linha iniciática ininterrupta das Ordens de Sabedoria no Brasil, bastante já foi escrito por autores como Paul Leblanc [1], Pierre Mollier [2], ou Roger Dachez [3], que levantaram dúvidas no que diz respeito a esta prática contínua, desde a sua introdução neste país, na segunda década do século XIX. Contudo, por falta de fontes relativas à Maçonaria Brasileira, esta análise não tinha ainda sido suficientemente detalhada de modo a poder ser apresentada uma prova concreta de se ter verificado uma descontinuidade da presença dos Altos Graus do Rito Francês neste seu percurso Sul-Americano, muito embora todos estes autores tenham concluído de que tal poderia ter sucedido, entre o final do século XIX, e a segunda metade do século XX.

Porque não pode haver prática Maçónica sem Rituais, procurou-se analisar os documentos de referência Portugueses e Brasileiros deste período, tentando identificar as suas fontes, relacionando-os com Rituais franceses da mesma época. A informação extraída destes documentos, conjugada com elementos que se encontram presentes na regulamentação que se encontrava em vigor, nas Obediências e Grandes Capítulos Portugueses e Brasileiros, permite tirar conclusões inequívocas nesta matéria.

Portugal

Em Portugal, entre 1834 (fim da Guerra Civil) e 1869, a Maçonaria esteve dividida em várias Obediências, de linhagem mais ou menos proveniente do Grande Oriente Lusitano original, fundado em 1802. Na maior parte delas praticou-se o Rito Francês [4].

Em 1869 deu-se a reunião da “Família Maçónica Portuguesa”, agregando-se todos estes Corpos no Grande Oriente Lusitano Unido [5], cujo Rito Oficial era o Rito Francês [6], que permaneceu maioritário até ao final no século XIX. De acordo com a sua Constituição de 1871 [7], o GOLU tinha a jurisdição de todos os Graus até ao Rosa Cruz (IVa Ordem RF, 18° Grau REAA) [8], decorrendo sob os auspícios do Supremo Conselho do 33° Grau, os trabalhos dos Graus Escoceses subsequentes. Se o enquadramento das Lojas Simbólicas era da competência do Conselho da Ordem, os Capítulos (tanto do RF como do REAA) dependeram, a partir de 1878 [9], do Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz, que se tratava de um órgão da Obediência, que só veio a ser efetivamente instalado em 1885 [10], e teve a sua Lei Orgânica aprovada nesse mesmo ano [11].

A Constituição de 1907 [12] veio alterar o âmbito de competências do Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz, que passou a ser a suprema Câmara do Rito Francês [13], responsável pela elaboração dos Rituais de Referência deste Rito. Nessa qualidade, o Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz procedeu, a partir de 1909, a uma revisão dos Rituais dos Graus Simbólicos, aproximando-os dos que se encontravam em prática no Grande Oriente de França [14] (Revisões Amiable de 1887, e Blatin de 1907) [15].

No GOLU, entre 1870 e 1930, existiram mais de 50 Capítulos assentes em Lojas do Rito Francês [16]. O único grau praticado nestes Ateliers foi o Rosa Cruz [17], tendo a sua atividade sido regulamentada em 1914, através de um documento normativo denominado de “Constituição do Rito Francês” [18]. Este regulamento foi reeditado em 1925 [19]. Nos termos do seu artigo 7°, n°1, competia ao Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz “Velar pela glória da Maçonaria em geral e pelo esplendor e prestígio do Rito Francês em particular, tendo em vista o seu progressivo desenvolvimento, inspirando-se nos modernos trabalhos do Grande Oriente de França, que o criou, e tratar da alta significação filosófica dos símbolos maçónicos”.

Como se pode constatar no seu artigo 34°, para todas as Ordens compreendidas entre a Mestria e o Rosa Cruz, estes Graus não eram praticados, sendo simplesmente conferidos administrativamente, porque não havia Rituais aprovados [20], e nunca chegou a haver. Mas qual era o Ritual que era utilizado para a IVa Ordem (em Portugal mais correntemente denominada de Grau 7), nos Capítulos de Rito Francês do GOLU?

Estes Ateliers Superiores utilizaram, comprovadamente a partir do início do século XX, um Ritual de Rosa Cruz, que era comum aos Capítulos Escoceses. O mesmo foi publicado em 1913 [21], e reeditado em 1920 [22], integrado numa coleção de Rituais coligida por Matos Ferreira [23], denominada “A Liturgia Maçónica”.

Mas, para se poder avaliar da efetiva prática dos Altos Graus do Rito Francês por estes Ateliers, importava averiguar qual foi a fonte a partir da qual este Ritual foi traduzido. Tendo em conta que, a partir de 1909, tinha havido o cuidado de alinhar os Rituais dos Graus Simbólicos com as versões correspondentes utilizadas no Grande Oriente de França, era provável que o mesmo tivesse também acontecido com o Ritual Rosa Cruz, que igualmente era o único grau praticado nos Capítulos desta Obediência francesa.

Da análise de vários documentos desta época, editados pelo Grand College des Rites – Suprème Conseil do Grande Oriente de França, concluiu-se que o Ritual praticado por todos os Capítulos Portugueses (RF e REAA), e publicado por Matos Ferreira, é uma tradução do documento: GRAND ORIENT DE FRANCE / SUPRÈME CONSEIL / POUR LA FRANCE ET LES POSSESSIONS FRANÇAISES / CAHIER / DES / GRADES CAPITULAIRES / (Du 4° au 18° degré) / RITUEL DES CHEV∴ ROSE-CROIX / MIS EN HARMONIE / AVEC LA CONSTITUITIONS ET LE RÉGLEMENT GÉNÉRAL DE L’ORDRE PROMULGUÉS EN 1885 (E∴ V∴) / Années «890 1890 (E V) ./.

Assim, todos os Capítulos do Grande Oriente Lusitano Unido, fossem do Rito Francês ou do Rito Escocês, utilizaram, durante o século XX, o mesmo Ritual que os Capítulos do Grande Oriente de França, aprovado pelo Grand Collège des Rites, que era na realidade um Supremo Conselho do Grau 33 do REAA.

As Ordens de Eleito Secreto, Grande Eleito Escocês, e Cavaleiro do Oriente (Ia à IIIa Ordem) nunca foram conferidas em Portugal de outra forma distinta da comunicação [24], só tendo sido começado a ser praticadas no século XXI.

Em 1939, já no período da clandestinidade, todas as Lojas e Capítulos do Rito Francês passaram para o Rito Escocês Antigo e Aceite, sendo o Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz integrado no Supremo Conselho do 33° Grau [25]. Em consequência, o Rito Francês deixou de existir, em Portugal, só tendo as Ordens de Sabedoria sido revivificadas em 2003.

Não podemos, pois, considerar que a situação verificada nos Soberanos Capítulos do Rito Francês do GOLU tenha sido substancialmente diferente da que ocorreu em França, no mesmo período. Atendendo a que a fixação dos Altos Graus do Rito Francês compreendeu desde início cinco Ordens [26], questiona-se, assim, se se poderá considerar que existiu continuidade deste sistema no seu todo em Portugal, desde a sua introdução, nos primeiros anos do século XIX, até ao ano do seu desaparecimento (1939), quando as cerimónias das Iª, Iª, e IIIª Ordens nunca foram efetivamente realizadas, a IVª Ordem foi praticada durante o século XX com recurso ao mesmo Ritual do 18° Grau REAA utilizado pelos Capítulos deste Rito do Grande Oriente de França, e a Vª Ordem nunca foi conferida, no nosso país, antes do século XXI. Do nosso ponto de vista pessoal, afigura-se ser inequívoco que, em Portugal, se poderá apenas considerar ter havido uma continuidade de prática do Grau Rosa-Cruz, presente tanto no Rito Francês como no REAA, desde as primeiras evidências da realização efetiva de cerimónias deste tipo, que remontam à “Abertura Liberal” de 1820-1823 [27], e 1939.

Brasil

O Rito Francês chegou ao Brasil, na década de 20 do século XIX, tendo a Maçonaria neste país tido uma História muito atribulada, caraterizada por múltiplas cisões de Obediências. Apesar deste condicionamento, consegue-se constatar que o Rito Francês esteve presente nas mais importantes, estabelecendo a Constituição de 1839 do Grande Oriente do Brasil, a existência de um Grande Colégio dos Ritos, destinado a regular todos os Ritos praticados na Obediência (Moderno ou Francês, Adonhiramita, e Escocês Antigo e Aceite) [28]. Em 1842, este Grande Colégio dos Ritos foi reorganizado por Manoel Joaquim de Menezes, sendo considerado pelas atuais Jurisdições Brasileiras como tendo sido este o ano de fundação da primeira Câmara Chefe do Rito Moderno neste país [29]. Por alteração da Constituição, verificada em 1855, a jurisdição dos Ritos Moderno e Adonhiramita passou a ser assegurada pelo Sublime Colégio dos Ritos Azuis [30], que não era um corpo independente do GOB, sob cujos auspícios continuavam a trabalhar os Capítulos de todos os Ritos. Este organismo teve o seu Regulamento aprovado em 1858 [31].

Em 1874, a jurisdição do Rito Adonhiramita foi retirada deste Corpo Maçónico, que passou a designar-se de Grande Capítulo do Rito Moderno ou Francês, e assim aconteceu até 1951 [32]. Nesse ano, as Jurisdições de Altos Graus de todos os Ritos tornaram-se independentes do Grande Oriente do Brasil, que passou a ter sob os seus auspícios apenas Lojas Simbólicas. O Grande Capítulo reorganizou-se, e passou a designar-se, em 1954, de Muito poderoso e Sublime Capítulo do Rito Moderno para o Brasil [33], e em 1976 de Supremo Conselho do Rito Moderno para o Brasil [34], organismo este que conferiu Cartas Patente para a prática dos Altos Graus do Rito Moderno a várias Jurisdições estrangeiras.

Se a nível institucional aparentemente se consegue traçar uma linha de continuidade entre as sucessivas Jurisdições, que regularam o Rito Moderno no Brasil, a questão que se coloca é se tal corresponde a uma tradição de prática efetiva ininterrupta das Ordens do Rito. E nessa matéria, tal como fiz para Portugal, procurei tirar conclusões pela via dos Rituais.

O mais antigo Ritual de Referência destas Jurisdições, que pude obter, corresponde a um Ritual do Grau de Cavaleiro Rosa Cruz do Grande Oriente do Brasil, editado em 1935 [35], que de acordo com informação referida na sua capa, teria sido aprovado pelo Grande Capítulo do Rito Moderno em Sessão de 21 de Julho de 1891, e permitido pelo Muito Poderoso Supremo Conselho (REAA), em Sessão de 1 de Agosto do mesmo ano, e pelo Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas (Rito Adonhiramita), em Sessão de 11 de Agosto também do mesmo ano. Este Ritual terá suportado os Trabalhos dos Capítulos Brasileiros destes três Ritos, entre 1891 e, provavelmente, 1951 (ano em que estas Jurisdições se separaram do GOB). Na sua primeira página, começa por referir que “Os graus intermediários (desde o 4° até ao anterior ao de Rosa-Cruz) são conferidos por comunicação e com uma recordação respetiva”, donde se conclui que, pelo menos durante 60 anos, o Rosa Cruz foi o único Grau efetivamente praticado nos Capítulos do GOB, em qualquer um destes três Ritos. Mas qual foi a fonte deste Ritual?

Uma simples comparação permite concluir, que tal como nos Capítulos Portugueses, este Ritual aprovado no Brasil em 1891, corresponde igualmente a uma tradução do Ritual editado em 1890 pelo Grande Oriente de França, resultando evidente que na primeira década do século XX os Soberanos Capítulos Franceses, Portugueses, e Brasileiros trabalharam com perfeita uniformidade de práticas, o que não espanta, dado tratarem-se de Obediências com grande alinhamento filosófico. Aliás, no ano seguinte (1892), o mesmo Grande Capítulo do Rito Moderno, em Sessão de 23 de junho, introduziu nas Lojas Simbólicas deste Rito do Grande Oriente do Brasil a revisão Amiable (GOdF 1877), suprimindo-se a invocação do Grande Arquiteto do Universo dos Rituais [36].

Estes aspetos levantam outra questão: quando é que as Cerimónias da Ia à IIIa Ordem passaram a ser realizadas no Brasil?

O mais antigo Ritual que consegui encontrar relativo a estes Graus, é um referente à IIIa Ordem (Cavaleiro do Oriente), editado em 1963 pelo Muito Poderoso Sublime e Grande Capítulo do Rito Moderno para o Brasil [37], cuja principal fonte é o livro do autor Português Miguel António Dias “Bibliotheca Maçónnica”, que teve a sua primeira edição em 1834 [38], e que corresponde a uma tradução do “Régulateur des Chevaliers Maçons” [39]. Tal indicia que esta Jurisdição, tendo-se tornado independente do GOB, procurou entre 1954 e 1963 reativar a prática das três primeiras Ordens, para dar conteúdo ao trabalho dos seus Capítulos, estabelecendo um paralelo com o REAA. Por falta de fontes rituais atualizadas francesas, os Rituais destas Ordens foram reescritos com base nos antigos Rituais de Miguel António Dias, dos quais só o de Rosa Cruz terá sido praticado em Portugal. Este objetivo levou a que, em 1998, a mesma Jurisdição tenha refundado a Va Ordem com base em dois novos Graus que criou: o 8° Grau Kadosch Filosófico, e o 9° Grau Cavaleiro da Sapiência.

Não me parece, pois, que se possa falar de qualquer continuidade iniciática dos Altos Graus do Rito Francês no Brasil no seu todo, uma vez que, tal como em Portugal, a mesma se resumiu ao Grau Rosa Cruz, e mesmo neste caso durante 60 anos o Ritual utilizado foi o mesmo dos Capítulos Escoceses do GOdF, do princípio do século XX.

Conclusões

Uma vez mais, este assunto é um bom exemplo de como a tradição Maçónica leva a construir mitos, que se consolidam quando se tornam úteis para legitimar Obediências e Jurisdições. Compete aos Historiadores da Maçonaria desconstruir estes mitos, observando os fatos Históricos com a necessária neutralidade axiológica, que lhes permita destrinçar entre a realidade e a lenda.

Fixadas pelo Grande Capítulo Geral de França, num processo dinamizado pelo Irmão Roettiers de Montaleau, as Ordens de Sabedoria do Rito Francês tiveram um percurso Histórico que levou ao seu adormecimento, e à sua revivificação sob a égide do Grand Chapitre Gènèral du Rite Français – GOdF, tendo os seus Rituais sido revistos à luz das ideias consagradas no Convent do GOdF de 1877, e que já se encontravam refletidas nos textos dos Rituais dos seus Graus Simbólicos. Mais do que a forma, em todo este processo de reanimação do Rito, houve o cuidado de preservar os valores filosóficos que orientaram os seus fundadores, no século das Luzes, princípios estes que todos os Grandes Capítulos signatários da Carta de Lisboa pretendem transmitir. É esta procura de coerência, e de sentido, que não se encontra, neste processo de reativação das Ordens no Brasil, o qual se desenvolveu mais em função das políticas Obedienciais e Jurisdicionais, e de uma procura de paralelismo com o REAA, do que a partir de uma reconstituição Histórica, e de uma reflexão sobre o Rito em si próprio. Reflexão esta que também começa a ser feita atualmente no Brasil, pelas Jurisdições e pelos estudiosos do Rito.


Notas

[1] Leblanc Paul, “La Patente dite Brésilienne”, 2013.

[2] Mollier Pierre, “À l’origine du Grand Chapitre Général du Grand Orient de France: la section “Rite Français” du Grand Collège des Rites (1826-1999)”, 2013

[3] Dachez Roger, “Note sur la transmission des Grades Capitulaires du Rite Français du Grand Orient de France”, 2013

[4] A este respeito ver Ventura, António “Uma História da Maçonaria em Portugal 1727-1986”, Circulo dos Leitores, Lisboa, 2013.

[5] Ver Ventura, António “Uma História da Maçonaria em Portugal…”.

[6] Ver Annuario / do / Gr∴ Or∴ Lusitano Unido / Sup∴ Cons∴ da Maç∴ Portugueza / Selo GOLU / 1906 / filete / A Liberal – Officina Typographica / 216, Rua de S. Paulo, 216 / Lisboa – 1907 /, na sua pag. 39: “Com efeito, o rito francês – o rito official do nosso Grande Oriente Lusitano Unido, conforme as disposições da base 5ª da juncção…”.

[7] Constituição / do / Grande Oriente Lusitano Unido / Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa / 1871 / desenho / Lisboa / Imprensa de J. G. Sousa das Neves / 65 – Rua da Atalaia – 67 / 1871 . Cota BNP S.C. 11852//10 P.

[8] Ver artigos 42º e 57º da Constituição do GOLU de 1871.

[9] Ver Constituição / do / Grande Oriente Lusitano Unido / Supremo Conselho / da Maçonaria Portuguesa / desenho alegórico / Lisboa / Imprensa de J. G. Sousa das Neves / 65, Rua da Atalaia, 67 / 1878 /.

[10] A este respeito ver: Annuario / do / Gr∴ Or∴ Lusitano Unido / Sup∴ Cons∴ da Maç∴ Portugueza / Selo GOLU / 1906 / filete / A Liberal – Officina Typographica / 216, Rua de S. Paulo, 216 / Lisboa – 1907 /, no qual é feito um ponto de situação relativo ao Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz, nas suas págs. 12 e 13. Em concreto, na pág. 12 é referido: “Um livro contendo actas desde a instalação do Sob∴ Gr∴ Cap∴ (26 de Novembro de 1885) até 8 de Abril de 1892…”.

[11] A este respeito ver: Lei Orgânica / do / Soberano Grande Capítulo de Rosa Cruz / e / Capítulos Subordinados / Selo do Soberano Grande Capitulo / Lisboa / Typographia da Viúva Sousa Neves / 65, Rua da Atalaia, 67 / 1885 /. Nos termos do Artº 1º desta Lei Orgânica, “O soberano grande capitulo de rosa cruz é o poder supremo em tudo quanto se refere aos graus sublimes e aos capítulos da mesma denominação de qualquer rito que sejam, em conformidade do art.º 11º nº 3 e § único do acto addicional”.

[12] A este respeito ver: Boletim Official / do / Grande Oriente Lusitano Unido / Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa / filete / Supplemento / contendo a Constituição de 31 de Dezembro de 1907, / o Regulamento Geral Provisório e legislação avulsa / Selo do Grande Oriente / 31 de Dezembro de 1907 (e∴ v∴) / este opúsculo não é destinado à publicidade / Lisboa / filete / Rua do Grémio Lusitano, 35 /.

[13] Nos termos do Artº 85 da Constituição do Grande Oriente Lusitano Unido de 1907, “O Soberano Grande Capitulo de Cavalleiros Rosa Cruz é o poder superior, em matéria liturgica, em tudo quanto se refere ao rito francês, e rege-se pela presente Constituição e pela sua lei orgânica”.

[14] No que concerne aos Rituais praticados no Grande Oriente de França neste período, ver Marcos, Ludovic “Histoire du Rite Français au XIXème siècle”, Paris, EDIMAF – Éditions Maçonniques de France, 3ª edição, 2016.

[15] O Ritual de Aprendiz aprovado pelo Soberano Grande Capitulo de Cavaleiros Rosa Cruz, e editado na brochura: Ritual / do / Gr∴ de Ap∴ / do / Rito Francez / ou / Moderno / gravura alegórica / Anno de 1909 (e∴ v∴) / filete / 09-11 – Typ. Leiria – Rua da Horta Secca, 62 a 66 /. teve por fonte o Ritual de Referência do GOdF de 1887, conhecido na História do Rito Francês como “Revisão Amiable”. Os Rituais de Companheiro e de Mestre publicados entre 1909 e 1920 por Matos Ferreira, na coleção “A Liturgia Maçónica”, correspondem a traduções do Ritual de Referência do GOdF, de 1907, denominado de “Revisão Blatin”.

[16] Encontra-se uma relação exaustiva destes Capítulos em Oliveira Marques, A. H. de, “Dicionário de Maçonaria Portuguesa”, Lisboa, Editorial Delta, 1986, Vol. I, págs.. 261 a 263.

[17] A este respeito ver o Art.º 34º da Constituição do Rito Francês, aprovada em 31 de Dezembro de 1914, e revista em 19 de julho de 1922.

[18] Este documento foi editado na brochura: Liberdade – Igualdade – Fraternidade / Constituição / do / Rito Francês / do / Grande Oriente Lusitano Unido / Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa / Selo do Soberano Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz / Rua do Grémio Lusitano, 35 / 1915 /.

[19] Este documento foi editado na brochura: Liberdade – Igualdade – Fraternidade / Constituição / do Rito Francês / do / Grande Oriente Lusitano Unido / Supremo Conselho da Maçonaria Portuguesa / Selo do Soberano Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz / 1925 / Tipografia do Grémio Lusitano / Rua da Atalaia, 130 / Lisboa /.

[20] Nos termos do Artº 34º da Constituição do Rito Francês, “Os trabalhos de um Capitulo realizam-se, com todas as formalidades litúrgicas, no grau de Rosa-Cruz […] Os trabalhos nos graus intermediários realizar-se-hão tambem com formalidades litúrgicas, logo que haja rituais aprovados…”.

[21] Editado na brochura: A Liturgia Maçónica / Ritual do / Grau de / Rosa-Cruz / Para os Ritos / Escocês e Francês / Compilado pelo / Ir∴ Matos Ferreira / Gravura alegórica / Lisboa – 1913 /.

[22] Editado na brochura A Liturgia Maçónica / Ritual do / Grau de / Rosa-Cruz / Para os Ritos / Escocês e Francês / Compilado pelo / Ir∴ Matos Ferreira / 2ª Edição / Gravura alegórica / 1920 /.

[23] António Augusto de Matos Ferreira (1877-1931), funcionário público, iniciado em 1907 na Loja Pureza, com o Nome Simbólico de Lavoisier, foi também membro das Lojas Acácia, e Solidariedade. Ascendeu ao Grau 33 do REAA em 1919. A seu respeito ver: Madeira de Castro, Daniel “História de uma Loja Centenária”, Lisboa, Outra Perspetiva, 2021, pag. 252.

[24] A este respeito ver Grave dos Santos, Joaquim e Tomás Vianna, Cléber “As fontes das primeiras traduções Portuguesas de elementos Rituais dos Altos Graus do Rito Francês (1804-1834)”, Lisboa, Revista de Maçonaria, nº 2, págs.. 145-159.

[25] Ver Acordo entre o Supremo Conselho dos Inspetores Gerais do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, e o Soberano Grande Capitulo de Cavaleiros Rosa Cruz, celebrado em 24 de Março de 1939, e homologado pelo GOLU mediante o Decreto nº 7, da mesma data. Neste último refere-se: “Atendendo a que no próprio Gr∴ Or∴ de França deixaram de existir os Capítulos do Rito Francês; […] decretamos para valer como Lei e para que se cumpra e se faça cumprir: Artº 1º – É homologado o acordo celebrado, nesta data, entre o Sup∴ Cons∴ dos Insp∴ Gerais do Gr∴ 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, e o Sob∴ Gr∴ Cap∴ de CCav∴ Rosa Cruz do Rito Francês ou Moderno…”.

[26] Ver: Statuts et Reglemens Généraux du Grand Chapitre Général de France (manuscrito), aprovados em 19 Março 1784, em concreto no seu Artigo 29º “…Le G Chap G renfermera toutes ses connaissances dans cinq ordres…”. Este documento encontra-se reproduzido em Mollier, Pierre “Les hautes grades du Rite Français Histoire et textes fondateurs Le Régulateur des Chevaliers Maçons”, Paris: Éditions Dervy, Collection Renaissance Traditionelle, 2019.

[27] A este respeito ver Grave dos Santos, Joaquim e Tomás Vianna, Cléber “As fontes das primeiras traduções Portuguesas de elementos Rituais dos Altos Graus do Rito Francês (1804-1834)”, Lisboa, Revista de Maçonaria nº 2, pag. 154.

[28] A este respeito ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno – Fundação, usos e costumes no Brasil”, Salvador/Bahia, Edição por demanda, 2018, pag. 28.

[29] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, págs.. 27-32.

[30] Ver: Constituição / do / G∴ Or∴ do Brasil / Gravura alegórica / Rio de Janeiro / Emp. Typ. – Dous de Dezembro – do Ir∴ Paula Brito, / Impressor da Casa Imperial / 1855. /., nomeadamente no que é estipulado nos Artigos 1º, 8º, 9º, 10º, 11º, 12º, e 13º.

[31] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, pag. 27.

[32] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, pag. 28.

[33] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, págs.. 28-29. Os Estatutos do Sublime Capitulo do Rito Moderno para o Brasil encontram-se publicados no Diário Oficial (Secção I), de 12 de Junho de 1954 (pag. 10575).

[34] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, pag. 30.

[35] Ritual / do / Grau de Cavalleiro Rosa-Cruz / approvado pelo / Grande Capitulo do Rito Moderno / Em sess∴ de 21 de julho / E permittido pelo / M∴ P∴ Supremo Conselho / Em Assembleia de 1 de Agosto / e pelo / Grande Capitulo dos Cavalleiros Noaquitas / Em sess∴ de 11 de Agosto, tudo de 1891 / Selo do Grande Oriente do Brasil / Typ. da Casa Vallete-Carino, 63 / Rio de Janeiro / 1935 (E∴ V∴).

[36] Ver Tomás Vianna, Cleber “Rito Francês ou Moderno …”, págs.. 14-15.

[37] Ver: Muito Poderoso Sublime e Grande / Capitulo do Rito Moderno / Para o Brasil / Gravura alegórica com águia bicéfala / Ritual / do / 6º Grau Cavaleiro do Oriente / (para os Conselhos / de sua Jurisdição) / 1963 /.

[38] Ver: Bibliotheca / Maçonnica / ou / Instrucção Completa / Do Franc-Maçon. / Obra / dedicada aos Orientes Lusitano e Brasiliense, / Por um Cav∴ Rosa-Cruz. / Filete / Em casa de J. P. Aillaud / Quai Voltaire, nº 11. / 1840.

[39] Ver: LE / RÉGULATEUR / DES CHEVALIERS MAÇONS, / OU / LES QUATRE ORDRES SUPÉRIEURS, / SUIVANT LE RÉGIME DU GRAND-ORIENT. / PRIX: 15 Fr. / A HÉRÉDOM. / SE TROUVE A PARIS / Chez les FF∴ / CAILLOT, Libraire, rue Saint-André-des-Arcs, Nº 57 / BRUN, rue Saint-Honoré, Nº 251, où l’on trouvera un / assortiment de décors pour tous les grades /.

Um comentário em “A possível sobrevivência das ordens do Rito Francês em Portugal e no Brasil

  1. Es increíble ese seguidismo al GODF a toda costa que el autor del Artículo propone. A pesar de manejar buenas fuentes de consulta, el empeño de querer negar una continuidad indiscutible desde 1822 hasta la actualidad fundado en una lectura de la praxis de la IV Orden con un ritual R+ de 1891 es de lo más simplista. Aún siendo así (el ritual en cuestión pauta los intermedios del REAA y Adonhiramita), no sería nada nuevo, pues el mismo GODF realizó semejante procedimiento en el XIX hasta que implementó con descaro la reforma de Murat, como lo hizo el Rito Neerlandés plagiando por analogía la estructura diseñada por Roëttiers de Montaleau. Es muy curioso como la sumisión a la visión hexagonal y la determinados de sus historiadores con su peculiar chauvinismo, manipula lo que es incuestionable: una práctica de las Órdenes de Sabiduría en Brasil ininterrumpida. Eso no es un mito. Así revisando bibliografía incluso citada como la de Cleber Tomás Vianna (aconsejo la nueva edición ampliada) https://amzn.eu/d/dXx8A69 recomiendo la visión francesa independiente de alguien tan incuestionable como Jean-Pierre Duhal, donde el GODF recuperó las Órdenes de Sabiduría contra su propia voluntad, gracias de los Hermanos de diversas obediencias e incluso después de fundamentarse en traiciones que fueron maquillajes, como la Leyenda del Capítulo De Roos. Pero poco importa. El GODF perdió esa “propiedad” que obtusamente algunos pretenden. Como el mismo Duhal nos indica, el Rito Francés de los Modernos es pertenencia de todos aquellos que provienen de una filiación iniciática regular en su recepción y herederos de sus valores. Memoria y futuro…: Una historia del Rito Francés de los Modernos https://amzn.eu/d/a4N5GRv
    No confundamos por querer alimentar egos. Si hacemos historia, hagámoslo imparcialmente y, como masones, trabajemos por tender puentes y no muros, como la dichosa Carta de Lisboa. Esta entrada merece, respecto a Portugal, una lectura del Beves aux Chspitres n°13 de 2008 del GCG del GODF https://we.tl/t-oHo3GFJLYU
    Recibid mi TAF.

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