REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

Ego e o maçom

Por K. Wilson-Slack

Tradução J. Filardo

Eu tenho que dizer: eu amo os Grupos de Estudo da minha Loja.  Eles trazem todos os tipos de assuntos interessantes em relação a todos os aspectos da vida e, mais particularmente, da vida como maçom. Recentemente, discutimos como o Ego afeta nossas vidas, e qual é o nosso trabalho particular enquanto Maçons em relação ao Ego. Essas sessões de estudo me dão a oportunidade de explorar não apenas minhas próprias experiências com o tema, mas também o que penso sobre ele objetivamente – formar uma opinião, bem como ser capaz de articular essa opinião.  Como todos nós temos um Ego, é fácil ter experiências com ele.  O mais difícil é formar opiniões objetivas. Afinal, o Ego não está envolvido na formação dessas opiniões?

Uma das minhas primeiras aulas na faculdade, com 18 anos de idade, foi Psicologia 101.  Eu estudara antes Filosofia Ocidental, ambos tendo uma grande atração para mim. Essas eram aulas que meu colégio não oferecia: um novo mundo de vida que era e ainda é excitante. Aprendemos tudo sobre as teorias de Freud e Jung sobre o Ego, entre outras coisas, mas nada realmente “ficou” comigo depois daquela aula. Eu realmente nunca voltei e explorei o Ego até que surgiu tão frequentemente em estudos religiosos e metafísicos anos depois. Identifiquei-me mais de perto com os escritos de Jung, e muitas vezes volto a ler sobre ele quando questões de Psiquê estavam e estão envolvidas.

Em seus escritos sobre o Ego, “Um dos conceitos centrais de Jung é a individuação, seu termo para um processo de desenvolvimento pessoal que envolve estabelecer uma conexão entre o Ego e o Eu. O ego é o centro da consciência; o eu é o centro da psique total, incluindo tanto o consciente quanto o inconsciente”. A referência continua dizendo: “Para Jung, há uma constante interação entre os dois.  Eles não são separados, mas são dois aspectos de um único sistema.  A individuação é o processo de desenvolvimento da totalidade, integrando todas as diferentes partes da psique ”.

A parte mais interessante dessa afirmação é o fato de que o Ego e o Eu são entidades diferentes que precisam estar integradas. Como eles se desintegraram em primeiro lugar?  Como algo que era um todo se tornou separado, ligado e nosso objetivo é tentar integrar os dois? É o nascimento que os separou?  Se for assim, o que somos antes? E é esse o estado que estamos tentando alcançar?  Isso faz minha cabeça girar ao pensar que poderíamos ter sido integrados no útero (ou antes?) e desintegrados ao nascer, e passamos toda a nossa vida trabalhando para a integração. O que acontece, então, se você integrar antes de morrer?  Seria esse, talvez, o nosso objetivo? Nós evoluiremos como espécie se isso acontecer?

Provoca dor de cabeça, certo? Bem, para mim, sim.

Eu imagino um sistema estelar binário, dois pontos brilhantes de luz circulando um ao outro, abraçando-se como apenas dois fogosos sistemas de gás e elementais podem – nunca se tocando e queimando continuamente um ao outro. Amor que consome e se renova.  Sim, esse deve ser o Ego e o Eu, no mundo de Jung.

Se o Ego e o Eu são inseparáveis, então parece-me que temos que aprender a viver com ambos, partes separadas e iguais, chamando e gritando uma com a outra o tempo todo. Como nós as reconciliamos? Nós, pelo menos, tentamos? Como não podemos dizer inequivocamente onde reside a mente, talvez essas duas coisas façam parte da mente abrangente que nos controla.  E, a lógica nos dá, que, se for como acima, então abaixo é representativo, aquela mente divina também tem um eu e um ego? E mesmo o Divino tem uma mente? Talvez essa seja uma pergunta estranha, mas talvez não.

Eu sei que a Maçonaria simultaneamente escolhe subjugar nossos Egos e encontrar nosso “Eu”.  Talvez uma das estrelas binárias precise ser dominante, e nessa dominância é onde encontramos os traços de uma pessoa – arrogância ou humildade, graciosidade ou grosseria. No equilíbrio entre as estrelas, encontramos a natureza dos gases que elas emitem. É difícil ser útil para aos seus companheiros maçons e ao mesmo tempo ser imodesto e arrogante. Há pouco espaço para os outros quando você enche a sala com o seu Ego.  Talvez seja também por isso que aprendemos a subjugar as paixões – as paixões do Ego – e desenvolver as paixões do Eu – a conexão com o divino. Uma estrela deve escurecer para que a outra brilhe.  O Roche Lobe da Personalidade. Até que eu gosto dele.

No passado, eu me perguntava por que nós, como maçons, colocamos medalhas em nossos peitos e colocamos números e pontinhos no final de nossos nomes, ou adicionamos títulos quando alcançamos certos graus maçônicos. Eu acho que esse é outro desses testes – nós fazemos isso por prestígio?  Nós usamos nossas joias externas como um “distintivo de vangloria”, como eu ouvi um irmão chamá-lo há muito tempo? Ou os usamos para honrar o Trabalho que concluímos e trazemos para a reunião?  Nós lustramos nosso Ego brilhantemente para fazer nosso “Eu” desaparecer? Intenção é tudo e nada; devemos ser claros sobre o significado das armadilhas externas para não cair na armadilha em si, certo? Um grau é melhor que o outro? O que nós realmente atingimos?  Eu penso sobre essas coisas frequentemente.  E faço o possível para lembrar o dever e cautelosamente considerar o brilho. Ele parece grudar em tudo. E a Maçonaria, alimenta o Ego? Ou ajudar alguém a subjugá-lo?  Talvez seja um diálogo contínuo, em vez de uma questão simples e solitária.

Publicado em SOCIEDADE FILOSÓFICA MAÇÔNICA

 

3 comentários em “Ego e o maçom

    1. Estudo primordial para qualquer irmão fazer uma reflexão de forma retrospectiva na sua vida Maçônica (retificando o comentário acima) que GADU nos abençoe.

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