REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

A Bíblia dos Maçons

Tradução José Filardo

por Daniel Ligou

É um problema bastante complexo, porque o podemos examinar a partir de vários aspectos complementares. Primeiro, o essencial, a presença ou não da Bíblia, ou, mais genericamente, do Volume da Lei Sagrada (VLS) na oficina; depois, o papel que ela desempenha ou não no recinto maçônico, tanto como “luz” ou “utensílio”. Some-se a isso a participação da Bíblia na trama do ritual maçônico que apresenta a particularidade que divide com o companheirismo, de completar um fundo bíblico, essencialmente do Antigo Testamento , através de toda uma série de lendas parabiblicas que se desenvolvem no ritual para delas se retirar uma lição simbólica ou moral; enfim, a extraordinária variedade de “palavras” correspondentes a cada grau, palavras de passe, palavras sagradas, “grandes palavras” que os ritos, e especialmente o rito escocês Antigo e Aceito (REAA), em seus 33 graus – não economizam nem um pouco.

Algumas observações preliminares primeiro. Nós provavelmente seremos incompletos, mas privilegiaremos os ritos que conhecemos bem e, especialmente, aqueles que praticamos regular ou ocasionalmente, porque em nossa opinião, a Maçonaria, para ser verdadeiramente compreendida, deve ser vivida espiritual e emocionalmente, e não ser apenas sinônimo de conhecimento. Também o nosso comentário será essencialmente baseado nos três principais ritos praticados na França: o Rito Francês, o Rito Escocês e o Rito Escocês Retificado, pois não conhecemos os ritos ingleses a não ser através de textos que consultamos mais ou menos regularmente (fico feliz em concordar!). Por outro lado, para nosso grande pesar, não foi possível, por razões essencialmente linguísticas, usar os rituais alemães ou suecos. Quanto aos ritos praticados nos países latinos, eles não oferecem grande originalidade em relação aos que já conhecemos.

Outra observação. Trata-se de “ritos” e não de “obediências” ou “potências”. Portanto, não levaremos em conta “exclusivos”, “excomunhões” ou reivindicações de irregularidade. Além disso, o Rito Francês, conforme ele é praticado no Grande Oriente, ou o REAA na Grande Loja são ritos tão diferentes com o mesmo nome usado na Grande Loja Nacional francesa? Não, sem dúvida, porque suas fontes são comuns. Nós mesmos (tremo só de pensar) fizemos algumas alusões à “Maçonaria de Adoção”, que continuou até meados do século XIX, a Maçonaria feminina atual contentando-se em organizar – muito inteligentemente, diga-se de passagem – o textos masculinos do REAA ou do Rito Francês.

Notamos também que o Shiboleth da regularidade, aos olhos da Grande Loja Unida da Inglaterra, não é a Bíblia no sentido estrito, mas o VLS, isto é qualquer livro básico de natureza religiosa, e a crença no Grande Arquiteto e sua vontade revelada. Mas, se a Maçonaria tem, segundo as Constituições de Anderson de 1723, tem a pretensão, diga-se de passagem, com alguma justificação, de ser o “centro de União” e de agrupar “os homens bons e leais ou os homens de honra” e de probidade, quaisquer que sejam as denominações ou crenças religiosas que os ajudam a “se distinguir “, ela não deixa de ser o resultado de um legado, de uma tradição e de circunstâncias históricas que lhe deram um estrutura mental e um equipamento intelectual cristão, essencialmente reformado no início e mais ecumênico a seguir. Existe – e não pretendemos abordá-la -. uma maçonaria “sem Bíblia”.

Com efeito, onde quer que a Bíblia não é a alimentação diária dos Irmãos, ela se desvanece ou desaparece em favor do “livro da Constituição” na Bélgica e na França – evolução que não é de forma alguma incompatível com a crença no Grande Arquiteto conforme mostra a história do Rito Francês de 1787-1878, onde se prestava juramento ao Grande Arquiteto sobre o “Livro da Lei”. Em Israel é, obviamente, a Torah , sem o Novo Testamento, e em outros lugares o Alcorão, o Avesta, Confúcio. O REAA especifica, além da Bíblia, os Vedas, o Thipitaka, o Alcorão, o Zend Avesta, o Tao Teh King e os quatro livros de Kung Fu Tsen. Na loja (Inglesa) de Singapura, os irmãos têm uma dúzia de livros sagrados. E o Ir.´. Rudyard Kipling expressa perfeitamente este ecumenismo: “Cada um de nós falava do Deus que conhecia melhor.” Mas, onde começa e onde termina o sagrado? Por que não os Pensamentos do Presidente Mao? Pode-se ainda se perguntar se a prática de religiões como o confucionismo está em harmonia com o conceito de “Vontade Revelada”, tal como concebido pelas religiões monoteístas da Europa ou no Oriente Médio.

Enfim, fazemos, ou tentamos fazer um trabalho de historiador. Isto significa que teremos de distinguir o que é histórico do que é bíblico e, em relação à Bíblia e a história, o que é pura lenda, deixando claro que para todo Maçom, a lenda não passa da tradição no dogma católico, isto é, algo que assume valor doutrinário. Por outro lado, não nos cabe neste momento fazer a exegese do que seja biblicamente inspirado e muito menos dos textos utilizado. Menos ainda, praticar os métodos alegóricos, tipológicos ou anagógicos caros aos Padres da Igreja e aos dialéticos medievais onde encontramos muitos vestígios das “Old Charges” (os Antigos Deveres) que regulamentavam a Maçonaria operativa. Para nós, o Templo de Salomão é um edifício construído por um rei de Israel para a glória de Yahwe e não temos que querer saber se ele representa a igreja ou o Cristo. Isto pode parecer simplista para alguns, mas não acreditamos na virtude da mistura de gêneros.

Analisemos agora nosso primeiro ponto: a Bíblia, “instrumento” em loja, sobre a qual se presta juramentado. Você não precisa fazer prova de vasta erudição para constatar que a Maçonaria “operativa”, aquela dos construtores, intimamente ligada ao mundo clerical, pelo menos, pela construção de catedrais, era – como, a propósito, era o corpo dos ofícios – “guildas de artesãos”, “empresas” diferentes – de inspiração cristã, católicos na Inglaterra até a Reforma, anglicanos ou reformados posteriormente. Na França, Itália, Espanha, eles permaneceram fiéis à Igreja romana até seu desaparecimento natural ou supressão revolucionária. Às vezes, com o estofo de uma guilda profissional, mais frequentemente distintas das confrarias de penitentes. Elas estavam colocadas sob a invocação de santos padroeiros da profissão, e para “as pessoas da construção” muito particularmente “os Quatro Mártires Coroados” (Quatuor Coronati) que a encontramos na Inglaterra, mas também na Itália (Roma ) e na França (Dijon). Além disso, não parece que, ao contrário das guildas, sempre suspeitas para a Igreja e o poder civil, estes “corpos” tinham, por pouco que seja, rompido com a ortodoxia. Mas, voltemos à Inglaterra.

É difícil afirmar que a Bíblia figurava entre o “material” das lojas operativas inglesas antes da Reforma, pelo menos segundo o que pudemos deduzir das “Old Charges”. Por outro lado, sabemos que se prestava juramento ali, e que nada há de original, já que o “negócio jurado” era a regra um pouco por toda parte. O fato é que os primeiros documentos – o Regius (cerca de 1370) e o Cooke (cerca de 1420) – são perfeitamente silenciosos. Assim nenhuma suposição deve ser excluída: a Bíblia, quando se podia ter uma, o que, antes do desenvolvimento da impressão talvez não fosse tão fácil, o “livro” do estatutos e regulamentos corporativos, relíquias como é tão frequentemente o caso na França? De qualquer forma, o juramento tinha um caráter religioso que ele conservou – exceto na Maçonaria “secularizada”.

Os documentos mais recentes, mas também posteriores à Reforma, são mais explícitos e o juramento sobre a Bíblia é, mais frequentemente afirmado pelo “Grand Lodge Manuscript ” No. 1 (1573), e No. 2 (1650 ), o “Manuscrito de Edimburgo” (cerca de 1696): “Fazemos com que eles tomem a Bíblia e prestem juramento”, o “Crawley” (cerca de 1700) onde o candidato jura sobre o livro sagrado por “Deus e São João”; o “Sloane” do mesmo período, sobre o qual a questão permanece em dúvida, o “Dumfries” n º 4 (cerca de 1710). Pode-se, portanto, supor que, desde a Reforma, o juramento sobre a Bíblia tenha se tornado a regra, o que levou o historiador francês A. Lantoine a dizer que este era um “landmark de contrabando huguenote”, uma expressão engraçada, mas definitivamente exagerada. Esta constatação não nos deve fazer perder de vista a perfeita ortodoxia católica primeiro, depois anglicana, das “Old Charges”. A este respeito, o texto mais característico é, sem dúvida, o “Dumfries No. 4” (cerca de 1710), descoberto nos arquivos da Loja desta pequena cidade, localizada na Escócia, mais nos confins da Inglaterra. O autor dá ao Templo de Jerusalém a interpretação cristã e simbólica tradicional e se inspira tanto no Venerável Bede quanto em John Bunyan. As orações são estritamente “niceanas”. As “obrigações” exigem a fidelidade a Deus, à Santa Igreja Católica (isto é, anglicana no sentido do Livro de Orações), ao mesmo tempo que ao Rei. Os degraus da Escada de Jacó evocam a Trindade e os doze Apóstolos; o mar de Airain é o sangue de Cristo; os doze bois, os discípulos; o Templo, os filhos de Deus e a Igreja; a coluna Jaquim significa Israel; a coluna Boaz a Igreja com um toque de antijudaísmo cristão. Lemos com surpresa: “Que ela foi a maior maravilha vista ou ouvida no Templo – Deus foi homem e um homem foi Deus. Maria foi mãe e entretanto era virgem”. Todo este simbolismo tradicional e a  “tipologia” cristã admitida até o desenvolvimento da exegese moderna, encontra-se neste ritual. O catolicismo Romano, afirma Paul Naudon. Certamente não – ou melhor, certamente mais – porque podemos pensar que este é o redesenho de um texto mais antigo. As citações bíblicas são retiradas da “Versão Autorizada” do rei James, o que testemunha a ortodoxia anglicana do tempo da piedosa rainha Anne.

Se a Maçonaria tinha se mantido fiel a esta ortodoxia, ela não pode ter pretensões de Universalismo. E é isso, aliás, é que é regularmente produzido sempre que se quer vincular mais estritamente o ritual maçônico a uma confissão religiosa. O Rito Sueco, de essência luterana, não saiu de seu país de origem. O Rito Escocês Retificado, de tom nitidamente cristão, viu sua expansão limitada.

Ao contrário, o REAA, os ritos agnósticos, os ritos anglo-saxões “deconfissionalizados” são susceptíveis de desenvolvimento infinito. Este é, portanto, o grande mérito de Anderson e dos criadores da Grande Loja de Londres de ter entendido perfeitamente o problema. As Constituições de 1723 permitiram a expansão, embora na linha de uma Inglaterra já orientada em direção ao fluxo.

Assim, em países cristãos, a Bíblia era e permaneceu com o VLS, os testemunhos do século XVIII são quase unânimes, e as coisas quase não mudaram. Nos países anglo-saxões, ela é a primeira “luz simbólica”, o Esquadro e o Compasso são as outras duas. No rito de Emulação atual, a Bíblia deve estar aberta sobre o triângulo do Venerável, orientada no sentido de o dignitário a poder ler, e recoberta pelo esquadro e o compasso A página na qual o livro está aberto não é indicada, mas é tradicional – e moda – abrir no Antigo Testamento, quando se inicia um israelita. Nos EUA, a Bíblia é geralmente depositada sobre um altar especial no meio do Templo.

No REAA, a Bíblia está presente, aberta durante os trabalhos e colocada sobre o “altar dos juramentos” instalado ao pé dos degraus que conduzem ao Oriente e é recoberto com um pano azul com bordas vermelhas (as cores da Ordem). Ela pode ser aberta em qualquer lugar; é aberta preferencialmente em Crônicas 2.5 e em I Reis 6.7 onde se trata da construção do “Templo de Salomão.”

Na França, a Bíblia conheceu destinos diferentes. Os documentos mais antigos que possuímos mostram grande religiosidade, de orientação um tanto jansenista, e sabemos pelos textos de origem policial, que a Bíblia era aberta no primeiro capítulo do Evangelho de João. Tradição que se conservou perfeitamente no Rito Retificado, de inspiração claramente mais cristã. Mas, nos países católicos, a Bíblia não é, como na Inglaterra, o alimento espiritual da maioria dos cidadãos, especialmente depois que o Concílio de Trento limitou as possibilidades de leitura pelos simples fiéis. Além disso, conservando uma expressão religiosa sob a forma do Grande Arquiteto, que será colocado em questão somente em 1877, a Maçonaria francesa, em sua expressão majoritária, a Grande Loja e depois o Grande Oriente, viu desaparecer lentamente o livro dos “utensilhos das Lojas” desde meados do século. Quando, nos textos de unificação do Rito Francês de 1785 – 1786, o “Livro das Constituições” assumiu seu lugar, ao lado do esquadro e do compasso, sobre o triângulo do Venerável, não houve qualquer protesto, e nem mesmo o Inglês o formalizaram.

Exceto nos ritos totalmente seculares – como o atual Rito francês – os juramentos que acompanham a iniciação e os “aumentos de salário” são prestados sobre o VLS. O que, em 1738, irritou muito o Papa Clemente XII que, na famosa bula de excomunhão In Eminenti, fala de “juramento estrito prestado sobre a Bíblia Sagrada.” É óbvio que, para o mundo anglo-saxão, um juramento não tem valor a não ser que ele tenha um significado religioso, atitude encontrada nos tribunais ou na “inauguração” de uma Presidente americano.

Não houve grandes mudanças em três séculos: o “Manuscrito Colne No. 1” especifica a forma do juramento: “Um dos mais antigos, tomando a Bíblia, e apresentando-a, de modo que aquele ou aqueles que deve(m) ser iniciado(s) maçom(s) possa(m) pousar e deixar estendida a mão direita sobre ela. A fórmula do juramento será então lida.” No Rito de Emulação atual, o candidato se ajoelha e coloca a mão direita sobre o Volume da Lei Sagrada, enquanto sua mão esquerda segura um compasso com uma das pontas dirigida contra o seio esquerdo exposto. Ao pronunciar a obrigação, o Venerável, em sua mão esquerda, trará o Volume, afirmando que a promessa foi feita “sobre este”. No Rito Escocês Retificado – que conservou algo da tradição cavalheiresca da maçonaria francesa do Iluminismo, completamente ausente em países anglo-saxões – o candidato coloca sua mão na espada nua do Venerável pousada sobre a Bíblia aberta no primeiro capítulo de São João. A promessa é feita sobre “o Santo Evangelho”. No Rito Escocês Antigo e Aceito, o candidato coloca sua mão direita sobre os “três grandes luzes” que estão sobre o “Altar dos Juramentos, o Volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso”, enquanto o Grande Experto coloca uma ponta do compasso sobre seu coração e, “sob a invocação do Grande Arquiteto do Universo,” o candidato “jura solenemente sobre as Três Grandes Luzes da Maçonaria.”

Na França, nos anos 1745, de acordo com o Segredo dos Maçons do Abade Perau, o candidato se ajoelhava, o joelho direito descoberto, a garganta exposta, um compasso sobre o peito esquerdo e a mão direita sobre o Evangelho, “na presença de Deus Todo-Poderoso e desta sociedade.” Observe-se que o Rito Francês de 1785 prescrevia o juramento “sobre os estatutos gerais da Ordem, sobre esta espada, símbolo da honra e diante do Grande Arquiteto do Universo (que é Deus).”

14 comentários em “A Bíblia dos Maçons

  1. GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO (G∴A∴D∴U∴).

    Há diferenças entre Deus cristão e o Arquiteto. Para os maçons, o Grande Arquiteto tem as características de um arquiteto comum. Cada participante pode ter sua interpretação , particular (Krishna, Buda, Jesus, Jeová, Alá…). Na prática, o arquiteto cria um projeto e não o executa, pois ele precisa da colaboração de uma equipe: desenhistas, mestres, pedreiros e serventes. O arquiteto se limita, de fato, apenas ao “projeto”. Como Deus bíblico, os maçons ainda entendem que Deus projetou a Terra e o Universo.

    O conceito de Grande Arquiteto do Universo, como o entende a Maçonaria, não existe no Budismo, pois, para este, não existe começo nem fim, ou criacionismo. Para explicar a presença de budistas na Ordem maçônica, já que para ser maçom, é condição essencial a crença num Ser Supremo Criador de todos os mundos e para o budista, não existe um Deus criador.

    É preciso entender que na realidade o conceito de G\A\D\U\ título dado a Deus como entendemos na Maçonaria não existe no Budismo. A Maçonaria é considerada uma ordem iniciática teísta e algumas correntes religiosas consideram o Budismo como religião ateísta, porém; os próprios budistas não se consideram teístas pois os textos budistas transcritos pelos seus mestres, discípulos e seguidores em nenhum momento citam em seus textos e sutras a figura de Deus como nas religiões cristãs. Portanto, os budistas podem ser chamados de não-teístas e de uma forma geral ficando a critério de cada budista crer ou não em um criador do universo na personificação de Deus como os cristãos, fazendo com que os budistas possam se tornar maçons sem nenhuma reserva.
    O Budismo para os budistas atua mais como uma filosofia de vida, pregando a prática de suas ações no dia a dia e é contraria aos dogmas presentes nas demais religiões. No Budismo, os seus ensinamentos são voltados principalmente para o reconhecimento da natureza da realidade como forma de libertar todos os seres da insatisfatoriedade e do sofrimento, bem como de uma lei superior ou força natural superior chamada de Dharma que rege o universo, lei da causa e efeito.

  2. MAÇONARIA. Não é uma sociedade secreta, embora tenha segredos velados que somente seus integrantes conhecem, meios pelos quais seus iniciados se fazer reconhecer em qualquer parte do mundo e em qualquer idioma.
    Não é uma religião nem seita, pois o objetivo fundamental de toda sociedade religiosa é o culto a divindade (embora existam controvérsias pois possui: templos; altares; código moral; rituais de adoração; livro sagrado como livro da lei depositada em um lugar especial o “altar dos juramentos” (poderá ser a Bíblia, o Torá, os Vedas, etc.).
    Também presta um culto à Divindade, ao Ser Supremo admitido em todas as religiões. É a Existência Suprema, Superior, Criadora e Indefinível, cujo estudo constitui uma das bases da Maçonaria e ao qual os Maçons dão a denominação de Grande Arquiteto do Universo.
    Muito da Maçonaria está relacionado ao judaísmo/cristianismo como Templo de Salomão, os degraus da Escada de Jacó… e em muitos graus de muitos ritos vê-se símbolos como letras em hebraico, cruzes, etc., algo que não é visto com simpatia pelo mundo islâmico.

    Desconheço existir um Rito Islâmico específico, baseados em passagens do Alcorão, a fim de permitir e facilitar o acesso daqueles a filosofia maçônica. Vestimentas e apetrechos para os ritos; dias festivos; hierarquia; rituais de iniciação; rituais fúnebres…e ainda reconhece uma existência de um princípio Criador.

    É uma irmandade, fraternidade benemérita, é uma Escola de Filosofia e Filantropia não secreta mas discreta, sobretudo, com a privacidade necessária para a realização dos rituais e com a não divulgação de símbolos ou formas de reconhecimento dos designados “irmãos” os membros de uma determinada obediência. Compartilham o conhecimento, selam laços de amizade que os unem como verdadeiros Irmãos. Congregam para dar e receber conhecimentos. A Maçonaria existe para formar Construtores Sociais (a Maçonaria é uma das maiores Ong’s do planeta), transformar o homem material em homem moral, resumindo toda moral de aperfeiçoamento humano. Ministra seus ensinamentos por meio de Símbolos e Alegorias. A rigor, toda Loja maçônica é Simbólica, porque nela os símbolos são estudados sob os mais variados aspectos.

    Quase todas as lendas maçônicas são mais ou menos alegorias, inclusive a lenda do terceiro Grau, que deve ser interpretada como ensinando a ressurreição, o que se percebe pela própria lenda, sem qualquer acordo ou convenção. Ensina o homem a desvencilhar-se dos defeitos e paixões e ser exemplo a toda sociedade de homens livres. É progressista porque não se aferra a dogmas ou superstições. Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes. E não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência. Os maçons valorizam a lealdade uns aos outros acima de tudo. Tudo o que eles querem de seus irmãos é a capacidade de confiar e amá-los, e esperar reciprocidade em troca.
    A origem dos rituais da Maçonaria, seja inglesa ou francesa, remonta aos ritos pagãos da Antiguidade. Muitos autores afirmam que os Mistérios Antigos são a fonte da filosofia e da doutrina maçônica. Esses Mistérios consistiam num grupo de crenças e práticas que existiu em muitos países sob diferentes formas. No Egito eram os Mistérios de Ísis e Osíris; na Grécia, os Mistérios de Orfeu, de Dionísio e de Demeter; em Roma, de Baco e Ceres. Muitas das grandes mentes daquela época, como o filósofo Pitágoras, foi iniciado em alguma ou algumas dessas escolas de sabedoria. Não por acaso a doutrina Maçônica reserva o silêncio (saber ouvir é uma prova de sabedoria) aos seus membros iniciados, de acordo, aliás, com a Tradição Pitagórica. A Escola Iniciática de Pitágoras tinha um sistema de três graus: o de Preparação, o de Purificação e o de Perfeição. O Rito do Anel Luminoso: fundado em 1780 e tendo com visão reviver a escola de Pitágoras. Quando nasceu a Maçonaria? A resposta irá depender da filiação de quem responder pois existem divergências. A explicação e justificativa para as várias indicações de sua origem está nas correntes de pensamento adotados. Uma coisa é certa, Maçonaria não é religião, muito embora se assemelhe à religião e seja religiosa.

    Sócrates afirmou: “Conhece-te a ti mesmo, isso, meditando em teu mundo interno e obterás a verdade”.

    1. RELIGIÃO NA MAÇONARIA, as opiniões são muito divididas entre os Maçons e elas dependem, em grande parte, das tendências religiosas e filosóficas que norteiam as obediências e os inúmeros ritos maçônicos. Assim, a Maçonaria anglo-saxônica, em grande parte protestante, é considerada profundamente religiosa e teísta, como o Rito de York… No Rito Schröeder (tem mais simplicidade na Liturgia) a expressão “Grande Arquiteto do Universo” é usada no plural – “Grande Arquiteto dos Universos”.
      Julga-se geralmente a Maçonaria francesa como Racionalista, porque, através do Rito Moderno, permite a iniciação a pessoas sem crença definida, considerando que as opiniões religiosas são questões de foro íntimo, enquanto o Rito Escocês Antigo e Aceito, embora exija a crença em um Deus ou Ser Supremo do candidato, é denominado deísta associado ao teísta.
      O RITO MODERNO, criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1773. Já no início do século XIX, o Grande Oriente do Brasil – primeira Obediência brasileira – foi fundada em 1822, adotando o Rito Moderno (agnóstico e comprometido com o humanismo secular e filosofia racionalista). Em 1817 houve a grande reforma doutrinária que suprimiu a obrigatoriedade da crença em Deus e da imortalidade da alma, não como uma afirmação do ateísmo, mas por respeito à liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de uma pessoa devem ser de foro íntimo, não devendo ser impostas.
      Na realidade o Rito Moderno se embasa na liberdade do pensamento e na razão, motivo pelo qual ele deixa à consciência de cada um dos seus membros as interpretações metafísicas. Na verdade isso não significa combater a religião, mas ensinar ao homem que cada um deve respeitar as convicções dos outros. Assim, o ambiente ritualístico desse Rito não admite nele a imposição de preferências religiosas ou em seu nome fazer proselitismos. Em seus novos rituais os maçons eram incitados à busca da verdade pelo uso da razão e da ciência e seus juramentos ou compromissos já não exigiam submissão ao Rei e a Igreja, apenas o comprometimento com os novos ideais, com os costumes estabelecidos e com o segredo.
      Apesar de suas muitas instruções moralistas, a Maçonaria é marcada por uma ausência total dos conceitos de pecado e arrependimento (nem possui tais palavras em seus dicionários). Penso que não confundamos o cerimonial em loja do ritual com a religião.
      Se fosse uma religião, os “irmãos obreiros” deveriam pertencer a uma única fé universal, e o conteúdo das preces nos diversos rituais e graus deveriam ser suprimidos, pois essas se assemelhariam a atos religiosos. Não existe a invocação do “divino”.
      Não existem(ou não deveriam existir) cultos de louvor, adoração ao Senhor (genérico), orações, súplicas pela graça divina, romaria, bem como sacramentos de batismo, de casamento, etc. Também não é seita.
      A Maçonaria é tolerante a todas as religiões e faz da sua liberdade de pensamento o seu conhecimento e fundamento. Em todas as reuniões passa um saco preto, a que chamam “tronco da viúva”, onde podem colocar ou retirar dinheiro, caso algum precise.
      Concluo que a Maçonaria deve estar acima das religiões. O culto que o G.A.D.U. solicita é o do coração, e esse, quando sincero, é sempre uniforme.
      Que vaidade louca pensar que um Grande Arquiteto (afinal de contas, existem tantos deuses, com tantos diferentes nomes e tantas diferentes qualidades) tanto se preocupa com a forma dos hábitos dos obreiros, com a ordem de suas palavras, com os seus gestos no altar e todas as suas genuflexões!

      Tríplice e Fraternal Abraço de um Ir.: Adormecido.

  3. Saudações meu Ir.:
    Estou preparando um trabalho do grau aprendiz, e estou procurando o poque o solo do templo maçônico é sagrado, conforme o manual do GOB, sobre oferendas! Talvez o Irmão poderia me direcionar.
    TFA

  4. Muito bom trabalho. Minha consulta originou-se pela necessidade de entender como é utilizada a Biblia ao lado de outros livros sagrados, no Brasil, como por exemplo o Torah, ou outro, quando da iniciação de um candidato a Aprendiz que professa outra religião que não a católica, como por exemplo a religião muçulmana. Eu, particularmente, gostaria de receber mais esclarecimentos da ” BIBLIOT3CA” sobre este assunto que é considerado polêmico por alguns, inclusive maçons, sob o pretexto de que o Brasil, segundo a Constituição, é um País laico, isto é, sem predominância religiosa. Ficarei muito feliz se utilizarem meu email para resposta a esta questão. Muito obrigado.

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