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O que é o Rito Escocês – como e quando foi criado…

Publicado em FREEMASON.PT

Por Paulo Edgar Melo

avental Rito Escocês Antigo e Aceite

O que é um Rito

O termo ‘Rito’, derivado do latim ritu, compreende um conjunto de fórmulas, regras, normas e prescrições a ser seguidas e observadas durante a realização de um culto, um trabalho religioso ou ainda, no desenvolvimento dos trabalhos de uma determinada crença religiosa onde imperam em todos estes casos, procedimentos únicos e especiais que conferem a cada uma destas vertentes características que as tornam únicas, conforme a natureza dos procedimentos por elas praticados quando do desenvolvimento das suas actividades.

Numa definição mais ampla, este termo também é utilizado para expressar a velocidade com que tramita um processo na área jurídica, considerando-se a ritualística específica desse sector. Apesar de muitos fazerem essa confusão, o termo ‘Rito’ tem significado diferente do termo Ritual; o ritual é um procedimento monocórdio, imutável, enquanto que o rito se constitui num conjunto de actividades organizadas na qual as pessoas se expressam por meio de gestos, palavras e símbolos, actualizáveis conforme a época, e que terminam por conferir um sentido coerente ao ritual.

Por último, de acordo com a Enciclopédia Larousse Cultural, edição de 1995, ‘Rito’ consiste

num conjunto de regras e de cerimónias que se praticam numa determinada religião: o rito romano da Igreja Católica; em certas sociedades, acto ou cerimónia mágicos, com carácter repetitivo, que tem como objectivo orientar uma força oculta para uma acção determinada (O rito individual consiste em gestos, palavras ou atitudes.
.
O rito manifesta-se colectivamente através de cantos, danças ou cerimónias estratificadas e frequentemente complexas). – Maçom. Determinado grupo da franco-maçonaria. (Cada obediência pratica um ou mais Ritos. Cada Rito possui os seus rituais e os seus graus)’. Ainda, consultando a mesma literatura, encontramos o seguinte significado para ‘Ritual’: ‘Livro que enumera as cerimónias e ritos que devem ser observados na prática de uma religião. Conjunto de práticas consagradas pelo uso, ou ditadas por normas, que se deve observar sem alteração em ocasiões determinadas; cerimonial’.

O Rito Escocês Antigo e Aceito e suas origens

O Rito Escocês Antigo e Aceito parece ter a sua origem no Rito de Heredom, na época da fuga dos cavaleiros Templários para a Escócia. Há quem advogue a ideia de que esse rito não só se encontra ligado ao Antigo Testamento como também se relaciona com a Lenda de Hiram, lenda base da Maçonaria simbólica. Outros defendem a ideia de que esse rito está relacionado a ordens secretas como a dos Martinistas na França, os Iluminatti na Alemanha e o Rosa Cruzes na Escócia.

Apesar da existência de diversos ritos na Maçonaria, devido à similaridade que guardam entre si, há quem entenda que todos estes ritos tiveram uma mesma origem, que os estudiosos chamam de Rito Básico dos Maçons Operativos. Este rito básico teria sido criado por Elias Ashmole, alquimista Rosa Cruz que estudando as antigas instituições iniciáticas, adaptou os seus princípios para a Maçonaria operativa.

Dentre as principais lendas envolvidas no surgimento do Rito Escocês Antigo e Aceito e dos seus altos graus filosóficos, cabe destacar o papel de André Michel, escocês de nascimento e partidário da dinastia dos Stuarts, considerado como sendo o inspirador da criação dos Graus Superiores e ter, ainda, exercido influência na elaboração dos Graus Simbólicos.

Conta a história que André Michel, nascido em 1686, também conhecido como Cavaleiro de Ramsay, escreveu por volta do ano de 1737 discurso que foi proferido nas Lojas da França e de alguns países vizinhos, onde, em síntese, propõe a criação de novos graus no Rito Escocês Antigo e Aceito, relaciona a origem da Maçonaria com os Templários, procura criar uma aura de nobreza em torno da instituição maçónica e insere o ideal de fraternidade como um princípio da Maçonaria. Mas é tamanha a controvérsia sobre este assunto, que alguns autores alegam que esse discurso jamais foi lido em qualquer Loja maçónica; outros questionam a autoria do mesmo e a suposta existência de pelo menos quatro versões para esse mesmo discurso.

Interessante destacar que qualquer que seja a origem deste Rito, uma coisa é certa: apesar do nome ‘escocês’, este rito nada tem de escocês e, inclusive, é muito pouco praticado na Escócia onde predomina o Rito de York, sendo mais provável que tenha surgido na França com a interferência de André Michel, o Cavaleiro de Ramsay, conforme exposto acima.

Uma característica do Rito Escocês é ser um sistema livre, sem uma linha hierárquica de obediência, daí não se ter submetido à Grande Loja de Londres, fundada em 1717; era um sistema livre, de Lojas Livres e Maçons Livres. A partir da segunda metade do século XVIII foram criados os 25 graus do chamado Rito de Heredom e que mais tarde receberam a adição de mais 08 graus como consequência da fundação do Supremo Conselho de Charleston, por volta de 1800, sendo este o primeiro Supremo Conselho a ser criado e por isso sendo também chamado de Supremo Conselho Mater-Mundi.

Com relação ao termo ‘Antigo e Aceito’, o mesmo surgiu na França como consequência da fundação da Grande Loja de Londres. Antigamente a Maçonaria acolhia nas suas fileiras maçons que eram ‘aceitos’ na Ordem apesar de não exercerem a profissão dos Operativos. Com a criação da Grande Loja de Londres, a mesma foi alvo de forte oposição por parte de muitas Lojas, que a ela não se submeteram; os maçons que aderiram a Grande Loja foram considerados ‘Modernos’ enquanto que os não-alinhados foram considerados ‘Antigos’.

Com base nos estudos desenvolvidos por José Castellani e Nicola Aslan, podemos afirmar que o Rito Escocês Antigo e Aceito teve a sua origem no Rito de Heredom, também chamado Rito de Perfeição, o qual por sua vez sofreu forte influência dos Templários. A primeira menção que temos deste rito são os dois discursos proferidos nas Lojas da França e arredores por André Michel, o Cavaleiro de Ramsay, os quais obtiveram tal repercussão que podemos responsabilizar esse cavaleiro pela criação e introdução deste rito em solo Francês.

Assim sendo, podemos considerar que o rito de Heredom foi o ponto de partida para a criação do Rito Escocês Antigo e Aceito, depois de sofrer diversas modificações ao longo do tempo até adoptar a forma como hoje o conhecemos.

Um facto importante a considerar é que não há nenhuma organização nacional ou internacional responsável por reconhecer um rito, como também não há órgão, instituto, federação ou outra organização qualquer que licencie ou regularize um rito.

Considerando estes factos, entendemos que um rito surge, conforme a definição de rito já abordada, a partir do conjunto de actividades, linguagem e sinais adoptados por um grupo ou comunidade que professem a mesma crença e pratiquem a mesma ritualística. Também podemos afirmar que a existência de diversos ritos maçónicos representa a falta de integração entre os maçons; a partir do momento em que todos começarem a praticar um mesmo rito, com a fusão das diversas potencias maçónicas, teremos dado o primeiro passo para uma real integração entre as diversas correntes de pensamento entre os Irmãos.

É justamente por falta de um órgão que esteja apto e capacitado a reconhecer um rito, que podemos afirmar que uma vez estabelecido o rito, o mesmo encontra-se subordinado apenas ao Supremo Conselho de Rito, o qual tem poder para delegar às Grandes Lojas e aos Grandes Orientes à administração dos Graus Simbólicos, Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Estrutura do Rito Escocês Antigo e Aceito

O Rito Escocês Antigo e Aceito é um rito muito praticado no Brasil, não se constituindo num dos mais populares noutros países. Apesar de fazer a separação entre Lojas Simbólicas e Filosóficas (as Lojas Simbólicas são administradas pelos Grandes Orientes enquanto que as Lojas Filosóficas seguem a orientação dos Supremos Conselhos), ambos os corpos marcham unidos e em harmonia, de tal forma que membros da Loja Simbólica participam dos Altos Corpos sem que haja qualquer dissonância, ao contrário, percebe-se uma união estreita entre os maçons destes dois Corpos.

Para fins de sistematização do aprendizado, o Rito Escocês Antigo e Aceito é composto de 33 graus distribuídos em Lojas Simbólicas e Filosóficas conforme o quadro abaixo:

Loja Simbólica:

  • Grau 01 – Aprendiz Maçom
  • Grau 02 – Companheiro Maçon.
  • Grau 03 – Mestre Maçon.

Loja de Perfeição:

  • Grau 04 – Mestre Secreto
  • Grau 05 – Mestre Perfeito
  • Grau 06 – Secretário Íntimo
  • Grau 07 – Preboste e Juiz
  • Grau 08 – Intendente dos Edifícios
  • Grau 09 – Mestre Eleito dos Nove
  • Grau 10 – Mestre Eleito dos Quinze
  • Grau 11 – Sublime Cavaleiro Eleito dos Doze
  • Grau 12 – Grão-Mestre Arquitecto
  • Grau 13 – Cavaleiro do Arco Real
  • Grau 14 – Perfeito e Sublime Maçom

Loja Capitular:

  • Grau 15 – Cavaleiro do Oriente
  • Grau 16 – Príncipe de Jerusalém
  • Grau 17 – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
  • Grau 18 – Cavaleiro Rosa-Cruz ou Cavaleiro da Águia Branca e do Pelicano

Ilustre Conselho Filosófico de Kadosch:

  • Grau 19 – Grande Pontífice ou Sublime Escocês, chamado Pontífice da Jerusalém Celeste
  • Grau 20 – Mestre Ad Vitam ou Soberano Príncipe da Maçonaria
  • Grau 21 – Patriarca Noaquita ou Cavaleiro Prussiano
  • Grau 22 – Cavaleiro do Real Machado ou Príncipe do Líbano
  • Grau 23 – Chefe do Tabernáculo
  • Grau 24 – Príncipe do Tabernáculo
  • Grau 25 – Cavaleiro da Serpente de Bronze
  • Grau 26 – Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário
  • Grau 27 – Grande Comendador do Templo ou Soberano Comendador do Templo de Jerusalém
  • Grau 28 – Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
  • Grau 29 – Grande Escocês de Santo André ou Patriarca das Cruzadas
  • Grau 30 – Grande Inquisidor, Grande Eleito, Cavaleiro Kadosch, Cavaleiro da Águia Branca e Negra

Consistórios:

  • Grau 31 – Grande Inspector Comendador
  • Grau 32 – Sublime Príncipe do Real Segredo

Supremo Conselho:

  • Grau 33 – Soberano Grande Inspector Geral

A finalidade dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito

A divisão deste Rito em graus tem como finalidade organizar o aprendizado dos recém filiados à Ordem maçónica. Assim é que cada grau procura transmitir uma mensagem e um ensinamento que, de forma bastante resumida, seria o seguinte:

  • Grau 01: É consagrado a Deus, a Beneficência e a Fraternidade.
  • Grau 02: Discorre sobre Trabalho, Ciência e Virtude.
  • Grau 03: Discorre sobre o progresso através do mérito e das aptidões.
  • Grau 04: Ensina a pesquisar a Verdade como um Dever.
  • Grau 05: Ensina a desvendar os mistérios da própria existência.
  • Grau 06: Discorre sobre o cultivo do Zelo, Fidelidade, Desinteresse e Bondade.
  • Grau 07: Ensina a julgar e aplicar a lei com senso de justiça.
  • Grau 08: Discorre sobre propriedade e trabalho.
  • Grau 09: Discorre sobre precipitação e justiça, Razão e Perdão.
  • Grau 10: Discorre sobre crime e castigo e sobre Relações Internacionais.
  • Grau 11: Discorre sobre crime e castigo ao continuar a perseguição aos assassinos de Hiram.
  • Grau 12: Discorre sobre superação de obstáculos e triunfo da liberdade sobre a opressão.
  • Grau 13: Ensina a procurar Deus sem se perder na idolatria.
  • Grau 14: Ensina que o princípio de todo o conhecimento é Deus.
  • Grau 15: Discorre sobre independência política e religiosa dos povos.
  • Grau 16: Discorre sobre Direitos e Obrigações.
  • Grau 17: Discorre sobre Dever e Direito, Liberdade e Progresso.
  • Grau 18: Discorre sobre o Rosacrucismo e o culto ao Fogo através dos tempos.
  • Grau 19: Discorre sobre Virtude, Ciência e domínio da matéria e dos vícios e paixões.
  • Grau 20: Discorre sobre a redenção dos povos através da pregação insistente da verdade.
  • Grau 21: Discorre sobre ambição e arrependimento e sobre o direito de vingança da vítima.
  • Grau 22: Discorre sobre equilíbrio entre Capital, Propriedade e Trabalho.
  • Grau 23: Discorre sobre Justiça e Liberdade.
  • Grau 24: Discorre sobre as responsabilidades daqueles que têm a tarefa de julgar.
  • Grau 25: Discorre sobre Liberdade e o direito de ir e vir.
  • Grau 26: Discorre sobre Caridade, Esperança e Fé e sobre a busca da ‘Pedra Filosofal’.
  • Grau 27: Discorre sobre Sabedoria, numa referência ao Rei Salomão.
  • Grau 28: Discorre sobre o simbolismo da Mitologia sem, contudo, se afastar do G∴ A∴ D∴ U∴.
  • Grau 29: Discorre sobre Liberdade e Livre Manifestação do Pensamento e da Palavra.
  • Grau 30: Discorre sobre a vindita da Maçonaria pela destruição da Ordem do Templo.
  • Grau 31: Discorre sobre julgamento com equilíbrio e justiça.
  • Grau 32: Discorre sobre assuntos do quotidiano que enfraquecem a família e a sociedade.
  • Grau 33: Discorre sobre uma ‘derradeira Iniciação’ e sobre a Moral Maçônica.

Concluindo os estudos da Filosofia Maçônica, quando analisados pela óptica do Rito Escocês Antigo e Aceito com os seus Corpos Filosóficos e os seus diversos graus, nada mais apropriado do que a narrativa de João 1: 1-5 para retractar o objectivo maior desta instituição em promover a crença num ser superior:

‘NO PRINCÍPIO era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam’.

Fonte

Bibliografia:


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