REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

Maçonaria na Inglaterra e “Emulation”

 Nelson Morales Barrientos[1]

 

INTRODUÇÃO

Depois da Reforma na Inglaterra, a Arquitetura eclesiástica se reduziu à mínima expressão e as Lojas Operativas entraram em dissolução posto que seu trabalho já era dispensável. Tão pouco era necessária a atividade secreta, o temor à morte e à tortura, e a situação imperante não obrigava aos buscadores da Luz Oculta a refugiar-se nos canteiros dos construtores de pedra, pois, a liberdade de pensamento, de expressão e de ação assinalava notáveis progressos.

Entre o período em que a Maçonaria Operativa estava no auge de seu potencial e inspiração e o período no qual se produz o reavivamento da Ordem no Século XVIII com uma definida conotação mística e filosófica, se apreciava um nebuloso lapso de silencio e desintegração.

No entanto os poucos antecedentes em Lojas da Escócia e Inglaterra permitem afirmar que existiam várias palavras e sinais de reconhecimento, juramentos e leituras de pergaminhos que continham a história da Ordem e regras que se conheciam sob a denominação de “Old Charges” ou Antigas Ordenanças.

O tema que aqui nos ocupamos é o Rito de York, e convenhamos que à primeira vista é um nome empírico criado nos Estados Unidos da América para denominar os graus superiores da maçonaria especulativa.

À diferença do Rito Escocês, os graus yorkinos nunca foram ordenados em uma escala, nem numerados, se não que se agrupam em núcleos segundo seu tema central.

Os primeiros registros de atividade maçônica na cidade de Cork datam do ano 926, posteriormente a história consigna que em 1370 se promulgam as Ordenanças da Catedral de York que fixam normas de trabalho específico para os maçons durante o período de inverno e verão.

Os novos membros eram “Juramentados e admitidos”, é o único vestígio de trabalho Ritualístico dos maçons de York até agora conhecida por via de seus próprios registros. Este período de tranquilidade maçônica especulativa se interrompe abruptamente com a criação da Grande Loja da Inglaterra em 24 de junho de 1717, gerando-se uma rivalidade dos maçons Londrinos com seus irmãos Irlandeses que simpatizaram com os maçons yorkinos. Logo entram em sena os maçons denominados “antigos” de raízes Irlandesas que simpatizaram com os maçons yorkinos que por sua vez haviam criado sua Grande Loja acirrando as rivalidades com os maçons “modernos” da Grande Loja da Inglaterra.

O Antigo Rito de York permanece na lembrança como um dos sistemas mais puros da maçonaria inglesa.

Atualmente não se conhece nenhum rito com essa denominação na Inglaterra, mas, nos Estados Unidos da América se pratica um Rito inglês de corrente “antiga”, vindo da Irlanda, que pretende ser o mais próximo do que foi a Maçonaria praticada pela Grande Loja de York e pela Grande Loja dos Antigos.

CAPITULO I

MAÇONARIA MEDIEVAL NA INGLATERRA

Desde a época de Carlos Magno, no século VIII até meados do século XII, todos os conhecimentos e prática da Arquitetura, pintura e escultura, se limitava exclusivamente aos monges; e pelo mesmo, Abades e Bispos dirigiam pessoalmente as obras das construções religiosas.

O monge inglês Winfrid, mais conhecido na história eclesiástica como São Bonifácio, no século VIII, organizou uma classe especial de monges construtores que receberam o nome de Magistri Operam ou Mestres de Obras, cujas tarefas específicas estavam perfeitamente delimitadas: arquitetos e desenhistas, pintores, escultores, e outros se ocupavam nos detalhes em outro e prata.

Entre os ofícios da construção operativa propriamente dita estavam os monges denominados Cementarii ou Pedreiros que empreendiam o trabalho prático da edificação.

Em muitas ocasiões e devido à magnitude das obras, se contratavam a laicos ou leigos, que deviam submeter-se às ordenanças dos monges.

A associação íntima e constante destes leigos com os monges resultou de forma natural que a Abadia se constituiu em uma verdadeira escola de Arquitetura na qual o conhecimento paulatinamente se foi transmitindo a toda Inglaterra mediante o oficio.

Deste modo foi como apareceu a união destes arquitetos religiosos e laicos em meio a um povo inculto, manifestando aptidões de uma classe mais elevada e inteligente que lhe valeu certos privilégios para exercer este oficio praticamente com exclusividade para obras de construção de edifícios importantes e, especialmente, de características religiosas.

Os construtores leigos se reuniam em assembleias que se denominavam Hutten, Logen, Lodgins e os membros tomavam o nome de Freemasons.

Durante a idade Média os maçons ingleses estiveram submetidos a muitas dificuldades e adversidades, pelas repetidas invasões de pictos[2], daneses[3], saxões e escoceses, o que impedia a realização dos trabalhos.

No ano 926 se verificou na cidade de York uma Assembleia Geral que promulgou a primeira Constituição Maçônica para a Inglaterra, e se estima que é o documento mais antigo da ordem até hoje conhecido. Esta Constituição tem sido considerada sempre como a Lei Fundamental da maçonaria inglesa.

Outro dos importantes sucessos que possibilitaram o desenvolvimento evolutivo da maçonaria operativa na Europa foi o que ocorreu na cidade alemã de Estrasburgo, quando Erwin de Steinbach, o arquiteto da Catedral desta cidade, provocou que se reunissem um grande número de maçons arquitetos da Alemanha, Inglaterra e Itália no ano de 1275. Promulgou-se um código de regulamentos e se organizou a fraternidade emulando a Assembleia realizada em York trezentos e cinquenta anos atrás.

Reconheceram-se três classes de artífices: Mestres, Companheiros do Ofício e Aprendizes, e, junto com eles, se estabeleceram os sinais de reconhecimento adotados pelos maçons ingleses a tal ponto que conhecem certas gravuras na qual se pode observar a dois maçons na posição conhecida no nosso ritual inglês como “Five Points of Fellowship” (Cinco Pontos de Fraternidade).

No século XVII a maçonaria operativa havia adquiro tal desenvolvimento evolutivo que a Fraternidade era ao mesmo tempo Grêmio, Sindicato, Escola e Confraria.

No entanto o período de esplendor terminou juntamente com a conclusão das últimas catedrais. Na mesma época, na Inglaterra e Escócia, esta associação começou a aceitar membros honorários ou “Theorical Mason”, “Gentry” ou “Accepted Masons”.

Segundo os maçons aceitos, a catedral já não seria mais o templo a se construir. O edifício que havia de se levantar para a glória do Grande Arquiteto do Universo seria a própria Humanidade e o trabalho que antes se aplicava à pedra, agora se aplicaria ao homem.

A Maçonaria Especulativa seria a Grande Assembleia de homens animados e inspirados por um intenso humanismo fraternal, no qual o sectarismo religioso ou as divergências políticas não teriam cabida no seio de uma Loja.

A LENDA DE YORK

A cidade de York, situada na parte norte da Inglaterra, é célebre por suas relações tradicionais com a Maçonaria. No entanto nenhum outro tópico na maçonaria anglo-saxônica tem sido objeto maiores discussões que a Assembleia Geral de York no ano de 926. Este feito histórico é questionado por alguns eruditos ante a falta de registros escritos. No entanto, durante o século XIX e a última parte do século XX, a Fraternidade em geral tem aceitado como autêntica a constituição maçônica e York pois tampouco se tem encontrado evidência que prove o contrário.

Recentemente, com o descobrimento de outros manuscritos antigos, o trabalho de alguns historiadores e eruditos, entre os quais podemos mencionar a Hugham, Woodford, Lyon e outros, tem começado a elaborar escritos apelando ao método do exame crítico da história tradicional. A mais antiga prova da existência das Constituições manuscritas se encontra escrita em um Poema comumente conhecido sob o título de “Halliwell MS”, cuja data se supõe se a de 1390.

Outro documento em que encontramos esta lenda é “Cooke MS” datado de 1496 que enriquece a lenda adicionando mais antecedentes históricos da Assembleia convocada em York.

Na segunda edição das constituições (pág. 63) publicada em 1738, James Anderson apresenta a Lenda da seguinte forma:

“Em toas as Antigas Constituições está escrito a este respeito o que segue: ‘Que mesmo que os antigos arquivos da irmandade da Inglaterra fossem destruídos em sua maior parte ou perdidos durante a guerra com os daneses, que queimassem os Monastérios onde se conservavam os arquivos; o Rei Athelstan (neto do Rei Alfredo), primeiro monarca ungido da Inglaterra que fez a tradução da Bíblia para a língua saxônica, uma vez que assegurou a paz no país, construiu muitas grandes obras e estimulou a muitos maçons da França e outras partes aos que nomeou diretores: estes trouxeram consigo os Cargos e os Regulamentos das lojas estrangeiras e predominaram no serviço do Rei para aumentar os salários”

“Que o Príncipe Edwin, irmão do Rei, havendo aprendido geometria e Maçonaria devido ao amor que sentia pela fraternidade e pelos honrosos princípio em que descansava, obteve uma patente do Rei Athelstan, seu irmão, para os Franco maçons que tivessem entre si uma União ou um poder e liberdade para regulamentar-se, para corrigir o que pudesse suceder impropriamente, e para que pudessem celebrar uma comunicação anual em forma de Assembleia Geral”.

“Que por conseguinte, o Príncipe Edwin chamou a todos os Livres e Aceitos Maçons do Reino para que se entrevistassem com ele na Congregação de York e que estes vieram e formaram a Grande Loja sob seu Grão Mestre em 926 d.C.”.

“Que eles trouxeram muitos escritos antigos e arquivos da fraternidade, alguns em grego, alguns em latim, e outros em francês e outros idiomas; e de seu conteúdo eles formaram as CONSTITUIÇÕES das lojas inglesas e sancionaram uma lei para servir entre eles, a qual devia conservar-se e observar-se em todo tempo vindouro”.

CAPÍTULO II

O CISMA MAÇÔNICO INGLÊS – A GRANDE LOJA DE YORK

A partir do ano 1730 começa um clima de antipatia entre as Grandes Lojas da Inglaterra e Irlanda devido a certos questionamentos das Lojas irlandesas. A Grande Loja da Irlanda foi fundada no ano de 1725 e em seus rituais primitivos se observa claras diferenças a respeito da maçonaria do sul da Inglaterra e se diz que essas formas de trabalho estão intimamente relacionadas com a antiga maçonaria de York.

Por outra parte as Grandes Lojas da Irlanda e Escócia simpatizavam com os maçons ingleses ortodoxos que se haviam opostos à fundação da Grande Loja de Londres e às modificações no ritual maçônico inglês.

Os Irmãos de York pertenciam ao grupo dos ortodoxos que pregavam que sua cidade foi o berço da Franco Maçonaria, e sempre sustentaram com muita energia que existiu em seu território uma Loja maçônica de tempo imemorial, quer dizer, sem Carta Constitutiva, pois não existia Potência Maçônica que a outorgasse naqueles tempos.

Definir com certeza o chamado Rito de York representa um grande desafio e muitas dificuldades, primeiro porque este nome distintivo não provem de fatos, se não que reflete antigas tradições que não podem por agora especificar em detalhes. Segundo, na Inglaterra não se conhece Rito nem Rituais medievais operativos que levem este nome e tampouco se conhece com um grau de precisão o que foi a maçonaria em York.

Os “maçons yorkinos” não aceitaram a jurisdição da Grande Loja de Londres, e no ano de 1725 criaram a Grande Loja de Toda Inglaterra. Esta segunda Grande Loja Inglesa fundou duas Lojas em York, e uma Loja em cada uma das seguintes cidades da Inglaterra: Scarborough, Ripon, Knaresborough, Hovinghan, Swainton, Macclesgield, Cheshire, Hollingwood, e Lancashire.

Durante o período de atividade a Grande Loja de York funcionou com um Rito constituído por cinco graus, a saber: Aprendiz Registrado, Companheiro, Mestre Maçom, Real Arco e Cavaleiro Templário.

Catecismo de Instrução, artigos de jornal e informação maçônica privada, filtrada da época expressamente pelos inimigos da ordem, permitem afirmar que o Terceiro Grau do Rito Antigo de York incluía uma parte que continha a Palavra Verdadeira do Mestre Maçom. Este terceiro grau primitivo foi parcialmente mutilado pela Grande Loja de Londres alguns anos depois de sua fundação e nunca mais foi restituído.

Além disso, o Antigo Rito de York contemplou desde seu início a Cerimônia Secreta de Instalação do Venerável Mestre eleito, e a admissão no Real Arco para os Maçons Instalados onde se recuperavam os segredos genuínos do Mestre Maçom, que entregues em segredo, substituíam o do terceiro Grau.

Os maçons de York não aceitavam a jurisdição da Primeira Grande Loja e alguns anos depois da criação da Grande Loja de Londres fundaram uma Grande Loja Yorkiana que se autoproclamou “A Grande Loja de Toda Inglaterra”, funcionando até o ano de 1792, com um período de inatividade entre os anos de 1740 – 1761.

OS MAÇONS DE YORK E OS ANTIGOS

Pesquisas realizadas nos arquivos da Grande Loja Unida da Inglaterra provam, indiretamente, que a Grande Loja dos maçons “antigos” ou “antient” foi fundada em 1751 sob o título de “Grande Loja da Inglaterra Segundo as Antigas Instituições”, e também lança um pouco de luz sobre a maçonaria yorkina.

De fato, os “antient” manifestaram uma aberta afinidade com a Grande Loja de York, ainda que, verdade seja dita, os maçons conhecidos sob a denominação de Antigos não tinham vínculo direto com a Grande Loja de York. Tal afinidade ficou evidente quando o Grande Secretário da Grande Loja “Antient”, Laurence Dermott, assinalou: “Os antigos, sob o nome de Maçons Livres e Aceitos segundo as antigas Instituições, e os modernos, sob o nome de Maçons Livres da Inglaterra, apesar da similaridade de nomes, diferem muito em termos de fatos, cerimonial, conhecimento, linguagem maçônica e instalação, tanto que sempre foram e continuam sendo duas sociedades distintas e totalmente independentes entre si”.

“Um Maçom Moderno pode comunicar todos os seus segredos a um Maçom Antigo e estar seguro, mas um Maçom Antigo não pode, com igual segurança, comunicar todos seus segredos a um Moderno sem a Cerimônia correspondente, pois como a Ciência compreende a Arte, assim é como a Maçonaria antiga contém tudo o que de valor há entre os modernos, assim como muitas outras coisas que não podem ser reveladas sem cerimônias adicionais”.

Essas diferenças consistiam em mudanças no Terceiro Grau, a cerimônia secreta de Instalação do Venerável Mestre e inovações no ritual ao ponto de mudar as palavras do Primeiro e Segundo graus.

Este Rito foi conduzido à França em toda sua pureza em 1724, e depois levado a América do Norte em um período posterior.

No ano de 1779 devido a questionamentos e desacordos por conta da autorização de procissões públicas com paramentos maçônicos, formou-se em Londres uma quarta Grande Loja que se denomino “A Grande Loja da Inglaterra ao sul do Rio Trent”.

Em abril de 1809 os líderes maçons “modernos” chegaram ao convencimento que a União era essencial e assim se eliminou a acusação de irregularidade que pesava sobre as outras Lojas e Grandes Lojas que não formavam parte de seus registros.

LOJA DA PROMULGAÇÃO

Em outubro desse ano os “modernos” constituíram a Loja de Promulgação com características muito singulares. Tinha como tarefa específica a promulgação dos Antigos Landmarks e instruir aos maçons de sua Obediência sobre as alterações que se consideravam necessárias para lograr uma aproximação com os maçons “antigos”.

Parece haver consenso unânime que primo o critério “antigo” em grande parte das cerimônias dos três graus simbólicos, se restituiu o “trabalho de piso” dos Diáconos. Assim claramente os “modernos” se ajustaram à linha dos “antigos” e começou a cimentar-se a união.

Uma resolução muito importante aprovada pela Loja de Promulgação declarou que “a instalação do Mestre das Lojas é um Landmark verdadeiro da Ordem e deve ser observado fielmente”.

No ano de 1813 os “modernos” registravam 521 autorizações; na Inglaterra a proporção de Lojas “Modernas” versus “Antigas” era 3:2.

O Príncipe de Gales, mais tarde Jorge IV, foi Grão Mestre dos Modernos entre 1790 e 1813, e em maio desse último ano assume o Grão Mestrado seu irmão Augustus Frederich, Duque de Sussex, que era Grão Mestre dos “Antigos” desde 1791. O Duque de Sussex nomeou como Deputado a Edward, Duque de Kent, que foi pouco tempo depois eleito Grão Mestre dos “Antigos”.

ARTIGOS DE UNIÃO

Foram escritos 21 artigos de união, os quais foram referendados em 1813 em uma solene cerimônia (Ver em detalhe Anexo 1, pág. 20):

  1. Define o objetivo como a “perfeita união entre ambas Grandes Lojas;
  2. A Antiga e Pura Maçonaria consta de três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, incluindo a Ordem do Santo Real Arco;
  3. Unificação com respeito às Obrigações, disciplina, trabalho em Loja, Iniciação, Aumento de Salário e Exaltação. Um sistema puro de acordo aos Antigos Landmarks;
  4. Formação de um Comitê por cada Grande Loja;
  5. Constituir uma Loja de Reconciliação;
  6. Eleição dos Grandes Oficiais e constituição da Grande Loja Unida de Antigos Franco maçons da Inglaterra;
  7. Composição da Grande Loja Unida de Antigos Franco maçons da Inglaterra;
  8. Registros de Lojas auspiciadas;
  9. Proclamação da Ata de União;
  10. Privilégios dos Grandes Oficiais;
  11. Reuniões trimestrais e comunicações;
  12. Convocações de emergência;
  13. Reeleições e Instalação dos novos Grandes Oficiais;
  14. Festival anual;
  15. Atividades para o garantia da implementação do novo sistema;
  16. Garantia da regularidade das Lojas auspiciadas;
  17. Utilização do Salão dos Franco maçons. Retrato do Duque de Atholl;
  18. Beneficência;
  19. Assinatura da União para o Festival de São João;
  20. Revisão do realizado.

A efetiva União se fez em uma Assembleia realizada no Freemason’s Hall no dia de São João, 27 de dezembro de 1813.

A disposição dos acentos ocupados foi disposta de tal maneira que os assistentes ficaram completamente misturados, um junto ao outro.

Ambas Grandes Lojas se reuniram por separados em recintos adjacentes e logo entraram em procissão tomando seu lugar em cada lado do pedestal do Venerável Mestre.

A Ata de União foi lida e ratificada, depois veio a proclamação do Capelão: “Seja sabido por todos os Homens, que a Ata de União entre as duas Grandes Lojas dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra é solenemente firmada, selada, ratificada e confirmada, e que as duas Fraternidades são uma, que daqui por diante será conhecida e reconhecida pelo estilo e título de La Grande Loja Unida dos Antigos Franco maçons Livres e Aceitos da Inglaterra.

LOJA DE RECONCILIAÇÃO

A Loja de Reconciliação começou a colocar em prática os artigos de união e tinha como membros os Grandes Secretários e nove irmãos da corrente “antiga” e igual quantidade dos irmãos “modernos”.

Esta Loja se encarregou dos pormenores da Assembleia em que foi ratificada a União das duas Grandes Lojas e foi encarregada da promulgação e prescrição de um sistema puro e de consenso entre antigos e modernos que possibilitaram a reconciliação.

Também entre suas funções estruturou o juramento de cada grau (“obrigação”), a Lei, os trabalhos, a linguagem e definiu os paramentos maçônicos, para que pudesse ser restaurada a Ordem Inglesa.

Revisou todos os graus e cerimônias com espírito de reconciliação e elaborou vários trabalhos de instrução.

Dispões que cada Loja devia enviar a seu Venerável Mestre e um vigilante para assistir às demonstrações de ritual e instruções pertinentes.

A Loja da Reconciliação realizou igualmente demonstrações fora de Londres, especialmente pra Lojas distantes da capital.

Devo registrar, para efeitos futuros em matéria do ritual maçônico inglês, que os que assistiam as demonstrações e reuniões estavam impedidos de fazer anotações sob pena de serem expulsos da Ordem.

CAPÍTULO III

GRANDE LOJA UNIDA DE LIVRES E ACEITOS MAÇONS DA INGLATERRA E A CERIMÔNIA DE UNIÃO DAS GRANDES LOJAS DOS ANTIGOS E MODERNOS

A Ata de União foi depositada em uma arca em frente ao pedestal do Venerável Mestre.

Os membros da Loja de Reconciliação se retiraram temporariamente, juntamente com irmãos estrangeiros, para uma sala contígua onde se lhes deu a conhecer o resultado das conferências prévias.

A seu regresso o Venerável Mestre dessa Loja especial anunciou à Assembleia que “as formas estabelecidas e conveniadas pela Loja de Reconciliação eram puras e corretas”, e que em diante seriam reconhecidas como “as únicas formas que observariam e praticariam na Grande Loja Unidade e todas as Lojas de sua dependência, até que o final dos tempos”.

Procedeu-se a eleição dos membros da Grande Loja, resultando eleito o Duque de Sussex, cargo para o qual foi proposto pelo Duque de Kent que antes da eleição era o Grão Mestre dos Antigos, e, em consequência, lhe cedeu em um gesto fraternal, o malhete dirigente da Ordem na Inglaterra.

Os membros eleitos da Grande Loja Unida da Inglaterra foram convidados a passar em frente à Taça do Amor Fraternal para que através de todo o mundo se dera a conhecer que lhe foi apresentada ao Grão Mestre Eleito, que bebeu pela Paz, a Boa Vontade, e o Amor Fraternal para todo o mundo.

A Grande Loja fechou seus trabalhos após o qual os Irmãos jantaram na Taberna da Coroa e a Âncora, presidida pelo Grão Mestre Eleito.

O primeiro Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra proclamou a Ordem como universal e em consequência ordenou retirar toda referência a seus catecismos e rituais de clara conotação cristã.

Fora    da    Inglaterra    e    em    particular    nos    Estados    Unidos     da  América, atualmente se menciona ao Rito de York para referir a graus distintos dos três primeiros da maçonaria azul ou “Craft Masonry” e compreende pelo menos 9 graus no total.

Cabe agregar que desde o ano de 1930 nos Estados Unidos existe um “Convento Geral da Cruz de Irmãos de York” e um “Soberano Colégio do Rito de York de América do Norte” cujos esforços conjuntos estão orientados a coordenar os diversos grupos maçônicos que compõem o Rito de York, ou, como dizem os Irmãos ingleses, o “Rito Americano”.

Depois da União de 1813 muitas lojas foram eliminadas do registro da Grande Loja Unida da Inglaterra e quatro delas formaram uma sexta Grande Loja em 1823 que se denominou “A Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de Acordo com as Antigas Constituições”, e foi fechada no ano de 1913.

MAÇONS LIVRES E ACEITOS

Se tem escrito bastante sobre o conceito maçônico de “livre” e “aceito” embasado em antecedentes históricos cuja síntese exponho a seguir:

  1. Os maçons operativos trabalhavam um tipo de pedra denominada “freestone”;
  2. O Companheiro Maçom qualificado, quando podia exercer o ofício, se dizia que era livre de pertencer à Guilda, se o contrato oferecido, por exemplo, era para construir um recinto religioso;
  3. Os membros que não exerciam o ofício da construção eram admitidos na companhia de maçons como associados especulativos e passavam a denominar-se maçons livres e aceitos;
  4. Os maçons operativos eram “admitidos” na companhia.
COMPACTO INTERNACIONAL

Foi parte do compromisso das duas Grandes Lojas fundidas que o trabalho de difusão do ritual inglês começando pela Loja de Reconciliação, deveria contar com a aprovação das Grandes Lojas da Irlanda e Escócia.

No mês de junho de 1814 se subscreveu um tratado maçônico denominado “International Compact” que governa as relações entre as Grandes Lojas das Ilhas Britânicas: Grande Loja Unida da Inglaterra, Grande Loja da Escócia, Grande Loja da Irlanda. Este documento fixa aspectos básicos da maçonaria.

Atualmente o “Craft Masonry” destas Grandes Lojas é muito parecido entre si, com o que se perdeu as linhas da maçonaria antiga da Grã Bretanha, especialmente aquela praticada na Irlanda que manteve estreita relação com a Grande Loja de York e a Grande Loja dos Antigos.

REGULARIDADE E RECONHECIMENTO DE GRANDES LOJAS E LOJAS SUBORDINADAS

Desde o nascimento da Maçonaria moderna ou especulativa, com a Constituição de 1717 da Grande Loja de Londres – dede a secular Maçonaria operativa ou antiga – se estabeleceu o costume do mutuo reconhecimento entre si daquelas Grandes Lojas ou Grandes Orientes que por cumpri com certas normas se reconhecem mutuamente regulares, que dizer, que seguem estritamente as primitivas normas da Ordem.

PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA O RECONHECIMENTO DE GRANDES LOJAS (Aceito pela Grande Loja Unidade da Inglaterra) – 29 de setembro de 1929 e.v.
  1. Regularidade de origem; isto é, cada Grande Loja deverá haver sido legalmente instalada por uma Grande Loja devidamente reconhecida ou por três ou mais Lojas regularmente constituídas;
  2. Que uma crença no G.A.D.U. e Sua vontade revelada será requisito essencial para a admissão;
  3. Que todos os Iniciados prestarão seu juramento sobre, ou em completa presença do Livro da Lei Sagrada aberto, pelo qual se entende a revelação do Alto, que prende a consciência do indivíduo particular que se inicia;
  4. Que os afiliados à Grande Loja e Lojas individuais serão exclusivamente homens; e que cada Grande Loja não terá relações maçônicas de nenhuma tipo com Lojas mistas ou corpos que admitem mulheres como membros;
  5. Que a Grande Loja terá jurisdição soberana sobre as Lojas sob seu governo; isto é, que será uma organização responsável, independente, com governo próprio, com autoridade exclusiva e independente sobre a Ordem ou Graus Simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom) dentro de sua jurisdição; e não estará sujeito, em modo algum, a dividir tal autoridade com o Supremo Conselho ou outra Potência que reclame domínio algum ou inspeção sobre aqueles graus;
  6. Que as Três Grandes Luzes da Franco Maçonaria (a saber, o livro da Lei Sagrada; o Esquadro e o Compasso) estarão sempre expostos quando a Grande Loja ou suas Lojas subordinadas estejam trabalhando, sendo a principal daquelas o Livro da Lei Sagrada;
  7. Que a discussão de religião e política na Loja será estritamente proibida;
  8. Que os princípios dos Antigos Limites Maçônicos, usos e costumes da Ordem serão estritamente observados.

CAPITULO IV

PARTICULARIDADES DO SISTEMA MAÇÔNICO INGLÊS – VARIAÇÕES DO RITUAL INGLÊS

É compreensível, pelo lapso transcorrido entre as 20 reuniões realizadas em quase três anos de trabalho até o ensaio final, que as Lojas adotaram em seus inícios, algumas formalidades que logo mudaram ligeiramente, e que as frases mantinham um mesmo sentido mas com palavras distintas.

Em definitivo, observamos na atualidade nas Lojas inglesas um ritual essencial, totalmente aprovado e reconhecido para seu uso regular, mantendo inalterável desde 1816, mas com variações insignificantes devido à oralidade e a dificuldades de escrever a liturgia.

Atualmente se encontram rituais impressos codificados com essas mínimas variações e trabalhos de catecismos que permitem sustentar que o Ritual de Reconciliação promulgado em 1813 mantém sua vigência.

O sistema de ensinamento maçônico inglês em sua atual fisionomia já não é mais antigo entre todos os Ritos, e está conformado tão só de quatro graus, incluindo o Santo e Sagrado Real Arco como quarto grau da maçonaria simbólica ou cabeça da maçonaria simbólica.

Muitos eruditos não duvidam em assinalar que quanto Thomas Dunckerley desmembrou o Terceiro Grau da Antiga Maçonaria, destruiu a identidade do Rito Inglês.

Estas modificações e a mutabilidade dos Rituais produziram um cisma maçônico que trouxe como consequência a criação de cinco Grandes Lojas no período 171-1813 com três correntes maçônicas a saber: os “Maçons de York”, os “Modernos” e os “Antigos”.

Por outro lado, se aprofundarmos conceitos, recordaremos brevemente que, por definição, um Rito é um conjunto e sucessão de qualquer número dado de graus concedido por um ou mais corpos, mas, pela autoridade de um Governo Superior maçônico.

De acordo com esta definição, não existe nenhum Rito na Jurisdição da Grande Loja Unida da Inglaterra, porquanto esta Potência Maçônica não tem ingerência direta, não patrocina e tampouco tem pronunciado com relação a um ritual oficial.

A Grande Loja Unida da Inglaterra apenas exige que os rituais ou “masonic workings” devem respeitar e aderir aos Landmarks e aos princípios da Ordem.

Assim se observa diversos rituais nas Lojas inglesas, todos eles muito parecidos, entre os quais podemos mencionar: Emulation, Stability, Humber, Taylor’s, West end, Universal, Logic, Oxford, dentre outros.

OS OFICIAIS REGULARES DA LOJA INGLESA

A Regra 104 da Constituição da Grande Loja Unidade da Inglaterra assinala: “Os Oficiais regulares de uma Loja serão o Mestre (Worshipful Master) e seus Vigilantes (Sênior and Junior Warden), um Tesoureiro (Treasurer), um Secretário (Secrtary), dois Diáconos (Sênior and Junior Deacon), um Guarda Interno (Inner Guard) e o Guarda Externo (Tyler).

OFICIAIS ADICIONAIS OU ASSISTENTES

O Mestre poderá nomear como Oficiais adicionais a um Capelão (Chaplain), um Diretor de Cerimônias (Director of Ceremonies), um Assistente de Diretor de Cerimônias (Assistant of Director of Ceremonies), um Esmoler (Almoner), um Organista (Organist), um Assistente de Secretário (Assistant of Secretary) e um Mordomo (Steward).

Destes cargos anteriormente mencionados, a Loja elege, em sessão de Primeiro Grau, mediante o procedimento de votação, a seu Venerável Mestre, ao Tesoureiro e ao Guarda Externo. O resto dos Cargos é designado entre os Mestres da Loja pelo Venerável Mestre Eleito.

TEMPLO MAÇÔNICO INGLÊS (LODGE ROOM)

As características de um Templo inglês ou “Lodge Room” são as seguintes:

  • “Luzes maiores”[4] no pedestal do Venerável Mestre;
  • Secretário e Tesoureiro ao centro do lado Norte da Loja;
  • Primeiro Vigilante no centro do Oeste, em frente ao Venerável Mestre;
  • Em cada lado do Primeiro vigilante estão as cadeiras do Segundo Diácono e Guarda Interno;
  • Pavimento de mosaico em todo o piso do templo com borda denteada;
  • Duas portas no Oeste uma das quais conecta ao quarto de preparação de candidatos e que em sua parte interna imediatamente estão colocadas ambas as colunas pelas quais transitam os candidatos nas cerimônias de cada grau.
  • Velas ou luminárias junto a cada pedestal dos Oficiais Principais;
  • Não estão representados os signos do zodíaco
  • Não se usa Câmara de Reflexões nem lendas para este efeito;
  • Volume da Lei Sagrada em seu pedestal com texto voltado para o Venerável mestre. Esquadro e Compasso a sua direita cobre o livro ;
  • No Primeiro Grau as pontas do compasso ocultas sob o Esquadro.
USOS E COSTUMES MAÇÔNICOS INGLESES
  • Antes de dar início ao Ritual de Abertura se canta o Hino de Abertura, e no encerramento dos trabalhos o Hino de Fechamento;
  • O Secretário redige a ata em um Livro, considerando tão somente os aspectos relevantes e muito resumidos da sessão maçônica;
  • O Venerável Mestre deve receber os benefícios de Instalação mediante um Ritual Secreto conhecido como “Passing the Chair” ao qual assistem somente os Mestres Instalados;
  • Durante o Bem Geral o Venerável Mestre se levanta três vezes para oferecer a palavra segundo assuntos bem definidos.
  • Cada grau possui um quadro de delinear ou “Tracing Board” nos quais se ilustram o simbolismo do Ritual de cada grau em particular;
  • É costume que o Ritual seja memorizado integralmente
  • Quanto ao vestuário é uso e costume que cada irmão se apresente com terno escuro, camisa branca, gravata negra
  • Avental de Companheiro de cor branco com duas rosetas azuis, borda igual ao avental do Mestre Maçom
  • Avental do Mestre Maçom com borda celeste, três rosetas e cintas da mesma cor azul, adornado com 7 bolas metálicas de ambos lados que pendem de uma corrente do mesmo material, o interior do avental é de cor branca. Os Mestres que têm a qualidade de Veneráveis ou Ex-Veneráveis as rosetas de seus aventais são substituídos pro esquadros metálicos duplos.
  • Uso de luvas brancas como parte integrante de seu traje maçônico
  • No interior do Templo não se aplaude e os sinais não são audíveis com exceção de certas baterias que se tributam em ocasiões muito especiais.
  • Em muitas Lojas há o costume de sempre se ter visível um estandarte e é também um uso e costume amplamente difundido que cada Loja entregue a seus membros uma medalha maçônica distintiva.
  • É costume anglo-saxão o ingresso ao Templo em procissão encabeçando, a mesma, o Diretor de Cerimônias e seu assistente, seguido pelos Vigilantes e atrás o Venerável Mestre.
  • O Irmão que ingressa na Loja depois de abertos os trabalhos saúda apenas o Venerável Mestre com o Passo e o Sinal
  • Preleções (Massonic Lectures): o objetivo central das Preleções é que cada irmão aprenda e memória seu ritual para render seu exame de progressão; seu uso é muito antigo e vem da época em que os rituais maçônicos não se podiam escrever, de maneira que sua transmissão era somente oral.
  • Lojas de Instrução: é costume que o aprendizado se realize em uma Loja de Instrução a cargo de um Preceptor. Nela se pratica tanto o ritual como as Preleções. Nos Estados Unidos se nomeia um Trainer que ajuda a cada Irmão a aprender um sistema mnemônico para aprender o Ritual.
  • Exames de progressão: Cada Irmão quando domina seu Ritual e sabe as seções respectivas de sua Preleção solicita à Loja que lhe seja tomado o exame para adiantar no grau.
  • As Lojas inglesas trabalham de preferência no Terceiro Grau e as convocatórias são para Cerimônias de Grau e eventualmente, para ouvir Trabalhos Selecionados (Selected Papers).

 CAPÍTULO V

O RITUAL DE EMULAÇÃO “THE EMULATION LODGE OF IMPROVEMENT Nº 256”

Esta Loja se reuniu pela primeira vez em 4 de outubro de 1823 para realizar demonstrações e praticar sem erros o Ritual aprovado pela Loja de Reconciliação em 5 de junho de 1816.

Em seu início o trabalho maçônico desta Loja consistia em uma reunião distendida em torno de uma Tábua de Traçar (Tracing Board), na qual os irmãos em forma descontraída fumavam e consumiam bebidas.

Geralmente o Venerável Mestre formulava perguntas do Ritual ao Primeiro Vigilante (Lecture Working) o qual respondia para ilustração dos Irmãos assistentes. Em outras oportunidades as perguntas se formulavam a cada Irmão presente, que respondia.

Atualmente essas perguntas e respostas encontram-se compiladas em um livro conhecido como Masonic Lectures (Preleções) que consiste em quinze seções de perguntas e respostas que contêm, em forma sequencial, importantes aspectos do ritual e frases chaves.

Estes questionários consistem em sete seções para o Primeiro Grau, cinco para o Segundo Grau e três para o Grau de Mestre Maçom.

O fundamento de Emulação foi desde sua criação impedir os desvios e interpretações que tenderiam a desnaturalizar o Ritual recebido da Loja de Reconciliação.

Este ritual, na opinião dos eruditos e pesquisadores é a palavra desnuda, sem floreios linguísticos nem inclusões de frases ou adjetivos para embeleza-lo, de tal forma que sua interpretação resulta mas fácil de avaliar.

The Emulation Lodge of Improvement, Nº 256, foi autorizada recentemente, no ano de 1969, a publicar a 1ª Edição do Ritual de Emulação. Existem várias versões privadas do ritual antes desta data, de maneira que fica demonstrado o desconhecimento de vários autores que criticam a Emulação, assinalando que é impossível manter de memória por tantos anos um ritual sem variações.

Esta Loja se reúne a cada sexta-feira, de outubro a junho, na sede da Grande Loja Unida da Inglaterra (Freemason’s Hall), situada à rua Great Queen, em Londres.

Existe um prêmio que consiste em um isqueiro de prata gravado com o nome do Mestre Maçom que possa declamar completamente o ritual de emulação sem erros: EMULATION SILVER MATCH BOX

CONCLUSÕES

Ainda que as origens da maçonaria não possam ser estabelecidas com rigor histórico, não é ilógico considerar que a Maçonaria Operativa na Inglaterra nasce no seio dos grêmios de pedreiros que construíram as grandes Catedrais medievais e de sua relação estreita com as Ordens Sacerdotais Cristãs da Europa. A estrutura do denominado Rito de York dos Estados Unidos compreende 9 graus e, segundo os eruditos no tema, pouco tem do Rito de York Antigo que se praticou na Inglaterra pelos “Antient”.

Os Rituais atualmente usados na Inglaterra correspondem ao Ritual autorizado e estandardizado em 1816 pela Loja de Reconciliação. De forma tal que é perfeitamente legítimo referir-se aos rituais ingleses como variações do ritual de Reconciliação.

A importância do Ritual de Emulação radica em que desde seu início tem mantido invariável uma premissa; ninguém tem a autoridade para realizar inovações no texto transmitido.

Em consequência, se estima que tanto o método de ensinamento aplicado nas Lojas de Instrução, como o Ritual editado, foi tão eficaz e efetivo que Emulação ouço difere da forma de trabalho sancionada pela Grande Loja Unida da Inglaterra em 1816.

O Antigo Rito de York, ainda que já não se cultiva na Inglaterra, deve permanecer nos arquivos da história como o mais puro e antigo de todos os Ritos ingleses e chegou até nós pela corrente de maçons “antigos” ou maçons “Yorkinos” também denominados “Athol Masons”.

Emulação se caracteriza pela imutabilidade de seu ritual, pureza de suas cerimônias conduzidas de memória e por um sistema de ensinamento baseado principalmente no ritual. TUDO GIRA EM TORNO DO RITUAL E DAS CERIMÔNIAS.

Por outra parte, entre os atuais rituais usados por Lojas da Jurisdição da Grade Loja Unida da Inglaterra, assim como na maioria das Grandes Lojas Regulares do Mundo, o Ritual de Emulação é, sem dúvida, o mais difundido.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

A CONCISE CYCLOPEDIA OF FREEMASONRY OR HANDBOOK OF MASONIC REFERENCES E. L. HAWKINS

ANCIENT YORK MASONS Vol.36 Nº 10 The Short Talk Bulletin The Masonic Service Association of the United States.

CONSTITUTION OF THE ANTIENT FRATERNITY OF FREE AND ACCEPTED MASONS OF UNITED GRAND LODGE OF ENGLAND

EL SECRETO DE LAS CATEDRALES Jean-Pierre Bayard.

EL SECRETO MASONICO – Robert Ambelain

EMULATION RITUAL – The Emulation Lodge of Improvement

ENCICLOPEDIA DE LA FRANCMASONERÍA – A. Gallatin Mackey.

EMULATION-WORKING EXPLAINED – Herbert F. Inman.

GUIA Y COMPENDIO DE LA FRANCMASONERIA – Bernard E. Jones

HISTORIA SECRETA DE LA MASONERIA – C.W. LEADBEATER.

LAS CANTERAS MASONICAS – León Zeldis Mandel

LA CLAVE SECRETA DE HIRAM – Christopher Knight y Robert Lomas.

PLANCHAS MASONICAS – Q.•.H.•. Mario Fernando Lemus Varas.

LIBRO DE TRABAJOS – Logia de Estudios e Investigaciones “Duque de Warton” 1998-1999. Gran Logia de España

LOS ORIGENES RELIGIOSOS Y CORPORATIVOS DE LA FRANC-MASONERIA – Paul Naudon.

LOS MISTERIOS ANTIGUOS Y LA MASONERIA MODERNA – Rev. Carlos H. Vail.

MINUTES OF THE LODGE OF EDINBURGH, Mary’s Chapel, Nº 1 – Quatuor Coronatorum Antigrapha, Masonic Reprint Vol. XIII – The Quatuor Coronati Lodge Nº 2076, Londres, G.B.

MONJES Y CANTEROS – Una aproximación a los orígenes de la Francmasonería. Eduardo Roberto Callaey

SIDELIGHTS ON FREEMASONRY, (Craft and Royal Arch) – Rev. John T. Lawrence.

THE ETIQUETTE OF FREEMASONRY – An Old Past Master

THE PERFECT ASHLAR. Rev. John T. Lawrence.

THE EARLY MASONIC CATEQUISMS. The Quatuor Coronati Lodge Nº 2076

 

Notas

[1] Tradução livre feita por Elder Madruga do texto em espanhol “Masoneria em Inglaterra y Emulation”, de autoria do Ir. Nelson Morales Barrientos, da Grande Loja do Chile.

[2] N.T.: Os pictos eram antigos habitantes da Escócia que estabeleceram seu próprio reino e lutaram contra os romanos na Britânia

[3] N.T.: Originários da Dinamarca.

[4] NT: não há um Altar para a disposição do LL, E. e C.

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