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Grau 12 – Grão-Mestre Arquiteto (REAA)

Por João Anatalino Rodrigues

Avental do Grau 12 - Grão-Mestre Arquitecto (REAA)
Avental do Grau 12 – Grão-Mestre Arquitecto (REAA)

O grau doze é denominado Grão-Mestre Arquitecto, e, como o seu nome deixa entrever, refere-se aos segredos da construção. Da mesma forma que o grau anterior, ele é dado por comunicação, não obstante o elevando deva conhecer o seu conteúdo, pois que ela encerra alguns dos mais importantes ensinamentos do conjunto da doutrina maçónica.

A Loja é denominada “Loja dos Grãos-Mestres Arquitectos”. Por isso é que o seu painel destaca com mais propriedade os símbolos dos artífices construtores, bem como os resultados do seu ofício, simbolizados no esquadro com o vértice voltado para baixo, cinco colunas formando uma perspectiva planisférica, (uma menor no meio, duas maiores ao lado, duas maiores que estas nas extremidades), e um compasso aberto em 45º por sobre o esquadro, com as letras R N. Nas paredes, os cortinados brancos, salpicados de chamas, lembram as etapas pelas quais o psiquismo do iniciando deve passar para realizar o processo regenerativo da sua consciência. No Oriente, uma estrela flamígera reina, soberana, entre as sete estrelas da Ursa Maior, para mostrar que é deste centro agregador de energia que provém a luz que fará do Maçom esse homem novo, regenerado, pronto para ser a pedra de sustentação do edifício social.

Nas mesas consagradas ao Presidente da Loja, e aos 1° e 2º Vigilantes, são colocados estojos de matemática e um candelabro de três luzes. O estojo contém um compasso de cinco pontas, uma régua paralela, um tira-linhas e uma escala. Estes são os instrumentos de trabalho do operário Maçom. O presidente da Loja é tratado por Grão Mestre e os Vigilantes por Mestres Arquitectos.

Diz a lenda do grau que o rei Salomão, ao ouvir os clamores do povo, sendo ele um rei justo e sábio, quis dar uma organização ao seu cronograma de obras, não só visando terminar a construção do templo, mas também outras construções de interesse do seu governo.

A Bíblia fala da construção do famoso Palácio de Salomão, construção que levou treze anos para ser erigida. E, também, da Casa do Bosque do Líbano, que, ao parece, era uma espécie de Tribunal, onde se processavam os seus famosos julgamentos. Diz a Bíblia que

“Todos estes edifícios eram de finíssimas pedras, que tinham sido serradas de uma mesma forma e medidas, tanto por dentro como por fora, desde os fundamentos até o cimo das paredes, e por fora até o átrio maior. Os fundamentos também eram de pedras grandes de dez ou de oito côvados. E dali para cima havia pedras belíssimas cortadas em igual medida, e cobertas também de cedro. E o átrio maior era redondo, de três ordens de pedras cortadas, e de uma ordem de cedro lavrado; e o mesmo tanto no átrio interior da casa do Senhor, como no pórtico da casa”. (Reis, 1 a 9)

Estas informações do cronista bíblico dão-nos conta de quão desenvolvida era a ciência dos Obreiros da Arte Real, já na época de Salomão. E reforça a nossa crença de que os introdutores das tradições hebraicas nos ritos da Maçonaria moderna, longe de criarem “monstruosidades supersticiosas inúteis”, como disse Samuel Pritchard, sabiam muito bem o que faziam com o desenvolvimento destas lendas. Na verdade, a construção do Templo de Salomão, bem como a estrutura do Reino de Israel, a sua mística e a sua organização política, tem tudo a ver com a ideia de uma Maçonaria mundial, estabelecida como elo espiritual entre homens de boa vontade, cujo ideal comum é encontrar, finalmente, a fórmula segura para se construir a utopia longamente sonhada.

Já vimos que nas mais antigas disposições a respeito da Arte Real já se encontram alusões às excelências da arquitectura hebraica. As antigas tradições estabelecem uma ligação entre a construção do Tabernáculo, que foi uma espécie de templo itinerante construído pelos israelitas no deserto, quando eles ainda peregrinavam em busca da terra da promessa, e a edificação do Templo de Salomão. Anderson, com a imaginação que caracteriza os seus escritos, diz que “deixando de lado o que não pode ser comunicado por escrito, podemos com autoridade afirmar, que por mais ambiciosos que os Pagãos tenham sido para cultivar a Arte Real, eles não atingiram jamais a perfeição, até que Deus se dignou a ensinar o seu Povo eleito a construir a majestosa Tenda supra mencionada, e a construir, afinal, essa magnífica Casa, própria à Refulgência especial da sua Glória, onde ele morava entre Querubins, sobre o Propiciatório, e de onde dava frequentemente as Respostas oraculares.”

As disposições dadas por Deus para a construção do Tabernáculo foram reproduzidas na construção do Templo de Salomão, propriamente dito. Reza a tradição que cada Loja maçónica é uma representação simbólica daquele templo. Desta forma, o que se quer mostrar com este simbolismo arquitectónico é, nada mais nada menos, a forma pela qual o Grande Arquitecto construiu o mundo. O Tabernáculo, bem como o Templo de Salomão, é a representação do próprio universo. Esta é a ideia que nos é passada por todos os manuais maçónicos.


Publicado no excelente blog FREEMASON.PT

Do livro “Conhecendo a Arte Real”, Madras, São Paulo, 2007. (Atualmente esgotado)

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