Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

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A Questão Templária na Maçonaria – Parte I

Por Ivan A. Pinheiro[1]

Man in medieval knight costume with cross shield standing in a Masonic lodge hall

– O(s) Problema(s) e o Projeto –

            A questão templária está umbilicalmente ligada e, em alguns casos, chega mesmo a ser elemento estrutural de Ritos Maçônicos[2]; assim, muitas vezes, quando os Templários não estão sob o foco dos estudos e das pesquisas, margeiam como coadjuvantes (simbólicos) relevantes; entre outros motivos, porque o tema não é livre de controvérsias. Assim, em meio a tantas, a tese de que as origens da Maçonaria (posteriormente denominada Especulativa em sucessão à Operativa) podem ser localizadas na Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão – doravante Ordem do Templo (ou Templários) – é hipótese ainda em aberto, uma questão disputada que aglutina posicionamentos a favor e contrários. Ralls (2004, p. 128), por exemplo, afirma que:

Naturalmente, os templários medievais com certeza não eram os maçons, mas sim, como alguns tentaram alegar, os antecessores da maçonaria. John Robinson, em seu recente livro, Born in Blood (Nascido no Sangue), examina essa teoria mais profundamente, e ela ainda é pesquisada e calorosamente discutida por pesquisadores maçônicos hoje em dia.

Em tempo: não há dúvidas de que havia numerosos e habilidosos pedreiros e arquitetos entre os Templários, sem os quais não teriam sido construídos castelos, fortalezas, igrejas, pontes, etc., mas não é a estes, é claro, que ora se refere. Até mesmo a data da criação da Ordem do Templo, se em 1118, 1119 ou 1120, não há consenso, sendo tema ainda aberto a estudos e pesquisas[3]. Mais do que as controvérsias, podem ser observadas contradições, algumas já catalogadas na literatura; reunidas, motivaram as leituras que resultaram na Série que ora inicia. Portanto, só o conhecimento mais amplo e aprofundado sobre a História dos Templários poderá iluminar a compreensão do relacionamento entre as Ordens – a Maçônica e a Templária – cada uma, em si mesma, um universo.

            Contudo, em meio às lacunas e às divergências, é importante que se esclareça, e de pronto: para os fins que se seguem neste texto, se a origem da Maçonaria Especulativa está ou não relacionada aos Templários, é fenômeno irrelevante. O fato objetivo e inquestionável, ora em foco, é que a Maçonaria – uns Ritos mais, outros menos, de um modo ou de outro – elegeu a Ordem do Templo, lato sensu, como um dos seus principais símbolos. Essa é, pois, a delimitação preliminar.

            Nem sempre, depreende-se pelos textos (sejam Rituais, estudos e pesquisas maçônicas ou literatura em geral), o conteúdo refere-se exclusivamente aos Templários, ora se estendendo à Cavalaria Medieval em geral, ora aos Cruzados em específico, razão pela qual é difícil, com precisão, afirmar quantos e quais Graus, em cada Rito referem especificamente aos Templários; e também porque, nesse ambiente, a mensagem é transmitida pelo símbolo, pela alegoria em meio às lendas – nem tudo é como à primeira vista se apresenta –; assim, por exemplo: um dos principais símbolos[4] associados à Ordem do Templo, os 2 (dois) cavaleiros sobre o mesmo cavalo, admite dupla interpretação: uma objetiva e exotérica, de largo domínio; a outra, subjetiva e esotérica, portanto, só dada a conhecer aos Iniciados, em meio aos quais é então estabelecida uma intersubjetividade. Quanto à primeira, Haag (2009, p. 106) afirma: “A pobreza da irmandade é representada pela insígnia dos dois cavaleiros, talvez Hugo de Payns e Godofredo de Saint-Omer, montados no mesmo cavalo”; paradoxalmente, os citados eram membros da aristocracia, bem-sucedidos em todos os aspectos, o que, ipso facto, sugere aí a existência de um significado encoberto pelo símbolo; já no que concerne à segunda, esotérica, oportunamente ela será apreciada. Raciocínio análogo se aplica à Cidade Santa, que pode referir-se à Jerusalém, enquanto destino turístico amplamente conhecido, ou à Jerusalém Celeste, figura de linguagem cujo entendimento é restrito à comunidade dos Iniciados e que também será explorada adiante, mais precisamente, no quarto artigo desta Série.

            Todavia, à guisa de ilustração, no Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), o mais praticado no Brasil e constituído por 33 Graus, o tema, direta ou indiretamente, está presente em vários Graus a partir do 170 – o Cavaleiro do Oriente e do Ocidente – a exemplo do Grau 27 (Grande Comendador do Templo) e acentuadamente no 300 Grau – Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra (Ismail, 2020). O Grau 29 – Grande Cavaleiro Escocês de Santo André ou Patriarca das Cruzadas – salienta a relevância do tema no contexto ora em estudo, sobretudo na sua vertente escocesa-francesa, bem como possibilita que, na sequência, se passe ao Rito Escocês Retificado (RER), de menor expressão por ser o mais recentemente adotado, mas que vem experimentando crescimento acelerado no país.

            É importante lembrar (Pinheiro, 2022) que o RER é legatário da Ordem (Maçônica) da Estrita Observância Templária, cuja extinção teve início em 1782 durante o Convento de Wilhelmsbad, o qual, à luz do escopo ora em desenvolvimento, exprime a relevância atribuída à Ordem já na própria denominação. Oficialmente organizado em 6 (seis) Graus, no RER o templarismo é um divisor de águas: nos 3 (três) primeiros Graus da Ordem Externa (Aprendiz, Companheiro e Mestre – praticados nas Lojas Azuis vinculadas às Potências plurirritualísticas) são explorados aspectos simbólicos análogos aos dos demais Ritos, embora já sejam perceptíveis as idiossincrasias que o afastam da “clássica e tradicional” Maçonaria Operativa, largamente explorada, entre outros, no REAA. O Quarto Grau, o de Mestres Escoceses de Santo André, considerado intermediário porque dá o entendimento e preenche as lacunas deixadas em suspenso nos anteriores, também é considerado simbólico, porém é praticado nas Lojas Verdes e encontra-se vinculado ao Grande Priorado[5]. Finalmente, a Ordem Interna está organizada em 2 (dois) Graus: o de Escudeiro Noviço e o de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa, que “[…] não são mais maçônicos (propriamente falando), a origem cavalheiresca e sua dedicação a uma verdadeira cavalaria espiritual, assim como a marca tipicamente cristã do Rito, tornam-se absolutamente evidentes e inegáveis” (Bermann, 2011, p. 22-3). Uma apreciação mais completa sobre o RER pode ser vista na Série que inicia em Pinheiro (2024) e, por oportuno, Cassagne (2025) explora o templarismo no REAA, no RER, bem como outros aspectos adiante considerados neste texto.

            Portanto, independentemente das diferenças entre os Ritos, bem como das críticas, sem desconsiderá-las, há indícios objetivos de que o tema ocupa espaço relevante na Maçonaria, razão suficiente para que o seu estudo seja permanente. E a maior facilidade de deslocamentos (longas viagens e estadias) e o acesso a documentos até então desconhecidos, combinados ao diálogo interdisciplinar e à maior facilidade de tradução, têm sido determinantes para que a frequência de novos estudos e abordagens diferenciadas sobre o tema seja crescente – como é o caso desta Série que

  • a partir da reunião de informações bibliográficas colhidas junto a renomados pesquisadores que têm como foco os primeiros momentos da Ordem do Templo, levanta questionamentos sobre a visão que, predominantemente, tem ocupado o imaginário maçônico. Conforme visto, tudo na Ordem Maçônica é simbólico[6], o que, de imediato, implica que não se pode perder de vista que por detrás existe a realidade (fática ou mítica) que consubstancia a(s) mensagem(ns) que carrega. Um símbolo não surge do nada, ao acaso ou por voluntarismo; é, antes, um produto da história que carrega. Assim, ao colocar em xeque os fundamentos da realidade histórica, os predicados atribuídos aos símbolos também se tornam passíveis de questionamento – é o que se pretende a partir do binômio templarismo-maçonaria. Logo, os textos também pretendem chamar a atenção para os equívocos decorrentes da leitura parcial do real que, por sua vez, repercutem no simbolismo subjacente e subsequente. É um corolário evidente que se alterada a percepção do mundo real, alteram-se as representações simbólicas e as suas reverberações, no caso, no contexto da Maçonaria; ademais,
  • também pretende compartilhar com o público maçônico a hipótese[7] e os argumentos do Prof. Brum[8] (2022). Embora alguns elementos das suas ideias, que se destacam pelo contraste ao senso comum, possam ser encontrados aqui ou ali, sobretudo em Ralls (2004), mas também em Rodrigues (2020), coube a ele, Brum, a primazia de reuni-los de forma a dar sentido a uma leitura diferenciada, inusitada até, sobre a história da Ordem do Templo, o que, por sua vez, pela via simbólica, reverbera no legado explorado pela Maçonaria Especulativa.  

De regra, sobretudo quando visto pelos e apresentado para os maçons, o templarismo passa por (re)corte que sobrevaloriza a sua versão mais virtuosa (Carvalho, 2018; Almeida, 2023), quase romântica, como a que predomina na literatura dos Contos Arthurianos e na Lenda do Graal (Béguin e Bonnefoy, 1997): a dos paladinos e intrépidos “monges-guerreiros” (também referidos como a “milícia cristã” ou “soldados de Cristo”) que tomaram a Cruz e saíram em defesa da fé e da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), pois, assim, Deus Vult – o lema Cruzado. É compreensível, pois, afinal, nenhuma instituição se estabelece e sobrevive da lembrança dos vícios, dos desvios e dos erros. Todavia, parece haver limites ao ufanismo, sem os quais ele beira a ingenuidade idealista-juvenil; pois o foco exclusivo nas virtudes contradiz a realidade histórica já reiterada em incontáveis episódios, pois aquela, afinal, não foge à imagem especular da natureza humana, cujas complexidades, ambiguidades e contradições internas estão documentadas e comprovadas, do mesmo modo, isto é, em incontáveis estudos e pesquisas. Dokras (2026) é um dos que apresentam uma visão equilibrada. Portanto, o estudo compreensivo desses 2 (dois) universos (o templarismo e a maçonaria), também para que se tenha maior isenção: 1) requer fontes complementares aos textos exclusivamente maçônicos que, por sua vez, possibilitam 2) inventariar temas e instituições (Cavalaria Medieval, Direito do Primogênito, Cristandade, Lenda do Graal e outros) que, quer isoladamente, mas sobretudo quando entrelaçados, permitem identificar relações de causa-efeito e suas repercussões sobre o objeto ora em estudo: templarismo-maçonaria.  

 Entretanto, em que pese o reconhecimento da importância conferida ao tema, as dificuldades para estabelecer as fronteiras e os relacionamentos temáticos são muitas e provenientes de várias fontes: primeiro, porque os elementos factuais, quer sobre os Templários, mas também sobre a Maçonaria, encontram-se mesclados às crenças, aos mitos, ao pensamento mágico e às lendas – uma das mais conhecidas, os Contos Arturianos, em meios aos quais se dá a Busca pelo Graal (Eschenbach, 1989; Baccega, 2015). Ralls (op. cit., p. 69), por exemplo, alerta que “Existem muitas teorias sobre a “Ordem por trás da Ordem””. De tudo, resulta, então, um empreendimento paralelo: buscar a clareza entre o que pertence efetivamente ao domínio da História (documentada) e o que é lendário, pois ambos determinam o simbólico – o segundo e o terceiro textos desta Série são predominantemente históricos, enquanto o quarto se dedica aos aspectos lendários. Em meio a tanto também é preciso ter cautela com os riscos do anacronismo, pois temas e iniciativas hoje abordados com ampla liberdade e sem causar estranheza, à época – início da Baixa Idade Média (século XI) – eram mantidos em reserva ou compartilhados sigilosamente (mediante símbolos) em círculos muito restritos, sob pena de colocar em risco a vida dos envolvidos – vide, entre tantos, o célebre romance histórico de U. Eco (2012).

Ademais, também como dificuldade aos estudos nesse campo, com raríssimas exceções ou em circunstâncias excepcionais (como é o caso dos estudos e pesquisas em nível de pós-graduação stricto sensu), desde os primeiros bancos escolares fomos ensinados (praticamente doutrinados) a ler e a interpretar a História a partir dos olhos do Ocidente (suas crenças, valores, usos e costumes, etc.), mais especificamente os da Europa, praticamente ignorando a existência concomitante de outra realidade (a visão Oriental)[9] tão real e legítima quanto a primeira (Maalouf, 2007). Sua Santidade, o Papa Bento XVI, citado por Andrade (2024, p. 11), afirmou que “A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa”[10]; e o produto deste encontro, sabe-se, expandiu-se (para o Novo Mundo) e formou a civilização (mentalidade) ocidental que, diga-se, geograficamente, não se restringe à Europa e às Américas.  

Mais do que uma (de)limitação metodológica e de enfoque, essa visão eurocêntrica, raramente alertada ao leitor, traz em si um viés ideológico, portanto, impregnado de juízos de valor orientados pelo chamado vetor judaico-cristão, sobretudo pelo último. Por oportuno e antes de tudo, se a filosofia grega surgiu na Ásia Menor, na Jônia (atual Turquia), pontualmente na Escola de Tales[11], em Mileto, é mais do que uma curiosidade observar que 2 (duas) das pernas do tripé não estão assentadas no Ocidente, mas no Oriente, logo… Ademais, não se pode perder de vista que o Oriente, ainda que restrito ao chamado Oriente Médio (na Antiguidade referido como Crescente Fértil), não se restringe apenas à Jerusalém (ou Israel), estendendo-se, por exemplo, ao Líbano, à Síria, à Jordânia e também ao Egito que, se geograficamente situado no norte da África, cultural e religiosamente, desde então e até hoje mantém fortes laços de integração com o Oriente Médio. Assim, a antiguidade, a diversidade e a complexidade dos vínculos entre o Ocidente e o Oriente não admitem conclusões de primeira análise, quase sempre reducionistas, quando não segregacionistas.   

Não obstante, o viés cosmogônico, originário da Baixa Idade Média e que historicamente tem assumido a forma de subprodutos culturais, parece persistir: a condição de superioridade do Ocidente, visto então como o portador da Verdade, e isto não é um detalhe, pois desta resultam outras tantas verdades que repercutem no cotidiano, por exemplo, nos códigos morais. Em um dos textos contemporâneos mais citados, pode-se ler: “As pretensões universalistas do Ocidente o levam cada vez mais para o conflito com outras civilizações, de forma mais grave com o Islã e a China” (Huntington, 1997, p. 19); ademais, entre outros, Guénon (1924, p. 5) já escrevera que

[…] se os ocidentais reconhecessem que nem tudo deve ser necessariamente desdenhado nas outras civilizações pela simples razão de diferirem da sua, nada mais os impediria de estudar estas civilizações tal como devem ser, sem a intenção prévia de denegri-las e sem hostilidade;

e adiante acrescentou:

[…] o que se convencionou chamar Renascimento […] uma correspondente regressão intelectual […] Resulta disto seu desprezo, não apenas pelas civilizações orientais, mas até pela idade média europeia, cujo espírito igualmente lhes escapa por completo. Como explicar o interesse de um conhecimento totalmente especulativo a pessoas para as quais a inteligência é somente um meio de se agir sobre a matéria e de sujeitá-la com finalidades práticas […] (op. cit., p. 12).

Por fim, porquanto ainda pertinente ao tema, embora imediatamente posterior ao período ora em foco, mas que pela sua relevância deixou marcas indeléveis na cultura ocidental, foi o fato de Dante[12] (Alighieri, 2020), em “A Divina Comédia”, não só ter referenciado Jerusalém como o centro do mundo civilizado, como ter situado o Profeta Maomé, no Inferno; com efeito, na abertura do Canto XXVIII é possível ler que “Estão na vala nona atormentados os causadores de escândalos, cismas e heresias; consiste a pena dos condenados na mutilação. Apresentam-se Maomé, Bertran de Born e outros [p. ex., Ali, primo e genro de Maomé] (op. cit., p. 195). Como partes mais amplas do contexto ora em estudo, a relevância e a repercussão social desse fato não podem ser menosprezadas, quando se sabe, conforme adiante salientado, que foi São Bernardo de Claraval quem acompanhou Dante durante a travessia do Paraíso até chegar a Deus.

Assim, abstraindo-se as formalidades legais (bulas papais, etc.), a legitimidade dos Templários-Cruzados[13] (para combater, conquistar, matar e saquear) residia no fato de que seus feitos eram intrínseca e inquestionavelmente exercidos em nome da fé e em defesa da ICAR; assim, todos os que não professavam a mesma fé (muçulmanos, judeus, ateus e outros considerados pagãos), e mesmo os Cristãos seguidores da Igreja Ortodoxa (após o Cisma de 1054) foram considerados inimigos passíveis de exploração e até mesmo eliminação. Após analisar a contribuição de vários autores, Said (2007) os interpola ao seu texto para concluir:

Assim encontraremos a crença comum nos séculos XII e XIII de que a Arábia estava “na orla do mundo cristão, um asilo natural para marginais heréticos”, e que Maomé era um apóstata astucioso, enquanto no século XX será um erudito orientalista, um especialista, quem vai apontar que o islã não passa realmente de uma heresia ariana de segunda categoria (op. cit., p. 102); e,

A “heresia […] que chamamos de maometana” é “compreendida” como a imitação de uma imitação cristã da verdadeira religião (op. cit., p. 106).

A resultante, que custa crer que não tenha sido previamente aventada, foi o cometimento de incontáveis exageros e desvios de finalidade[14] que, embora largamente presentes nos livros de História (Read, 2000; Demurger, 2010 e outros), nos textos sobre Maçonaria constituem a exceção, quando não passam de “notas de rodapé”. Lima (2014, p. 108), embora constate que houve “O desvirtuamento das finalidades iniciais para as quais a Ordem fora criada […]”, ainda se mantém sob o mesmo paradigma, isto é, o que revela fascínio pelo herói glamoroso – fiel defensor da ICAR.

Todavia, em leitura mais isenta, não é possível ignorar os cavaleiros “do outro lado”, dos quais também se pode dizer o mesmo: eram os defensores da fé, no caso, a muçulmana; portanto, as suas iniciativas, a exemplo de matar os inimigos “do outro lado”, eram, pelos mesmos critérios, igualmente justificadas e legítimas. Assim, Ricardo, o Coração de Leão[15], o herói da Terceira Cruzada (1189-92), estava para a defesa da ICAR, assim como Salad ed-Din Yusuf ibn Ayyub, mais conhecido como Saladino[16], estava para a defesa da fé muçulmana, e sobre o qual, afirma, Read (op. cit., p. 166), “Tanto durante a sua vida quanto após a morte, Saladino seria visto como um modelo de bravura e magnanimidade não só pelos muçulmanos, mas também pelos cristãos”.

Frente a esse quadro, não há como fugir à pergunta: e se a Maçonaria Especulativa, tal como conhecida, tivesse surgido no Oriente, teria eleito a Ordem do Templo como fonte de simbolismo? A pergunta não é despropositada, pois há indícios de que a Ordem do Templo, nas suas primeiras concepções, teria sido inspirada em uma das congêneres orientais. A ver: no terceiro e no quarto textos desta Série.

Um breve excerto especulativo. A mais recente publicação de Ismail (2026) trouxe novos elementos quantitativos que confirmam a dinâmica essencialmente cristã do fenômeno: nascido e desenvolvido em ambiente cristão, ainda que sob diferentes denominações, desde a fase Operativa, mas, sobretudo, quando majoritariamente Especulativa, a Maçonaria, na esteira da colonização a partir de quaisquer dos seus vetores (Portugal, Espanha, França, Inglaterra ou Holanda), ganhou as Américas enquanto fenômeno cristão. Todavia, já há tempos que o seu berço, com forte efeito irradiador e normativo, experimenta a acelerada secularização nos usos e costumes, como, do mesmo modo, crescem os adeptos de outras religiões, notadamente o islamismo, que, se de início a partir dos movimentos migratórios, hoje em vários países está alavancado por taxas vegetativas endógenas. E embora a Maçonaria também se faça presente em vários países (Ásia, África e Oceania) oficialmente declarados laicos, nestes, ora o ateísmo, ora outras crenças (islamismo, xintoísmo, hinduísmo, religiões tradicionais – cultos animistas e aos antepassados) são majoritárias. Tudo isso convida a refletir: em primeiro lugar, dada a diversidade dos ambientes em permanente mudança, alguns inóspitos e hostis à Ordem, até quando a Maçonaria, sobretudo, mas não exclusivamente, a sua vertente teísta-cristã, em meio à qual a Ordem do Templo é um dos símbolos mais caros, manterá (se ainda mantém) a integridade? Mas também: como os maçons, por exemplo, muçulmanos, recepcionaram os Templários e o papel que desempenharam junto aos Cruzados? As respostas a essas e a outras questões parecem apontar para a análise da conveniência (ou não) de (re)pensar o significado e o entendimento da expressão “universal” no contexto da Maçonaria. Trazem também à reflexão o entendimento acerca da “Tradição”: o que é (ou deve ser) ou não perene? O que é acidental e o que é essencial? O dilema do “Navio de Teseu” deve diuturnamente ser enfrentado.

A História revela que ambos os lados (cristãos e muçulmanos) percebiam a si mesmos como detentores e portadores tanto da Verdade quanto das verdades, pois aquela implica nestas; consequentemente, criam também que os “do outro lado” professavam heresias, leia-se: interpretações equivocadas das Escrituras, efetivas mentiras. Era um ambiente em que o dano, ou até mesmo a destruição do inimigo, elevava o autor à condição de herói. Todavia, embora prevalecente na literatura em geral e na maçônica em particular, essa visão glamorosa conferida aos Templários vai de encontro, além da questão da universalidade mencionada no breve excerto, a outros princípios gerais da Maçonaria Especulativa surgida no séc. XVIII, o que suscita incredulidade e incômodo ao pensamento crítico. Não se pode perder de vista que, nas histórias, os heróis têm um lado, de regra considerado “o certo”; todavia, a História, que deve ser lida e compreendida em perspectiva, permite que, simultaneamente, sejam vistos como vilões, isto é, “do lado considerado errado”, o que deixa à vista uma contradição lógica, talvez mesmo um paradoxo à espera de enfrentamento. Por surpreendente que seja, ou não, no ambiente cultural e nos domínios da geopolítica, essa é uma das contradições mais frequentes, e estar preparado para o seu enfrentamento no cotidiano chega a ser um dever para o maçom especulativo[17]

Ademais, nem sempre é destacado nos textos de História, e tampouco na bibliografia maçônica, que os Templários não contribuíram para o que, em síntese, foram os 3 (três) empreendimentos mais importantes do período: (1) o resgate da Cidade Santa realizado pelos primeiros Cruzados; (2) tampouco, apesar de toda a pujança e os recursos reunidos, não conseguiram mantê-la, tendo-a perdido menos de 1 (um) século após a Reconquista; bem como, (3) no século seguinte, foram em vão todos os esforços para reconquistá-la. Ora, se o sucesso é caracterizado pelo atingimento dos objetivos principais, os Templários – e o templarismo que se seguiu –, em que pese a contabilização de vários êxitos (diplomáticos, militares, negociais, etc.), a rigor, não poderiam ser tomados como símbolos. Parece que aí há um campo a ser explorado, quiçá melhor delimitado, e questões que merecem esclarecimento. Como então explicar a persistência de vínculos tão estreitos entre as Ordens, a do Templo, um dos símbolos reverenciados pela Maçonaria? Salvo melhor juízo, o liame que as conecta, embora a Maçonaria seja um universo (diverso) de Ritos, não pode corresponder (enquanto símbolo) às realizações dos Templários (sobretudo quando identificados aos Cruzados), mas antes e acima de tudo, ao “espírito” da cristandade[18] que permeia praticamente todas as instituições medievais.

Antes de explorar e esclarecer as questões já colocadas, o que só será possível ao longo dos próximos textos, para que não se pense que do que ora se trata refere às contradições e aos debates já superados na Modernidade, atenha-se à análise, 7 (sete) séculos após, promovida por L. Tolstói[19], em parte influenciada pela sua participação direta na Guerra da Criméia[20], e como espectador do conflito posterior, 1877-8, também contra a Turquia. A citação, longa, contribui para o melhor entendimento do que se disse, do que se segue, bem como é um convite à reflexão, pois, salvo melhor juízo, está na gênese de grande parte dos problemas que, ainda hoje, no séc. XXI, conflitam e dividem a Humanidade:

Mas surgiram as questões da vida, que é preciso resolver, e a solução dessas questões oferecida pela Igreja […] obrigou-me, definitivamente, a renunciar à possibilidade de qualquer associação com a Igreja Ortodoxa. Essas questões eram, em primeiro lugar, a relação da Igreja Ortodoxa com as outras igrejas – a católica e os chamados raskólniki. Nessa época, por causa de meu interesse pela fé, eu me aproximei de crentes de diversas confissões: católicos, protestantes […]. E, entre eles, eu encontrava muita gente moralmente superior e que eram crentes verdadeiros. Queria me tornar irmão dessas pessoas. E o que aconteceu? A doutrina que me prometia unir todos com uma só fé e com amor, essa mesma doutrina, na pessoa de seus melhores representantes, me dizia que toda essa gente se encontra na mentira, que o que dá a eles a força de viver é uma tentação do diabo, e que só nós estamos de posse da única verdade possível. E vi que todos os que não professam a mesma fé que os ortodoxos são, por eles, considerados heréticos, exatamente como os católicos e os outros consideram a Igreja Ortodoxa uma heresia; vi que todos os que não professam sua fé com os símbolos exteriores e com as palavras dos ortodoxos são tratados com hostilidade – embora tentem esconder isso -, como não podia deixar de ser, em primeiro lugar porque a afirmação de que você está na mentira e eu na verdade são as palavras mais cruéis que uma pessoa pode dizer a outra e, em segundo lugar, porque uma pessoa que ama os filhos e os irmãos não pode deixar de se relacionar de forma hostil com pessoas que desejam converter seus filhos e seus irmãos a uma fé mentirosa. E essa hostilidade aumenta à medida que melhor conhecemos a doutrina. E eu, que supunha que a verdade estava na unidade do amor, não pude deixar de ficar chocado ao ver que a própria doutrina destrói aquilo que ela deveria promover (Tolstói, 2017, p. 115-6);

Sacerdotes de todas as várias confissões, os melhores representantes delas, não me disseram nada, senão que acreditam que eles estão na verdade e os outros, na ilusão, e que tudo que podem fazer é rezar pelos outros (op. cit., p. 117);

Nessa época, aconteceu uma guerra na Rússia. E os russos, em nome do amor cristão, começaram a matar seus irmãos. É impossível não pensar nisso. É impossível não ver que o assassinato é um mal, contrário às bases mais elementares de qualquer fé. No entanto, rezavam nas igrejas pelo sucesso de nossas armas e os professores da fé admitiam essa atividade assassina, que decorre da fé. E não foram só esses assassinos na guerra, mas também no tempo dos distúrbios que se seguiram à guerra vi membros da Igreja, seus professores, monges e ascetas, que se alegravam com o assassinato de jovens sem rumo e indefesos. E voltei a atenção para tudo que faziam as pessoas que professavam o cristianismo, e fiquei horrorizado (op. cit., p. 120).

Ainda que trocadas as denominações religiosas – cristãos católicos e ortodoxos por sikhs e hindus, ou qualquer outro par de divergentes –, infelizmente, as atitudes e os comportamentos observados ao longo da História não serão muito diferentes dos traçados por Tolstói, inclusive tendo à frente os “sacerdotes”, como à época das Cruzadas, de ambos os lados dos conflitos. E também aqui é praticamente impossível estabelecer as fronteiras e as relações de causa e efeito entre as motivações religiosas, políticas (lutas pelo poder, interesses nacionalistas, regionais, separatistas, etc.), econômicas (novos mercados, rotas, monopólios, etc.) ou ideológicas (formas de governo, supremacias, etc.) que, levadas ao extremo (fanatismos), independentemente de serem naturais ou induzidas, tendem à retroalimentação quase interminável. Ao diagnosticar, no seu tempo, uma realidade assemelhada à de 7 (sete) séculos atrás, Tolstói confirma a sabedoria da tradição: quem não aprende e não apreende a essência da História está propenso a repetir os erros, quiçá em escala consideravelmente maior, senão por outros motivos, pelas inovações tecnológicas que, dia a dia, aumentam a letalidade dos arsenais.

            Essa ponte entre o passado e o presente, construída a partir da aprendizagem com a História, deveria, penso, ser um dos desideratos permanentes da Ordem Maçônica, o que implica, por exemplo, que o estudo acerca da Ordem Templária não deve ser limitado ao seu espaço-tempo, visto como (mais um) mero evento histórico, mas que, de modo direto e objetivo – sem pressupor que “o outro” saberá extrair as lições e estabelecer as conexões –, sejam extraídas lições aplicáveis à contemporaneidade; não, é claro, em caráter prescritivo, terminativo, mas antes exploratório, como um convite explícito à reflexão crítica. Todavia, com as exceções que confirmam a regra, esse não é o traço prevalente na cultura maçônica, mais afeita à abordagem histórico-autolaudatória que, sem demérito aos grandes vultos e às contribuições que trouxeram, por vezes beira o culto à personalidade, o que a aproxima dos dogmatismos ideológicos e das religiões.  

            Por fim, embora existam outros motivos abrangentes que dificultam o avanço dos estudos e pesquisas na Maçonaria, tendo o caso brasileiro sido apreciado por Pinheiro (2025), chama-se a atenção para uma dificuldade enfrentada pelos pesquisadores que recorrem às fontes secundárias, isto é, a grande maioria: o fato de que (aparentemente) um número menor de estudiosos, maçons e não maçons, têm se dedicado ao problema ora em foco – o das razões de a Maçonaria ter tomado como símbolo a Ordem do Templo –, no que resulta na menor oferta de novas fontes de pesquisa. Se, por exemplo, a História dos Templários for dividida em 5 (cinco) fases:

  1. das primeiras tratativas, em debates informais e pequenos grupos, à gênese em 1118-20;
  2. da gênese à Regra do Templo aprovada no Concílio de Troyes, em 1128-9;
  3. do Concílio à batalha de Hattin, em 1187;
  4. de Hattin à prisão dos líderes (1307) e à fuga dos demais; e, finalmente,
  5. de 1307 à extinção da Ordem (1312) e à execução de Jacques de Moley (1314);

a maior parte da literatura disponível dedica-se sobretudo às 3 (três) últimas que, embora de maior duração e provavelmente de maior importância histórica, para o estudioso dos fundamentos das relações entre as Ordens, a do Templo e a Maçônica, são, como se pretende demonstrar, as de menor importância quando o foco é dirigido ao simbolismo. Ademais, e a rigor, só pelo que até agora foi trazido à lide, se a identificação da Ordem Maçônica com o Templo é de natureza simbólica, só tem sentido pensá-la enquanto nas 2 (duas) primeiras fases.

A divisão cronológica acima, que alguns autores ampliam[21], enquanto outros reduzem, mais do que uma conveniência a partir de alguns marcos históricos, pretende chamar a atenção para o fato de que a expressão “Templários”, em razão da sua abrangência, revela-se também insuficiente e incompleta porque incapaz de transmitir as diferenças, nada sutis, no que refere, por exemplo, à sua função precípua e ao papel histórico exercido em cada momento (fase) ao longo dos quase 2 (dois) séculos de existência da Ordem, de 1118-20 até 1312. A rigor, os Templários das primeiras fases praticamente não guardam relação com os das demais; assim, justifica-se perguntar: com quais dos “Templários” a Maçonaria pretende se ver associada, ainda que de modo simbólico ou, em um caso específico deste, de modo espiritual, como enfatizado pelos Maçons Retificados? Em outros termos, para avançar no estudo que ora tem início, será necessário subdividir os Templários em categorias que possam ser discriminadas à luz de determinados predicados. Ademais, algumas circunstâncias, que podem mesmo ser consideradas contradições, demandam esclarecimentos às mentes mais questionadoras: considerando o elevado conteúdo religioso, notadamente o professado pela ICAR que, como visto, permeia vários Ritos e Graus maçônicos, não pode passar despercebido o rompimento (velado) dos Templários com a ICAR (Rodrigues, 2020) enquanto que, de regra e sem quaisquer esclarecimentos ou delimitações, os autores maçônicos continuem a enaltecer ambos – os Templários e a ICAR -, ainda que aos Iniciados nos Altos Graus do REAA seja apresentada uma perspectiva diferenciada. De outro lado, a própria ICAR (já nas fases 4 e 5 acima) também alimentou desconfianças em relação à Ordem, tendo, na perspectiva desta, a abandonado. Que motivos teriam levado a esse estranhamento recíproco?

Assim, emergem problemas e questões que, embora entrelaçados à que originalmente motivou esta Série – “com quais dos “Templários” a Maçonaria pretende se ver associada?”  –, a transcendem. O estudo da História da Ordem do Templo, em si mesmo – surgimento, ascensão, apogeu, decadência e extinção – fornece valiosas lições e insights para a compreensão de outras instituições, como é o caso da própria Maçonaria contemporânea, mas para chegar a bom termo, a resposta à questão apresentada demanda ampliar os temas e a bibliografia consultados.

Nessa linha, acredita-se que a maior divulgação do trabalho de Brum (2022), que preenche a lacuna histórica referida, pode ter efeito catalisador no ambiente de estudos e pesquisas maçônicas, sobretudo no Brasil. A escolha de Brum como autor em torno do qual foram organizadas as reflexões que se seguem, sobretudo no terceiro e quinto artigos da Série, não foi por acaso: primeiro, porque ele é um dos poucos[22] que exploraram os primeiros anos dos Templários, quando sequer ainda eram conhecidos como tais; e, em segundo, porque os seus achados de pesquisa não só correm na contramão do mainstream, como, salvo melhor juízo, ao esclarecerem as questões enunciadas acima, trazem melhor compreensão ao que até então era apenas e vagamente enunciado pela Maçonaria, mas notadamente no âmbito do RER.   

O ambiente da pesquisa de Brum é o espaço-tempo da Toledo (Espanha)[23] do séc. XII, mais especificamente por ocasião do surgimento da Ordem do Templo, estendendo-se às regiões da Borgonha e de Champagne (França), territórios a partir dos quais foram irradiadas 2 (duas) das principais Ordens Religiosas: a de Cluny e a de Cister. Ao dirigir a atenção para os micro eventos e a atuação de personagens que transitaram do Ocidente ao Oriente, e vice-versa por diversas vezes, lastreado em fontes primárias e secundárias, no cruzamento de dados e valendo-se de uma lógica investigativa bastante aguçada, pois transita com familiaridade pelo paradigma indiciário, Brum  chega a conclusões inusitadas que contrastam com a maioria dos textos e, senão esclarecem a tese da origem, confirmam o alinhamento ideológico-espiritual entre as Ordens, a dos Templários e a Maçonaria; todavia, ressalve-se: com a Ordem do Templo dos primeiros anos (fases 1 e 2, acima).

Fica claro, quando se debruça sobre o tema, que a expressão “Templários” encapsula e encobre tantas diversidades que levam o leitor ao cometimento de equívocos interpretativos, senão por outros motivos, pelo gigantismo alcançado pela Ordem; Frale (2007, p. 67), por exemplo, observa que

O Templo tornou-se um complexo e potente organismo supranacional […] províncias principais divididas em circunscrições […] um território em uma estrutura que se estendia por toda a bacia do Mediterrâneo e além, desde Portugal até a Armênia e da Escócia até a Terra Santa.

Adiante, a autora inova e cria uma figura curiosa para estabelecer a distinção ao longo da cronologia, a do “verdadeiro Templário”[24]:

O progresso no campo financeiro acabou por alterar sensivelmente o equilíbrio interno da instituição: antigamente, os verdadeiros Templários eram apenas milites, isto é, profissionais da guerra a cavalo, pertencentes à condição cavalheiresca, sendo que aqueles que desenvolvessem atribuições de serviço se colocavam em um nível inferior. Se naquela época as relações de poder eram unicamente ligadas à função bélica, a evolução ocorrida na segunda metade do século reavaliou muitíssimo um tipo particular de atividade: a mercantil-financeira (op. cit., p. 111).

Rodrigues (2020, p. 41-2) revela o mesmo entendimento e, ao referir-se à fase final da Ordem, quando já acumulava perdas na Terra Santa, acrescenta:

O Templo, em si mesmo, enriquecido e estruturado numa poderosa organização multinacional, havia substituído a espiritualidade da sua primitiva missão por objetivos mais profanos do que aqueles pelos quais seus irmãos verteram seu sangue na Terra Santa. Diante desse quadro, não era estranho que dentro da própria Ordem tivesse sido desenvolvida outra Irmandade, tão estranha aos objetivos que levara o Vaticano a conceder-lhe o status de Ordem religiosa militar, e os reis, nobres e pessoas importantes em toda a Europa a fazer-lhe grandes doações de terras e bens.

E sem esgotar a lista de autores, cabe ainda citar Ralls (2004, p. 30), que se expressa praticamente nos mesmos termos: “Com um império tão extenso, a Ordem dos Templários era semelhante a uma organização multinacional contemporânea”; afirmação que, pela ponte estabelecida entre o passado e o presente, convida a pensar nas analogias e, quiçá, ensinamentos (para o maçom e a Maçonaria) que poderiam ser daí extraídos, por exemplo, lato sensu, no que refere à gestão no curso da sua existência: a Missão, os Valores fundamentais, o Modelo Organizacional, as respostas às mudanças, etc.   

O leitor atento deve ter observado que as citações basicamente fazem alusão às mudanças que atingiram a Ordem enquanto instituição, todavia, J. B. Willermoz (1782, p. 93) vai além:

[…] a maior parte de seus membros tinha perdido de vista o objetivo primitivo de sua instituição, o orgulho inspirado pelas grandes posses os cegava e aguçava os instrumentos que os esmagavam; esse orgulho e os vícios tão comuns que surgem em tempos de grande prosperidade […] sendo vítimas de tudo isso.

E é importante também observar que não se trata apenas de uma nova perspectiva – da institucional para os indivíduos –, mas de uma análise-diagnóstico que desloca o eixo para o eventual equacionamento e solução de problemas existentes na Ordem Maçônica.  

            Não faltam, portanto, na literatura, sinais de que a amplitude da expressão Templários, notadamente no que tange às alterações sofridas ao longo da História, recomenda cautela antes de assumi-la in totum como símbolo. A questão que se coloca, então, é o detalhamento e a categorização à luz de predicados que permitam discriminar as suas partes.

A fim de que cada texto tivesse algum grau de autonomia de sentido[25], foram inevitáveis, entre eles, determinadas repetições; todavia, elas foram seletivas, de modo que cada texto da Série ainda cita e refere o(s) anterior(es); implicação: o compartilhamento dos subsequentes aguardará a publicação do imediatamente anterior por algum dos veículos (blogs) aos quais serão submetidos.

Finalmente, para o melhor entendimento do que se segue, antes de apresentar e debater as teses do Prof. Brum e os seus vínculos com a Maçonaria, é mais do que oportuno, necessário até, retroceder e contextualizar o ambiente relevante para os objetivos desta Série: a geografia e a História, bem como os usos e costumes da cristandade europeia, sendo o foco ora dirigido à França e à Espanha no início do Baixo Medievo, o que será, então, visto no próximo texto.

O projeto contempla 5 (cinco) textos nos quais, em meio ao cenário, eventos e personagens que trazem, também podem ser identificadas as ideias ensaiadas pelo autor:

  • este, o primeiro, em 16 páginas, delimitou o tema (a Ordem do Templo enquanto símbolo adotado pela Maçonaria), problematizou a questão central (questionamentos e incongruências de ter a Ordem do Templo enquanto símbolo amplo e incondicional para a Ordem Maçônica), bem como não deixou passar despercebida a arrogância cultural, explícita ou velada, do Ocidente frente ao Oriente – componente há séculos em construção e em meio ao qual a Ordem foi criada e se desenvolveu. Por fim, mostrou o quanto o tema, quando problematizado, suscita novos estudos para responder às questões que então emergem, e revelou o procedimento para responder aos questionamentos levantados: explorar a “hipótese-Brum”;
  • o segundo, em 20 páginas, apresenta os principais eventos históricos, os personagens mais diretamente relacionados ao tema, o cenário geográfico no Ocidente (Espanha e França) e no Oriente (Palestina), onde ocorreram os eventos relatados por Brum. No espaço-tempo em que está inserido o objeto de estudo, a Ordem do Templo, são apreciadas, de modo sucinto, algumas variáveis determinantes para a constituição do tecido social em meio ao qual se deu o seu surgimento, a exemplo da relação suserano-vassalo, da cavalaria medieval, do direito do primogênito e do surgimento das grandes Ordens, em especial a de Cister. Em meio a tanto, fica claro que se a Ordem do Templo, como afirma a maioria dos textos, foi criada para defender os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa, não menos evidente e importante foi o seu papel para equacionar e encaminhar a solução de vários problemas anteriores e internos ao Velho Mundo, o que convida à pergunta: teriam sido os pais fundadores da Ordem, aqueles que primeiro a conceberam, motivados pelos mesmos objetivos pelos quais ela viria a ser conhecida?
  • O terceiro, com 17 páginas, traz o cerne dos ensaios que constituem esta Série: apresenta e explora a “hipótese-Brum”, seus argumentos, evidências e apoios, como é o caso, sobretudo, de Ralls (2004). Com efeito, resta demonstrado que a denominação Templários encerra uma historicidade tão abrangente, diversa e repleta de contradições, que sugere ser impróprio à Ordem Maçônica (organizada em Ritos igualmente diversos) tomar a Ordem do Templo como símbolo incondicional, amplo e irrestrito. Em meio a tanto, ficam claramente caracterizados pelo menos 2 (dois) grupos distintos: o que Frale (2007) denomina “os verdadeiros templários” vs “os autênticos templários”, expressão cunhada por Brum (op. cit.). Em aberto, a questão inicial: qual desses grupos, ou seria um terceiro ou quarto a ser tomado pela Maçonaria Especulativa como expressão simbólica? Por fim, quais as implicações de uma ou outra escolha?
  • O quarto se ocupa, nas 19 páginas, dos Contos Arturianos e da Lenda do Graal, temas que aproximam o Círculo Troyes-Toledo, a Ordem de Cister, a Ordem do Templo, a Cristandade em geral, os Cruzados e os povos do Oriente, com destaque aos “árabes-mulçulmanos-nizaris-ismailitas-drusos-sufis”, em meio aos quais havia uma Ordem análoga a dos Templários, uma elite de sacerdotes-guerreiros (conhecida como os “assassins”). Por tudo o que encerra, surpreende a pouca atenção que lhes têm dedicado os maçons, e menos ainda a Maçonaria por meio das suas orientações de estudo e pesquisa, seja nas Lojas Simbólicas ou a partir das Lojas de Estudos e Pesquisa; finalmente,
  • no quinto e último, em 20 páginas, todos os temas, eventos e personagens foram reunidos e analisados, tanto de modo isolado (p. ex.: Ordem do Templo/Maçonaria/REAA e Ordem do Templo/Maçonaria/RER) como em perspectiva cronológica-contextual à luz das representações simbólicas e suas implicações na Maçonaria Especulativa contemporânea. Às partes (templários “autênticos” vs “verdadeiros”), vistas também como fases que já haviam sido identificadas como componentes do todo (os Templários), soma-se a terceira: a dos “templários institucionais”, também referida como “milícia corporativa”; todas, então, contrastadas com as características-chave dos Graus Templários do REAA de acordo com a formulação de Ismail (2020). Os resultados são surpreendentes: a passagem da análise do todo para as partes – seja da Maçonaria para os Ritos (REAA e RER), seja da Ordem do Templo para as diferentes fases ao longo da sua história – não proporciona apenas o entendimento do fenômeno desde outra perspectiva ou acresce graus de informação, revela também que fenômenos que à primeira leitura, percepção e senso comum sugerem homogeneidade; efetivamente são constituídos por partes de naturezas tão distintas que, por vezes e paradoxalmente, chegam a, entre si, conflitar;
    • subsidiariamente, o estudo, um ensaio bibliográfico-analítico-crítico com o foco na História e Literatura, ora relatado no formato de Série, também proporcionou diversos ensinamentos aplicáveis não só à instituição Maçonaria contemporânea, mas também ao cotidiano de cada um, Iniciado ou não; todos foram compartilhados ao final do quinto e último texto.  

            Ciente de que “ninguém chega a lugar nenhum sozinho”, não hesitei em solicitar a colaboração de várias pessoas; assim, não poderia concluir este texto de abertura, escrito já concluída a Série, sem agradecer a todos os que se dispuseram a ler e opinar, conforme suas disponibilidades e a evolução dos textos: Lucas V. Dutra, José Filardo, Michael Winetzki, Miguel Nüske e João Anatalino Rodrigues. A todos, o meu reconhecimento pelos aconselhamentos, pela crítica respeitosa e estimulante, pelo apoio desinteressado, em suma, pelo exemplo de conduta; eu os reconheço como Irmãos.


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Notas

[1] MM, Pesquisador Independente, e-mail: ivan.pinheiro@ufrgs.br. Porto Alegre-RS, 19.05.26. O autor não só agradece a leitura e as considerações do Irmão Lucas V. Dutra, Mestre Maçom do Quadro da ARLS Presidente Roosevelt, 75, Or. de São João da Boa Vista, jurisdicionada à GLESP – psicólogo, professor doutor em psicologia, especializado em maçonologia (UNINTER), e-mail: dutralucas@aol.com, como também reafirma a responsabilidade pelos erros e omissões remanescentes.      

[2] Esclarecimento para o leitor não familiarizado com o tema: a quantidade (e diversidade) de Ritos é praticamente incontável; entre outros, vide Rocha (2021).

[3] Na História, existem inúmeros casos análogos; de regra, o critério depende do evento que o pesquisador considera como o mais importante; todavia, não se pode perder de vista que este procedimento metodológico encobre um anacronismo: a importância do evento só viria a ser configurada após muitos anos, séculos até. Para o estudo que ora tem início, essas diferenças, se a Ordem foi criada em 1118 ou 1120, bem como se o Concílio de Troyes ocorreu em 1128 ou 1129, são absolutamente irrelevantes. Embora se acredite em erro tipográfico, não dá para deixar de assinalar que Cooper-Oakley (2008, p. 62) afirma que “A Ordem dos Cavaleiros do Templo foi fundada no ano de 1113 […]”.

[4] Utilizado como Selo da Ordem.

[5] Instituição assemelhada aos Supremos Conselhos dos demais Ritos.

[6] Muito embora, com muito maior frequência do que o esperado em uma Ordem que afirma ser buscadora da verdade, não faltem manifestações (orais e escritas) que levam a crer que os autores tomam o símbolo como a própria realidade – não há, nessas circunstâncias, como não reconhecer a existência de riscos às estruturas de pensamento e às suas consequências práticas no cotidiano. A. Arendt (1989, p. 526) não deveria ser esquecida: “O súdito ideal do governo autoritário não é o nazista convicto nem o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência) e a diferença entre o verdadeiro e o falso (isto é, os critérios do pensamento)”.

[7] Vista também como tese, já demonstrada e à espera de refutação.

[8] Alberto Brum cursou Filosofia na UFRGS e é mestre em Filosofia pela PUC-RS. Em Brasília-DF, foi professor de Ética, Filosofia da Religião, História da Filosofia Medieval, Hermenêutica e Filosofia do Oriente. Atualmente é palestrante, coordena e participa de diversos grupos de estudo presenciais e à distância.

[9] Mas também a Africana, a Asiática, a dos povos originários algures e alhures.

[10] Atualmente este pensamento é praticamente um consenso na literatura, vide, entre tantos, Dacanal (2004) e Nemo (2005).

[11] Que carrega o nome do seu criador, o filósofo: 624/623 – 548/546 a.C.

[12] 1265 – 1321.

[13] Embora o Movimento das Cruzadas seja anterior aos Templários, muito em breve não só estes estariam a serviço daqueles, como ambos estiveram, na maioria das vezes, a serviço da mesma autoridade superior: o Papa.

[14] O que, hoje, seria o cometimento de abusos por parte dos Agentes do Aparelho de Segurança do Estado. Tendo por base episódios recentes e disseminados pela mídia internacional, um exemplo é a ação, nos Estados Unidos, do Immigration and Customs Enforcement (ICE) que, ainda que amparada por uma política pública, parece claramente ter havido abusos de autoridade. Na época dos Templários-Cruzados – os agentes do Estado – o cometimento de abusos foi em escala incomensurável.

[15] Rei Inglês, 1157 – 1199.

[16] Sultão e líder militar muçulmano na resistência aos Cruzados, 1138 – 1193.

[17] Por exemplo, na História contemporânea, no Oriente Médio, no Brasil, alhures e algures, a categorização herói vs terrorista depende da perspectiva do observador, do tempo histórico e do narrador.

[18] Ainda que essa também se apresente dividida em pelo menos 3 (três) grandes grupos: a ICAR, a Reformada e a Ortodoxa, e estes em subgrupos.

[19] 1828 – 1910.

[20] 1853 – 1856, França, Inglaterra e Sardenha aliaram-se à Turquia (Império Otomano) contra a Rússia.

[21] Estendendo a fase 3, por exemplo, até a batalha de Acre (1291), quando os Cruzados (e os Templários) foram definitivamente expulsos da Palestina. Há autores que focalizam os personagens, outros, as batalhas nas quais os Templários se alinharam aos Cruzados, mas há muito pouco material sobre os primeiros dias.

[22] E até onde me é dado a conhecer, em português, no Brasil, o único.

[23] O que, per se, já é uma grande novidade. Para o estudioso de Maçonaria em geral e da Ordem do Templo em particular, sabê-los relacionados em Toledo já é um achado de pesquisa digno de consideração e aprofundamento.

[24] O tema remete a uma das falácias mais usuais, a do “Verdadeiro Escocês”, entre outros, vide Pinheiro (2023).

[25] Pensando no leitor que só tenha acesso a um dos artigos.

[26] A edição original data de 1924. No Brasil, a pedido, pode ser encomendada junto ao Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais.