REVISTA BIBLIOT3CA

Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

A Atuação e Influência da Maçonaria na Política Mundial

 

Antônia Edilânia Alves Farias *

RESUMO

O presente estudo abordará o papel das Organizações Não Governamentais à luz das Organizações Secretas na história da Política Mundial, demonstrando a fundamental importância que estas exerceram ao se inserirem nos Movimentos Revolucionários em âmbito Nacional e Internacional, durante o processo de formação dos Estados. Em especial, será estudado o caso brasileiro, tendo como ponto de partida a atuação da Sociedade Maçônica. No Brasil, a Maçonaria – hoje é conhecida mundialmente – aparece como uma das mais importantes instituições de apoio às independências dos Estados da Federação.

Esta pesquisa se propõe a identificar como se deu este processo de natureza histórica, aprofundando-se, para tanto, na formação da Sociedade Maçônica, seu condicionamento na política mundial ao longo dos séculos XVII e XVIII até os dias atuais, e seu comportamento dentro da sociedade como uma Organização Não-Governamental.

ABSTRACT

The present study will deal with the part of the non-governmental organizations, reflected by the secret organizations in worldwide politics history, demonstrating the fundamental importance fulfilled by these organizations in inserting themselves in revolutionary movements, on national and international scope during the process of formation of the States. Specially in the Brazilian case, having as a starting point the Masonic society performance. Freemasonry, which is currently known all over the world, appears as one of the most important support institutions to the independency of the federation States.

This research proposal is to identify how this process of historical nature happened, going deeper into the formation of the Masonic Society and its conditioning in worldwide politics along the 17th and 18th centuries until nowadays, and its behavior inside the society as a non-governmental organization.

INTRODUÇÃO

Este Trabalho tem como objetivo apresentar, como se deu a atuação e influência da Maçonaria no Brasil como também na Política Mundial. Serão abordados seus antecedentes históricos, e sua contribuição no processo da independência brasileira e no desenvolvimento político, econômico do país.

VIOTTI e KAUPPI[1], autores do mais famoso livro de introdução ao estudo das Relações Internacionais, a saber, International Relations Theory, publicado pela primeira vez em 1993, sustentam que a imagem pluralista das relações internacionais é baseada, dentre outras, na premissa segundo a qual os atores não-estatais são importantes entidades na política mundial. O presente estudo, parte da suposição de que as Organizações Não governamentais Internacionais – e, especialmente, a Maçonaria – é um desses atores não-estatais sob atenção da imagem pluralista. Historicamente, mostra-se inquestionável a importância exercida pela Maçonaria nos processos conduzidos no âmbito doméstico de vários países, inclusive do Brasil. Nesse sentido, o presente estudo investiga o papel desempenhado pela Maçonaria no cenário internacional, em diversos períodos da História, com o objetivo precípuo de verificar a relevância das atividades e ações dessa Organização no curso dos eventos internacionais.

Desde o século XVIII, as Organizações Internacionais adquiriram uma importância insuspeita. Após a Segunda Guerra Mundial, a superabundância das Organizações Não-Governamentais nos contextos políticos e econômicos internacionais compreende uma prova evidente da participação desse tipo específico de ator internacional nos acontecimentos contemporâneos mais proeminentes no contexto das Relações Internacionais. Assim, essas Organizações Não-Governamentais de naturezas diversas surgem no cenário internacional com interesses próprios, invariavelmente díspares dos interesses estatais, ao passo que se envolvem em inúmeros processos políticos, econômicos, militares, técnicos, religiosos, etc., os quais têm tido inquestionável relevância para as relações internacionais. Dentre esses processos que contaram com a participação de determinadas Organizações Não-Governamentais como a própria Maçonaria destacam-se, a título ilustrativo, os processos de independência de vários Estados. Assim, este Trabalho tem como objetivo apresentar não somente a atuação e influência da Maçonaria no Brasil, como também na Europa e em diversos processos ocorridos na política mundial moderna e contemporânea.

Inicialmente, importante se faz compreender o fenômeno das Organizações Internacionais, das quais a Maçonaria é um exemplo, ainda que raramente reconhecido por vários especialistas da própria disciplina das Relações Internacionais. Segundo Immanuel WALLERSTEIN[2], as Organizações Internacionais podem ser classificadas em três grandes grupos. O primeiro grupo abrange as Organizações Intergovernamentais, também reconhecidas pelo acrograma “OIGs”. A ONU, (Organização das Nações Unidas) OEA, (Organização dos Estados Americanos) a OTAN, o MERCOSUL e a UE (União Europeia) são exemplos desse primeiro grupo. Já o segundo grupo, qual seja, o das empresas multinacionais (EMs) refere-se às Organizações privadas com finalidades lucrativas que operam internacionalmente. A americana General Motors, a japonesa Mitsubishi e o consórcio europeu Airbus são bons exemplos dessa segunda categoria. Por fim, o terceiro grupo compreende as Organizações Não-Governamentais Internacionais, chamadas ONGs. É no âmbito deste terceiro grupo que residem as sociedades pseudo-secretas como a Maçonaria. Anthony Judge enumera pelo menos 30 diferentes modalidades de ONGs internacionais, dentre as quais se observa as sociedades e grupos secretos com atuação transnacional. Trata-se do grupo mais numeroso, apesar de menos conhecido, tanto do público quanto da Academia, com exceção das grandes organizações humanitárias, como a CARE, Médicos Sem Fronteiras e Oxfam, bem como a ambientalista Greenpeace.

Contudo, o termo Organizações Não Governamentais – em inglês, “NGO”, teve sua origem oficialmente no âmbito das Nações Unidas (ONU), em 1968, por meio da Resolução 1296 do Conselho Econômico e Social (ECOSOC). O termo reconhece os seguintes sinônimos: organizações da sociedade civil, organizações do terceiro setor (do inglês “Third Sector”) ou organizações do setor sem fins lucrativos (“Nonprofit Sector”).

As Organizações Não-Governamentais se definem como grupos sociais organizados, grupos sociais em defesa dos interesses públicos e organizações e iniciativas privadas dirigidas à produção de bens e serviços públicos.

O entendimento das Organizações Não-Governamentais pode ser facilitado pelo acesso, a pelo menos quatro amplas definições. De acordo com os “funcionalistas”, tais organizações compreendem qualquer estrutura organizacional social e constituída para suprir determinada necessidade pública não satisfeita pelo Estado. Segundo JUDGE[3], o termo se refere a toda organização não operante ou vinculada a nenhuma instância de governo, em qualquer nível. Para FERNANDES[4], tais organizações abarcam as instituições privadas com fins públicos. Para os advogados do Direito Internacional Público, uma ONG representa tão somente uma organização internacional que não foi estabelecida por acordos governamentais e, por conseguinte, não detém personalidade jurídica internacional.

A presente monografia compõe-se de quatro partes. A primeira trata dos antecedentes históricos e origem da Maçonaria, bem como da relação dessa instituição com a Santa Sé. A segunda parte busca investigar sua formação e consolidação no Brasil e sua contribuição no processo de desenvolvimento político e econômico do país. A terceira parte analisa o Quadro Maçônico Internacional, em especial, a afirmação e atuação da Sociedade Maçônica na política mundial. E a última parte traz a Prospectiva Maçônica Nacional e Internacional.

I

ANTECEDENTES HISTÓRICOS

  • A Origem da Maçonaria (Movimentos maçônicos desde os templários)

Como em toda a ciência, que encontra dificuldades em qualquer que seja os seus setores, a história da Maçonaria, como nos diz FINDEL[5], a assim como a história do mundo, tem sua base na tradição.

Entretanto, o que se percebe em relação à Maçonaria é que o estudo de seus antecedentes e da história da Organização em si é bastante complexo, devido às controvertidas versões que têm apresentado os historiadores. Nota-se que o aspecto sigiloso da Sociedade Maçônica é, de fato, muito forte, o que acaba por tornar superficiais os conhecimentos históricos disponíveis. Além disso, outro agravante é o fato de que os pesquisadores que se aprofundam na complexa história da Maçonaria estão divididos em campos de pesquisa opostos e divergem bastante entre si.

FINDEL[6] define a Maçonaria como “uma associação que reúne numa mesma família todos os homens de boa vontade, sob a bandeira da igualdade e da amizade fraterna, e que lhes propõe como finalidade o exercício da influência moral sobre o resto do mundo”. Segundo CAUBET[7], a Maçonaria “é uma instituição filantrópica e progressista, cujo fim é realizar a justiça no mundo”. Alguns autores cristãos a definem como uma sociedade secreta que adota diversas simbologias e princípios que vão contra as escrituras sagradas, e ainda alertam que tal associação maquina contra a Igreja e contra os poderes civis. Para outros, é uma máfia que alimenta perigosos projetos políticos e que não passa de uma cooperativa, uma sociedade de socorros mútuos.

CAMINO traz o seguinte:

“A história da Maçonaria não é uma história do homem, mas sim, as histórias daqueles que se preocuparam com a valorização do homem, dentro de uma sociedade; não valorização econômica; não valorização técnica; não valorização religiosa, mas a valorização natural do homem, para que ele possa, descobrindo as suas potencialidades, realizar-se e ser feliz” [8].

A definição mais aceita e divulgada na Maçonaria é a de que:

“A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Suas finalidades supremas são: Liberdade, Igualdade, Fraternidade”[9].

Para melhor entender a história da Maçonaria como universal, pode-se dividir para efeito meramente didático em três fases a saber: Primitiva, que se perde em sua história com fatos e lendas; Operativa, do período corporativo até a fundação da grande loja da Inglaterra em 1717; e Especulativa ou Moderna, de 1717 até os nossos dias.

Das três fases, a Primitiva é a de mais difícil elucidação, porque é a com maior divergência nas pesquisas feitas por diferentes historiadores. Segundo Linhares[10], “a história alude à antiga Pérsia. Caldeus e Hebreus estabeleceram uma associação mística – a instituição dos magos, com o duplo fim de formar um corpo religioso e conservar as tradições intelectuais através de uma ciência secreta”. Uma concepção bem usual entre os autores maçons refere-se aos Essênios, que se instalaram na palestina durante o século XII a.C, quando surgiram os gnósticos, uma ideologia, mesclada de elementos egípcios, gregos, persas babilônicos e judaicos, procurando revelar os sentidos esotéricos.

Outra associação que nesse período traz, é a lenda de Hiram, que condiciona a sua beleza com o templo de Salomão. Se a Maçonaria não nasceu das civilizações remotas e antigas, por que a sua simbologia está relacionada com as civilizações do passado? Nos monumentos Incas e Astecas e nas pirâmides do Egito, por exemplo, várias pinturas encontradas nas paredes continham sinais e símbolos maçônicos.

  • A Organização Maçônica através dos tempos

A primeira associação organizada, os Collegia Fabrorum[11] formados por construtores e operários que ensinavam as artes aos bretões surgiu no Império Romano, no século VI a.C. Os collegia acompanhavam as legiões de romanos para reconstruir as destruições causadas pelas guerras. Essa associação era dotada de um forte caráter religioso e cultuava as divindades. Inicialmente politeísta, tornou-se monoteísta com a expansão do cristianismo. Em 476 d.C, o Império Romano do Ocidente caiu e os pequenos grupos de associações ainda persistiram até o século X.

Durante o século X, época em que as confrarias leigas recebiam forte influência do clero, com o qual haviam aprendido a arte de construir, foi organizada a Convenção de York, considerada a primeira reunião de operários e construtores, com o objetivo de reparar os prejuízos que as associações haviam tido com as constantes guerras e invasões.

Essa convenção foi liderada por Edwin, filho do rei anglo-saxão Athelstan, eleito Grão Mestre, ao fundar a primeira Grande Loja[12]. Na ocasião, realizou-se a primeira assembleia maçônica, na qual foi apresentada para apreciação e aprovação, uma Carta Constitutiva, que deveria servir como lei suprema da confraria e como base para todas as reuniões seguintes. Tal carta é hoje conhecida como Carta de York.

No século XII, surgem os ofícios franco-maçons ou franco-maçonaria, formados por artesãos privilegiados, com liberdade de locomoção e isentos de impostos. CASTELLANI[13] os define como “uma organização de construtores categorizados, diferentes dos operários servos, que ficavam presos a uma mesma região e a um mesmo feudo,” sendo a palavra francesa “maçon” correspondente a pedreiro, os franco-maçons – para os franceses – e os “free masons” – para os ingleses – eram, então, em ambas concepções, pedreiros-livres, termo referente àqueles que estavam livres dos serviços senhoriais.

Em 1118, foi fundada por Hugo de Payo e outros companheiros a mais célebre das ordens militares que surgiram na Terra Santa, a Ordem dos Cavaleiros Templários, chamada, no princípio, Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão. A Ordem tinha por finalidade formar uma guarda para proteger os peregrinos que se dirigiam à cidade de Jerusalém. Seus estatutos foram elaborados por São Bernardo de Claraval, e mencionavam “O Templo”, como símbolo principal da Ordem e de seus Cavaleiros, padrão das obras perfeitas dedicadas a Deus. A lenda da Ordem refere-se a nove fundadores que encontraram nas fundações do Templo de Salomão, um cofre, contendo um manuscrito que relatava o procedimento feito pelo Rei Salomão para realizar a grande obra alquímica.

A Ordem dos Templários era constituída por: Cavaleiros (frates milites), que deveriam ser nobres; capelães (frates capellani); escudeiros, sargentos e soldados (frates servientes); e criados e artífices (servientes famult et offici). O Grão Mestre era escolhido por eleição. A bula Omme Datum Optimum, do papa Alexandre III, de 15 de junho de 1163, deu aos templários lugar privilegiado na Igreja, além das terras e castelos que os reis lhes ofertavam. No oriente, os templários formavam a vanguarda dos exércitos cristãos, que eram como heróis. Com o passar do tempo, eles foram acumulando riquezas e bens, tornando-se ricos, financiando até reis e papas na época. A Ordem, segundo os historiadores, era a maior potência financeira da Europa. Com o acúmulo de riqueza e tesouro, a Ordem atiçou a cobiça do rei francês Felipe IV. Em 1307, o rei fez prender o seu Grão Mestre Jacques de Molay, que foi submetido a interrogatórios e executado e queimado vivo em Paris, em 1314, na ilha dos judeus, com a conivência do Papa Clemente V.

Muitos dos historiadores maçônicos rejeitam a ascendência dos templários na Maçonaria. A relação mais próxima da Ordem dos Cavaleiros dos Templários com a 9 Maçonaria teria sido a atuação dos Compagnonnage, criados pelos templários entre os séculos XIV e XV. Os membros dessa Organização haviam adquirido métodos de trabalho herdados da antiguidade, constituídos durante as cruzadas e construíram, por toda a Europa, pontes santuários e catedrais, entre vários monumentos.

No início do século XVI, eclodem na Inglaterra perseguições contra as organizações, principalmente, por parte do clero que, diante da evolução social da Europa, estava em declínio. Nesse período, o rei da França, Francisco I, revoga todos os privilégios que havia concedido aos franco-maçons. Em 1549, foi cassada a autorização de livre exercício das profissões, por ordem de Londres, deixando os maçons na condição de operários ordinários. Em 1558, ao assumir o trono a rainha da Inglaterra, Elisabeth I, renova a ordenação de 1425, que proibia qualquer tipo de assembleia ilegal sob pena de ser considerada rebelião. No final desse século, Inigo Jones introduz, na Inglaterra, um novo estilo de arquitetura renascentista, desconsiderando o estilo gótico das Franco-Maçonarias. Ao perder o seu objetivo inicial, a Franco-Maçonaria tornou-se uma sociedade de socorros e auxílio mútuos, e acabou permitindo a entrada de homens que dominavam a arte de construir, que passaram a ser chamados de maçons aceitos.

Os séculos XVI e XVII terminaram com uma grande devasta na Europa, devido a guerras civis e religiosas, onde os católicos, puritanos e protestantes se digladiam entre si. Em 1688, o Rei Jaime II se exila em Saint-Germain, em Layle, e funda uma Loja maçônica.

Foi quando os franco-maçons recuperaram seu antigo prestígio, a partir do incêndio ocorrido em setembro de 1666, em Londres, que destruiu mais de quarenta mil casas e, aproximadamente, oitenta igrejas. Nessa ocasião, os maçons participaram da reconstrução, sob a direção do mestre maçom e arquiteto Christopher Wren. Sua principal obra foi a reconstrução da Catedral de São Paulo (Londres). A reconstrução de Londres, segundo vários autores, só iria terminar em 1710.

  • A Organização na Fase Moderna

O período especulativo foi marcado por grandes transformações sociais ocorridas na Europa. CASTELLANI, salienta:

“A transformação lenta da Maçonaria dos aceitos iria provocar uma real revolução nas corporações, estabelecendo o seu caráter social, moral e político, pouco tempo depois da Renascença, que assimilou a transição entre a Idade Média e a Moderna e que marcou a retomada dos estudos artísticos e literários da antiguidade clássica e o enfraquecimento do poder papal e temporal, com o fim do feudalismo e os primórdios do capitalismo e da concretização das nacionalidades”[14].

Até meados do século XVIII, não existiam templos maçônicos – o primeiro foi inaugurado em 1776. Dessa forma, os maçons se reuniam em diversos lugares da Inglaterra. As lojas ou confrarias passaram a receber homens ilustres para ser aceitos na Fraternidade. Dentre eles, estão: Sir Robert Moray, Tenente-General do Exército da Escócia, recebido maçom na Loja de Saint-Marys Chapell, em maio de 1641; Elias Ashmole, membro da Royal Society, aceito em outubro de 1646, em Warrington, no Lancashire; e James Anderson, presbítero londrino, diplomado em filosofia, entre outros nomes ilustres.

Em 1717, haviam apenas quatro lojas: a da Cervejaria do Ganso e Grelha, a da Coroa; a Taberna da Macieira; e a Taberna da Taça e das Uvas. Em junho desse ano elas foram convocadas para uma reunião, em Londres, com a finalidade de traçar planos referentes à estrutura da Maçonaria. Na ocasião, foi criada a The Premier Grand Lodge (Grande Loja de Londres), marco inicial da Maçonaria moderna, implantando um sistema obediencial e com Lojas subordinadas a um poder central. Assim, ocorreu uma verdadeira revolução na estrutura maçônica tradicional, devido à ideia de Maçom Livre na Loja Livre, que traziam consigo desde os princípios.

Os historiadores traçam esse acontecimento como um marco referencial na divisão, entre a antiga e a moderna Maçonaria, ou entre a operativa e a dos aceitos, ou a especulativa. A ordem dos maçons livres e aceitos era uma sociedade parcialmente secreta (embora não o admitam), aberta aos homens de todas as religiões. Vale lembrar, entretanto, que não eram aceitos ateus nem mulheres. Alguns autores fazem referência à ordem, em 1717, destacando-a como o início de uma nova época. Como citado por JACQ:

“O antigo mundo maçônico desaparece, a nova Maçonaria se expande e se afirma. Expansão e afirmação de tal vigor precedentes que um bom número de historiadores, maçons ou não, apagarão os séculos precedentes, fazendo principiar a história da Ordem no ano de 1717”[15].

Em 1718, a Grande Loja da Inglaterra – sob a direção do Grão Mestre George Paune – reconheceu a importância da questão histórica da Organização maçônica e ordenou que fossem trazidos à Instituição todos os documentos concernentes à Organização e seus membros, a fim de averiguar os costumes e ensinamentos dos tempos anteriores. Como a Maçonaria integrava costumes e normas escritas em livros de Lojas, cuja diversidade originava-se por vezes em contradições, viu-se a necessidade de compilar todos esses documentos, para que se ordenasse uma linha coerente e clara, unificando de forma lógica a doutrina maçônica e seus procedimentos. Em 1721, é eleito o duque de Montagu (que veio a ser reeleito em 1722), que se preocupou com a essência dos ensinamentos anteriores da Organização. Montagu nomeou James Anderson para traçar e dirigir um novo plano à luz das constituições anteriores que as resumisse em uma nova constituição, levando em conta, também, a mudança substancial que havia na Ordem. Alguns autores afirmam que foi constituída uma comissão de quatorze homens sábios, designada pelo Grão Mestre, para examinar e avaliar a nova constituição. Depois da comissão ter feito algumas correções de acordo com as tradições antigas, a Constituição foi aprovada e publicada em 1723.

A Constituição de 1723 – ou Constituição de Anderson, como é mais conhecida – é uma espécie de Carta Magna da Moderna Maçonaria Universal para o público maçônico. Ela é reconhecida como legítima por todas as Potências maçônicas e suas Lojas afiliadas, como suporte doutrinário a ser seguido pelos maçons de todo o mundo. Ela contém seis partes, a saber: 1ª – uma dedicatória a Theophile Desaguliers (alguns sustentam que ele foi o grande intermediador que ajudou James Anderson); 2ª parte – uma breve história da Franco Maçonaria, segundo as tradições antigas; 3ª parte-Os Artigos e Deveres; 4ª parte – as Antigas Obrigações ou Regulamentos Gerais de 1721; 5ª parte – Aprovação do Livro; e 6ª parte – Os quatro cantos maçônicos: hino ao Mestre, dos vigilantes, dos companheiros e dos aprendizes.

Assim como afirma o respeitado historiador da Maçonaria, NICOLA[16], “aquela pequena obediência que se constituiu em 1717, sob a autoridade da Grande Loja de Londres, cresceu e multiplicou-se vertiginosamente.” As quatro Lojas que tinham se constituído naquele ano, já eram dezesseis, em 1721; subindo para trinta, em 1723, ao passo que a Maçonaria se estendia pelo continente europeu e pela América. Em 1725, a Grande Loja da Inglaterra tinha sob sua jurisdição sessenta e quatro Lojas e, em 1732, esse número cresceu para cento e duas.

  • A Relação da Igreja com a Maçonaria

Os historiadores e pesquisadores têm estudado, à luz da doutrina da Igreja Católica, a questão maçônica e seu estado atual.

O presente trabalho não pretende desvendar os segredos dessa Instituição, mas entender a relação entre a Maçonaria e a Igreja Católica. Sabe-se que desde o século XVII, a Maçonaria e a Igreja travam, embora discretamente, uma guerra. Para SHIAPPOLI[17],“o delito da Maçonaria baseava-se sobe a infração da diretriz religiosa Católica, e por isso ser considerado base da constituição dos estados católicos, o delito eclesiástico automaticamente passava a ser concebido e castigado como delito político”.

BENIMELI[18] denuncia a perseguição contra a Maçonaria a partir do século XVIII uma vez que alguns estados católicos ou protestantes proibiram o funcionamento da Organização por motivos puramente políticos. Além dessa proibição, Clemente XII e Bento XIV acrescentaram uma condenação espiritual.

O interessante é que não foram os papas os primeiros a condenarem a Maçonaria. A polícia, na França, fechou algumas Lojas maçônicas e o Primeiro Ministro de Luis XV proibiu qualquer reunião secreta e, especialmente, a formação de quaisquer associações sob suspeitas ligadas a franco-maçons.

A Maçonaria foi condenada por muitos Papas em suas Encíclicas, começando por Clemente XII, em 1738, em In eminenti, primeiro documento oficial de combate à Ordem. A partir de então, vários documentos vieram a ser divulgados fazendo referência à condenação de Clemente XII. BENIMELI[19] sintetiza que “há, enfim, o famoso motivo secreto: por outros justos e razoáveis motivos por nós conhecidos”, chamando atenção para o fato de Clemente XII ter condenado a Maçonaria, por causa do segredo do qual se cerca.

Após treze anos da primeira condenação, em maio de 1751, Bento XIV confirmou o texto da constituição anterior de Clemente XII e condenou novamente a Maçonaria, por meio da constituinte Providas [20], na qual contém seis razões para tanto:

  • Nas sociedades e assembleias secretas estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente resultar um grande perigo para a pureza da religião católica;
  • A obrigação escrita do segredo indevassável, pelo qual se oculta tudo que se passa nas assembleias secretas;
  • O juramento pelo qual se comprometem a guardar inviolável segredo, como se fosse permitido a qualquer um apoiar-se numa promessa ou juramento, com o fito de furtar-se a prestar declarações ao legítimo poder que se investiga em tais assembleias secretas se maquina algo contra o Estado, contra a Religião e contra as Leis;
  • As sociedades são reconhecidamente contrárias às sanções civis e canônicas;
  • Em muitos países, as ditas sociedades e agremiações foram proscritas e eliminadas por leis de príncipes seculares;
  • As tais sociedades e agremiações são reprovadas por homens prudentes e honestos.

Conforme conclui BENIMELI[21], essa trajetória da perseguição contra a Maçonaria no século XVII pode ser assim resumida: alguns estados, católicos ou protestantes, proibiram a Organização por motivos puramente políticos; Clemente XII e Bento XIV acrescentaram uma condenação espiritual baseada, em grande parte também – ainda que não exclusivamente – nas mesmas razões políticas de segurança do Estado; os estados católicos, impelidos pelas Bulas e pelos desejos dos Papas, perseguem o delito eclesiástico e castigam como se fossem de natureza política.

Em toda a história da Maçonaria, o papado de Pio IX, o mais longo pontificado da história da Igreja, foi um dos períodos de maior número de documentos contra a Organização[22]. Ao todo, foram emitidos mais de cem documentos. Alguns pesquisadores alegam que, quando mais jovem, Pio IX filiou-se a uma Loja maçônica, mas as provas não são suficientes para comprovar. Ao longo de seu papado, publicou um vasto número de documentos que condenam as sociedades secretas. Entre eles estão:

  • A encíclica Qui Pliribus, de 9 de novembro de 1846;
  • A alocução Quibus Quatisque, de 20 de abril de 1848;
  • A encíclica Noscitis et Nobscum, de 1849;
  • A alocução singulari Quadamisque, de 1854;
  • A alocução Máxima Quidem Laetitia, de 1862;
  • A encíclica Quanta Cura, de 8 de dezembro de 1964 e o “Syllabus”;
  • A encíclica Quanto Coficiamar, de 1865;
  • A alocução A encíclica Multiplices Inter Machinationes, de 25 de setembro de 1865;
  • A constituição Apostolicae Sedis, de 12 de outubro de 1869;
  • A encíclica Est Multa Lutuosa, de 1873 A carta Exortae In Esta Dictione, de 29 de abril de 1876.

Sucessor de Pio IX, Leão XIII, concordando com seus antecessores, emitiu a Encíclica Humanus Genus, em abril de 1884, considerada por vários escritores como a mais longa encíclica, editada contra a Maçonaria. Segundo GOMES[23], nos anos de 1849, 1864, 1865, 1869, 1873 e 1973, os Papas Pio IX e Leão XIII produziriam, respectivamente, 350 e 600 documentos contra a Maçonaria e a Carbonária.

Em 1963, a Igreja deu sinais de que estaria mais aberta para a Maçonaria, com as iniciativas modernizadoras do Papa João Paulo XXIII, quando ele pediu desculpas a judeus e maçons, por meio do documento Santa Autocrítica. No entanto, a posição de opositora à Maçonaria foi reafirmada por João Paulo II em 1980.

O jornal oficial do Vaticano, o L’Osservatore Romano, publicou em novembro de 1983 uma árdua declaração sobre as associações maçônicas: “(…) permanecer, portanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois, os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas (…)” [24].

Para alguns autores maçons, um dos inimigos da aproximação da Igreja Católica Romana com a Maçonaria, a partir dos anos 80, é o episcopado alemão por parte do Cardeal Joseph Ratzinger, que chefiava a Santa Congregação para a Doutrina (versão moderna da Santa Inquisição). Na época, Ratzinger era o principal assessor de João Paulo II, tornando-se seu sucessor após sua morte em abril deste ano [25].

Passados séculos de oposição da Igreja contra a Maçonaria, até nossos dias, há ainda quem pense, principalmente, entre os católicos e protestantes, que essa instituição é uma religião diabólica. Até mesmo no meio acadêmico, a Maçonaria ainda é considerada suspeita.

Apesar da pena de excomunhão aos católicos filiados à Maçonaria ter sido retirada em 1983, com a promulgação do novo Código de Direito Canônico, ainda hoje resta o que é mais grave para a Igreja: a filiação de um católico à Maçonaria é considerada um pecado ou falta de consciência.

O antimaçonismo de hoje, como esclarece TEIXEIRA[26], é um aspecto particular de um fenômeno muito amplo conhecido como fundamentalismo, que na realidade é uma tendência, hoje, encontrada em praticamente todas as grandes religiões: no Islão, no Judaísmo, no Budismo e, evidentemente, no Cristianismo, principalmente, em certas correntes conservadoras e antiliberais do Protestantismo Norte-americano.

O conflito entre a Igreja e a Maçonaria, no Brasil, vem de muitos anos.

GUEIROS[27] mostra que o conflito, no Brasil, teve início em 1866, com a questão dos cemitérios públicos. Quando os cemitérios eram administrados pela Igreja, protestantes e maçons eram julgados indignos de compartilhar as mesmas graças. Os sepultamentos nos cemitérios eram somente feitos aos católicos e a Igreja se negava a conceder o sepultamento dos corpos que não pertenciam à Igreja. Mais tarde, o Conselho de Estado daquela época estipulou que os cemitérios públicos fossem franqueados a pessoas de todas as confissões religiosas, conquista atribuída ao importante papel desempenhado pela Maçonaria na luta a favor da questão.

  • A Maçonaria hoje: definições e contextualização

O nome Maçom é de origem francesa e significa pedreiro, em referência aos pedreiros que surgiram na Idade Média, na época das grandes construções de pedras como mesquitas, catedrais e castelos. A Maçonaria é hoje uma das mais importantes Organizações conhecidas mundialmente, denominando-se como uma instituição universal, reservada, parcialmente secreta, de princípios filosóficos baseados na crença de um ser supremo: DEUS – o Grande Arquiteto do Universo.

De acordo com os historiadores maçons, as Lojas maçônicas, incluindo as latinas, tiveram origem nas associações medievais dos pedreiros que construíam as catedrais. Esses pedreiros mantinham em segredo certos conhecimentos profissionais, nascendo, assim, a crença nos “segredos maçônicos”, que já a partir do século XVIII existiam apenas de maneira simbólica. Alguns de seus símbolos (martelo, colherão, avental, etc.) ainda lembram a origem profissional da Maçonaria, assim como a designação de Deus como Supremo Arquiteto do Universo. Os pedreiros medievais não se submetiam à autoridade dos bispos, e desse fato deriva a designação “pedreiros-livres” que se aplica aos membros da Maçonaria.

Nos meios de comunicação, a Maçonaria divulga ser uma “Instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista”. Admite ser filosófica, porque em atos cerimoniais tratam da essência, prioridades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e ética pura. É filantrópica, porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura a felicidade dos homens, por meio da elevação espiritual e pela tranquilidade da consciência. Progressista porque, partindo do princípio da imortalidade e crença em um princípio criador, regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições, e não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca, senão o da razão com base na ciência.

A Maçonaria tem como princípio, a liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles representados por instituições, raças ou nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, a raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos filhos do mesmo criador e, portanto, nações fraternas. Seu lema é Ciência – Justiça – Trabalho. Ciência para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça para equilibrar e enaltecer as relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente.

A Maçonaria objetiva a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes. Para a Organização, a moral é uma ciência com base no entendimento humano.

Entende por virtude, a força de fazer o bem em sentido mais amplo, que é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a família, sem interesse pessoal. Ainda admite não ser uma religião, mas sim, religiosa. Não é religião porque é uma sociedade que tem por objetivos unir os homens entre si, união recíproca no sentido mais amplo e elevado do termo, que admite em seu seio pessoas de quase todos os credos religiosos. É religiosa porque conhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá o nome de Grande Arquiteto do Universo e justifica ser uma entidade espiritualista em contraposição ao predomínio do materialismo [28]. Ver significado Grande Arquiteto do Universo, no dicionário de termos maçônicos nos anexos.

A Maçonaria não se considera como uma sociedade secreta, pelo fato de que sua existência é amplamente conhecida e que as autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Alega que os seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias e livros de história. O único segredo que se conhece apenas por meio do ingresso na Instituição é o dos meios para reconhecer os maçons entre si em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os seus ensinamentos neles contidos.

O Ingresso na Organização se dá por convite de um maçom, sendo que tal candidato fica condicionado a alguns requisitos de ordem pessoal, social, moral e religiosa do proposto. A aprovação na Organização somente é aceita após realização de dados coletados sobre a vida do candidato. Caso aprovado, ele deve estar ciente de que irá submeter-se a várias fases de iniciação, segundo a ritualística de cada loja na qual será recebido.

A Maçonaria tem uma simbologia e ritualística que envolve juramento sigiloso, que é seguido de várias fontes, desde os seus princípios, tais como ordem religiosa antiga, irmandade de cavaleiros, corporações de ofícios e escolas filosóficas.

No início da Idade Média, os membros da Maçonaria possuíam faixa etária média de 50 anos e nível médio de escolaridade. Analfabetos não são admitidos e nunca foram, devido a regulamentos antigos que proíbem a entrada desses indivíduos, além de mulheres e cegos.

Hoje, existe uma grande proliferação de profissões e de profissionais liberais dentro da Organização. Não só no Brasil, mas em todo o mundo, há um acentuado número de maçons influentes nos meios mais diversos possíveis, tais como advogados, juízes, jornalistas, militares, políticos ilustres e até mesmo artistas.

Os dez países com maior número de Lojas maçônicas (filiadas às Grandes Lojas) são:

PAISES LOJAS
1. Estados Unidos 12.441
2. Inglaterra 8.661
3. Brasil 2.044
4. Austrália 1.730
5. Canadá 1.225
6. Escócia 1.156
7. França 1.152
8. Itália 559
9. México 508
10. Cuba 314

Fonte Boletim da Secretaria da GLMRS, em maio de 2001.[29].

Nos Estados Unidos, o maior país em Lojas maçônicas filiadas, o local com o maior número de lojas é Nova Iorque. Calcula-se que nos Estados Unidos o número de filiados maçons é de 144.682. No Brasil, estima-se que eles sejam mais de 200.000 (duzentos mil).

Todas estas Lojas são filiadas a entidades de instâncias superiores. As Potências Maçônicas convivem sob tratado de união, recíproca amizade e fraternal convivência. Ver anexos.

A Organização maçônica é, sem dúvida, uma das Instituições mais presentes em todo o mundo, não pelo que prega, mas pelo seu sectarismo e discrição. A Maçonaria está presente em diversos países espalhados nos cinco continentes, conforme mostra o quadro abaixo:

Continente Nr. De Países Populações em Milhões Presença Maçônica Nr. de lojas Nr. de Maçons Reconhecidas pelo GOB (grande Oriente do Brasil)
África 53 849,470 5 135 4.130 12
América 36 867,148 23 19.528 2.040.943 23
Ásia 43 3.912,278 6 768 35.215 7
Europa 48 815,307 23 14.155 505.503 24
Oceania 14 31.804 2 1.874 153.858 3
TOTAL 194 6.476,007 59 36.400 2.739,649 69

Fonte “List of Lodges Masonic”, 2003.[30]

O livro “List of Lodges Masonic”, editado pelo Grande Oriente do Brasil, traz informações importantes que foram baseadas em relatos prestados por essas Potências reconhecidas pela Grande Loja da Inglaterra. Vale ressaltar que existem várias Lojas espalhadas no mundo inteiro que, até o presente momento, ainda não foram reconhecidas por razões de alguns tratados de reconhecimento. De acordo com informações atuais, existem, aproximadamente, 2.700.000 (dois milhões e setecentos mil) maçons espalhados em 36.000 (trinta e seis mil) Lojas. Além das Potências reconhecidas pela Grande Loja da Inglaterra, há dez países que ainda não foram reconhecidos e não tiveram seus maçons incluídos na pesquisa. Com esses, o Brasil mantém um Tratado de amizade.

A Maçonaria moderna, que se formou no século XVIII, está presente em todo o globo, com destaque para o continente asiático, onde cresceu nos últimos anos e deve se expandir, cada vez, mais com a abertura econômica e comercial dos países que o compõem. A crescente globalização, principalmente, com o incremento da comunicação virtual, contribuirá para propagar os ideais maçônicos, podendo resultar em uma maior expansão da Maçonaria.

II

A Maçonaria no Brasil e sua Atuação Política

2.1 – Os primeiros Tempos (a formação)

O movimento intelectual do final do século XVII que teve começo simultâneo na Inglaterra e na França no início do século XVIII se estendeu por toda a Europa e as Américas, não teria alcançado seus objetivos se lhe tivesse faltado o agente que junto aos povos vulgarizasse as novas ideias e ideais. Esse agente foi a Maçonaria.

Como já visto, o início de sua estrutura simbólica apresentada neste trabalho foi na Inglaterra, com as Constituições de James Anderson de 1721, conhecidas como as Constituições de Anderson, divulgadas somente em 1723. A partir de então, essa Instituição começou a se espalhar e a propagar na Europa e nas América.

A partir da criação de outras Grandes Lojas, posterior à Grande Loja da Inglaterra, os maçons ficaram divididos em diferentes linhas de concepções políticas. Os franceses assumiram orientação divergente dos ingleses. Ainda que para as duas Maçonarias houvesse um denominador comum, a proscrição do absolutismo, os maçons ingleses defendiam o sistema monárquico parlamentar constitucional, enquanto os maçons franceses defendiam o sistema republicano. Dessa divergência veio a denominação muito comum no campo maçônico: Maçonaria inglesa de Maçonaria Azul e a Maçonaria francesa de Maçonaria vermelha.

Para GOMES[31], “Foi à sombra da bandeira rubra da Maçonaria francesa, ou republicana que chegaram até nós aquelas novas ideias de liberalismo democrático”.

Segundo os mais antigos registros, datam de 1786, com José Alvares Maciel e outros, o surgimento da Maçonaria no Brasil. O autor afirma que são fortes as evidências do surgimento das primeiras Lojas maçônicas no Brasil, antes de 1782, sob a influência do Marquês de Pombal, então Primeiro Ministro de D. José, rei de Portugal. [32]

Conforme nos relata a história, D. Maria, sucessora de D. José, ao assumir o trono, determinou perseguição aos maçons, fazendo desaparecer os arquivos maçônicos daquela época. Dessa forma, os primeiros relatos históricos maçônicos no Brasil, datam de 1786, por intermédio dos estudantes brasileiros que estudavam na Universidade de Coimbra em Portugal.

Existe uma eventual incerteza entre os pesquisadores com relação à primeira Loja maçônica no Brasil, devido às divergências das correntes maçônicas. Onde alguns acreditam que foi em 1797 a “La Preneuse“, existente na Bahia, onde homens ilustres e intelectuais se encontravam sob o comando de Monsieur Larher. Mas, segundo autores, embora a “La preneuse” tenha existido, pesquisas recentes mostram que não existem ainda documentos comprobatórios que a associem à Maçonaria. Outra hipótese, refere-se ao Areópago de Itambé, fundado por ex-frade carmelita, por volta de 1800, nas divisas entre Pernambuco e Paraíba, pois eram comuns, nessa época, os agrupamentos secretos fundados como clubes ou academias tais como o Areópago de Itambé. A não comprovação de que esse grupo não era uma Loja maçônica, é o fato do Padre João Ribeiro, pertencente a ele, ter sido iniciado maçom em Lisboa, Portugal.

Uma das primeiras Lojas documentada e reconhecida no Brasil, foi a “Reunião”, fundada em 1801 no Rio de Janeiro, movida pela liturgia e com fins político-sociais. Após dois anos, o Grande Oriente Lusitano, com finalidade de propagar a verdadeira doutrina maçônica no Brasil, nomeou três delegados com plenos poderes para criar Lojas regulares no Rio de Janeiro. Assim, criaram as Lojas “Constância” e “Filantropia,” filiadas ao Grande Oriente. Juntas com a “Reunião”, formaram um centro comum para todos os maçons existente no Rio de Janeiro.

Após a formação dessas três primeiras Lojas, outras Lojas começam a se espalhar no Brasil nas regiões de Pernambuco, Bahia e no próprio Rio de Janeiro. As Lojas do Rio de Janeiro tiveram que cessar os seus trabalhos devido à perseguição do Governo Conde dos Arcos, inimigo da Maçonaria, sob instrução da Coroa para fechá-las. As Lojas da Bahia e Pernambuco continuaram seus trabalhos.

Em 1815 é fundada no Rio de Janeiro, a Loja Comércio e Artes, independente do Grande Oriente Lusitano, pois, os seus membros pretendiam criar uma obediência brasileira. Era então de consenso entre os maçons da Loja Comércio e Artes em desligar o Brasil de Portugal não só no plano político, como também no âmbito da própria Organização maçônica.

Com a expedição do Alvará de 1818, por D. João, que proibia o funcionamento das sociedades secretas, mais uma vez a Maçonaria teve de fechar os seus trabalhos, até que pudesse ser reabertas sem perigo. Inconformados com a ideia do fechamento da Loja, os maçons criaram então, o “Clube da resistência” que era liderada por José Joaquim Clemente, do grupo de Gonçalves Ledo, cujo objetivo era, então, a independência do Brasil.

Em 1821, a Loja Comércio e Artes reabriu seus trabalhos, embora secretamente, com uma grande repercussão entre os maçons e muitas adesões, gerando uma subdivisão em três Lojas, que fundaram, então, o Grande Oriente em 1822, alegando necessidade em ter uma obediência nacional.

A partir daí a Maçonaria no Brasil, deixa de ser vista como um grupo heterogêneo de Lojas e se transforma em um sistema obediencial sendo reconhecida na Maçonaria mundial. Para GOMES[33], “O absolutismo havia chegado ao apogeu. Em contrapartida, nas Lojas maçônicas sonhava-se com a regeneração dos povos, com o advento de uma sociedade que faria a felicidade da grande família humana, dentro de uma nova ordem política e social”.

2.2 – A Consolidação

A consolidação da Maçonaria se deve à sua presença em importantes acontecimentos da nossa história, participando ativamente da Independência e outros eventos, segundo alguns historiadores, como o Dia do Fico, Revolução Pernambucana, a Proclamação da República e as Questões da Escravatura e Religiosa.

Os historiadores apontam que foi por meio dos ideais da Revolução Francesa, oriundos de caráter republicano, que os maçons brasileiros se inspiram para participar ativamente da Revolução Pernambucana, eclodida em 1817, com o objetivo de criar no Nordeste uma república livre da hegemonia político-econômica do domínio Português.

Esse movimento revolucionário foi realizado sob inspiração de Domingos José Martins, iniciado na Maçonaria em 1812, por meio de Hipólito José da Costa, que fazia do seu jornal o “Correio Braziliense”, principal veículo de informação sobre a análise da situação política e social entre o Brasil e Portugal. CASTELANNI[34], afirma que “na época da revolução, a Maçonaria pernambucana, bastante pujante, contava com Lojas muito prósperas, como a “Restauração”, a Patriotismos, a “Guatimozin”, que seria precursora da Loja “06 de março de 1817”, em homenagem à Revolução, a “Pernambuco do Oriente”, e a “Pernambuco do Ocidente”, que funcionava na casa de Domingos José Martins”. CASTELANNI acredita que foram essas Lojas os principais próceres da Revolução de 06 de março de 1817.

A concretização desse acontecimento foi quando o comandante das armas de Pernambuco, Caetano Pinto, ao saber sobre da conjuntura que preparava as Sociedades Secretas, deliberou a prisão de todos os chefes destas sociedades. Estava declarada a Revolução.

No dia seguinte da Revolução, constitui-se um novo Governo provisório, composto por padres e maçons, entre eles: o Padre João Ribeiro P. de Melo Montenegro; capitães Domingos Teotônio, Jorge Marins Pessoa e João Luiz de Mendonça; coronel Corrêa de Araújo; Domingos José Martins; e, para secretário de Estado, o Padre Miguelinho.

O Grande Oriente teve como o seu Grão-Mestre, José Bonifácio de Andrade e Silva, que era Ministro do Reino e de Estrangeiros, e acabou deixando o cargo para Joaquim Gonçalves Ledo. Na opinião de CASTELANI[35] havia, sem sombra de dúvida, uma luta ideológica entre os grupos de José Bonifácio e de Ledo Enquanto o primeiro defendia a independência dentro de uma união brasílico – lusa-perfeitamente exequível, o segundo, pretendia o rompimento total com a metrópole portuguesa, o que poderia tornar difícil a transição para país independente. O autor acrescenta que “essa luta não era limitada, evidentemente, às paredes das Lojas maçônicas, assumindo caráter público e se estendendo, inclusive, através da imprensa” [36].

As divergências entre Ledo e Bonifácio, viriam a público, com lançamento do “O Revérbero Constitucional Fluminense”, dirigido por Ledo e outro jornalista chamado, Cônego Januário, também maçom. O Revérbero teve uma atuação e influência no movimento emancipador, que refletia o pensamento liberal. Para combater as ideias pregadas por Ledo, José Bonifácio, lança, então, o “Regulador-Brasílico-Luso”, que veio a ser publicado, em 29 de julho de 1822. Segundo historiadores, foi José Bonifácio, o mentor da entrada de D. Pedro na Organização maçônica no Brasil. Por convite de José Bonifácio, D. Pedro teria se iniciado na Maçonaria, segundo os registros na Loja Comércio e Artes em 02 de agosto de 1822 e que o mesmo veio a ser Grão Mestre no mesmo ano.

D’Albuquerque citando Tourinho, “Alma e Corpo da Bahia”, que descreve o seguinte:

“José Bonifácio, Gonçalves Ledo, o Grande Oriente maçônico e os patriotas que reuniram no consistório da Igreja Rosário no Rio de Janeiro, foram as grandes forças que ao final, desdobraram a teoria da Independência. Gerada nos quadros da revolução Francesa, na liberdade das colônias americanas, na Inconfidência Mineira, nas revoluções de Pernambuco e Bahia, teve sua apoteose no Grito do Ipiranga” [37],

José Joaquim da Rocha é apontado entre alguns historiadores, que através do seu Clube, como um dos propulsores do dia do “Fico”. O Fico de 09 de janeiro de 1822, conhecido na nossa história como: o dia do Fico, onde D. João escreveu para D. Pedro, solicitando o seu retorno à Portugal. Sabendo então do tal fato, a Maçonaria se mobilizou para a permanência de D. Pedro no Brasil, que, em seguida, respondeu ao seu pai D. João que ficaria no País.

Segundo D’Albuquerque, o “Fico”, foi um movimento idealizado por um grande maçom, José Joaquim da Rocha, verdadeiro promotor da permanência do Príncipe D. Pedro no Brasil. Foi devotado à Maçonaria pertenceu ao quadro da Loja Distintiva de Praia Grande (atualmente Niterói), foi da Loja Comércio e Artes, fundou em sua própria residência, o Clube da Resistência, constituído por maçons. Logo após, partiu para São Paulo, a fim de conseguir apoio dos paulistas, ao movimento para a “ficada” de D. Pedro.

O autor D’Albuquerque acrescenta que o “Fico”, por mais que forcejem os falsificadores de nossa história para encobrir a verdade, para mistificar os fatos não conseguirão ocultar que “o Fico” foi de iniciativa de um patriota Maçom e um movimento de caráter nitidamente Maçônico.

A aclamação da independência também é associada por alguns historiadores como um empreendimento maçônico, indicando que a independência brasileira foi proclamada dentro de uma Loja maçônica por meio de membros que ali constavam. A independência Brasileira culminou-se por meio de um longo processo desde a luta das duas maçonarias – vermelha e azul – para derrubar as monarquias absolutas.

De acordo com BARROSO[38], “num inflamado discurso, no Grande Oriente, Gonçalves Ledo proclamou a independência do Brasil. “Por toda a parte os maçons bilhonavam, despertando o sentimento da liberdade”.

D’Albuquerque, citando BARROSO, um historiador respeitado e inimigo da Maçonaria, confirma a resolução dos maçons proclamando a Independência do Brasil em 20 de agosto de 1822, com o seguinte trecho: “Vindo de Santos para São Paulo, ao beirar-se da cidade, à margem do Ipiranga. D. Pedro recebeu despacho do Rio de Janeiro que lhe davam, segundo se diz, notícias das ordens intransigentes das Côrtes para a sua volta e do envio de expedições militares. A cavalo, rodeado dos dragões de sua guarda de honra, e dos membros da comitiva, amarfanhou os papeis, arrancou a espada e pronunciou as palavras que abriram novos horizontes ao Brasil – Independência ou Morte!”[39].

BARROSO ainda afirma em sua obra, segundo D’Albuquerque, que “Não contasse D. Pedro com o apoio integral da Maçonaria e não teria disposto da coragem imprescindível para proferir o Independência ou morte em São Paulo. Ele mesmo reconhecera que a Maçonaria estava apta a proclamar, por si só a nossa emancipação.”

Com relação à participação da Maçonaria na questão da Escravatura, não deixa de ser um fato de grande relevância para a história da política mundial. No Brasil, as campanhas abolicionistas vieram a público durante o século de XIX, inclusive nos meios maçônicos, onde se pregava o lema de Liberdade Igualdade e Justiça, que os motivou a abraçar a causa. Os maçons, engajados em mais uma luta, eclodiram no Rio Grande do Sul a Revolução Farroupilha, liderada pelos maçons Bento Gonçalves e Davi Canabarro, com o intuito de libertar os escravos.

Os centros abolicionistas, sob a égide de agrupamentos maçônicos, se formaram em todas as Lojas, sob a direção dos maçons Américo Campos e Luiz Gama (ambos da Loja América de São Paulo), Luis Francisco Glicério e José do Patrocínio (da União e Tranquilidade do Rio de Janeiro), além de Antônio Bento, Gavião Peixoto, Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiúva, Visconde do Rio Branco e Ruy Babosa, entre outros.

A Proclamação do Brasil é, também, apontada como um notável empreendimento maçônico. Segundo relatos, com a independência, permitiu-se maior liberdade de pensamento e ação.

Após vários movimentos abolicionistas em todo o território do Brasil, tendo à frente, maçons, o País teve, em seu primeiro Governo provisório, todos os membros integrantes da Organização. Segundo SILVA[40], o primeiro Ministério da República sem exceção de um só ministro, foi constituído de maçons, a saber: Aristides Lobo, Ministro Interino; Benjamin Constant, Ministro de Guerra; Rui Barbosa, da Fazenda; Quintino Bocaiúva (Grão-Mestre da Maçonaria), das Relações exteriores; Campos Salles, da Justiça; Almirante Eduardo Wanderkolk, da Marinha; Demétrio Ribeiro, da Agricultura.

Marechal Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo provisório, veio a ser Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, em 1890. Impedido de continuar no Governo, deixou o cargo para Floriano Peixoto, também, maçom, que ficou, segundo os historiadores, conhecido como o “Consolidador da República”.

Na época, esses maçons eram os homens mais notáveis do País, na política, na cultura, e nas profissões mais liberais, no exército, na marinha e no comércio e na indústria. O Governo provisório adotou novos símbolos nacionais e separou a Igreja do Estado, decretou obrigatoriamente o casamento civil e obteve reconhecimento da República por outros países.

PRADO, em seu conhecido trabalho, a Formação do Brasil Contemporâneo, traça essa Instituição como uma das mentoras dos acontecimentos sociais e políticos que o país atravessava na época em que era colônia de Portugal. O autor afirma que:

“O papel da Maçonaria é muito mais amplo e profundo, como também mais antigo; e mais que tudo é orgânico, articulado dentro e fora da colônia, sistemático e consciente. Não seria por simples coincidência que os principais fautores da Independência, até mesmo o futuro Imperador, sejam maçons, que todas as palavras de ordem, que saem a público e procuram orientar os acontecimentos, aparecem antes e se elaborem nas Lojas maçônicas”. [41].

Diante dos fatos expostos, fica evidente a participação da Maçonaria no cenário político que o Brasil enfrentava na época. Ou será uma mera coincidência dos fatos terem acontecido à luz as ideias liberais do século XVIII, que se alastrava na França? Observa-se, para tal fato, que não só os historiadores maçons, mas respeitados historiadores confirmam a influência desta Instituição em vários acontecimentos que marcam a história da humanidade.

2.3 – Quadro Atual

 No Brasil, há diversas correntes maçônicas, o que prejudica a afirmação exata, quanto ao número de maçons espalhados pelo País. Segundo o Administrador do Grande Oriente do Brasil, existem, hoje, mais de 2.500 (duas mil e quinhentas) Grandes Lojas e, aproximadamente, 65.000 (sessenta e cinco mil) maçons filiados [42].

O Grande Oriente do Brasil é o órgão máximo da Maçonaria brasileira. Admite ser uma Instituição maçônica simbólica, regular, legal e legítima, inscrito como pessoa jurídica de direito privado e reconhecido de utilidade pública federal pelo Governo brasileiro. Portanto, todas essas potências convivem, atualmente, sob um Tratado de união recíproca de amizade, fraternal convivência, colaboração e mútuo socorro. Os Tratados de amizade são preceitos entre as sociedades maçônicas, garantindo que não haja divergências futuras.

Para GOMES[43] calcula-se que as diversas correntes Maçônicas, no Brasil, possuam mais de duzentos mil membros, já que o Grande Oriente do Brasil tem mais de 100.00 (cem mil) filiados e as grandes Lojas em torno de 93.500 (noventa e três mil e quinhentos) maçons. Somente no Rio Grande do Sul, são mais de 20.000 (vinte mil) maçons.

Segundo os autores maçons, atualmente, no Brasil, existem Lojas masculinas, femininas e mistas. No entanto, as potências masculinas não aceitam, como regulares, as Lojas femininas ou/mistas.

As Grandes Lojas, no Brasil somam no seu conjunto, 25 potências Estaduais, com Lojas, assim distribuídas por Estados. As dez principais são:

ESTADOS LOJAS OBREIROS
1. São Paulo 485 16.655
2. Minas Gerais 265 7.748
3. Rio de Janeiro 138 9.433
4. Bahia 131 8.025
5. Rio Grande do Sul 137 4.135
6. Ceará 129 12.163
7. Goiás 112 4.500
8. Paraná 96 2.800
9. Santa Catarina 77 2.189
10. Espírito Santo 71 4.535

Fonte Boletim da Secretaria da GLMRS, em maio de 2001 [44]

Todas estas Lojas são filiadas a entidades de Instância superior, as chamadas Federações e Confederações de Lojas maçônicas. Vale ressaltar que existem outras Potências ou obediências no Brasil como o Grande Oriente do Rio Grande do Sul – GORGS e o Grande Oriente Estadual Sul-rio-grandense que, segundo GOMES, também é filiado ao Grande Oriente do Brasil[45].

Segundo os maçons, o dinheiro na Maçonaria provém, principalmente, da contribuição de seus filiados, mediante pagamento de mensalidade, cujo valor é estipulado por cada Loja particular, sem imposição de valores percentuais. Os autores maçons afirmam que existem outras receitas, como doações. Legados e rendimentos financeiros são raros e, geralmente, canalizados anonimamente para as entidades de assistência social.

Em todas as sessões maçônicas, é feita a coleta de doações, em dinheiro, somente entre maçons. Essa coleta é chamada de “Tronco de solidariedade”, ver dicionário de termos maçônicos em anexos.

A Maçonaria é criticada por uma parte da sociedade por promover a proteção mútua entre os seus membros. GOMES[46] afirma que os maçons ponderam que o corporativismo, como um tipo de interacionismo, inerente a todos os grupos sociais, acontece de forma não intencional. Além disso, alegam que a preferência a um maçom é dada somente, quando este estiver em igualdade de condições com um profano e nunca quando aquele estiver em desvantagem.

GOMES ressalta ainda que:

“Apesar das disparidades de opiniões sobre a Maçonaria, não pode deixar de reconhecer algumas iniciativas dos maçons que sempre tiveram aprovação de toda a sociedade. Entre elas estão a fundação da Cruz Vermelha; das Sociedades das Nações. Declaração Universal dos direitos do Homem; da Declaração dos Direitos da Criança; da criação da UNICEF, da UNESCO, dos Escoteiros, dos Médicos sem Fronteiras e tantas outras organizações e movimentos orientados para a prática da fraternidade” [47].

É interessante notar que os maçons estão presentes em todas as partes do mundo, em todas as profissões e atividades, em diversas camadas etárias, formando uma legítima legião de líderes, em quase todas as classes sociais, onde são reconhecidos pela sua probidade.

III

O QUADRO MAÇÔNICO INTERNACIONAL

3.1 A Constituição da Maçonaria

O quadro maçônico envolvido neste estudo, no século XVII – cuja constituição orgânica teve como determinantes as influências políticas e religiosas da Europa medieval, era: as Lojas, pelo seu valor, palco das lutas políticas concebidas pelos partidos políticos; clero; e nobreza. Na Inglaterra, assim que se travou a luta entre a casa dos Stuarts e o Parlamento; e, posteriormente, entre os Stuarts e os Orange, os partidos políticos tentaram servir-se da influência das Guildas, enquanto os Stuart se valiam da Franco-Maçonaria.

Por várias vezes, os componentes da dinastia dos Stuarts ocuparam os tronos da Inglaterra e da Escócia, tendo sido inaugurada por Alan Fitzflaald, um bretão, que havia imigrado para Norfolk, na Inglaterra, no começo do Século XII. Walter, que foi o sexto descendente de Alan, casou-se com Marjorie, filha de Roberto de Bruce. Seu filho, Roberto II, ascendeu ao trono da Escócia, em 1371. A linha paterna da família real encerrou-se em 1542, com a morte de Jaime V, emergindo ao trono sua filha, Mary Stuart, denominada Maria I, com apenas um ano de idade, que foi expulsa da Escócia, em 1567 e decapitada em 1587 por ordem da rainha Elizabeth[48].

Jaime VI, filho de Maria I, tornou-se rei da Inglaterra, governando de 1603 a 1625, com o título de Jaime I. Em seguida, Carlos I, outro Stuart, subiu ao trono inglês, sucedendo Jaime I, e enfrentou a revolução parlamentar puritana, em 1641, liderada e vencida por Oliver Cromwell e seus cabeças redondas, em 1648, sendo o rei decapitado em 1649. Henriqueta de França, viúva de Carlos I, aceitou do rei francês, Luís XIV refúgio em Saint-Germain-en-Laye, nas cercanias de Paris, para onde se dirigiu com o seu séquito e com os seus áulicos. Lá, encontrou-se com muitos maçons.

Os maçons organizaram, então, uma ação contra Oliver Cromwell, realizada prudentemente, para Berlelot, sob o sigilo maçônico, aproveitando-se, sem estar em perigo de denúncias, para se comunicar com os stuartistas da Inglaterra e da Escócia, objetivando liquidar o regime imposto pela revolução. Com a morte de Oliver Cromwell, em 1658, restaurou-se a dinastia dos Stuarts, em 1660, e o surgimento de Carlos II ao trono inglês, em 1661, que se tornou impopular, diante das medidas de fanatismo, tomadas pelos liderados – seus puritanos. Nas vésperas de assumir o trono, Carlos II criou, em Saint Germain, o regimento dos Guardas Irlandeses, inicialmente, chamado de Real Irlandês, e de grande relevância para a história da Maçonaria francesa[49].

Uma nova Maçonaria cresceu, rapidamente, na Inglaterra ao ponto de em 1732 existirem 109 (cento e nove) oficinas filiadas à Grande Loja, onde se encontravam distintas personalidades da nobreza e da inteligência. Aqui se formam maçons, podia ler-se em muitas estalagens. Não tardou a ser Grão-Mestre o duque de Warthon, durante cujo mandato os maçons se encontravam em público, revestidos dos seus atributos simbólicos. Todavia, generalizavam-se ao mesmo tempo os ataques à Instituição, ou atribuindo-lhe fins inconfessáveis ou ridicularizando os seus ritos e cerimônias. Por outro lado, as lojas eram então lugares herméticos, exclusivamente, consagrados ao trabalho filosófico, nem as suas cerimônias e ritos se cingiam a essa função, pois, com muita frequência as suas reuniões tinham antes o caráter de atos sociais ou de vida de clube, como banquetes e celebrações de patronos ou reuniões noturnas de simples entretenimento.

Separada, ainda que não inimiga, conservou-se a Loja de York, que se gabava de ser a oficina mais antiga, remontando sua origem ao ano 1000. Auto intitulou-se “Grande Loja da Inglaterra” ou “Grande Loja de York” e professava os mesmos princípios de fraternidade, amor, beneficência e bondade que postulavam os membros da Grande Loja de Londres. Manteve a sua independência até 1790. Rival foi a outra Grande Loja, fundada em Londres, no ano de 1751, “intitulada dos Antigos”, em contraposição aos Modernos da primeira Grande Loja. Ambos, estes ramos da Maçonaria se mantiveram independentes até se fundirem, em 1813, criando-se a Grande Loja Unida, de Antigos e Modernos, cujo primeiro Grão-Mestre, foi o Duque de Sussex. Consolidada e estabilizada a Maçonaria inglesa, inicia-se para ela uma época de grande florescimento.[50]

Existe, ainda, a teoria que atribui ao judaísmo militante a criação da Maçonaria.

Fantástica teoria que se desvanece por si própria face à realidade dos fatos. Os maçons que realizam a reforma maçônica, convertendo-a de operativa em especulativa, são teólogos e clérigos cristãos, físicos, matemáticos, cientistas, filósofos e nobres. Nos seus primórdios, não se divisa nenhum vestígio de influência hebraica, se excetuando a que lhe chegava através dos livros sagrados: Antigos e Novos Testamentos. Com o correr do tempo, ingressaram na Maçonaria indivíduos de raça e religião hebraicas, alguns deles, homens notáveis, mas não deve levar a pensar ou a defender a tese de que a Maçonaria obedece, exclusivamente, aos propósitos de um suposto Grande Conselho Judaico.

3.2 O Papel da Maçonaria Inglesa

Antecessora dos agrupamentos maçônicos do mundo inteiro, a Maçonaria inglesa sempre teve alta representação na política, no Parlamento – em particular – e na Corte, com a qual sempre contou, tendo em suas fileiras membros da família real britânica.

Para LERA[51], apesar de cisões e rivalidades, desvios e ataques, a Maçonaria conheceu uma grande aceitação, por parte da sociedade inglesa, penetrando muito cedo nas altas esferas do poder e do talento — universidades, academias, nobreza e Parlamento —, até culminar com a conquista da família real, cujo primeiro adepto foi Frederico Luís, príncipe de Gales, em 1737. A partir de então é tradicional que os descendentes da dinastia Hanôver ocupem altos cargos na Maçonaria. O mais famoso e popular deles todos foi o rei Eduardo VII, que chegou a ostentar o título de Grão-Mestre, quando era o eterno príncipe de Gales.

Entre os ilustres na Maçonaria inglesa, também, está Winston Churchill, líder inconteste do povo britânico, na temporada de maiores agruras do confronto de guerra com os países do Eixo, oriundos pela união dos países alemães, japoneses e Italianos.

Churchill[52], que nasceu em 1874 e iniciado maçom, na Loja “United Studholme” nº 1591, em 24 de maio de 1901, tornou-se “companheiro” em julho de 1901, e Mestre no ano seguinte. Sua carreira, na política, começou aos 26 anos de idade, tendo sido influente componente da Câmara dos Comuns e participante de múltiplos gabinetes, pertencentes aos ministérios. Notabilizou-se, sobretudo, em 1936 e 1938, ao alertar a opinião pública a respeito da questão do rearmamento da Alemanha, depois de breve período de desarmamento, assim que terminou a guerra, de 1914 a 1918, e quanto ao despreparo da Inglaterra, protestando, de maneira violenta, logo que os gabinetes, presididos por Macdonald, Baldwin e Chamberlain aceitaram a política de conceder às ameaças de Adolf Hitler.

Churchill, apoiado pela fortíssima Maçonaria inglesa, que, também, participou da resistência, e contando com as simpatias fraternais da Maçonaria norte-americana, tão forte quanto à inglesa, se devotou à concretização e à preservação da Grande Aliança com os Estados Unidos da América. Manteve estreito entendimento com o então presidente norte-americano, Franklin Roosevelt, também maçom, pela Loja Holland número 8, de Manhattan.

A Maçonaria inglesa também manteve sua essência iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista, proclamando a prevalência do espírito sobre a matéria, agindo pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da Humanidade, pelo cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade, além de praticar suas finalidades supremas: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Entretanto, sem prejuízo de suas finalidades educativas e filantrópicas, a Maçonaria inglesa, assim como todas do mundo inteiro, sempre foi, também, uma instituição político-social, atuando dentro de padrões éticos consubstanciados na essência sociológica da Política: grandes conquistas sociais da humanidade, e defesa das ideias libertárias.

A Maçonaria inglesa, seguindo as diretrizes como um todo, é uma Ordem Universal, constituída por homens de todas as raças e nacionalidades, acolhidos por iniciação e congregados em Lojas, nas quais auxiliados por símbolos e alegorias, estudam e trabalham para o aperfeiçoamento da Sociedade Humana Universal.

Quanto ao desenvolvimento da Maçonaria inglesa, CASTELLANI ainda ressalta que houve influência do cristianismo reformado, ponto de partida ou de origem das demais maçonarias continentais de caráter especulativo. Na moral, detectam-se suas raízes cristãs e bíblicas: a Bíblia foi o livro sagrado, mantendo, apesar de uma atitude de oposição, a dogmática católica.

  1. 3 A Maçonaria nos Estados Unidos

NAUDON[53] situa, em 5 de junho de 1730, a origem oficial da Maçonaria nas treze colônias inglesas da América do Norte. Culturalmente vinculadas à Inglaterra, berço da Maçonaria especulativa, as treze colônias britânicas seguiam paradigmas idênticos aos da Corte, isto é, observavam valores religiosos, práticas e hábitos culturais muito próximos dos britânicos. A Maçonaria americana nasce sob a tutela e orientação filosófica, práticas e rituais da primeira Grande Loja, fundada em Londres, em 1717. Ritos, usos e costumes seguem, no alvorecer da Maçonaria norte-americana, o modelo Inglês dos “modernos”.

A Maçonaria alcançou o país mais desenvolvido do mundo, através do primeiro Maçom da América: John Skene, estabelecendo-se em Burlington, Nova Jersey, em 1682. O segundo foi Jonathan Belcher, nascido em Boston, em 1681, e feito Maçom durante uma viagem à Inglaterra, em 1704. Outros Maçons que surgiram nessa época acabaram criando núcleos maçônicos antes de 1730, sem a influência das grandes alterações havidas na Inglaterra, em consequência da criação do sistema obediencial. A Franco-Maçonaria regular chegaria à América colonial em 1730, sob os auspícios da Premier Grand Lodge of England of Provincial Grand Masters, para diversas áreas. Franklin Roosevelt teve papel destacado na difusão da cultura maçônica, a partir da Pennsylvania, editando e divulgando, em 1734, a Constituição de Anderson de 1723 (a primeira obra maçônica publicada nos Estados Unidos da América).

A primeira Loja nos Estados Unidos da América, foi a Grande Loja de Massachusetts, foi fundada por volta 1730, expandindo-se depois por toda a América do Norte. Segundo Teixeira[54]

“A primeira Loja maçônica, organizada sob carta-constitutiva emitida pela Grande Loja de Londres, surgiu em Boston, em 1733, recebendo o título de “Loja de São João”. A iniciativa partiu de Henri Price, amigo íntimo de Benjamin Franklin, nomeado pela Grande Loja de Londres Grão-Mestre Provincial da Nova Inglaterra. Ato contínuo, Price organizada em 1733, a que poderíamos chamar de primeira Obediência Maçônica regularmente constituída nas colônias norte-americanas, vindo a se tornar mais tarde na Grande Loja de Massachusetts. Tudo leva a crer que a liderança e presença de Price induziu o nascimento de outras lojas, que vieram a ser inicialmente organizadas, além da Philadelphia, [e como seria de se esperar], nas principais cidades costeiras como Norfolk (Virgínia), Charleston (Carolina do Sul), Savannah (Geórgia) e Nova York (NY). A maçonaria se estabelece primeiramente em tais cidades, fortalecidas pelo dinâmico movimento de mercadores e pelo estabelecimento de três grupos de elite: os negociantes (artesãos e lojistas), os profissionais liberais e os oficiais de governo (tanto civis como militares).”

A Ordem ganha com muita facilidade adesões e simpatias nas mais diferentes camadas sociais das colônias: pequenos proprietários de terras, artesãos, mercadores, profissionais liberais, clérigos, militares, lojistas e dirigentes públicos formavam a elite que compunha as Lojas maçônicas. Sua posição filosófica declarada e, efetivamente, tolerante com as posições políticas, étnicas e religiosas, aliada à pregação da fraternidade humana, sem fronteiras, e o realce dos valores éticos e morais, ganha rápida identificação e ressonância no seio das mais diferentes camadas da elite colonial. Seu discurso tinha muitos pontos filosóficos afinados com as posições protestantes. O respeito à religião, à soberania reconhecida da revelação de Deus nas Escrituras, de acordo com posição doutrinária da maioria protestante, não deixava razões para suspeitas de heresias ou conspiração. A Maçonaria assim cresceu e se difundiu em todas as colônias, sem encontrar grandes dificuldades de qualquer natureza. [55]

A Maçonaria teria, ainda, sua imagem levada à mais alta consideração por mais duas características. Em primeiro lugar, pelo engajamento da Ordem em diversas ações de caridade e beneficência comunitária. Ainda hoje, a Maçonaria americana é reconhecida por suas obras assistenciais, realizadas de maneira transparente em diversos Estados da federação. Em segundo lugar, pelo envolvimento dos principais líderes políticos que laboravam pela unificação das colônias, na busca de uma harmonização de interesses locais e da independência, e que estavam reconhecidamente ligados à Fraternidade.

A Maçonaria, por meio de seus ilustres membros, gozava, pois, de posição especial e imagem positiva perante o povo. Circulava com desenvoltura entre as elites dirigentes e deixava sua influência na formação das bases doutrinárias e políticas da nova nação. Presidentes, Ministros de Estado, Juízes, representantes e Governadores, ao longo da história, tiveram seus nomes nos registros de membros de Lojas maçônicas. [56]

No início do Século XVIII, quando cresceu o movimento comercial com a Inglaterra, as colônias experimentavam resultados econômicos da expansão do mercantilismo engendrado na revolução industrial capitalista europeia, particularmente vinda da Inglaterra, França, Holanda e Espanha. Regulamentações impostas pela Coroa britânica ao comércio e à navegação, pretendendo manter e aprofundar o estrito controle sobre os negócios entre as colônias e Londres, vieram favorecer movimentos de resistência.

O movimento migratório, um dos mais notáveis da história americana, foi também um acontecimento importante. As colônias se transformaram em atraentes polos de especulação, audaciosas realizações e de crescimento vertiginoso dos empreendimentos no campo e nas grandes cidades costeiras. Já em 1750, a população das colônias era estimada em 1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil) habitantes. [57]

Foi nesse momento que a contínua ingerência britânica nos negócios das colônias, buscando maior controle sobre o crescente fluxo da riqueza, se transformou no estopim deflagrador de revoltas e de florescimento de um ideal de independência. Tomou lugar o movimento nacional de unificação e independência na segunda metade daquele século. Em todo esse cenário complexo, mas estimulante, e cheio de ambiguidades, nasceu, se desenvolveu e consolidou a fraternidade maçônica norte-americana, tornando-se elemento essencial nas grandes mudanças, no próprio processo revolucionário de independência e na consequente unificação das colônias numa federação de estados unidos, por sua mensagem universal, fraterna, tolerante, impregnada de valores pátrios e libertários.

O cenário sociopolítico nas colônias, na época em que a Maçonaria norte americana começou a vicejar e ampliar sua presença, era particularmente estimulante, com seus sinais de turbulência na economia, na política, nas relações internas com os índios e nos instáveis laços de dependência com a Coroa inglesa.

Embora formada inicialmente, em sua maioria, por membros dos regimentos britânicos, o grande aporte de americanos natos propiciaria a ela um papel fundamental na independência do País. O Maçom Thomas Payne incendiava a opinião pública, durante as batalhas em diversas colônias inglesas, com publicações que faziam a apologia de um movimento libertador e não de uma simples reação contra as leis opressivas. A luta pela independência nos Estados Unidos começou em Massachusetts, onde, coincidentemente, se iniciou a Maçonaria. Quando as Américas, submetidas ao colonialismo europeu, lutavam pela sua emancipação, “é que mais se fez sentir a ação política da Instituição, pois ela teve, indiscutivelmente, um papel preponderante na libertação das colônias americanas, como planejadora e organizadora dos movimentos de emancipação” [58].

O conflito se concretizaria, marcando o verdadeiro início da Revolução Americana, em abril de 1775, quando o comandante das tropas inglesas em Boston decidiu prender os líderes revolucionários e maçônicos Samuel Adams e John Hancock, além de apoderar-se do material bélico dos colonos, em Concord.

Seguindo a concepção do pesquisador e escritor Teixeira [59], o cenário político, as incertezas percebidas pelos senhores do tradicional poder, diante do estabelecimento das novas formas laicas de governo (repúblicas e monarquias parlamentaristas), após a destruição das principais monarquias absolutistas, funcionou como “pano de fundo”, provocador da resistência ao desenvolvimento dos maçons e suas lojas. A Maçonaria era identificada com os movimentos provocadores de mudanças (para não dizerem revolucionários), mais tarde republicanos, de inspiração iluminista, positivista e, muitas vezes, anticlerical.

Seguindo o pensamento de CASTELLANI [60], quanto ao aspecto político americano, a maçonaria proporcionou a concretização da maior nação maçônica do mundo: os Estados Unidos da América, sobretudo nos Séculos XVIII e XIX.

George Washington, o pai da nação americana, líder do movimento da independência e primeiro Presidente, foi também um maçom dedicado, que chegou a ser indicado Grão-Mestre dos Estados Unidos, pela Grande Loja da Pennsylvania, em 20 de dezembro de 1779.

Nota-se a presença da Maçonaria, que lançando mão de símbolos e alegorias que lhes são familiares, registra a nota de 1(um) dólar americano, que hoje circula em todo o planeta. Na face oposta à da efígie de George Washington, tem um símbolo, o grande selo americano: a pirâmide truncada construída por camadas de pedras unidas, encimada pelo olho-que-tudo-vê, tendo ao seu pé a inscrição NOVUS ORDO SECLORUM, ou seja, Nova Ordem Mundial.

O olho-que-tudo-vê, no centro do triângulo e no topo da pirâmide, é símbolo da Providência Divina a velar pela construção da nova nação, representada pela pirâmide truncada. As treze camadas de pedras bem ajustadas umas às outras simbolizam as colônias, agora unidas numa nação subordinada à força maior de Deus. A pirâmide truncada representa ainda a possibilidade de novas camadas virem a se ajustar às treze iniciais.

TEIXEIRA afirma que a Maçonaria norte-americana estava em ascensão. Prova disso é encontrado nos relatos de que no fim dos anos oitenta essa crença tinha quatorze mil Lojas e, aproximadamente, três milhões de membros nos Estados Unidos da América, o que, atualmente, aponta para certo declínio.

3.4 A Maçonaria na América Latina

Conforme os preceitos de CASTELLANI, a liberdade de pensamento e o racionalismo são princípios fundamentais da Maçonaria na América Latina, que, de modo geral, também segue os princípios dessa Instituição. Com adeptos em todo o mundo, a Maçonaria tem apoiado em muitos países e diferentes épocas, a luta pela independência e outros movimentos políticos progressistas, como a própria revolução francesa.

No que se refere à história da Maçonaria na América Latina, não foi diferente. A atuação política da Organização nessa região, no século XVIII, graças à ascensão da burguesia e à difusão das ideias iluministas, adquiriu prestígio na Europa. Aliada aos movimentos liberais, marcou presença efetiva nos grandes acontecimentos políticos e desempenhou papel decisivo nas lutas da independência e, no século XIX, nas lutas dos liberais contra os conservadores clericais, sobretudo no México, Colômbia e Chile.

As ideias liberais que cercavam a Europa nos meados do século XVIII, contagiaram, de certa forma, os maçons que lutavam pela emancipação política dos países da América Latina. Foi por meio desses ideais que muitos lutaram até a morte pelas 42 independências das colônias. Assim como Simon Bolívar e Francisco Miranda, San Martin é um exemplo na luta pela libertação de países latinos americanos. Suas ações libertaram Chile, Peru e Argentina.

Segundo pesquisadores, por meio das ideias de Bonaparte, San Martin se deslocou, em 1811, para a América, a fim de participar dos movimentos revolucionários. Tendo aprimorado os seus conhecimentos tático e de estratégia bélica nos campos de batalha da Europa, teve papel na formação de estrategista, principalmente, em ações na Cordilheira dos Andes.

Para Mitre:

“Ao mesmo tempo em que a Espanha se defrontava com problemas da ocupação napoleônica, na América suas colônias ensaiavam movimentos pela libertação. Associado a outros companheiros no interior de lojas maçônicas, San Martin viu-se atraído pela proposta dos movimentos emancipatórios americanos disseminados pelas forças napoleônicas e, toda a Europa” [61].

Mitre denuncia, ainda, que o movimento de reação contra a dominação francesa teve caráter popular e expressou na ação de guerrilhas, acompanhada da ação de sociedades secretas, dentre as quais a Loja Lautaro, à qual se filiara San Martin.

No início de 1816, em Tucunamá, ocorreu a declaração de independência das Províncias Unidas do Rio da Prata. O novo governo nomeou San Martin para General e Chefe do Exército dos Andes, em cuja posição desenvolveu seu plano de cruzar a cordilheira, libertando o Chile e avançando até o Peru, onde ainda havia resistência espanhola.

Em 1822, San Martin encontrou-se com Simon Bolívar, também maçom, na cidade Guayaquil, Equador. Segundo os pesquisadores, o teor dessa conversa não pode ter sido outro, senão a questão da independência das colônias americanas.

Os ideais maçônicos estão, também, na história de Simon Bolívar, maçom, General e estadista, Chefe das revoluções que libertaram a Venezuela, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Bolívia. Oficialmente, investido do título de “O Libertador” pelos congressos desses países [62], Bolívar foi o fundador da Grã-Colômbia, que formou com as (duzentos) colônias revoltadas de Nova Granada, Venezuela e Reino de Quito. Herói de mais de 200 batalhas (duzentas), ditador-presidente da Bolívia (Pais que lhe deve o nome) sua vida é um dos mais colossais painéis de glória e tragédias, aventuras e derrotas da história. Seus escritos, discursos, proclamações e cartas são as grandes heranças políticas da América espanhola. Suas análises das condições da vida e das necessidades políticas nas colônias fazem dele o mais sábio observador de seu tempo, tendo previsto com extraordinária precisão a sequência das lutas pela democracia, em cada uma das unidades políticas do velho império espanhol na América. Seus planos de Governo estavam bem à frente de seu tempo e até hoje oferecem algumas das melhores soluções para as dificuldades dos países que libertou. Embora violentamente criticado em vida e depois de morto, Bolívar foi, reconhecidamente, um dos grandes gênios da era revolucionária dos fins do século XVIII e princípios do XIX.

Em 1805, no Monte Aventino, em Roma, Bolívar jurou a seu antigo mestre – Simon Rodrigues – libertar sua terra do jugo espanhol. Na Venezuela, desde fins de 1806, ligou-se a grupos liberais e tomou parte na Junta de Governo que, em 1810, substituiu a autoridade espanhola na colônia. Foi esse o primeiro Governo constituído, sem interferência da metrópole na América Latina. Enviado a Londres como representante diplomático, de lá voltou com Francisco Miranda, que também era um maçom venezuelano que lutara com Washington na Guerra da Independência Americana, foi General no Exército de Napoleão e teve, depois, papel de destaque nas primeiras campanhas revolucionárias da Venezuela, cuja independência foi proclamada a 05 de julho de 1811.

É impossível, portanto, falar da história da independência da Bolívia sem falar de Simon Bolívar, guerreiro maçom que lutou e travou importantes batalhas pelas independências dos países da América Latina.

POMER destaca um breve histórico sobre Bolívar e a libertação:

“Bolívar atravessou os Andes – extraordinária façanha – e invadiu as povoações granadinas situadas ao pé da Serrania Oriental. Travaram-se violentíssimas batalhas e, numa delas, realizada no Pântano de Vargas, consegue sucesso, graça à Legião Britânica que o acompanhava. Em 7 de agosto de 1819 decidiu-se por sorte do vice-reino na Ponte de Boyacá. A capital foi libertada e o inimigo teve que render-se em massa. Mas ainda restava libertar a própria Venezuela, pátria do Libertador. Logo depois, a 17 de dezembro do mesmo ano, um Congresso em Angostura, ao qual compareceram também deputados Venezuelanos, determinou a união entre Colômbia e a Venezuela, dando origem à grande Colômbia. “Bogotá foi declarada a capital e Bolívar o primeiro chefe de novo Estado”[63].

No Brasil, a Maçonaria teve momentos marcantes, dadas às evidências da presença de maçons no maior país da América do Sul, desde o século XVIII. No País, o movimento assumiu as mesmas posições libertadoras, que manifestara nas demais colônias americanas. A ideologia da Inconfidência Mineira coincidiu, de modo geral, com a da Maçonaria da época. Quando se iniciou o ciclo das conspirações nordestinas, a rede de sociedades secretas formou a base das comunicações entre os núcleos de intelectuais influenciados pelas novas ideias europeias.

Na luta pela independência, a Maçonaria passou a ser o centro mais ativo do trabalho e propaganda emancipadora. Sua missão libertadora continuou até a República. Após a fundação das três primeiras Lojas “oficiais”, espalharam-se, nos primeiros anos do Século XIX, Lojas nas províncias da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro. Algumas livres, outras sob a égide do Grande Oriente Lusitano e da França.

Regida por mais de vinte constituições, a última aprovada em 24 de junho de 1990, a Maçonaria brasileira, denominada Grande Oriente do Brasil, permanece como autoridade suprema da maçonaria simbólica (os três primeiros graus). Os demais graus estão sujeitos aos órgãos supremos dos diversos ritos, que devem permanecer em comunhão com o Grande Oriente.

Para LERA[64], há, contudo, uma profunda distinção entre as Lojas que seguem o Rito Escocês Antigo e Aceito, que enfatiza a existência de um Ser Supremo (o Supremo Arquiteto do Universo) com o primado do espírito sobre a matéria, e o rito francês moderno de sete graus, professadamente laico e materialista. Além desses, existem no Brasil os ritos York, Schroeder, Adonhiramita e Brasileiro. Os membros dos ritos York, Schroeder e Adonhiramita reúnem-se em Assembleias, denominadas capítulos, enquanto as reuniões do rito brasileiro, classificam-se hierarquicamente em capítulos, conselhos filosóficos, altos colégios e supremo conclave.

3.5 – Instrumentos de Relacionamento Internacional – Tratados de amizade

Os Tratados, geralmente, constituem uma compilação dos instrumentos bilaterais ou multilaterais, celebrados por Estados ou por Organizações Internacionais, regidos pelo Direito Internacional. Sob a égide de interesses mútuos, os Tratados, dentro do Direito Internacional, são genéricos, pois, abrangem qualquer tipo de acordo, a fim de produzirem efeitos jurídicos. Podem ser considerados acordos, ajustes, pactos, compromissos, contratos, e etc.

Em 1969, a Convenção de Viena sobre Tratados outorgou tão só aos Estados soberanos o direito de celebrar Tratados internacionais. Em outra convenção celebrada em Viena, em 1986, outorgou-se esse direito, também às Organizações Internacionais.

REZEK ensina que o Tratado internacional não prescinde da forma escrita, afirmando que a oralidade não é apenas destoante do modelo fixado, em 1928, pela Convenção de Havana, e retomado em 1969 pela de Viena; mas também desajustada ao sistema de registro e publicidade, inaugurado pela Sociedade das Nações, herdado pelas Nações Unidas e assimilado, ainda, por organizações internacionais.[65].

Ainda quanto à importância da documentação, ACCIOLY afirma que “os Tratados internacionais são, geralmente, escritos, sendo raros os exemplos modernos em contrário. Embora a Convenção de 1969 não mencione os Tratados não-escritos, tal silêncio não os prejudicará”[66].

Segundo RODRIGUES[67], Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, é sob as cláusulas de um Tratado de amizade que as Lojas maçônicas, geralmente, convivem. e declara, ainda, que os Tratados de amizade para a Instituição maçônica representam mais um passo para a unificação da Maçonaria brasileira e o estreitamento da amizade e das relações entre o Grande Oriente do Brasil e as Potências Maçônicas Estrangeiras.

O Grande Oriente do Brasil tem Tratado de Amizade Nacional com as seguintes Lojas e Potências[68] ·

  • GRANDE LOJA MAÇÔNICA DE BRASÍLIA ·
  • GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESPÍRITO SANTO – GL ·
  • GRANDE LOJA DO ESTADO DO MATO GROSSO ·
  • GRANDE LOJA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL ·
  • GRANDE LOJA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ·
  • GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ·
  • ARLS SUPREMA RAZÃO – 25 – GLOMARON – PORTO VELHO ·
  • GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DE S. PAULO – SÃO PAULO ·
  • ARLS ESTRELA DO ORIENTE-12- REAA -GLMES CMSB – ARACAJÚ

A soberania do Grande Oriente do Brasil emana do povo maçônico, sob sua obediência, e, em seu nome, é exercida pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, independentes e harmônicos entre si. Só ele pode alterar, revogar ou anular as leis e os regulamentos, respeitados os “LANDMARKS” tradicionais, os postulados universais e os princípios da Instituição maçônica.

No âmbito internacional, os Tratados Mútuos de Reconhecimento e Amizade entre o Grande Oriente do Brasil e Lojas e Potências no mundo são:

África do Sul: Grand Lodge of South Africa

Alemanha: United Grand Lodge of Germany

Argentina: Grand Logia de Argentina

Austrália: Grand Lodge of Alberta, EGrand Lodge of South Australia, Grand Lodge of Victoria e Grand Lodge of Western Australia

Austria: Grand Lodge of Austria

Bélgica: Regular Grand Lodge of Belgium e Gran Logia de Bolivia:

Canadá: Grand Lodge of A. F. & A. M. of Bristish Columbia, Vancouver, Grand Lodge of A. F. & A. M. of Manitoba, Grand Lodge of A. F. & A. M. of Nova Scotia, Grand Lodge of A. F. & A. M. of Quebec, Montreal e Grand Lodge of Canada,

Chile: Gran Logia de Chile:

China: Grand Lodge of China

Colombia: Gran Logia de Colombia, Bogotá, Gran Logia Nacional de Colombia, Barranquilla e Gran Logia Nacional de Colombia, Cartagena

Costa Rica: Gran Logia de Costa Rica

Cuba: Gran Logia de Cuba

Dinamarca: National Grand Lodge of Denmark

El Salvador: Gran Logia de Cuscatlan

Equador: (Ecuador): Gran Logia del Ecuador

Escócia: (Scotland): Grand Lodge of Scotland

Espanha: Gran Logia de España

Estados Unidos: Grand Lodge of F. & A. M. of the State of Arkansas, Grand Lodge of F.& A. M. of the District of Columbia, Grand Lodge of F. & A. M. the State of Georgia, Grand Lodge of A. F. & A. M. of Illinois, Grand Lodge of A. F. & A. M. of the State of Iowa, rand Lodge of Kentucky F. & A. M, Grand of the State of Louisiana of F. & A. M e Grand Lodge of A. F. & A. M. of Washington

Filipinas: Grand Lodge of the Philippines

França: Grand Loge Nationale Française (GLNF)

Gabão: Grande Loge du Gabon

Grécia: Grand Lodge of Greece

Guatemala: Gran Logia de Guatemala

Holanda: Grand East of the Netherlands

India: Grand Lodge of India

Inglaterra: United Grand Lodge of England

Irlanda: Grand Lodge of Ireland Israel: Grand Lodge of the State of Israel

Itália: Grand Loggia Regolare d`Italia

Japão: Grand Lodge of Japan

Luxemburgo: Grand Lodge of Luxembourg

México: Gran Logia de Baja California

Nicarágua: Gran Logia de Nicarágua

Nova Zelândia: Grand Lodge of New Zeland

Panamá: Gran Logia de Panamá

Paraguay: Gran Logia Simbólica del Paraguay

Peru: Gran Logia del Perú

Porto Rico: Gran Logia de Puerto Rico

Portugal: Grande Loja Regular de Portugal

República Dominicana: Gran Logia de la República Dominicana

República Tcheca: Grand Lodge of Czec Republic

Senegal: Grande Loge du Senegal

Suiça: Grand Lodge Alpina Switzerland

Tasmania: Grand Lodge of Tasmania

Togo: Grande Loge Nationale Togolaise

Turquia: Grand Lodge of Turkey

Uruguay: Grand Logia del Uruguay

Venezuela: Gran Logia de Venezuela


 

IV

Perspectiva Maçônica Nacional e Internacional

Dentre as organizações de vários setores da sociedade que participaram, por motivos diversos, das transformações sociais ocorridas entre os séculos XVII e XVIII, destaca-se a Maçonaria.

Presente desde o período medieval até os dias atuais como importante instituição filantrópica em busca de valores morais e do aperfeiçoamento humano, a Maçonaria participou ativamente dos grandes debates políticos que envolveram vários países, na busca da democratização por meio dos seus princípios de igualdade, liberdade e justiça.

Sempre atenta às questões atuais, preocupada em contextualizar suas ações aos anseios modernos da sociedade, a Maçonaria mantém, hoje, numa prospectiva internacional, a crença de que pode – e deve – desempenhar um papel ativo diante dos problemas que enfrenta a humanidade neste começo de século XXI. Dentre eles, o avanço do terrorismo, do consumo de drogas e as consequências da desigualdade social e do desenvolvimento tecnológico negativo, que projeta a globalização. Assim, recentemente, lançou uma mensagem de confronto com as possíveis desvantagens que a globalização pode trazer para os países em desenvolvimento. Em conferência realizada no ano de 2004, a Maçonaria adotou o tema “Humanizar a Globalização”.

No Brasil, nota-se a eventual preocupação dessa Organização com relação ao futuro do mundo e a confirmação de que a Maçonaria brasileira está comprometida com trabalhos que, por meio da influência que exercem em organismos nacionais e internacionais, podem contribuir para um desenvolvimento mundial mais humanitário e menos desigual. Seus dirigentes têm afirmado categoricamente que a importância da sociedade maçônica no sentido de conscientizar e mobilizar a sociedade no resgate dos valores éticos tradicionais por meio dos princípios da Organização vem sendo debatida e difundida a todos os membros da Maçonaria.

É válido lembrar que o Grande Oriente do Brasil, regido por várias Constituições, tem jurisdição nacional, com autoridade exclusiva e insubordinada, e seu poder emana leis e regulamentos para o Governo da Maçonaria Brasileira. Assim, torna-se responsável pelo respeito, cumprimento e manutenção da lei maçônica brasileira. Esse contexto confere à Organização uma potencialidade para agir com veemência perante os problemas nacionais e humanos de maneira própria e independente. No campo das relações – nacionais e internacionais, o Grande Oriente do Brasil mantém com as demais Potências Maçônicas fortes laços de fraternidade.

Espera-se que a sociedade maçônica, neste século, continue sua importante missão de zelar pelos valores e morais que constituem uma sociedade pacífica, justa, desenvolvida a partir da igualdade social. Considerando todo o histórico de lutas e posicionamentos importantes perante grandes adversidades pelas quais o mundo já passou, é de se acreditar que a Maçonaria não se furtará, como nunca o fez, de contribuir – não só no âmbito nacional mas também internacionalmente – para a defesa de uma sociedade mais igualitária e para amenizar, ou menos confrontar, os problemas contemporâneos que envolvem toda a humanidade.

V

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Maçonaria tem um histórico de engajamento político-social em todos os países em que se instalou, até hoje. Os relatos históricos comentados neste trabalho demonstram sua participação efetiva, não só na consolidação de regimes democráticos na Europa Medieval, como também na história recente da América Latina, na luta pelas independências das colônias portuguesas e espanholas.

Tal participação seu deu, principalmente, pela congruência dos ideais maçônicos e das ideias liberais que inspiraram as revoluções e lutas políticas das regiões nas quais a Maçonaria estaria instalada. Em alguns casos, inclusive, a instalação de Lojas maçônicas teve como motivação maior a necessidade de se organizar para aliar-se aos movimentos libertários em ascensão. Não por acaso, líderes e idealistas desses movimentos eram, por vezes, também grão-mestres ou iniciados na Maçonaria.

Da mesma forma, a expansão da Maçonaria está relacionada às conquistas desses líderes. Seja o monarca inglês que, refugiado na França, para lá levou os ideais maçônicos, seja o revolucionário latino maçom que, ao longo de suas conquistas libertadoras, promoveu a criação e a consolidação da Maçonaria nos países liderados.

O paralelo entre a história da independência brasileira e o surgimento e a consolidação da Maçonaria no país são um exemplo interessante da ligação entre movimentos político-sociais e ideais maçônicos. Foi em meados do Século XVIII que a maçonaria brasileira apareceu, inspirada no liberalismo que marcava as atividades da Maçonaria francesa. Tal inspiração se deve à presença de estudantes brasileiros na França, no final do século XVIII, que se empolgaram pelas ideias liberais da época, e se entusiasmaram com a emancipação dos Estados Unidos da América, conquista na qual os líderes maçons tiveram participação intensa e efetiva.

Com a atuação do Grande Oriente do Brasil, criado por Lojas maçônicas, em 1822, a Maçonaria passa a ser reconhecida e consolidada no Brasil. Essa Instituição marcou a história como a primeira a se empenhar nas questões político-sociais que cercavam o país na época. Sob a égide do liberalismo, o País forma um movimento emancipador para a libertação da pátria, um dos objetivos essenciais do Grande Oriente.

Os achados históricos e estudos diversos, mesmo de historiadores não vinculados à Maçonaria, mostram com precisão que a independência brasileira era o objetivo primordial da Maçonaria. Por meio das Lojas maçônicas, os integrantes foram responsáveis pela divulgação das ideias liberais e das campanhas para a separação do Brasil de Portugal.

Grupos foram formados, como o já citado Clube da Resistência, fundado por José Joaquim da Rocha, que foi um dos centros propulsores do movimento emancipador do Brasil, que depois veio a ser chamado de Clube da Independência.

E assim, a Maçonaria se manteve influente e ativa nas lutas seguintes: Revolução Pernambucana, Independência, Proclamação da República e outros movimentos foram fortemente acompanhados e organizados pelos maçons.

Até hoje, não só no Brasil como no mundo inteiro, as Lojas se mantêm ativas e atuantes, ainda que o contexto político e social mundial seja outro, menos revolucionário.

Atualmente, as Instituições possuem vínculos entre si por meio de Tratados internacionais que consolidam uma grande rede continental. Dessa forma, a história antiga e recente da Maçonaria comprova que a Organização rege ideais que independem da época e do contexto sócio-político para serem valorizados.

Para melhor enriquecimento desta pesquisa, acrescentou-se documentos como anexos. 

VI

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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LOJA SIMON BOLÍVAR. Informação disponível em: <www.simonbolivar.com.br>. Acesso em maio de 2005. 

VII

ANEXOS ·

  • Anexo nº 01 – Ato do Poder Executivo
  • Anexo nº 02 – Carta da renúncia de Deodoro da Fonseca ao Grão Mestrado-GOB
  • Anexo nº 03 – Dicionário de Termos Maçônicos
  • Anexo nº 04 – Entrevista ·
  • Anexo nº 05 – Grão Mestres do Grande Oriente do Brasil ·
  • Anexo nº 06 – Tratados de Amizade
  • Anexo – 01 Ato do Poder Executivo
  • Anexo – 02 Carta da renúncia de Deodoro da Fonseca ao Grão Mestrado – GOB
  • Anexo – 03 Dicionário de Termos Maçônicos

 

 

Anexo 01

Ato do Poder Executivo


 

Anexo 02

Carta de Renúncia de Deodoro da Fonseca ao Grão-Mestrado GOB


 

Anexo 03

Dicionário de Termos Maçônicos

As palavras, e os termos maçônicos mais usados na Maçonaria no Brasil e Universal.

ACLAMAÇÃO. Sinais, Palavras ou Frases que os membros de uma Loja usam para aprovar por unanimidade alguma manifestação.

ÁGUIA (Ave). de rapina, cujas características são: a audácia, a serenidade, a força e a velocidade. Figura entre os símbolos mais importantes da Maçonaria.

APRENDIZ MAÇOM. Título dado ao maçom no grau 01 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

ARTE REAL. Nome dado a Maçonaria pelos maçons, que a consideram acima de tudo, um ideal de vida.

ASSEMBLÉIA MAÇÔNICA. Reunião não ritualística de maçons, mormente os de altos graus.

BALANDRAU. Capa (tipo beca) que os maçons usam para participar dos trabalhos maçônicos em substituição do traje a rigor na cor escura (preferencialmente preto), exigido nas cerimônias maçônicas.

BASTÃO. DO MESTRE DE CERIMÔNIAS Insígnia do cargo de Mestre de Cerimônias, de tradição inglesa, que simboliza a autoridade, assim como é o cetro de um rei. É representado por uma vara de madeira, tendo no seu topo uma régua ou dois bastões cruzados.

CANDIDATO. Nome dado ao profano que espera para ser iniciado.

CARIDADE. Um dos deveres principais e mais antigos da Maçonaria, cujas instituições e obras beneficentes são numerosas.

CARTA CONSTITUTIVA. Título de Constituição, dada por uma obediência a uma Loja Maçônica, que garante a sua regularidade.

CETRO. Símbolo de poder. Na Maçonaria figura como atributos de Salomão e demais soberanos, que constam da tradição da Ordem.

CHAVE. Símbolo da guarda do segredo, prudência e distinção.

COMPANHEIRO MAÇOM. Maçom no grau 02 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

CONSTITUIÇÃO DE ANDERSON. Celebrada no ano de 1717 e Confirmada no ano de 1723. Foi um trabalho que compilou todas as leis e Landmarks da Maçonaria através de escritos, usos e costumes de diversas Lojas da Inglaterra. Surgindo aí a Constituição, denominada de “Constituição de Anderson”, que como consequência, foi criada a Grande Loja da Inglaterra.

CONVENÇÃO. Denominação dada a reunião de várias Oficinas ou Potências, para decidir questões de: organização, doutrina ou liturgia (também chamado de: Congresso ou Convento).

DELTA. Triângulo Sagrado pelos maçons, símbolo da Divindade e da natureza. É o emblema da Tri-Unidade. É também o símbolo da tripla Força indivisível entre os maçons.

DEUS. Ele é denominado pela Maçonaria, como O Grande Arquiteto do Universo.

ESPADA. Acessório utilizado em várias cerimônias maçônicas, que simboliza o poder a autoridade.

ESSÊNIOS. Seita dos tempos antigos que tem uma grande analogia com a sociedade maçônica. Os Essênios viviam reunidos em congregações. Se dividiam em quatro classes e tinham palavras e sinais próprios para se reconhecerem entre si. Se um profano quisesse ser iniciado, teria que passar por três anos de provas.

ESTATUTOS. Denominação da lei maçônica geral, promulgada por uma Potência, visando regular as atividades de todas as Lojas e obreiros que trabalham em sua obediência.

FRANCO MAÇOM. Denominação utilizada para representar todos os maçons FRANCO-MAÇONARIA. O mesmo que Maçonaria.

FUNDADORES. Nome que se dá aos irmãos que constituem uma nova Loja, até a seção inaugural solene e da regularização.

G – Para os maçons, é a letra sagrada, inscrita no centro do esquadro. Significa: 1 – A primeira letra de Deus em inglês (God) 2 – O início da palavra Geometria (símbolo da arte da arquitetura) 3- o início das palavras: Gnose, Gênio e Gravitação.

GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO. Título da Divindade Suprema em todos os Ritos e Sistemas maçônicos de todo o mundo.

GRANDE LOJA. Potência Maçônica (Corpo Superior, Independente e Soberano) a que estão subordinadas as Lojas Simbólicas a ela afiliadas. Fundada através da reforma de 1717, em Londres, quando tornou a Maçonaria filosófico-social, as Grandes Lojas se tornaram um corpo superior, independente e soberano.

GRANDE ORIENTE. Potência Maçônica a que estão subordinadas as Lojas Simbólicas a ela afiliadas. Um Grande Oriente é comandado por um Grão-Mestre.

GRÃO MESTRE. Nome dado a autoridade máxima de uma Potência Maçônica.

GUILDAS. Guildas “de operários”. As associações tinham por escopo guardar os segredos das profissões, e o faziam de modo a serem confiados a poucos, após um demorado tempo de aprendizado. Naquela época, os trabalhadores de pedras, reunidos em associações ou Guildas tinham seus serviços contratados para construção de palácios, catedrais, mausoléus, pontes, etc.

IRMÃO. É atribuído frequentemente ao maçom YORK. Antiga cidade da Inglaterra que segundo os anais maçônicos, foi edificada Colégios dos Construtores (onde originou as famosas confrarias de construtores).

LANDMARK. (Baliza, limites, termos) Um Landmark não é nem um símbolo, nem uma alegoria e sim, uma regra. Se define um Landmark, como uma regra de conduta, que deve ser mantida imutável desde os primórdios tempos até o futuro. Esta forma de Lei pode ser de tradição escrita ou oral. São consensuais e devem ser mantidas intactas, em virtude de compromissos solenes e invioláveis.

LENDA, Hiram Abif como “O Arquiteto do Templo de Salomão”. Esta lenda, inspira sobretudo, em uma das cerimônias mais lindas da Maçonaria (a passagem de companheiro para mestre). Verdadeiro psicodrama, esta cerimônia reconstruí o assassinato do Mestre Hiram no Templo de Salomão, por três companheiros descontentes. A busca do seu corpo por mestres desconsolados, o descobrimento de uma acácia plantada no lugar em que ele havia sido enterrado e, finalmente a ressurreição de cada um dos irmãos elevado a condição de mestre. Esta lenda provém de um mistério representado desde a Idade Média.

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. Lema maçônico emancipador e regenerador das classes sociais. Só os homens livres e de bons costumes e igualdade de condições, pode conviver fraternalmente em uma sociedade organizada. Todos os membros maçônicos devem ser: livres e iguais perante a LOJA. Local em que os maçons se reúnem (o mesmo que Templo). Sua entrada principal se localiza no ocidente, o Venerável Mestre no oriente. Uma Loja para estar devidamente regular, deve contar com pelo menos sete mestres. A reunião deve ser sempre em um local coberto e devidamente fechado.

MAÇOM. Etimologicamente, este nome provém do baixo latim machio (cortador de pedras) ou também do inglês mason e do francês maçom (pedreiro). É um membro da Maçonaria.

MAÇONARIA. Sociedade de ensinamentos simbólicos e iniciatórios. Seu ideal é a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade. É um movimento filosófico admitindo a pesquisa da Verdade, com total liberdade de orientação e de opinião. Suas Lojas são encontradas em todos os recantos da Terra. Na Maçonaria são admitidas pessoas de todos os credos e religiões, sendo, no entanto, a condição primordial, que a pessoa que pretenda ingressar na Maçonaria, é crer em Deus. A pessoa tem também que ser livre e de bons costumes.

NEÓFITO. Maçom recém iniciado nos mistérios da Maçonaria.

O OLHO QUE TUDO VÊ. Representa a onisciência do Grande Arquiteto do Universo (Deus) – O olho que jamais dorme – Visão superior.

OBEDIÊNCIA. Grupo de Lojas que aceitam uma mesma autoridade.

ORDEM Sinônimo de maçonaria.

ORDEM DOS TEMPLÁRIOS. Também chamada de pobres dos Cavaleiros de Cristo e do templo de Salomão, foi fundada em 118 em Jerusalém.

POTÊNCIA MAÇÔNICA. Órgão superior a que uma Loja está subordinada.

PROFANO. Pessoa não iniciada nos mistérios da Maçonaria.

RITO. A palavra rito na Maçonaria tem dois sentidos diferentes: Quando se escreve Rito (com letra maiúscula) É um conjunto de graus maçons, formando um todo coerente para designar um Rito particular da Maçonaria (Escocês Antigo e Aceito, Andonhiramita, York, etc.). A palavra rito (com letra minúscula), é um conjunto de regras que fixam o desenvolvimento e as formas de trabalho em Loja os diversos cerimoniais como: (rito de despojar dos metais, o desenvolvimento dos trabalhos dentro de uma Loja, etc.).

RITO DE YORK. Também chamado de Rito do Real Arco, é um dos mais antigos Ritos da Maçonaria, compõe-se de 4 graus.

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO. Criado a partir do Rito de Perfeição ou Rito de Heredon fundada em 1.150 na Escócia, composta de 25 graus. No ano de 1761 foi outorgado a Estevan Morin o título de Grande Inspetor do Rito de Perfeição. Morin ampliou os 25 graus para os 33 atuais. Levou o Rito para os Estados Unidos e em 31 de maio de 1801 foi criado em Charleston (Carolina do Sul) o primeiro Grande Conselho.

Difundido a partir de então, este Rito em todo o mundo. A hierarquia do Rito Escocês Antigo e Aceito é dividida em 33 graus e assim distribuídos:1) Graus Simbólicos, também chamado de graus dogmáticos ou fundamentais, (do grau 1o. ao 3o.) (aprendiz, companheiro e mestre) – 2) Graus Inefáveis (do 4o. ao 14o.) 3) Graus Capitulares (do 15o. ao 18o.) – 4) Areópagos ou Graus Filosóficos (do 19o. ao 30o.) e 5) Graus Administrativos (do 31o. ao 33o.).

RITOS. (Quantidade) Existem cerca de 154 Ritos maçônicos reconhecidos.

SEÇÃO. É a realização de reuniões maçônicas, também denominadas de trabalhos. Podem ser: ordinárias, extraordinárias, administrativas, iniciarias, magnas, de instalação, de instrução, de famílias, acadêmicas, fúnebres, brancas, etc. SEÇÃO DE TRABALHO: Reunião maçônica onde são admitidos somente maçons.

SENADO MAÇÔNICO. Órgão legal máximo das Lojas e dos corpos maçônicos a elas subordinadas, comumente chamado de Grande Loja, Grande Oriente ou Grande Conselho.

SINAL. Senha de reconhecimento por sinais entre os maçons.

SINAL DE RECONHECIMENTO. Sinal que permite a um maçom fazer-se ser reconhecido por outro maçom SINDICÂNCIA. Investigação ordenada pelo Venerável Mestre para verificar a vida, a conduta moral e os costumes dos candidatos a se iniciarem nos mistérios maçônicos.

TEMPLÁRIO. Ordem militar religiosa, fundada em 1118 em Jerusalém para proteger os peregrinos cristãos que iam para a terra Santa. Posteriormente se estendeu por toda a Europa.

TEMPLO. Local em que os maçons se reúnem (o mesmo que Loja).

TEMPLO DE SALOMÃO. Na acepção maçônica este templo é mítico. É a imagem da representação do Universo e de todas as maravilhas e perfeições da criação. Na bíblia, é o famoso Templo que o rei de Israel Salomão, mandou erigir em Jerusalém, sobre o monte Moriah (II. Crô. 3:1), cujos dados arquitetônicos a Maçonaria adotou para a formulação e perpetuação do seu simbolismo.

TROLHA. Instrumento de pedreiro de forma triangular (a colher de pedreiro), adotado na Maçonaria como instrumento simbólico. É o emblema do amor fraternal que deve unir todos os maçons.

TRONCO. Bolsa (ou sacola) em que os maçons depositam valores para determinados fins específicos.

UNIVERSAL. Qualificativo aplicado a Maçonaria Simbólica pelo caráter universal dos seus três primeiros graus. UNIVERSAIS; São os três primeiros graus da Maçonaria Simbólica: Aprendiz, Companheiro e Mestre.

VENERÁVEL. Tratamento que se dá ao Presidente das Lojas Simbólicas

 

 Anexo – 04

Entrevista com o Grão Mestre – GOB

Entrevista com o Sr. Laelso Rodrigues, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, em junho de 2005.

01-A obscuridade da origem da Maçonaria tem levado pesquisadores de diversos campos a desvendar a sua origem. Existe alguma unanimidade entre os maçons?

R- Sim, a unanimidade é que a Maçonaria foi criada, como nós a entendemos hoje, em 1717, na Inglaterra. Quanto à sua origem, também é unanimidade que ela descende das Guildas, ou seja, as associações de artífices da Idade Média. Mais especificamente da Guilda dos Franc Maçons (Pedreiros Livres) que foram os construtores das grandes obras de engenharia da Idade Média.

02A relação entre os Templários e a Maçonaria na Idade Média teria sido a responsável pela sua afirmação na Europa?

R – Não existe, a meu ver, ligação entre a Maçonaria e os Templários, a não ser que a Maçonaria, tenha tomado emprestada parte da filosofia dos Templários, assim como o fez com todas as escolas iniciáticas e de estudos filosóficos da antiguidade.

03-Tanto se menciona nos livros sobre o possível segredo dos Templários. Teria então alguma sociedade secreta ficado com este segredo, ou até mesmos os maçons?

R- Este segredo dos Templários não passa de romance da história. Acredito que ninguém ficou de posse de um “segredo” que nunca existiu.

04- O Sr. Acredita numa possibilidade de futuras aproximações com a Igreja? Mesmo com a reedição de novos códigos canônicos (que não mais excomunga os católicos) continua a posição de ser contra a filiação de católicos na Instituição.

R- Neste mundo tudo tende a evoluir e as distâncias entre Instituições estão diminuindo. No entanto, por ser a Igreja Católica muito tradicionalista, acredito que esta aproximação ainda vá demorar algum tempo para acontecer, se é que acontecerá. Tudo depende de iniciativa da Igreja, pois quem condena é ela. A Maçonaria não tem nada contra a Igreja Católica.

05- Na América Latina, por exemplo, a Maçonaria esteve presente nas lutas pelas Independências através de seus representantes como Simon Bolívar, Francisco Miranda, e entre outros. Lutar contra um soberano ou contra um Estado não vai contra os princípios da Ordem Maçônica?

R- Não, porque a Maçonaria pugna pela Liberdade, além da Igualdade e Fraternidade e não pode tolerar que um povo seja subordinado a outro, como era o caso na época.

06- No Brasil, a Maçonaria e o GOB foram responsáveis por lutas políticas e sociais, como a independência e a revolução pernambucana. Afinal, qual era finalidade desta Instituição na América?

R- A Maçonaria, por ser universal, tem a mesma finalidade, onde quer que esteja: defender a liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

07- Na Maçonaria existem certos regulamentos e obediências. Porque ainda existem Lojas Maçônicas que não são reconhecidas pela Grande Loja da Inglaterra e pelo GOB?

RPor não atentarem aos requisitos de regularidade e por não obedecerem aos landmarks, que são universalmente aceitos.

08-As Lojas Maçônicas, geralmente convivem fraternalmente sob um Tratado de Amizade. Qual a importância de tais Tratados para esta Instituição e para a Sociedade?

R- Para a Instituição Maçônica representa mais um passo para a unificação da Maçonaria Brasileira e o estreitamento de amizade e relações entre o Grande Oriente do Brasil e as Potências Maçônicas Estrangeiras.

09- A Maçonaria Universal não admite no seu seio mulheres. Sabe-se que não só no Brasil, como também na Europa, existem Lojas femininas que divulgam pertencer a Maçonaria. O que o GOB tem a nos dizer sobre a questão?

R- Estas Lojas, Femininas ou Mistas, não podem ser consideradas Maçonaria, pois atentam contra os landmarks e as cláusulas de regularidade Maçônica.

10-Segundo dados do “List Of Lodges Masonic”, de 2003, editado pelo GOB, consta que existem hoje mais de dois milhões de maçons espalhados pelo mundo. Qual a perspectiva desta Instituição no cenário Político Mundial frente aos problemas que cercam a humanidade?

R- Procurar sempre fazer valer a sua filosofia de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, procurando engrandecer a Humanidade

11– Qual a sua mensagem com relação às pessoas que desejam conhecer mais sobre a história, doutrina e filosofia da Maçonaria?

RQue visitem o Museu do Grande Oriente do Brasil, onde poderão conhecer não só a História, mas também os trabalhos atuais da Maçonaria Brasileira.


 

Anexo – 05

Grão Mestres do Grande Oriente do Brasil-GOB


 

Anexo – 06

Tratados de Amizade

 

 

NOTAS

 

[1] VIOTTI, P. R. e KAUPPI, M. V. International Relations Theory, 2nd Edition, Macmillan, New York, 1993, pp. 194-199.

[2] WALLERSTEIN, I. “World Systems Analysis” – Duke University Press, 2004.

[3] JUDGE, Anthony. “NGO’s and society: some realities distorsions”, Transnational. Associations. 1995.p.178.

[4] FERNANDES, Rubem César. O Terceiro Setor na América Latina, Civicus, 1994.

[5] FINDEL, J. G. In Enciclopédia Maçônica. apud, LINHARES, Marcelo. A Maçonaria e a Questão Religiosa do Segundo Império. Brasília: Senado Federal, 1988. p.107.

[6] FINDEL, J. G., Historie de la franc-maçonnerie depuis son origine jusqu a nos tours. apud, BENIMELI, J. A F. e CAPRILE G V. Alberton. Maçonaria e Igreja Católica Ontem, Hoje e Amanhã. São Paulo:
Edições Paulinas, 1981. p.44.7

[7] CAUBET, Franc Maçonnerie Universelle, Paris, 1878, apud, op. cit., idem.

[8] CAMINO, Rizzardo. in Introdução a Maçonaria. p.13-14. apud, LINHARES, Marcelo, op. cit., p. 107.

[9] O que é Maçonaria, Gob, p.1.

[10] LINHARES, Marcelo, op. cit., p.109.

[11] Surgiu no século VI a.C, segundo pesquisadores, foi primeira associação organizada de construtores.

[12] Criada em 1717, com intuito de ter uma obediência que regulasse as lojas existentes na época.

[13] CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. São Paulo: Landmark, 2001.

[14] CASTELLANI, op. cit., p.19.

[15] JACQ, Christian., In: La masoneria Storia e iniziazione. apud, LINHARES, Marcelo, op. cit., p.117.

[16] NICOLA, Aslan, In Uma Radioscopia da Maçonaria, apud, LINHARES, Marcelo, op. cit., p.118.

[17] SHIAPPOLI, D. la Massoneria sencondo il diritto penale canônico ela legislazione napoletana del secolo XVIII, apud BENIMELI, J. A F., e CAPRILE G. V., op. cit., 1936, p.24.

[18] BENIMELI, J. A F., e CAPRILE G. V., op. cit., p.18.

[19] BENIMELI, J. A F., e CAPRILE G. V., op. cit., 20.

[20] LINHARES, Marcelo. A Maçonaria e a Questão Religiosa do Segundo Império. Brasília: Senado Federal, 1988.

[21] BENIMELI, J. A F., e CAPRILE G. V. Alberton, op. cit., p. 24.

[22] LINHARES, Marcelo, op. cit., p. 157.

[23] Ver Valdir Gomes. A Igreja Católica e a Maçonaria. Porto Alegre: Literalis, 2004.

[24] GOMES Valdir, op. cit., p.91.

[25] Grifo meu

[26] TEIXEIRA, Descartes de Sousa. Antimaçonaria e os Movimentos Fundamentalista do fim do Século XX. São Paulo: Glesp, 1999.

[27] GUEIROS, David Vieira. Protestantismo, a Maçonaria e Questão Religiosa no Brasil. Brasília: UnB.1980.

[28] O que é a Maçonaria, op. cit., p.1-4.

[29] Extraído do Boletim da Secretaria da GLMRS, em maio de 2001. apud, Gomes Valdir, op. cit., p.28

[30] \ Dados coletados do Livro “lista of Lodges Masonic” Grande Oriente do Brasil, 2003.

 

[31] GOMES, M.P. A Maçonaria na História do Brasil. 2ª ed., Rio de Janeiro: Aurora, 1975.

[32] GOMES, M.P, op cit., p.14.

[33] GOMES, M.P, op. cit., p.55.

[34] CASTELANNI, op. cit., p. 62.

[35] CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. São Paulo: Landmark, 2001.

[36] Idem, op. cit., p. 69.

[37] Eduardo Tourinho, “Alma e Corpo da Bahia. apud D ‘ALBURQUERQUE. A. Tenório. A Maçonaria e a Independência do Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Aurora, 1980, p. 142.

[38] BARROSO, Gustavo. História Secreta do Brasil. apud D ALBURQUERQUE. A. Tenório. A Maçonaria e a Independência do Brasil. 2ª ed., Rio de Janeiro: Aurora. 1980 p. 196.

[39] Ibidem.

[40] SILVA, Hélio. o Primeiro Século da República “Caderno de Pesquisas Maçônicas nº 2”, A Trolha, Londrina. 1990. p.63.

[41] PRADO, Caio Junior, Formação do Brasil Contemporâneo. 8ªed., São Paulo; Brasiliense 1965. p.369.

[42] Informação fornecida pelo Sr. Carlos Alberto Chaves, Administrador do Museu – GOB, em junho de 2005.

[43] GOMES, Valdir, op. cit., p.29.

[44] Dados extraídos do boletim da Secretaria da GLMRS, em maio de 2001, apud Gomes Valdir, op. cit., p.29.

[45] GOMES, Valdir, op. cit., idem.

[46] GOMES, Valdir, op. cit., p.34

[47] Ibidem.

[48] CASTELLANI, op. cit., p.22.

[49] IDEM, p.23.

[50] LERA, Angel Maria. O regresso da Maçonaria. Lisboa: Bertrand, 1984, p.83.

[51] Ibidem.

[52] CASTELLANI, op. cit., p.39.

[53] NAUDON Paul. apud, TEIXEIRA, Descartes de Souza, op. cit., p.68.

[54] TEIXEIRA, Descartes, op. cit., p.69.

[55] Ibidem, p.70.

[56] Ibidem, p.74.

[57]Ibidem, p.67.

[58] Ibidem, p.41.

[59] TEIXEIRA, Descartes, op. cit., p.65.

[60] CASTELLANI, op. cit., p.41.

[61] MITRE, Bartolomé, História de San Martin, apud, Escritos Políticos de San Martin. Petrópolis, Vozes: 1990, p.15.

[62] Ver citações da Loja Simon Bolívar. disponível em <www.simonbolivar.com.br>. acesso em maio de 2005.

[63] POMER, Leon. As independências na América Latina. São Paulo: Brasiliense, 1981, p.77.

[64] LERA, Angel, op. cit., p.68.

[65] RESEK, José Francisco. Direito internacional público. São Paulo: Saraiva, 1994. p.411.

[66] ACCIOLY, Hildebrando & NASCIEMENTO E SILVA, Geraldo Eulálio. Manual de Direito Internacional Público. 13 ed., São Paulo: Saraiva, 1998. p.55.

[67] Entrevista com o Sr. Laelso Rodrigues, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil – GOB, junho de 2005.

[68] Dados compilados do site do Grande Oriente do Brasil – GOB, em fevereiro de 2004.

Antônia Edilânia Alves Farias
A Atuação e Influência da Maçonaria na Política Mundial
Monografia apresentada ao Curso de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília – UniCEUB – como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais
Orientadora: Profª Meireluce Fernandes da Silva
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA
FAJS – FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Brasília – DF 2005

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