Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Bibliotecário- J. Filardo

Cowans – Profanos ou Goteiras

Tradução J.Filardo

Por Victor Guerra

(Hogarth)

 

Português

Cowans – Pedreiros sem a palavra

Em geral, idealizamos bastante o mundo das guildas de pedreiros e tudo o que tem a ver com elas e, por extensão, com o que a Maçonaria chamou nucleação na mesma palavra de sindicatos profissionais e seus regulamentos e a ação daqueles reunidos em lojas chamadas lojas especulativas que tomaram emprestados símbolos e ferramentas dos pedreiros. Bem, naquele mundo fechado profissional ocorreram marginalizações que atravessaram essa barreira para se estabelecer no seio do ritual especulativo maçônico.

Dentro da grande fraternidade que é a Maçonaria, e cujos começos podemos colocar em 1717, entre cujos objetivos o documento funcional as Constituições de Anderson incluem que “ela se tornará um centro de unidade e será o meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que fora dela permaneceriam separadas umas das outras”.

No entanto, ao longo de sua história, manterá uma série de pessoas e grupos fora de seus limites, e um desses grupos os chamados “cowans”, uma questão que vem dos primeiros dias do sistema operativo e diante do temor da intrusão não só os segregou, mas para impedir sua entrada em outras guildas impôs os “Tylers” ou telhadores à porta das lojas.

Por que motivo vale a pena perguntar quem eram esses profissionais marginalizados ligados ao mundo da pedra?

Em termos gerais, podemos dizer que eles eram pedreiros que não veremos integrados nas cidades e nas poderosas organizações sindicais ligadas à pedra, tais como guildas, grêmios, irmandades e corporações, organizações que não aceitavam os pedreiroscanteiros vinculados ao mundo rural, onde eram vistos erguendo aquelas paredes de pedra que dividiam as terras dos habitantes locais. Seu trabalho era construir paredes de 1 a 1,5 metros, que raramente tinham argamassa e menos ainda cal.

Esses profissionais inseridos no mundo rural eram verdadeiros especialistas em corte de pedras, pois sabiam cortar a pedra ao longo de suas linhas de fissura e esquadrar as diferentes faces para moldar a parede com elas, em um intrincado emparelhamento, por meio de sua arte podemos rastrear a presença deles em muitas culturas.

É verdade que o mundo rural, pelo menos na antiguidade, fazendeiros e pecuaristas sabiam, em maior ou menor grau, erigir essas paredes de maneira grosseira, embora isso não os impedisse de participar, pois é um obstáculo, na criação de cabanas e currais em todo o território rural inglês.

Essa tarefa de construir e manter esses recintos correspondia, portanto, a esses pedreiros rurais e a outros do tipo descrito como wallers, que estavam encarregados deste trabalho como tal cow-men […] Embora o trabalho deles também tenha sido regulamentado conforme declarado em 1636 em Canongate, e por cujos estatutos sabemos que eles tinham permissão para usar argila como argamassa, mas não podiam usar cal, uma questão que também é confirmada por um decreto anterior de Glasgow em 1623, pelo qual o cowan John Sheldden estava autorizado a construir muros com argamassa de argila, mas sem cal e areia, com a condição de que esse muro tivesse apenas um metro de altura.

O que é estranho ou talvez mais sintomático é o fato de que esses trabalhadores acabaram recebendo a qualificação de bisbilhoteiros (espiões). Talvez a palavra certa fosse “intrusos”, pois não se tratava de espionar ninguém nas lojas, mas de uma possível intrusão profissional.

É evidente que esses cowans discriminados estavam a certa distância maior ou menor, em termos da experiência, dos pedreiros e também das organizações (guildas, grêmios, corporações, etc.) que administravam grandes pedreiras e, portanto, sabiam esculpir os grandes blocos que obtinham previamente e cujo processo, até consolidar a conclusão do edifício religioso ou civil, exigia treinamento, aptidões e qualificações muito diferentes.

As técnicas evoluíam para vários efeitos: sociais, políticos ou religiosos, ou simplesmente motivados por um grande incêndio, de modo que o novo edifício exigisse argamassa cujos componentes essenciais estavam na mesma pedreira: poeira de calcário, técnicas aperfeiçoadas que, por sua vez, eram mantidas em segredo pelas guildas desconfiadas, que tentavam e conseguiam, como era o objetivo, manter os grupos de canteiros unidos e alcançar cotas de poder relevantes nas áreas urbanas, nas quais os famosos cowans não haviam penetrado.

Portanto, vale a pena perguntar por que essa rejeição de corporações profissionais fechadas de natureza urbana em relação a profissionais individuais que se aglomeravam no meio rural?

Primeiro, devemos especificar uma pergunta sobre a presença deles nos textos manuscritos nos quais encontramos algumas referências, principalmente tratando-se de textos de origem escocesa como os famosos Estatuto de Shaw de 1596, que indicam tal regulamentação … «That na Maister or Falow – of – Craft ressave the paine of twentie

ony cowanis to wirk in his societie or company nor send name of his servants to wirk wit cownis under pundis so often as ony persone offendis heirintill» .[1]

Eles também eram definidos como dry-diker, alguém que constrói sem cimento, isto é um Maçom sem a Palavra, ou seja, a Palavra de Maçom.

Mas, além disso, pouco mais existe, e não nos explica essa marginalização e desacordo entre as guildas e esses pedreiros rurais.

A Peste Negra teve algo a ver com todo esse desenvolvimento. Seu término implicou uma verdadeira remodelação das sociedades, de seus relacionamentos e de suas estruturas como conglomerado social e trabalhista. Um desses efeitos foi a administração da igreja como um poder institucional projetado a partir daquele momento na construção de igrejas e catedrais, em cujo desenvolvimento as guildas e corporações desempenharão um papel fundamental, onde ressurgirão fortemente e, como tal, se tornarão cada vez melhores em termos de suas técnicas e de seus próprios desenvolvimentos enquanto organizações sociais e profissionais.

Essa mudança provocou a construção de grandes edifícios, aos quais era agregado um edifício adjacente chamado loja, cuja faceta multifuncional servia tanto para proporcionar abrigo, armazenar ferramentas, reunir a corporação, servir de escritório para o Mestre de Obras, ou para os trabalhadores se alimentar ao abrigo de diferentes situações climáticas, etc.

Essa antessala das obras reunia os trabalhadores menos qualificados do lado de fora, sendo o interior reservado para pedreiros mais especializados, tais como os entalhadores. O lugar era guardado por um Tyler (telhador), que era o nível mais baixo na hierarquia da corporação.

Algumas guildas, em que pese a ideia utópica de liberdade tão exagerada na mídia historiográfica, eram bastante limitadas e é necessário acrescentar a sua própria rigidez enquanto estruturas jurisdicionais nos territórios, tanto é que esses Ofícios Jurados estavam entregues às mãos dos senhores feudais, que finalmente anularam a possível mobilidade profissional. De fato, sua liberdade foi resgatada das mãos da forte regulamentação normanda que regulava o país com mão de ferro, pela própria igreja que precisava ter mão de obra para desenvolver seu impressionante projeto de erguer igrejas e catedrais.

Essa liberdade foi alcançada, seja através de preços ou dispensas da Igreja para dispor de tais trabalhadores que por sua origem e desenvolvimento acabaram se tornando “corporações cada vez mais livres”, embora isso também seja relativo, uma vez que estavam limitados aos regulamentos, jurisdições das corporações e dos poderes públicos.

Portanto, esse grande projeto eclesial deu origem à construção de edifícios religiosos no tranquilo ambiente rural e, como tal, levou à contingência do encontro entre duas especificações profissionais nesse campo.

Neste tranquilo espaço rural, os membros do ofício da corporação de pedreiros se encontrarão e, por outro lado, os “cowans” que viram chegar às suas construções novas oportunidades de trabalho, mesmo que nunca tenham realizado obras dessa magnitude, nem tivessem certas capacidades técnicas. Com o tempo eles foram adquirindo habilidades, o que por sua vez gerava atritos entre os dois setores, mas os “cowans” perderam a batalha e ficaram confinados aos empregos mais simples do ofício. Entretanto, apesar de suas antiguidades no mundo da pedra, eles não podiam enfrentar as poderosas e herméticas guildas, que se fechavam em bando recusando-se a dar espaço a eles em seu organograma profissional, nem mesmo como aprendizes.

E para isso eles adotaram medidas de proteção tais como palavras e gestos de reconhecimento.

E mesmo quando conseguiram um certo reconhecimento, na realidade isso nunca foi real ou foi o resultado de uma questão circunstancial, seja porque os sindicatos não estavam interessados em um determinado trabalho ou porque a força de trabalho tinha que ser grande devido a requisitos de prazo de execução, como aconteceu com a reconstrução de Londres, onde todos os profissionais pedreiros foram convocados para trabalhar, fossem pedreiros, cowans ou membros das sociedades de Irmandade (Compagnons, Bahütte, etc.) para trabalhar com as corporações estabelecidas na reconstrução da cidade.

Além disso, existe um terrível paradoxo: enquanto as Guildas do Ofício sempre se recusaram a abrir as portas para os cowans, pela porta, curiosamente, portas e janelas eram abertas para aos cavalheiros para que se tornassem parte da estrutura corporativa cada vez mais decadente. Portanto, as lojas foram cada vez mais articuladas como centros de poder burguês urbano, onde pouco podiam os famosos cowans, o que eu já indico no título do artigo não “tem a palavra”, na verdade, temos a loja escocesa Mãe

Kilwinning, que define os cowans como diaristas fora das guildas e “maçons sem a

Palavra “.[2]

Em dezembro de 1598 em Edimburgo, através dos Estatutos Schaw, em relação à observância de todos os Mestres de Obras e Observadores Gerais do Ofício, o artigo 15 afirma que “Nenhum Mestre ou companheiro do ofício receberá um cowan para trabalhar com ele, nem enviará nenhum de seus assistentes para trabalhar com Cowans, sob pena de multa de vinte libras cada vez que alguém quebre essa regra.[3]

Até a Assembléia de York enfatiza que “nenhum mestre deve fazer planta, equadro ou régua para um desbastador ou montador de pedra sem argamassa”.

A disciplina férrea em que o “juramento ou promessa” por parte do artesão mediou uma estrutura reguladora inflexível alcançou tal extensão conforme nos mostra um documento da loja Mary’s Chapel de Edimburgo em que se registra que um maçom da loja tinha que reconhecer e confessar ter ofendido a guilda e o mestre da loja por oferecer trabalho a um cowan, tendo que fazer uma confissão humilde e prometer nunca fazê-lo novamente. Em outros lugares, são coletadas informações sobre multas e condenações pecuniárias pela contratação de tais cowans.

OS COWANS NAS DIVULGAÇÕES E RITUAIS MAÇÔNICOS.

A etimologia da palavra cowans preencheu muitas páginas da historiografia inglesa e muito poucas páginas, para não mencionar quase nenhuma em francês.

Embora isso se deva talvez ao fato de o termo ter sido traduzido para o francês de uma maneira muito diferente, e sua singularidade como tal ter sido ocultada de tal maneira que a maioria dos dicionários maçônicos em uso, apesar de ser um termo amplamente usado em inglês na Maçonaria operativa e especulativa dos primeiros momentos, e na bibliografia francesa apenas em determinadas circunstâncias.

Revisando os dicionários em uso como, por exemplo, o Dictionary of Freemasonry, de Daniel Ligou, ou a Enciclopédia de Saunier, nem mesmo a prolífica Irene Mainguy trazem o termo em suas publicações, quem o faz são Boucher e Bayard, mas acrescentando as citações já expostas sobre a loja de Kilwinning.

Apenas o dicionário de Solange Sudarkis,[1] é um pouco mais explícito. Esta autora nos remete às Constituições de Anderson de 1738, cujas palavras são retomadas por Laurence Dermott no Ahiman Rezon. Estendendo-se a autora do repertório em sua entrada ao que já foi exposto neste artigo, sem se aventurar em nenhuma outra novidade.

Nesta busca pela etimologia, há quem nos leve de volta às origens gregas para nos dizer que daí vem uma expressão semelhante que vem expressar algo como “cachorro”. Continuando com essas andanças, existem aqueles que acabam diante da Revista de

Maçonaria, que em seu volume 1, cita o Cavaleiro Ramsay quando fala sobre An Inquire Concerning Cowans; e sem sair do solo inglês, a pena deSir Walter Scott cita os referidos operativos em seu romance Rob roy: «Ela não valoriza um Cawmil Mair como Cowan,

e você pode dizer a Mac Callum More que Allan Iverach disse que sim.

É isso que alguns documentos repetem uma e outra vez, mas é preciso dizer que esse conjunto de contribuições dificilmente nos tira da roda gigante da repetição de citações, muitas delas tendo como base o que já foi bem escrito por Mackey, ou pelo próprio Joseph Fort Newton.[2]

Quem vem em nosso auxílio neste árduo desbaste entre fontes primárias é, como quase sempre, o grande aluno do fenômeno maçônico, Henry Carr [3],  que nos oferece mais pistas sobre tal termo, pelo menos para seguir adiante.

OS COWANS NAS ANTIGAS OBRIGAÇÕES (OLD CHARGES)

Analisei a etimologia do termo e sua adequação nos campos profissionais relacionados ao mundo da cantaria e, é claro, seu atrito socioprofissional devido a diferentes mudanças nos setores profissionais, e não vejo que manifestem uma atenção especial nas diversas regulamentações socioprofissionais do século XVI ao XVIII, ou seja, nas Antigas Obrigações (Old Charges).

Pode-se dizer que sua presença em tais textos é mínima, como nos mostra o prestigioso pesquisador da chamada Escola Autêntica, Henry Carr, que escreve que a presença dos cowans é notada em dois manuscritos, o Dumfries No. 4 e o Wilkinson.

O primeiro deles, de 1710, em sua lenda do Ofício, nos expõe outra variante do termo: «cowin» e em cujo texto se insere nesta frase: «048 The Assembly Itim that no master masson shall make any mould square or Rule to any Layer or cowin Itm that no mg within or without a loge shall set a lay mould of stone or other ways without».[4] cuja tradução francesa se apresenta assim: «Item, nul maître maçon ne fabriquera aucun gabarit, equerre ou regle pour un poseur ou un cowan». Que viria a ser traduzido assim: Nenhum Mestre Maçom fabricará qualquer modelo, esquadro ou régua para alguém que se passa por (se apresenta), ou que não tem qualidades (finge) ou um cowan”.

No Prefácio do referido manuscritofala-se “das obrigações de todos os maçons verdadeiramente qualificados”. Assim, fazendo-se uma distinção entre maçons qualificados e os outros, deve se referir, portanto, aos cowans, que além disso qualifica como trabalhadores temporários.

O segundo documento é o manuscrito Wilkinson de 1727, que Harold Wilkinson da loja Pomfret nº 360 encontrou em 1946 entre os documentos de seu falecido pai Samuel Blaze Wilkinson (1851-1931). E, portanto, ele carrega seu nome.

O manuscrito Wilkinson parece representar um ritual anterior ao Prichard, e parece não haver evidências de que ele tenha sido praticado em qualquer Loja de Northampton, onde foi encontrado. Tampouco se pode afirmar, certamente, por razões que explicaremos mais adiante, que o documento fosse escrito em data anterior ao que se diz. Este evento, como o resto da história, foi publicado por Knoop e Jones em sua resenha sobre tal manuscrito. [5]

Em resumo, o termo cowan é um termo que primeiramente vem do campo profissional rural, isto é, de uma guilda no amplo mundo do trabalho em pedra, mas que estava fora das questões regulatórias e da articulação das Corporações de Ofício. Não parece que eles tivessem regulamentos ou qualquer organização, pelo menos os historiadores não o incluem como tal.

Sabemos tangencialmente e por fontes doas próprias corporações de ofício que esses trabalhadores, por diferentes razões, eram exógenos ao classismo da cantaria, uma vez que eram trabalhadores que não tinham a etiqueta das distintas organizações corporativas (irmandades, guildas, corporações, etc.), que se reconheciam os seus com base em diferentes formas de aceitação e reconhecimento (palavras e toques) que faltavam a esses trabalhadores rurais, que assim não podiam, portanto, valer-se com a ajuda fraterna das diferentes organizações do Ofício.

Isso que, em princípio, não deveria ter maior importância, pois os dois setores não estavam em concorrência conforme já foi dito, quando a pressão trabalhista os levou a se mover, alguns em direção a áreas rurais com a construção de igrejas, e outros em direção a cidades para reconstrução delas, como foi o caso de Londres, isso significava que um terceiro significado estava emergindo, de maneira depreciativa, fazendo os cowans rurais parecerem intrusos.

OS COWANS NO RITUAL MAÇÔNICO INGLÊS.

Por outro lado, como eu já disse, o termo cowan não merece muito mais atenção do mundo sócio trabalhista da cantaria no território inglês, uma vez que as fortes estruturas e regulamentos assumiram a situação como uma consequência da estratificação sócio trabalhista, e assim podemos entendê-la quando não encontrar na barafunda de manuscritos regulatórios (Antigas Obrigações) nada mais do que um número muito pequeno de citações.

Sem descurar o declínio das guildas operativas, paralelamente, a questão dos cowans passou a um segundo plano.

Em vez disso, com a chegada da Maçonaria especulativa a partir de 1717 e a chegada das divulgações publicadas nos tabloides ingleses, bisbilhotando os trabalhos do ritual maçônico (Divulgações) que naquela época era um produto de alta demanda entre o público em geral, e esse termo estava vinculado principalmente ao âmbito profissional sob várias acepções: maçons rurais, pedreiro de muros, maçom sem reconhecimento ou pedreiro temporários etc., leva a uma nova acepção, e os famosos cowans começam a aparecer, atribuindo-lhes ou assimilando-os a novos termos como: leigos que pretendem

entrar nas lojas, eles também são descritos como intrusos, e um pouco mais tarde eles são denunciados como espiões.

Assim nos chegam as diferentes divulgações nos jornais da época, que dada sua semelhança, fazem com que seu conteúdo nos ofereça certas garantias de que o que elas nos dizem corresponde a uma realidade na qual quase todas coincidem mais ou menos.[6]

Uma dessas divulgações, a A Mason’s Confession (Confissão de um maçom) de 1727, que reuniu as cerimônias dos maçons especulativos daqueles primeiros anos, em sua primeira citação nos expõe ─ diz ─ “immediately after that oath, the administrator of it says, you sat down a cowan, I take you u Mason.” (Imediatamente após o juramento, o presidente diz: aqui chegastes como cowan (profano) e eu te aceito como maçom).[[7]] Uma frase que não deixa de ser surpreendente, pois pode ser interpretada como uma mão estendida a quem, depois de procurar um lugar na vida, a encontra com essa ajuda de ser aceito como maçom, mas estamos falando da época especulativa, dez anos haviam se passado desde a fundação da Grande Loja, e não estamos mais falando de um profano, mas de um cowan. O que o autor de Confissão nos quer dizer com esta frase?

Que ainda pesava a herança operativa no seio da nova proposta especulativa. É uma possibilidade.

Outra citação que já conhecemos em parte é esta: «Q. How high should a mason’s siege be? A. Two steeples, a back, and a cover, knee-high all together. ——N.B. One is taught, that the cowan is taught, that the cowans stage is built up of whim stones, that it may so on tumble down again; is taught, that the cowans siege is build-up of whim stones, that it may soon tumble down again; and it stands half out in the lodge, that his neck may be under the drop in rainy weather to come in at his shoulders, and run out at his shoes».[8]

Um assento, um local … mas onde? O texto está se referindo à parte externa da loja, naquele ponto em que o último trabalhador, talvez o cowan, não estava sob o abrigo da loja e, portanto, exposto a intempéries que lhe fustigavam todo o corpo. É possível que seja isso.

Por outro lado, as Constituições reformadas de Anderson, o autor não foi sensível a essa questão em seu texto de 1723, cuja ausência não chamaria a atenção, se não fosse pelo fato de que quinze anos depois, na revisão de 1738, ele introduziu esta frase: “Os maçons livres e aceitos não permitirão aos cowans trabalhar com eles, e eles não serão empregados a menos que haja uma necessidade urgente…”

Diante de tal pergunta, cabe perguntar por que Anderson levanta essa questão de “necessidade urgente”, justamente naquele momento, 1738 …? Essa necessidade foi justificadamente invocada em 1666, após o incêndio em Londres, que fez com que chegassem à capital inglesa as mais variadas guildas de pedreiros.

Um pouco antes da modificação Andersoniana, foi publicada a divulgação talvez mais importante dentro desse panorama de rituais maçônicos, e ligada ao setor dos Modernos. Trata-se da obra de Prichard: Maçonaria Dissecada (1730) em que o termo que nos interessa aqui surge em várias ocasiões. Vejamos então as citações:

A certa altura do catecismo clássico dos trabalhos rituais, o Venerável Mestre pergunta ao Aprendiz Aceito onde ele se situa e este responde:

Apr: Ao norte.

VM: Qual é o seu dever?

Apr: Manter afastados todos os cowans ou bisbilhoteiros (eaves-droppers)

VM: Se um Cowan for capturado. Como ele deve ser punido?

Apr: Colocando-o sob os beirais da casa em tempo chuvoso até que a água entre por seus ombros e saia pelos seus sapatos.[[9]]

É aqui que se aprecia o vínculo que se faz entre os cowans como bisbilhoteiros, (eavesdroppers), que é exatamente o termo de correlação. Mas para que se perceba como esses termos desaparecem ou se deformam com as traduções, naquela já mencionada de Renato Torres, neste caso da chamada Maçonaria Dissecada, ele traduz “To keep off Cowans and Eves-droppers”, como “Afastar profanos e bisbilhoteiros.”

Como se pode ver, os rituais e os catecismos valem-se das mesmas fontes, pelo menos em relação a algumas questões, pois mostram as coincidências entre as duas divulgações: Confissões e a Dissecada.

Também aparece um pouco mais adiante, quando a VM continua com o catecismo: P. Qual era a altura da porta da Câmara do Meio?

  1. Tão alta que um cowan não conseguiria cravar um alfinete.

A resposta, digamos, está na tradução da seguinte frase do catecismo, pelo menos em relação à tradução francesa, quando diz: «ela é tão grande que uma manobra (manoeuvre) não podia cravar um alfinete (épingle).

E comento que tal explicação está na tradução porque, por um lado, manouevre, geralmente traduzida como manobra e, como me explica o maçonólogo Joaquim Villalta, esse termo deveria ser traduzido como “peão” ou “mão de obra”, para se encaixar no entendimento mais adequado da frase, inclusive entendendo o termo “Pin” como prego, ou seja, um cravo pequeno e fino. Mas, no entanto, a frase na realidade, no idioma original em inglês, é “So high that a Cowan could not reach to stick a Pin in”, ou seja, que não existe manobra alguma, apenas a versão livre francesa de cowan. [10]

Por sua parte, Laurence Dermott também dedica a eles várias citações em sua Bíblia constitucional, como é o Ahimam Rezon (1751) para os Antigos, onde ele escrevia sobre esses pedreiros marginais como “When sinful Cowans were grooving in the tide, the Mason Ark triumphantly did ride”.[11]

Pecaminosos, por que razão?, o seu trabalho nas áreas rurais construindo muros era, por acaso, repreensíveis ou imorais? Quando, na realidade, os irlandeses que constituíam a Grande Loja dos Antigos eram geralmente da mais baixa classe social de Londres, ou pelo menos assim eram considerados, incluindo o próprio pai fundador.

Laurence Dermott se deixa resvalar ladeira abaixo quando indica que nobres ricos podem contratar bons maçons e não cowans.

Tinha ele medo da concorrência? : « When Men of Quality, Eminence, Wealth, and Learning, apply to be made, they are respectfully accepted, after due Examination; for such often prove good Lords (or Founders) of Work, and will not employ Cowans when true Masons can be had; they also make the best Officers of Lodges, and the best Designers, to the Honour and Strength of the Lodge; nay, from among them the Fraternity can have a Noble Grand Master; but those Brethren are equally subject to the Charges and Regulations, except in what more immediately concerns Operative Masons»[12]

Aqui, Dermott repete o que Anderson disse em 1738 “But Free and Accepted Masons shall not allow Cowans to work with them, nor shall they be employed by Cowans without an urgent Necessity; and even in that Case they must not teach Cowans, but must have a separate Communication; no Labourer shall be employed in the proper Work of Free-Masons».[13]

A seção dedicada ao telhador (Tyler) se determina: «BROTHER V. W.: You are appointed Tiler of this Lodge, and I invest you with the implement of your office. As the sword is placed in the hands of the Tiler, to enable him effectually to guard against the approach of cowans and eavesdroppers, and suffer none to pass or repass but such as are duly qualified, so it should admonish us to set a guard over our thoughts, a watch at our lips, post a sentinel over our actions; thereby preventing the approach of every unworthy thought or deed, and preserving consciences void of offense toward GOD and toward man».[14]

Mas nas Constituições dos Antigos: Ahiman Rezón, a palavra cowan aparece cerca de catorze vezes e novamente em Tubal Kain.

Outros textos rituais movem-se em linhas semelhantes, seja de uma forma muito definida, como já vimos ou retirando certas assimilações.

No Guia de maçons escoceses de 1829.

  1. Quem são aqueles a quem você chama cowans?
  2. Aqueles que não são maçons [15].

Mais adiante, se pergunta:

  1. Um maçom pode seguir sendo um Cowan?
  2. Aquele homem que ingressa por mera curiosidade, para ganhar posição social ou vantagens nos negócios, o falso maçom é o verdadeiro cowan, uma fonte sutil de problemas dentro do corpo do Ofício, que certamente afetará a vida da Irmandade. se não se tiver cuidado.[16]

A pergunta que poderíamos fazer é: por que se segue em 1829 assimilando a questão dos falsos maçons aos cowans? E não apenas isso. Como é possível continuar mantendo-os como fonte de diversos problemas, e isso não é feito falando diretamente de profanos que desejam ingressar na Maçonaria.

Em geral, essas são perguntas não apenas que os historiadores não se fizeram, mas que dificilmente foram objetivadas, e a possível resposta que temos para essa tendência dos maçons de manter as analogias antigas dentro dos rituais que nos podem parecer um tanto estranha e até pouco compreensível, mas explica o conteúdo e o continente, embora no final o que resta de tudo isso, e se torna muito evidente, é o interesse em assemelhar o termo cowan a uma série de atitudes reprováveis.

Nesse sentido o ritual Duncans’ Masonic Ritual and Monitor (1866) se expressa deste modo:

  1. Brother Tyler, your place in the Lodge. (Irmão Guardo do Templo Qual é o seu lugar na loja?)
  2. Without the inner door. (Fora da porta interna)
  3. Your duty there? (Qual é o seu dever ali?)
  4. To keep off all cowans and eavesdroppers, and not to pas o repas any but are duly qualified and have the Worshipful Master´s permission. (Manter afastados todos os profanos e bisbilhoteiros, e não deixe passar ninguém devidamente qualificado e sem a permissão do Venerável Mestre.)

Nesta linha que marca muito uma parte da ritualidade inglesa dos Antigos, mesmo quando a unificação de 1813 entre os Modernos e os Antigos tenha sido deixada para trás, e eles haviam se imposto uma normalização ritual através da implosão de ritual padronizado para esta nova fase, como é o ritual Padrão de Emulação, e onde se pode ver que em um ritual como o Duncan, o chamado Tyler (Guarda do Templo), localizado fora da loja, apresenta como missão, espada na mão, garantir que nenhum cowan ou intruso entre na loja.

A esse respeito, dos cowans surgiu um dilúvio de versos e canções satíricas, como a de Gavin Wilson, poeta e maçom da loja St. David no. 36 de Edimburgo, que em 1788 em suas canções satíricas apresenta os cowans como tolos, que pretendendo obter o Palavra

de Maçom eles podem ser enganados de mil e uma formas.[17]

Que, no final, é que por sua vez, o prestigiado Makey apresenta, quando narra como Robert Jamieson, em sua busca por possíveis derivações do termo, se coloca diante da alocução que termina com o termo “cachorro” (talvez ligando o fato de que os escritores bíblicos haviam exposto precisamente o cão como uma imagem de desprezo) e, a partir dessa acepção a que chega Jamieson, este o coloca em relação à língua sueca, para concluir a caracterização dos cowans como Kujon ou Kuzhhjohn que significa: “tolo”.

Notes

  • Dictionnaire vagabond de la pensée maçonnique. Éditions Dervy.2017
  • The Builders. A Story and Study of Masonry. Grand Lodge of Iowa. 1914.
  • The Early Masonic Catechisms. Quatuor Conorati Lodge nº 2076.
  • on two lines withgo owl.
  • https://hermetismoymasoneria.com/s13doc2a.htm.
  • Révaguer, Marie-Cécile. Les âges de la vie pour le franc-maçon britannique du

XVIIIe siècle In: Les Âges de la vie en Grande-Bretagne au XVIIIe siècle. Presses Sorbonne Nouvelle, 1995.

  • En la traducción de Renato Torres, para el libro: Catecismos Masónicos (1696-1750). Edito Pardes. Este traduz a frase como: Você sentou-se como um cowan, eu lhe ergo como um pedreiro.
  • P. – Qual deve ser a altura de um assento de maçom? – Duas agulhas de campanário, um encosto e um teto, todos à altura do joelho. Nota- É ensinado que o assento de um cowan é feito de pedra vulcânica para que afunde rapidamente. E está localizado metade na loja, metade do lado de fora, para que o pescoço do cowan fique sob o beiral do telhado em tempo chuvoso e que a água lhe penetre por entre seus ombros e saia pelos seus sapatos.
  • O ilustrador W. Hogarth, em 1730, parodia esse curioso castigo em sua obra Night . Ver: Mulvey-Roberts, Marie. Hogarth on the Square: Framing the Freemasons. Journal for Eightieth-Century Studies. Vol. 23. 2003.
  • (Nota do Tradutor) Os Cowans, apesar de qualificados como pedreiros, não eram assim considerados pelas corporações, que os consideravam apenas “mão de obra” a ser contratada em caso de emergência. O que pode ter ocorrido é o tradutor francês interpretar a palavra cowan como mão de obra e ao grafar “main d’oeuvre”, escreveu “manoeuvre”, gerando assim uma distorção no entendimento da frase original em inglês.
  • “Quando os pecaminosos Cowans sucumbiam à maré, a Arca do Mason triunfante subiu.”
  • «Quando homens de qualidade, eminência, riqueza e aprendizado solicitam serem recebidos, eles são respeitosamente aceitos, após o devido exame; porque eles frequentemente provam ser bons Senhores (ou Fundadores) do Trabalho e não empregarão Cowans quando podem ter verdadeiros maçons; eles também são os melhores Oficiais da Loja, e os melhores Desenhistas, para a Honra e Força da Loja; mais que isso, de entre eles a fraternidade pode ter um Nobre grão-mestre; mas esses Irmãos estarão igualmente sujeitos aos Cargos e regulamentos, exceto no que concerne mais imediatamente aos Maçons Operativos ».
  • “IRMÃO VW: Fostes nomeado Tyler (guarda do templo) desta Loja e eu vos invisto com a ferramenta de seu ofício. À medida que a espada é colocada nas mãos do guardo do templo, para efetivamente permitir que ele se proteja contra a aproximação de cowans e espiões, e não permita que alguém passe ou repasse, a menos que esteja devidamente qualificado. Com isso se quer nos advertir a colocar guardar um guarda sobre nossos pensamentos, vigilância em nossos lábios, uma sentinela em nossas ações; evitando assim a abordagem de qualquer pensamento ou ato indigno e preservando as consciências sem ofender a DEUS e ao homem ».
  • A este respeito, há uma nota que diz Le Parfait Maçon – Pro-phanus significa fora do Templo, e o profano designa quem não entrou em seu Portal janua. O termo inglês Cowan designa qualquer estranho à guilda que não possua a Palavra, já que se tratava de um leigo, um espião ou um pedreiro ou um aprendiz que não foi recebido maçom (http://helmantica182.org/wpcontent/uploads/2016/01/Lecturaspyg.pdf)
  • Contém uma nota que nos remete às Constituições Anderson de 1738
  • http://mvmm.org/c/docs/eng/wilson.html

Os Cowans no ritual maçônico francês.

 

Em geral, os rituais franceses geralmente não ecoam o tema dos cowans, pelo menos sob esse termo anglo-saxão definido, embora seja verdade que ele foi traduzido ou recriado, geralmente sob outros significados, como intruso, ou como espião ou simplesmente como profano.

Diante dessa situação paradigmática, o professor D. Stevenson vem ao nosso apoio, quando nos diz que toda essa trajetória pelas terras francesas é quando se nota que tal palavra desapareceu dos rituais atuais e “provavelmente porque houve poucos historiadores da maçonaria que examinaram a questão, bem como as áreas que ela cobre, e até os próprios maçons não sabem muito bem o que essa expressão significa »,[[1]] além das expressões canônicas em uso e encontradas em alguns tratados e em muitas páginas da web nas quais são repetidas como papagaios.

Localizados nos primeiros textos pré-rituais originários das heranças dos Modernos, e gerado em solo francês, como foi o ritual Luquet de 1745.  Isso nos diz que o Guarda do Templo (Tuileur) tem o senso e o dever de afastar os profanos:

  1. Pourquoi vous armez-vous de glaive in vos L. ? (Por que estais armado com uma espada dentro da loja?).
  2. C’est pour écarter les profs. (Para afastar os profanos).

Neste momento, não estamos mais diante de traduções, mas pelo contrário, diante de produções rituais típicas da prática maçônica francesa, que em sua fraseologia nos lembram vagamente o tema dos famosos cowans anglo-saxões, neste caso quem intervém é o Tuileur (Telhador) do Luquet, tratando de afastar os profanos, que parece dirigir-se a eles como os chamados cowans, que estariam interessados em obter esse acesso sem saber muito bem  para quê e, por outro lado, não parece fazer muito sentido afastar  aqueles que poderiam ser candidatos adequados para fazer parte da fraternidade maçônica.

É claro que, no subconsciente coletivo, atua sob pressão da constante presença de bisbilhoteiros no entorno das lojas para poder dar prazer ao público que exigia esse tipo de material, conforme mostra a extensa lista de divulgações e exposições que foram publicadas ao longo do século XVIII, tanto na Inglaterra quanto na França.

No exposição que vaza alguns anos após o Luquet, sob o título: Antimaçons (1748), comunica existência de pessoas indiscretas e dedicadas à espionagem, e serem malignas em suas pretensões. (On peut s’en rapporter aux sots pour remarquer tout ils n’ont que cela à faire. Ils sont espions par malignité, & indiscrets par besoin de conversation).

Nesse sentido, estamos diante de uma definição mais exata da situação pela qual passava a Maçonaria, pois estarem todos os seus rituais sendo vazados para a opinião pública, evidentemente com a intenção de desacreditar, e cuja forma de obtenção como foi vista no Prichard de 1745 através de espionagem, daí a essencialidade do Guardião do Templo externo.

A CONDENAÇÃO DO RÉGULATEUR SOBRE ARTESÃOS E COMPANHEIROS

Mas enquanto todas as exposições francesas vão se mover nesse mantra da bisbilhotice e a intrusão, será um ritual do final do século como o Régulateur du Maçon, que vai além ao definir uma diretriz muito alinhada com o associativismo terminológico que venho comentando, já que no ritual do grau de Aprendiz (1º), ao detalhar as condições para admissão, ele explica: “Raramente se admitirá um artesão, mesmo que ele seja um Mestre, especialmente em lugares onde as corporações e comunidades não estejam estabelecidas.

Procurando explicações para esta citação, que não é mais sobre os “cowans” operativos sobre os quais foi insuflada uma certa penalidade em forma de maldição, mas que transfere essa pressão para o setor artesanal francês, realizando uma transmutação que havia sido realizada antes sobre os artesãos canteiros sem a palavra, ou seja, os cowans, embora obviamente a história dos dois grupos de cantaria, tanto ingleses quanto franceses sejam radicalmente diferentes.

Para entender em parte a razão dessas omissões no tratamento e estudo sobre os cowans e as condenações sobre os Companheiros nos rituais, nos voltamos para a figura de Pierre Nöel, que nos explica por que significados, autores como Guenón,[[2]] Dat ou Guyot não expuseram a existência dessas incongruências, e a explicação vem do fato de que parte desses estudiosos nunca leram os rituais operativos da Worshipful Society e autores do outro lado do canal como Bothwell-Gose ou Debenham, pelo contrário, nunca leram o Régulateur du Maçon.

E, portanto, a questão da rejeição pode ser observada no que é exposto pelo ritual Luquet, que é, por sua vez, uma espécie de enxerto operativo de origem inglesa na ritualidade francesa; é evidente que nesta história não brilham muito os cowans  que, geralmente, são semienterrados sob outros nomes, como se pode observar nas exposures francesas, exatamente até que o Regulateur, de uma maneira muito discriminatória, volta a colocar no tapete as velhas essências inglesas de rejeição a alguns setores operativos do início do século XVIII.

Não deixa de parecer estranho que o “esquecimento” por parte dos historiadores e estudiosos franceses sempre tenha sido muito exigente e mais sobre o fato de que essa curiosa dissolução terminológica do “cowan” tenha ocorrido com base em várias traduções pelas quais outros termos mais tradicionais, ligados ao determinismo hexagonal foram incorporados, cujas adaptações surgiram com base em situações e realidades muito diferentes, que viriam a criar fortes distorções semânticas e de interpretação histórica.

Em 1801, quando o Régulateur du Maçon é publicado na França pela mão do Grande Oriente da França, que codifica a prática dos Modernos, mostra uma frase que vem complementar aquela já anteriormente exposta à forte rejeição dos artesãos, a frase termina com esta determinação: “Jamais se admitirão os trabalhadores chamados Companheiros (Compagnons) nas artes e ofícios” [[3]].

Conhecidos são os embates históricos do Companheirismo (Compagnons) na história das construções religiosas e sociais ao longo dos diferentes séculos, tanto de caráter religioso, sindical e social, que levaram os poderes civis a perseguir tais guildas, tidas como revoltosas, o que não deixa de ser paradoxal que a mente coletiva maçônica, pelo menos no âmbito castelhano, continue a propor paralelismos estranhos, acreditando que são os mesmos ou semelhantes construtores de catedrais e maçonaria e, portanto, continua a ser mitologizada como algo próprio da Maçonaria especulativa por herança, quando na realidade, no caso da França, é mais uma questão muito mais de guildas de Ofício e dos Companheiros.

Portanto, depois de ler o vade-mécum sobre o trabalho do Companheirismo na França,[[4]] fica bastante claro que a censura feita pelo Régulateur, não deixa de ser  é uma recriação do malditismo dos artesãos e, portanto, dos Companheiros, o que nos vem lembra os velhos cowans Anglo-saxões, apesar de sua história que registra grandes confrontos com seus irmãos de confraria, mas nesse outro contexto de torná-los alvo de invectivas e objetos de perseguição e zombaria, o que no contexto francês afetaria os Companheiros.

E é nesse contexto que se pode entender como lógica a condenação exposta no  Régulateur, que se destaca dos usos terminológicos equívocos mais atuais, tais como profano ou intruso, para inclinar-se em direção às raízes operativas, transformando o dardo da marginalização desta vez sobre os Companheiros (Compagnons).

No entanto, um especialista em questões de Companheirismo, como é Jean-Michel Mathoniere, indica que essa referência aos Companheiros no Regulateur não se refere aos  Companheiros de Dever, mas aos “Companheiros do mesmo sistema corporativo e gremial dos operativos”. Essa acaba sendo uma opinião bastante estranha, pois desde os tempos antigos estamos diante de uma queixa quase permanente sobre a possível presença de artesãos, como cowans, cuja maldição está incluída no relato bíblico de Ezequiel 13.  10-15 “Porque inclusive seduziram o meu povo, dizendo: Paz; não havendo paz; e um construiu um muro e eis que os outros o sujaram com lodo solto”.

Nas referências a seguir, eles são tratados ou assemelhados a intrusos, e de abomináveis,  fazendo-os passar continuamente, como “ouvintes intencionais” que desejam entrar nas lojas e, assim, obter a Palavra de Maçom, ou seja querer passar-se

por, em todo caso querer passar-se por maçons, uma opinião encontrada em ambos os lados do Canal da Mancha, nessa sequência, primeiro como cowans e depois como espiões e intrusos, embora seja necessário esclarecer que alguns seriam ouvintes

involuntários (cowans) e outros seriam os ouvintes intencionais (espiões), a serem finalmente assemelhados aos Companheiros, que definitivamente serão classificados como indesejados.

Pessoalmente, estou inclinado a pensar que o Régulateur em seu preâmbulo ele quer abranger precisamente aqueles artesãos, qualificados em alguns setores como “vis, sem elevação e sem mérito»[[5]] já os Companheiro, como um reflexo do repúdio a esse estamento, dada sua história como guildas dentro da articulação do ofício na França.

OS MAÇONS DE TEORIA E DE PRÁTICA

Se isso era pouco dentro desse imbróglio terminológico da França do século XVIII, que relaciona os cowans ingleses a espiões e intrusos, etc., é perturbado pela chegada de outros significados e concepções controversos encontrados nos rituais franceses, que versam sobre os maçons de prática e de teoria.

Embora não deixe de ser certo que este assunto apresente muitos problemas ao lidar tanto com o conceito quando com a historiografia.

Um dos primeiros rituais que expõe a questão colocada é o ritual Luquet (1745). Em seu catecismo baseado na troca típica de perguntas e respostas, destaca-se a pergunta: P. Quantos tipos de maçons existem?

  1. Existem dois tipos.
  2. Quais são eles?
  3. O M. de Teoria e o M. de Prática.
  4. O que você aprende como M. de Teoria?
  5. Uma boa moral, para purificar nossas maneiras e nos tornar agradáveis a todos.
  6. O que é um M. de Prática?
  7. Ele é um pedreiro, que trabalha a pedra e que levanta colunas sobre suas bases.

Aqui vemos, como um maçom de teoria se tornaria o virtuoso maçom especulativo com base no aceitação de bons elos cavalheiros, que formarão a associação da Grande Loja de Londres, em vez disso, o maçom de prática é apresentado como um simples e tocos pedreiro que não parece ter outro objetivo senão erguer colunas, ele não é um construtor, mas sua missão parece mais simples, como os antigos cowans, erguer pilares. P. O que aprendeis como M. de Teoria?

  1. Uma boa moral, purificar nossos costumes, tornando-nos agradáveis a todo mundo. [novamente a presença dos cavalheirosou gentis homens]
  2. Quais são as principais qualidades de um M. de Teoria?
  3. Ser um homem livre e discreto, igual aos príncipes reconhecidos por suas virtudes e amigo de Deus e do próximo.”

Eleva-se o elemento cavalheiro à categoria semidivina, ao contrário de como se expõe o artesão e o pedreiro, simplesmente um trabalhador da pedra, em que permanecerão pelo resto de suas vidas, pelo menos sob essa concepção medieval de estar sujeito ao ofício por toda a vida.

  1. Que é o Maçom Prático?
  2. Quem usa materiais nos edifícios.
  3. Não pode ser tão virtuoso quanto nós?
  4. Todo homem pode estar nesse estado; mas a grosseria e muitas vezes as razões mecânicas impedem praticamente que ele se una.

Essa discriminação é algo compartilhado por outra divulgação francesa do mesmo ano, a Sceau Rompu de (1745) e que prossegue nessa mesma linha o Luquet em seus ditados, e onde essa exposição sobre a grosseria baseada na ruralidade como incapacidade de se projetar e ser portador de suficiente argamassa para que a Maçonaria lhe diga que “não tem lugar para quem constrói suas paredes simbólicas sem o cimento do amor fraterno

».

Por outro lado, observar que na tradução apresentada pela editora Pardes esses dois termos foram traduzidos diretamente como “Maçons especulativos e Maçons Operativos”, conforme indicado na nota colocada no rodapé da página da tradução. O catecismo continua:

  1. Quantas classes de maçons existem?
  2. Maçons de teoria e Maçons de Prática.
  3. O que aprendeis como M. de Teoria?
  4. Uma boa moral, para purificar nossos costumes e nos tornar agradáveis a todos.
  5. O que é um Maçom de Prática?
  6. Um trabalhador de pedra que levanta perpendiculares (aprumadas) sobre suas bases.

Em relação ao exposto, insiste-se nesse erguer verticalmente de forma unânime, como aqueles que erguem muros e os Maçons de Teoria  seria o maçom aceito

especulativo que deve aprender por sua condição, a obter uma boa moral, a purificar as maneiras e ser agradável a todos. Deverá observar o silêncio, o segredo, a prudência e a caridade, fugindo das calúnias e da intemperança, pois a Arte Real dos Maçons sempre teve o desejo de unir a prática da virtude e as artes liberais herdadas da antiguidade.

E esse objetivo é proposto à custa de rebaixar o pedreiro simples, maçom de prática, que lhes doou primeiro suas ferramentas e conhecimentos para com eles construir uma fraternidade, para depois despojá-lo de toda a sua ciência, de seu ser e estar no sítio da construção maçônica.

De qualquer forma, essa não é a novidade, mas que uma divulgação deixe tão claro que os maçons operativos não tinham nenhuma conotação espiritual ou esotérica e que obviamente não parecem ter eco na Maçonaria recém-criada por sua falta de empatia e amor fraterno, o que cria um paradoxo, já que tais afirmações vão contra a corrente mítica que elevou os maçons operativos como os grandes construtores das catedrais com toda a sua carga místico-esotérica.

Em textos como a Divulgação de 1745, ou a de 1748: Le Nouveau Catéchisme de Francmaçons, ou os rituais do Marquês de Gages de 1763, ou mesmo nos rituais do Duque de Chartres de 1784, todos eles se alinham para deixar clara a razão diferencial entre Maçons Práticos e Teóricos (Operativos e Especulativos), e nessas apreciações não há grandes diferenças de conceito entre eles.

É mais um dos últimos rituais descritos como provenientes do ramo dos Modernos, e já terminando o século XVIII, como é o Corpo Completo da Maçonaria, adotado pela Grande Loja de França (1761? ou 1774?) isso continua na mesma posição. P. Quantos tipos de maçons existem?

  1. Existem dois tipos: Maçons de Teoriae os Maçons de Prática.
  2. Quem são os Maçons de teoria?
  3. São aqueles que aprendem uma forma de moral, purificam seus hábitos e se tornam agradáveis a todos.
  4. Quem são os Maçons de Prática?
  5. São os que talham a pedra e erguem a perpendicular (aprumada) sobre suas bases.

Essas definições na instrução do 2o grau do Regulateur, (1786) volta a reafirmar, mas com uma diferença entre uma e outra, mas rebaixando cada vez mais as funções do Maçom de Prática.

  1. Quantos tipos de maçons existem?
  2. Existem dois tipos, uns de Teoria e outros de Prática.
  3. O que os aprendem os Maçons de Teoria?
  4. Uma boa moral que serve para purificar nossos costumes e nos tornar agradáveis a todos os homens.
  5. O que é um Maçom de Prática?
  6. É o trabalhador da construção.

Essa ideia da distinção entre ambos será mantida até o final do século XVIII, embora em parte vá se dissolvendo gradualmente, mas mesmo assim, surge alguma divulgação tardia que se afasta de tais paradigmas, como é o caso de Mahhabone (1766), que vai um pouco mais longe ao deixar para trás, pois assume o novo estado no qual o novo membro da loja deve ter tanto de cavalheiro quanto de pedreiro: P. O que aprendestes ao se tornar Cavalheiro Maçom?

  1. O Segredo, a Moral e a boa camaradagem.
  2. O que aprendestes ao se tornar Maçom do Ofício?
  3. A talhar a pedra em esquadro, dar forma à pedra, possuir o nível de habilidade com a perpendicular (prumada).

É evidente que a exposição Mahabone assume e adota as duas tipologias, é claro  a dos cavalheiros como seu fundamento essencial, mas assumindo o elemento operativo como uma herança valiosa que o ajudará a elevar-se até o novo estado que propõem os cavalheiros, os quais “trabalham de segunda a sábado, com giz, carvão de madeira e uma panela que significa Liberdade, Fervor e Zelo, essa é uma proposta um pouco diferente do futuro universo especulativo”.

A HERANÇA DOS ANTIGOS E DOS COWANS UM SÉCULO DEPOIS

No entanto, dentro da corrente dos Modernos e no seio do continente, essa questão praticamente desaparece, exceto pela exceção do Régulateur, que eu já expus antes, por outro lado e a título de contraste, expor que, na corrente dos Antigos, esta recupera a antiga linha marcada pelos preconceitos.

É assim que a situação é apresentada em um texto em espanhol: Catecismo de Instrução do REAA da Grande Loja da Espanha (GLE)[[6]]. P. Um maçom pode seguir sendo um Cowan?

  1. Aquele homem que ingressa por mera curiosidade, para ganhar posição social ou vantagens nos negócios, o falso maçom é o verdadeiro cowan, uma fonte sutil de problemas dentro do corpo do Ofício, que certamente afetará a vida da Irmandade. se não se tiver cuidado.

A pergunta que poderíamos nos fazer é: Por que se segue recolhendo em diferentes textos do REAA a proposta de Anderson de 1738 em um documento de 2011 da Maçonaria de tradição espanhola?

A julgar pelo que alguns maçons anglo-saxões expõem, isso é relativamente fácil de entender, uma vez que os cowans são elementos exógenos das guildas da maçonaria especulativa, uma vez que são trabalhadores sem a palavra, que desejam ingressar em nossas fraternidades… e, portanto, esse termo tem sido o ideal para definir a situação.

No qual, além disso, existe ritual como o Ritual e Monitor de Duncans de 1866, e pertencente à herança Antiga, e que contém:

  1. Brother Tyler, your place in the Lodge. (Irmão Guarda do Templo Qual é vosso lugar em Loja?)
  2. Without the inner door. (Fora da porta interna)
  3. Your duty there? (Qual é o seu dever ali?)
  4. To keep off all cowans and eavesdroppers, and not to pas o repas any but are duly qualified and have the Worshipful Master´s permission. (Manter afastados todos os profanos e bisbilhoteiros, e não deixe passar ninguém devidamente qualificado e sem a permissão do Venerável Mestre.)

Como já expliquei, no restante dos cadernos rituais franceses de raiz Moderna do século XIX, perde-se praticamente toda a referência à persistência nessas tessituras, exceto no Rito Francês Filosófico que retoma a questão, mas a partir de perspectivas novas e diferentes.

CONCLUSÕES:

Com base no exposto sobre os famosos cowans, pode-se resumir o que segue:

  • Temos no início de toda essa história na região anglo-saxônica alguns pedreiros rurais (wallers ou construtores de muros) coexistindo no tempo e, circunstancialmente, nos mesmos lugares com os poderosos setores do Ofício (Craft) de caráter marcadamente urbano: guildas, confrarias, corporações, etc. .
  • Pedreiros rurais apontados pelas corporações de ofício como pedreiros marginais, ou mão de obra eventual, a quem designam em vários documentos como “Cowans”. (Canongate, Glasgow, Morher Kilwinning, York, Lodge Aitchison´s Haven).
  • Cowans, que, nas Antigas Obrigações, e em alguns outros regulamentos e documentos são mencionados em relação ao exercício e regulamentação do Ofício, nos quais lhes são atribuídas uma certa especificidade profissional de natureza rural limitada à construção de muros e pequenas construções no meio rural e, portanto, a eles são reduzidos as áreas de trabalho e dedicação. (Estatutos da Shaw, manuscritos Dumfries, Wilkinson)
  • Termo que provém dos usos operativos da Escócia e que aparece em solo inglês e seus textos regulatórios no final do século XVII e início do século XVIII, estendendo esse termo em relação à Maçonaria a qualquer pessoa que não fosse um maçom especulativo.
  • Como tais trabalhadores da cantaria rural não estavam inseridos nos grupos das guildas urbanas do Ofício, ficando à margem da posse da Mason’s Word (Palavra do Maçom), que dava opção para mais benefícios de trabalho ou proteção.
  • Tais cowans aparecem no seio da ritualidade no início do período especulativo como tais cowans, mas também sob descrições: espiões, intrusos, etc., e sob o pretexto de entrar secretamente na Maçonaria, conforme apresentado em diversos textos. (Confissão de Maçons, Constituições de Anderson,)
  • São o resultado de campanhas de assédio e ridicularização, tanto nos rituais quanto por outros meios: canções e desenhos, nos quais são apresentadas como tal e conforme ocorre no Ahiman Rezon, como imorais e abomináveis.
  • Na ritualidade francesa, o termo cowan vai adquirindo outros significados já comentados: espiões, intrusos, e como profanos indignos, perdendo a raiz original, aparecendo certos problemas de tradução e interpretação ao perder a raiz.
  • A adaptação do termo cowan nos meios de comunicação de massa Maçônicos franceses transformou sua presença como maçons de prática, como um ponto de ruptura e separação entre o mundo operativo e o mundo especulativo, que se apresenta como um simples obreiro que levanta colunas e sem atitudes, devido à sua grosseria.
  • Volta ao conceito de marginalização operativa, ou seja, considerando cowans certos setores do Ofício: os artesãos e os Companheiros, (Régulateur du Maçon)
  • Desaparecimento prático dentro da raíz dos Modernos no século XIX, de tais significados denegridoras.
  • Presença dos velhos clichês operativos dentro da corrente dos Antigos e até o século XIX. ( Ritual e Monitor de Duncans)

Em geral, este estudo quis influenciar como um termo que esteve presente por mais de um século em nossos rituais, como os cowans, tenha sido mudado e ir se modificado, de forma interessada em termos de definições, disseminação e desenvolvimento, em cujo setor do Ofício foi marcado com sangue e fogo sob alguns conceitos como pedreiros, artesãos ou companheiros, mas sob percepções ou tratamento pejorativos como espiões, intrusos, detestáveis ou abomináveis de quem a Maçonaria se serviu para denegrir e atribuir certas atitudes, quando, de fato, como diz Bob Walker da Grande Loja da Escócia, nunca esses [cowans] representaram um problema ou uma ameaça para Maçonaria.[[7]]

No entanto, houve toda uma concomitância em querer apresentar os cowans sob diferentes denominações como pessoas que não são capazes de construir nada no seio da Maçonaria, porque lhes faltariam, como diz um maçom inglês “o cimento que supõe o amor fraternal”, recorrendo à mesma Bíblia em que o livro de Ezequiel 13:10-15 dedica um flagelo cruel a esses simples pedreiros rurais que constroem muros sem argamassa. «Deste modo, destruirei o muro que vós cobristes com lodo solto, e o jogarei por terra, e sua fundação será descoberta e cairá, e sereis consumidos no meio dela; e sabereis que eu sou Jeová. Assim, cumprirei minha fúria no muro e naqueles que o cobriram com lodo solto; e eu vos direi: Não existe muro, nem quem o revestiu”.[[8]]

Não deixa de ser curioso que uma fraternidade como a maçônica, baseada no objetivo de “reunir os dispersos”, tenha mantido essa discriminação e denigração por tanto tempo.

Um termo como “cowans” que, se não fosse pela atenção ou estudo de autores como Mackey, Joseph Fort Newton, Henry Carr ou Sudarkis…, teria sido esquecido, perdendo toda a sua marca.

Estas são as investigações e reflexões que pude conceber para trazer à tona as velhas dúvidas maçônicas que desde a idade de aprendiz maçom eu vinha arrastando em relação a esses estranhos pedreiros rurais, os cowans.

Victor Guerra

MM.:.

Presidente Circulo de Estudios de Rito Frances Röettiers de Montaleau.

 

Notas

  • Stevenson, David. Les Premiers Francs-Maçons. Les Loges Écossaises originelles et leurs membres. Éditions Ivoire-Clair. 2000.
  • http://pierresvivantes.hautetfort.com/archive/2013/12/15/reneguenonetlesoriginesdelafrancmaconnerieleslimithtml#_ftn3, (René Guénon y los orígenes de la masonería: los límites de una mirada).
  • Régulateur du Maçon. Editor Masonica.
  • Berton, Hugues ; Imbert, Christelle. Les Enfants de Salomon. Approches historiques et rituelles sur le Compagnonnages et la franc-maçonnerie. Éditions Dervy. 2015
  • Anatole de Maontaignon. Etat des ouvriers ramenés d’Italie par Charles VIII, 1497-8. Archives de L´Arte Français. T. 1. 1906.
  • Lectura de Instrucción por preguntas y Respuestas, basadas en los catecismos y textos tradicionales del REAA. 2011.
  • Are there Cowans                in            our

midst? http://www.themasonictrowel.com/Articles/General/other_files/are_there_c owans_in_our_midst.htm

  • Ezequiel 13. 14-15

 

 

 

Espanhol

LOS COWAN. LOS MASONES SIN LA PALABRA

Por lo general tenemos bastante idealizado el mundo gremial de la cantería y todo lo que tenga que ver con ella y por extensión con aquello que se ha venido llamando la masonería nucleando en la misma palabra los gremios profesionales y sus reglamentos y la acción de aquellos otros coaligados en logias se denominan logias especulativas, que tomaron prestado símbolos y herramientas. Pues bien, en ese cerrado mundo canteril se daban una serie de marginalizaciones que traspasaron esa barrera para instalarse en el seno de la ritualidad masónica especulativa.

Dentro de la gran fraternidad que es la francmasonería, y cuyos inicios podemos situar en 1717, entre cuyos objetivos que recoge el documento funcional, las Constituciones de Anderson, indican que esta «se convertirá en un centro de unidad, y es el medio de establecer relaciones amistosas entre gentes que, fuera de ella, hubieran permanecido separados entre sí».

Sin embargo, a lo largo de su historia va a mantener a una serie de personas y colectivos fuera de sus linderos, y uno de estos fueron los llamados «cowans», cuestión que deviene de las primeras épocas del sistema operativo, y ante el temor a la intrusión, no solo se les segregó, sino que para impedir su entrada en otros gremios se impuso ante la puerta de las logias, los «Tyler».

Por cuyo motivo cabe preguntarse acerca de ¿quiénes eran estos marginados profesionales ligados al mundo de la piedra?

En términos generales podemos decir que eran albañiles, a los cuales no veremos integrados ni en las grandes urbes ni y en las potentes organizaciones gremiales ligadas a la piedra, como eran las guildas, gremios, cofradías y Corporaciones, estas organizaciones no aglutinaban a estos albañiles-canteros vinculados al mundo rural, ellos se dedicarán a levantar sus clásicos muros de piedra que dividían las tierras de los agricultores, dado que se su quehacer era ese levantar muros como de un 1 a 1,5 mts., los cuales apenas si llevaban mortero de cal.

Como tales profesionales insertos en el mundo rural, eran unos auténticos especialistas en el corte de la piedra en tanto que sabían cortar esta por sus líneas de fisura, y escuadrarlas las distintas caras para con ellas dar forma al muro, en un intrincado emparejamiento, y de cuyo arte podemos rastrear su presencia a largo de muchas culturas.

Es cierto que el mundo rural, al menos en la antigüedad los agricultores y ganaderos en mayor o menor medida sabían levantar de forma ruda dichos muros, aunque eso nos les quitó de participar, como es óbice, del levantamiento de cabañas y majadas a lo largo del territorio rural inglés.

Esta labor de construir y mantener dichos cierres correspondía pues a estos albañiles rurales y a otros por el estilo calificados como amuralladores, los cuales se encargaban de esta labor como tales cow-men […] aunque su labor también estaba reglamentada como se recoge en 1636 en Canongate, por cuyos estatutos, conocemos que se les permitía usar arcilla como mortero, pero no podían utilizar la cal, cuestión que además viene refutada por un mandato anterior fechado en Glasgow 1623, por el que se autoriza al cowan John Sheldden, a construir muros con mortero de arcilla, pero sin cal y arena, con la condición de que dicho muro solo podría tener un metro de altura.

Lo extraño o tal vez más asintomático, es el hecho por el cual estos trabajadores terminaron con el calificativo de eavesdroppers. (espías). Y ene se sentido habría que indicar cómo es posible la asimilación de una tranquilo cowan que convive con otros trabajadores de la piedra y ve y observa, que se le puede clasificar como un oyente circunstancial a convertirlo en un oyente intencional, de los que luego irán filtrando a la prensa lo que ve y oye. Esta es una cuestión muy interesante.

Es evidente que estos condenados cowan, estaban más o menos a cierta distancia en cuanto a la pericia de los canteros- talladores miembros, a su vez de las orgánicas organizaciones gremiales (cofradías, guildas, corporaciones, etc.) guildas, los cuales gestionaban grandes canteras y por tanto sabían labrar los grandes bloques que previamente obtenían, y cuyo proceso hasta llegar a cimentar la culminación del edificio, fuera religioso o civil, eso precisaba de muy distintas cualificaciones y aptitudes y cualificaciones.

Las técnicas fueron evolucionando por diversos efectos: sociales, políticos o religiosos, o simplemente motivados por un gran incendio, por lo cual la nueva edificabilidad precisaba de argamasa cuyos componentes esenciales estaban en la misma cantera, el polvo de caliza, técnicas que se fueron perfeccionando y fueron a su vez mantenidas en secreto por las suspicaces guildas, que intentaban, y lo lograron, como era el objetivo de mantener unidos los grupos canteriles sino lograr las pertinentes cuotas de poder en los ámbitos urbanos, en los cuales no había ni habían penetrado los famosos «cowans».

Entonces cabe preguntar ¿Por qué ese rechazo de unos cerrados gremios profesionales de carácter urbano frente a unos individualizados profesionales que pululaban por el medio rural?

Debemos antes precisar una cuestión sobre su presencia en los textos manuscritos en los que encontramos algunas referencias, en su mayoría de trata de textos de ascendencia escocesa, como los famosos Estatutos Shaw de 1596, que indica tal ordenamiento… «That na Maister or Falow – of – Craft ressave the paine of twentie ony cowanis to wirk in his societie or company nor send name of his servants to wirk wit cownis under pundis so often as ony persone offendis heirintill».[1]

También se les definía como dry-diker, o sea un masón que no tenía la Palabra, o sea la Mason´s Word.

Pero más allá de esto, poco más existe, y no se nos explica esa marginalización y desencuentro entre los gremios y estos rurales canteros.

Algo tuvo que ver en todo este desarrollo la llamada Peste Negra, cuya finalización conllevó una auténtica remodelación de las sociedades, en sus relaciones y en sus estructuraciones como conglomerado social y laboral, uno de esos efectos fue el manejo de la iglesia como poder institucional que se proyectó a partir de ese momento en la construcción de iglesias y catedrales, en cuyo desarrollo van a tener un papel clave los gremios y la guildas, los cuales van a resurgir con fuerza y como tal se irán conformando cada mejor en cuanto a sus técnicas y sus propios desarrollos como organizaciones sociales y profesionales.

Este cambio trajo consigo la construcción de grandes edificios, a los cuales se les fue adosando un edificio contiguo denominado logia, cuya faceta multifuncional sirvió tanto para dar cobijo, a las herramientas, a las reuniones del gremio, a servir de oficina para el Maestro de Obras, o realizar las comidas de los operarios a resguardo de las diferentes situaciones climatológicas, etc.

Esta antesala de los trabajos reunía en su parte exterior a los trabajadores menos cualificados, estando el interior reservado para los canteros más especializados como los talladores. Dicho lugar estaba vigilado por un Tyler, que era el escalón más bajo en el seno del gremio.

Unos gremios que pese a la tópica idea de libertad que tanto se prodiga en los medios historiográficos, estaba bastante limitada pues que hay que sumar su propia rigidez como estructuras jurisdicciones a los territorios, tanto es así que estos Oficios Jurados se hallabas hipotecados en manos de los señores feudales lo que en definitiva hacía nula la posible movilidad profesional, de hecho su libertad fue rescata de la manos de la fuerte regulación normanda que regulaba el país con puño de hierro, por la propia iglesia, que

 

necesitaba disponer de manos de obra para el desarrollo de sus impresionante proyecto de levantar iglesias y catedrales.

Esa libertad se logró, bien mediante precio o dispensas por parte de la Iglesia para disponer de tales trabajadores, de cuyo origen y desarrollo fuero deviniendo con el tiempo unos «gremios cada vez más libres» aunque eso es tambien relativo pues estaban circunscritos a las regulaciones jurisdiccionales de los propios gremios y los poderes públicos.

Por tanto, ese gran proyecto eclesial hizo que en el tranquilo medio rural eclosionase el levantamiento de edificios religiosos, y como tal conllevó la contingencia del encuentro entre dos especificaciones profesionales en dicho ámbito.

En ese tranquilo espacio rural se van a encontrar los miembros del gremio del Oficio de la piedra, y por otro los «cowan» que veían arribar a sus predios nuevas oportunidades de trabajo, aunque ellos nunca hubieran realizado trabajos de esa envergadura, ni tuvieran ciertas capacitaciones técnicas, pero tiempo al tiempo, estos fueron adquiriendo destrezas, lo que a su vez fue generando fricciones entre ambos sectores, perdiendo la batalla los «cowan» que se vieron confinados a los trabajos más bajos del oficio, y por tanto pese a su antigüedad dentro del mundo de la piedra, poco pudieron hacer frente a los potentes y herméticos gremios, que se cerraron en banda para hacerles un hueco dentro de su cerrado organigrama profesional, ni siquiera como aprendices.

Y para ello adoptaron medidas de blindaje como fueron las palabras y los gestos de reconocimiento que además aseguraban no solo trabajo sino respeto en el seno de la sociedad de ese momento.

Y aun cuando lograran cierto reconocimiento, en realidad este nunca este fue real, o fue fruto de una cuestión circunstancial, bien porque los gremios no les interesó determinado obra, o porque la mano de obra debía ser mucha por requerimientos del plazo de ejecución, como pasó con la reconstrucción de Londres, y todos los profesionales de la cantería fueron convocados a los trabajos, fueran canteros, cowan, o miembros de las sociedades del Compañerismo (Compagnons, Bahütte, etc.) para trabajar con los gremios establecidos en la citada reconstrucción.

Además se da una terrible paradoja, mientras los gremios del Oficio se negaron siempre a abriles las puertas a los compañeros cowan, por la otra puerta curiosamente se abrían puertas y ventanas a los gentleman para que estos formaran parte de la estructura gremial cada vez más en decadencia, por tanto, las logias se iban articulando cada vez más como núcleos de poder burgués de carácter urbano, donde poco podían hacer los famosos cowan, que ya indico en el título del artículo no «tenían la palabra», de hecho tenemos a la logia escocesa Mother Kilwinning, que define a los cowan, «como jornaleros fuera de los gremios, y como «masones sin la Palabra».[2] El texto en concreto es: «No mason shall employ no cowan wich is tos ay without the word»

Edimburgo en diciembre de 1598, mediante los Estatutos Schaw, en cuanto a la observancia por parte de todos los Maestros de Obras y Vigilantes Generales del Oficio, artículo 15 este expresaba que «Ningún Maestro o compañero del oficio acogerá un cowan, para trabajar con él, ni enviará a ninguno de sus ayudantes a trabajar con los cowan, bajo pena de una multa de veinte libras cada vez que alguien contravenga tal regla».3

Incluso la Asamblea de York incide en que «Ningún maestro fabricará plantilla, escuadra o regla alguna para un aparejador o un montador de piedra sin argamasa»

Hasta tal punto llegaba la férrea disciplina canteril en la cual mediaba la «jura o promesa« por parte del artesano ante una estructura reglamentariamente poco flexible, lo que nos muestra un documento de la logia Mary´s Chapel de Edimburgo, recoge que un masón de la logia tuvo que reconocer y confesar haber ofendido al gremio y al Maestro de logia al ofrecer trabajo a un cowan, teniendo este que realizar una humilde confesión, prometiendo no volver a realizarlo. En otros lugares se recogen informaciones sobre penas y condenas pecuniarias por contratar a tales cowan.

LOS COWANS EN LAS DIVULGACIONES Y RITUALES MASÓNICOS.

La etimología de la palabra cowans, ha llenado muchas hojas dentro de la historiografía inglesa, y muy pocas páginas, por no decir que casi ninguna en la francesa.

Aunque ello, tal vez sea debido a que el término ha sido traducido al francés de muy distinta forma, y su singularidad como tal se ha escamoteado de tal manera que la mayoría de los diccionarios masónicos al uso pese a ser un término muy utilizado en el seno de la masonería operativa y especulativa de los primeros momentos, en la bibliografía francesa apenas si esta toma en cuenta tal circunstancia.

Dando un repaso a los diccionarios al uso como el Diccionario de la Francmasonería de Daniel Ligou, o la Enciclopedia de Saunier, ni siquiera la prolífica Irene Mainguy saca el término a relucir en sus publicaciones, quienes si lo hacen son Boucher y Bayard, pero aportando las citas ya expuesta acerca de la logia de Kilwinning.

 

Tan solo el Diccionario de Solange Sudarkis,[3] es algo más explícita. Esta autora nos remite a las Constituciones de Anderson de 1738 cuyas palabras son retomadas por Laurence Dermott en su libro Ahiman Rezon. Extendiéndose la autora del repertorio en su entrada a lo ya expuesto en este artículo, sin aventurar ninguna otra novedad.

En esa búsqueda de la etimología hay quién nos lleva hasta los orígenes griegos para decirnos que de allí viene una expresión similar que viene a expresar algo así como «perro». Continuando con esas andanzas hay quien acaba ante la Review of Freemasonry, que en su volumen 1, cita al Caballero Ramsay cuando habla de An Inquirí Concerning Cowans; y sin salir de suelo inglés la pluma de Sir Walter Scott, cita los susodichos operativos en su novela Rob Roy: «Ella no valora a un Cawmil Mair como Cowan, y puedes decirle a Mac Callum More que Allan Iverach dijo que sí.»

Esto es lo que repiten unos y otros documentos una y otra vez, pero hay que decir que ese conjunto de aportaciones apenas sin nos sacan de la noria de la repetición de citas, teniendo muchas de ellas como base lo ya escrito bien por Mackey, o por el propio Joseph Fort Newton.[4]

Quien viene en nuestra ayuda en este arduo desbroce entre fuentes primarias es como casi siempre el gran estudioso del fenómeno masónico: Henry Carr, 6 que nos aporta más pistas sobre tal término, al menos para seguir camino adelante.

LOS COWANS EN LOS ANTIGUOS DEBERES

He analizado la etimología del término y su adecuación en los ámbitos profesionales relacionados con el mundo de la cantería, y como no, sus fricciones socio-profesionales por los diversos corrimientos de los sectores profesionales, y tampoco veo que se manifiesten en las variadas reglamentaciones socio-profesionales del siglo XVI al XVIII, o sea en los Old Charges (Antiguos Deberes) una atención especial.

Su presencia en tales textos podemos decir que es mínima, tal y como nos muestra el prestigioso investigador de la llamada Escuela Auténtica Henry Carr, este escribe que la presencia de los cowans se deja notar en dos manuscritos como son el Dumfries nº 4 y el Wilkinson.

El pìrmero de ellos de 1710, en su leyenda del Oficio nos expone otra variante del término: «cowin»: y cuyo texto inserta en esta frase: «048 The Assembly Itim that no master masson shall make any mould square or Rule to any Layer or cowin Itm that no

 

mg within or without a loge shall set a lay mould of stone or other ways without».[5] cuya traducción francesa se nos ha presentado de este modo: «Item, nul maitre maçon ne fabriquera aucun garabit, equerre ou regle pour un poseur ou un cowan». Que vendría a ser traducido algo así como: Ningún Maestro Masón fabricará ninguna plantilla, escuadra o regla para alguien que finge (postureo), o que no tiene cualidades (poseur) o un cowan».

En el Prefacio de dicho manuscrito se habla de «las obligaciones de todos los masones verdaderamente cualificados». Realizando de esta manera una distinción entre los masones cualificados y los otros, debe referirse pues a los cowans, a los cuales además califica como trabajadores ocasionales.

El segundo documento es el manuscrito Wilkinson de 1727, este en 1946 Harold Wilkinson de la logia de Pomfret, nº 360, es quien lo había encontrado entre los documentos de su difunto padre Samuel Blaze Wilkinson (1851-1931). Y por tanto lleva su apellido.

El manuscrito Wilkinson parece representar un ritual anterior al Prichard, y no parece que haya ninguna evidencia de que se practicase en alguna Logia de Northampton, que es donde fue encontrado. Tampoco se puede dar, por cierto, por razones que expondremos posteriormente, que el documento fuese escrito en una fecha tan temprana como se dice. Esta peripecia como el resto del relato lo publican Knoop y Jones en su reseña sobre tal manuscrito. [6]

En definitiva, el término cowan es un término que en primera instancia deviene del ámbito profesional rural, o sea de un gremio dentro del amplio mundo de la cantería, pero que estaba al margen de las cuestiones reglamentarias y de la articulación de los gremios del Oficio. No parece que tuvieran reglamentaciones ni organización alguna, al menos los historiadores no lo recogen como tal.

Sabemos de forma tangencial y mediante fuentes de los propios gremios del Oficio que estos obreros por distintas razones eran exógenos al clasismo canteril, pues en definitiva eran unos trabajadores que no contaban con el label de las distintas organizaciones gremiales (cofradías, guildas, corporaciones etc.), que reconocían a los suyos en base a diversos modos de aceptación y reconocimiento (palabras y toques) de los cuales estos trabajadores rurales carecían, no pudiendo por tanto dotarse de las ayudas fraternales de la distintas organizaciones del Oficio.

 

Esto que en principio no debió tener mayor transcendencia ya que ambos sectores no entraban en competencia por lo ya comentado, cuando la presión laboral hizo que tuvieran que moverse, unos hacia los ámbitos rurales con la construcción de iglesias y otros hacia las ciudades para la reconstrucción de estas, como fue el caso de Londres, esto supuso que fuera surgiendo una tercera acepción, en clave despreciativa, haciendo aparecer a los rurales cowans como intrusos.

LOS COWANS EN LA RITUALIDAD MASÓNICA INGLESA.

Por otro lado, como ya he dicho el término cowan no mereció mucha más atención por parte del mundo sociolaboral de piedra en territorio inglés, ya que las fuertes estructuras y reglamentaciones asumían la situación como consecuencia de la estratificación sociolaboral, y así lo podemos entender al no encontrar en la barahúnda de manuscritos reglamentaristas (Old Charges) nada más que una pequeña `porción de citas.

Sin dejar de lado el decaimiento de los gremios operativos y de forma paralela la cuestión de los cowans pasó a un segundo plano.

En cambio, con la llegada de la masonería especulativa a partir de 1717 y el arribo las filtraciones que se publicaban en los tabloides ingleses mediante el fisgoneo sobre el quehacer ritual masónico, (Divulgations) las cuales en ese momento eran un producto de mucha demanda entre el gran público, dicho término vinculado primordialmente al ámbito profesional bajo varias acepciones: masones rurales, cantero de muros, masones sin el reconocimiento, o canteros ocasionales, etc., deriva hacia una nueva acepción, y empiezan a aparecer los famosos cowans, atribuyéndoles o asimilándoles a nuevos términos como: profanos que pretenden entrar en las logias, tambien se les califica de

intrusos, y un poco más adelante se les denuncia como espías.

Así nos lo hacen llegar las diferentes filtraciones de los periódicos de aquellos tiempos, que dada su similitud hacen que sus contenidos nos ofrezcan ciertas garantías de que lo aquello que nos cuentan responde a una realidad, en la cual casi todos más o menos coinciden.[7]

Una de estas divulgaciones, el A Mason´s Confession de 1727, que viene recoger las ceremonias de los masones especulativos de esos primeros años, en su primera cita nos expone dice «immediately after that oath, the administrator of it says, you sat down a

 

cowan, I take you u Mason. (Inmediatamente después del juramento, el que preside dice: habeis llegado como cowan, y yo os elevo como Masón).[8]

Cuya frase no deja de ser sorprendente, pues se puede interpretar como un tendido de mano a quien, tras buscarse un hueco en la vida, lo encuentra con esa ayuda de hacerse masón, pero estamos hablando de la época especulativa, habían pasado diez años desde la fundación de la Gran Logia, y ya no estamos hablando de un profano, sino de un cowan. ¿Qué quiere decirnos con esta frase el autor de la Confession?

Que aún pesaba la herencia operativa en el seno de la nueva propuesta especulativa. Es una posibilidad.

Otra cita que en parte ya conocemos, es esta: «Q. How high should a mason’s siege be? A. Two steeples, a back, and a cover, knee-high all together. ——N.B. One is taught, that the cowan sis taught, that the cowans stage is built up of whim stones, that it may so on tumble down aga in; is taught, that the cowans siege is build-up of whim stones, that it may soon tumble down again; and it stands half out in the lodge, that his neck may be under the drop in rainy weather to come ins at his shoulders, and run out at his shoes».[9]

Un asiento, un sito…, ¿pero ¿dónde? Se está refiriendo el texto a la parte exterior de la logia, en ese punto donde el ultimo trabajador, tal vez el cowan, no estaba al cobijo de la logia, y por tanto expuesto a las inclemencias atizaban todo su cuerpo. Es posible que así sea.

Por su parte las reformadas Constituciones de Anderson, el autor no fue sensible a este tema en su texto de 1723, cuya ausencia no llamaría la atención sino fuera porque quince años más tarde en la revisión de 1738 introduce esta frase: «Los masones libres y aceptados no permitirán a los cowans de trabajar con ellos, y no serán empleados a menos que haya una necesidad urgente…».

Ante tal cuestión cabe preguntarse ¿Por qué Anderson saca a relucir esta cuestión de la

«necesidad urgente», precisamente en ese momento, 1738…? Cuando esa necesidad fue

 

invocada en 1666 tras el incendio de Londres lo cual hizo que arribaran a la capital londinense los más variados gremios canteriles.

Un poco antes de la modificación andersoniana, se publica la divulgación tal vez más importante dentro de este panorama de ritualidades masónicas, y ligada al sector de los Modernos, se trata de la obra de Prichard: Masonry Dissected (1730) en la que salen a relucir en varias ocasiones el término que aquí nos interesa, veamos pues las citas:

En un punto del clásico catecismo de los trabajos rituales el Venerable Maestro, le pregunta al Aprendiz Aceptado donde se sitúa, este le contesta:

Apr. En el Norte.

P. ¿Cuál es su deber?

R.. Mantener alejados a todos los cowans o infiltrados (eves-droppers) VM.

P. Si un Cowan es atrapado. ¿Cómo ha de ser castigado?

R. Colocándole bajo los aleros de la casa en tiempo de lluvia hasta que el agua entre por sus hombros y salga por sus zapatos.[10]

 

Aquí es donde se aprecia la ligazón que se hace entre los cowans como infiltrados, evesdroppers, que es el exactamente el término de correlación. Pero para que vean como esos términos desparecen con las traducciones, en la ya mencionada de Renato Torres, en este caso de la llamada Masonería diseccionada, se traduce To keep off Cowans and Evesdroppers, por «alejar a los profanos y a los curiosos»»

 

Como se puede ver los rituales y los catecismos beben de las mismas fuentes al menos en lo que respecta a algunas cuestiones, pues se dejan notar las coincidencias entre ambas divulgaciones: Confessions y el Dissected.

Tambien aparece un poco más adelante cuando el VM., sigue con el catecismo:

  1. ¿Cuál alta era la puerta de la Cámara del Medio?
  2. Tan alta que un cowan no podría alcanzar a clavar un alfiler.

 

La respuesta, digamos que está en la traducción de la siguiente frase del catecismo, al menos en lo relativo a la traducción francesa cuando dice: «ella tan grande que una maniobra (manoeuvre) no podía clavar un alfiler (épingle).

 

 

Y comento, tal explicación esté en la traducción porque, por un lado, manoeuvre, generalmente se ha traducido por maniobra, y tal como me indica el masonólogo Joaquim Villalta, este término se debería traducir por una especie de «peón», o, que podría encajar en el entendimiento más idóneo de la frase, lo que unido al término que aparece en la frase épingle, este se ha traducido como alfiler, y en realidad se refiere a una puntilla, o sea un clavo pequeño y fino.

 

Sin embargo, si vamos a la frase en el idioma original en inglés es «So high that a Cowan could not reach to stick a Pin in»., o sea que no existe el manouvre, y como me anota José Filardo (traductor al portugués de estos textos) la confusión ha venido de la mano del traductor al francés que interpretó la palabra cowan como mano de obra (main d oeuvre), pero escribió manoeuvre, generando toda una confusión.

 

Por su parte, Laurence Dermott les dedica tambien varias citas en su biblia constitucional como es Ahimam Rezon (1751) para los Antiguos, este escribía sobre estos marginales canteros como «When sinful Cowans were grooving in the tide, the Mason Ark triumphantly did ride».[11]

 

Pecaminosos, ¿Por qué motivo, acaso su trabajo en el medio rural levantando muros era reprobable o inmoral? Cuando en realidad los irlandeses que componían la Gran Logia de los Antiguos por lo general eran de lo más bajo en la clase social londinense, o al menos así se les consideraba, incluso al mismo padre fundador.

 

Laurence Dermott se deja resbalar pendiente abajo cuando indica que los acaudalados nobles pueden contratar a buenos masones y no a cowans.

¿Acaso temían su competencia? : « When Men of Quality, Eminence, Wealth, and Learning, apply to be made, they are respectfully accepted, after due Examination; for such often prove good Lords (or Founders) of Work, and will not employ Cowans when true Masons can be had; they also make the best Officers of Lodges, and the best Designers, to the Honour and Strength of the Lodge; nay, from among them the Fraternity can have a Noble Grand Master; but those Brethren are equally subject to the Charges and Regulations, except in what more immediately concerns Operative

Masons»14

 

 

Aqui, Dermott repite lo expuesto por Anderson en 1738 « But Free and Accepted Masons shall not allow Cowans to work with them, nor shall they be employed by Cowans without an urgent Necessity; and even in that Case they must not teach Cowans, but must have a separate Communication; no Labourer shall be employed in the proper Work of Free-Masons».[12]

 

En el apartado dedicado al Tyler se dicta: «BROTHER V. W.: You are appointed Tiler of this Lodge, and I invest you with the implement of your office. As the sword is placed in the hands of the Tiler, to enable him effectually to guard against the approach of cowans and eavesdroppers, and suffer none to pass or repass but such as are duly qualified, so it should admonish us to set a guard over our thoughts, a watch at our lips, post a sentinel over our actions; thereby preventing the approach of every unworthy thought or deed, and preserving consciences void of offense toward GOD and toward man».[13]

 

Pero en las seudo Constituciones de los Antiguos: Ahiman Rezón, sale a relucir la palabra cowan, unas catorce veces.

En líneas parecidas se mueven otros textos rituales, bien desde una forma muy definida, tal y como ya hemos visto o dejando caer ciertas asimilaciones.

 

En esta línea que marca una parte de la ritualidad inglesa de los Antiguos, aun cuando había quedado atrás la unificación de 1813 entre Modernos y Antiguos, y se habían autoimpuesto una normalización ritual mediante la implosión de ritual estandarizado para esta nueva andadura, como es el ritual Estándar de Emulación, y donde se puede ver que un ritual como Duncan el llamado Tuiler (Guarda Templo) que se encuentra al exterior de la logia presenta como misión, espada en mano, garantizar que no entrará ningun cowan o intruso. Luego veremos el desarrollo al detalle.

 

A este respecto de los cowans, se generó a su vez una riada de versos y canciones satíricas, como la de Gavin Wilson, poeta y masón de la logia San David nº 36 de Edimburgo, que en 1788 presenta en sus canciones satíricas a los cowans como unos bobos, que pretendiendo obtener la Palabra del Masón, se les puede engañar una y mil veces.[14]

Que al final es lo que a su vez presenta el prestigioso Makey cuando narra cómo Robert Jamieson en su búsqueda de posibles derivaciones al término, este se sitúa ante la alocución que concluye en el término de «perro», (tal vez enlazando el hecho de que los escritores bíblicos habían expuesto precisamente al perro como imagen del desprecio) y desde esa acepción a la que llega Jamieson este lo pone en relación con el idioma sueco, para concluir caracterizando a los cowans como Kujon o Kuzhhjohn, que viene a significar: «tonto».

LOS COWANS EN LA RITUALIDAD MASÓNICA FRANCESA

En general los rituales franceses no suelen hacerse eco del tema de los cowans, al menos bajo este definido término anglosajón, si bien es cierto que se ha traducido o recreado, por lo general bajo otras acepciones como intruso, o como espía, o simplemente como

profano.

Frente a esta situación tan paradigmática viene en nuestro apoyo el profesor D. Stevenson, cuando nos viene a decir que toda esta trayectoria por tierras francesas es cuando se deja notar que ha desaparecido de los actuales rituales tal vocablo, y «probablemente porque han sido pocos los historiadores de la masonería que han examinado la cuestión, así como las zonas que abarca, e incluso los propios masones no saben muy bien lo que significa tal expresión»,[15] más allá de las expresiones canónicas al uso y que se hayan en algunos tratados y en muchas páginas web en las cuales se repiten como papagayos.

 

Situados en los primeros textos pre-rituales procedentes de las herencias de los Modernos, y generados en tierra francesa, como fue el ritual Luquet de 1745. Este nos habla que el Guarda Templo (Tuileur) tiene el sentido y deber de alejar a los profanos: D. Pourquoi vous armez-vous de glaive dans vos L. ? (¿Por qué va usted armado con una espada dentro de la logia?).

  1. C’est pour en écarter les profs. (Para alejar a los profanos).

 

En este momento ya no estamos ante traducciones, sino muy al contrario, ante producciones rituales propias del quehacer masónico francés, las cuales en su fraseología nos recuerdan vagamente al tema de los famosos cowan anglosajones, en este caso quien interviene es el Tuileur del Luquet, tratando de alejar a los profanos, a los cuales parece dirigirse a ellos a modo de pretendidos cowans, los cuales estarían interesados en obtener dicho acceso sin saber muy bien para qué , y por otro lado no parece tener mucho sentido alejar a quienes pudieran ser candidatos idóneos a formar parte de la fraternidad masónica.

Está claro que en el subconsciente colectivo actúa sobre presión de los continuos fisgoneos en los entornos logiales para poder dar cabal gusto al público demandante de este tipo de materiales, como muestra el amplio listado de divulgaciones y exposures que a lo largo del siglo XVIII se fueron publicando, tanto en Inglaterra como en Francia.

En la exposure que se filtra unos años después del Luquet, bajo el título: Anti-Maçon (1748), nos comunica la existencia de gentes indiscretas y dedicadas al espionaje, y ser malignos en sus pretensiones. (On peut s’en rapporter aux sots pour remarquer tout ils n’ont que cela à faire. Ils sont espions par malignité, & indiscrets par besoin de conversation).

 

En este sentido estamos ante una definición más exacta a la situación por la cual estaba pasando la masonería, al estar siendo filtrados a la opinión pública todos sus rituales, evidentemente con intenciones de desprestigio, y cuya forma de obtención como se ha visto en el Prichard de 1745 mediante el espionaje, de ahí la esencialidad del Guarda Templo exterior.

 

LA CONDENA DEL RÉGULATEUR SOBRE ARTESANOS Y COMPAÑEROS

 

Pero mientras que todas la exposures francesa se van a mover en ese mantra del fisgoneo y el intrusismo, será un ritual de finales de siglo como el Régulateur du Maçon, quien va a ir más allá al marcar una directriz muy en la línea del asociacionismo terminológico que vengo comentando, ya que en el ritual del grado de Aprendiz (1º) al detallar las condiciones de admisión, explica: «Raramente se admitirá a un artesano, aunque sea maestro, sobre todo en los lugares donde las corporaciones y comunidades no estén establecidas».

Buscando explicaciones a esta cita, que ya no versa sobre los operativos «cowans» sobre los cuales se ha insuflado una cierta penalidad a modo de malditismo, sino que traspasa esa presión hacia el sector artesanal francés, realizando una trasmutación que se había realizado antes sobre los artesanos canteros sin la palabra, o sea los cowans, aunque evidentemente la historia de ambos colectivos de cantería, tanto ingleses como franceses son radicalmente distintas

 

Para entender en parte del porqué de estos olvidos en el tratamiento y estudio sobre los cowans y las condenas sobre los Compañeros en los rituales, acudimos a la figura de Pierre Nöel, que nos explica el por qué significados autores como Guenón,[16] Dat, o Guyot no expusieron la existencia de estas incongruencias, y la explicación deviene del hecho que parte de estos estudiosos nunca leyeron los rituales operativos de la Worshipful Society, y autores del otro lado del Canal como Bothwell-Gose o Debenham, por el contrario nunca han leído el Régulateur du Maçon.

Y por tanto las cuestión del rechazo se puede observar en lo expuesto por el ritual

Luquet, que es a su vez una especie de injerto operativo de origen inglés en la ritualidad francesa, es evidente que en ese relato no salen a relucir los cowans, los cuales por lo general quedan semi enterrados bajo otras denominaciones como se puede observar en las exposures francesas, justo hasta que el Régulateur, de una manera muy discriminitaroria vuelve a poner en el tapete las viejas esencias inglesas de repulsa sobre algunos sectores operativos de principios del siglo XVIII.

No deja de resultar extraño ese «olvido», por parte de los historiadores y estudiosos franceses que siempre han sido muy puntillosos y más sobre el hecho de que se haya producido esa curiosa disolución terminológica del «cowan» en base a diversas traducciones mediante las cuales se han ido incorporando otros términos más castizos y apegados al determinismo hexagonal, cuyas adaptaciones han surgido en función de muy distintas situaciones y realidades, las cuales van a crear fuertes distorsiones semánticas y de interpretación histórica.

En 1801, cuando se publica el Régulateur du Maçon en Francia, de la mano del Gran Oriente de Francia, el cual codifica la molienda de los Modernos, muestra una frase que viene a complementar a la ya expuesta anteriormente sobre la contundente repulsa de los artesanos, la frase se cierra con esta determinación: «Nunca se admitirá a los obreros denominados Compagnons en las artes y oficios».[17]

Sabidos son los encontronazos históricos del Compañerismo (Compagnons) en el seno de la historia de las construcciones religiosas y sociales a lo largo de distintos siglos tanto de carácter religioso, gremial y social, lo cual hizo que los poderes civiles persiguieran a tales gremios, tenidos por revoltosos, lo que no deja de ser paradójico que la mente

 

colectiva masónica, al menos en el ámbito castellano se sigan plateando extraños paralelismos creyendo que es lo mismo o parecido constructores de catedrales y masonería, y por tanto se sigue mitificando como algo propio de la masonería especulativa a modo de herencia cuando en realidad en el caso de Francia, es una cuestión más bien de gremios del Oficio y de los Compagnons.

Por tanto, tras leer la vademécum sobre el quehacer del Compañerismo en Francia,[18]queda meridianamente claro que el reproche que hace el Régulateur, no deja de ser una recreación del malditismo de los artesanos y por ende de los Compañeros, lo cual nos viene a recordar a los viejos cowans anglosajones, aunque su historia que no registra grandes enfrentamientos con sus hermanos de gremio, sino en esa otra clave de convertirlos en la diana de invectivas, y objeto de persecución y burla que en clave francesa afectaría a los Compañeros.

Y es en esa clave es como se puede entender como lógica la condena expuesta en el Régulateur, que se desmarca de usos terminológicos equívocos más actuales como profano, o intruso, para inclinarse hacia las raíces operativas transformando el dardo de la marginalización en esta ocasión sobre los Compañeros (Compagnons).

Sin embargo, un especialista en los temas del Compañerismo como es Jean-Michel Mathoniére, indica que esa referencia a los Compagnons en el Régulateur, no está referida a los Compañeros del Deber, sino a los «Compañeros del mismo sistema corporativo y gremial de los operativos». Opinión que resulta bastante extraña, puesto que desde antiguo estamos ante una queja cuasi permanente sobre la posible presencia de artesanos,  a modo de cowans, cuyo malditismo viene recogido en el relato bíblico de Ezequiel 13. 10-15 «Porque, incluso han seducido a mi pueblo, diciendo: Paz; no habiendo paz; y uno construyó un muro, y he aquí que los otros lo embadurnaron con lodo suelto».

En las siguientes referencias de se les trata o asimila como intrusos, y de abominables, haciéndoles pasar de forma continuada, por «oyentes intencionales» que quieren entrar en las logias, y obtener así la Palabra del Masón, o sea querer hacerse, o en todo caso querer pasar por masones, opinión que se encuentra tanto a un lado como en el otro del Canal de la Mancha, en esa secuencia, primero como cowans, luego como espías, e intrusos, aunque se ha de matizar que unos serían oyentes involuntarios (cowans) y otros serían los oyentes intencionales (espías), para ser finalmente asimilados a los Compañeros, que definitivamente serán calificados como indeseados.

 

Personalmente me inclino a pensar que el Régulateur en su preámbulo quiere enlazar precisamente a esos artesanos, calificados en algunos sectores como «viles, sin elevación, y sin mérito»[19] y a los Compañeros, como un reflejo del repudio hacia tal estamento dada su historia como gremios dentro de la articulación del oficio en Francia.

LOS MASONES DE TEORÍA Y PRÁCTICA

Si esto era poco dentro de este embrollo terminológico en el seno de la Francia dieciochesca que relaciona los cowans ingleses con espías e intrusos, etc., es perturbado por la llegada de otras controvertidas acepciones y concepciones que se hayan en los rituales franceses, las cuales versan sobre los masones de practica y de teoría.

Aunque no deja de ser cierto que este asunto que presenta muchos problemas de manejo tanto de concepto como historiográfico.

Uno de los primeros rituales que expone la cuestión planteada es el ritual Luquet (1745). En su catecismo en base al típico intercambio de preguntas y respuestas, y sale a relucir la cuestión:

  1. ¿Cuántos tipos de M(asón) hay?
  2. Hay dos tipos.
  3. ¿Quiénes son ellos?
  4. El M. de Teoría y el M. de Práctica.
  5. ¿Qué aprende usted como M. de Teoría?
  6. Una buena moral, para purificar nuestros modales y hacernos agradables a todos.
  7. ¿Qué es el M. de Práctica?
  8. Es un obrero que trabaja la piedra, quien levanta columnas sobre sus bases.

Aquí vemos, como un masón de teoría vendría constituirse en el virtuoso masón especulativo en base a la aceptación de buenos eslabones gentlemans, los cuales conformarán la membresía de la Gran Logia de Londres, en cambio al masón de práctica, se le presenta como un simple y tosco cantero que no parece tener otro objetivo que levantar columnas, no es un constructor, sino que su misión parece más simple a modo de viejos cowans, levantar pilares.

  1. ¿Qué aprendéis siendo un Mason de teoría?
  2. Una buena moralidad, purificar nuestras costumbres haciéndonos agradables a todo el mundo. [de nuevo la presencia de los gentleman o gentileshombres].

 

  1. ¿Cuáles son las principales cualidades de un Masón de Teoría?
  2. Ser un hombre libre y discreto, igual a los príncipes reconocidos por sus virtudes, y amigo de Dios y del prójimo».

Se eleva al elemento gentleman hasta la categoría semidivina, al contrario de cómo se expone al artesano, y cantero, simplemente un trabajador de la piedra, y lo será para el resto de su vida, al menos bajo en esa concepción medieval de estar sujetos de por vida a los oficios.

  1. ¿Qué es el Masón Práctico?
  2. Quién usa materiales en los edificios.
  3. ¿No puede ser tan virtuoso como nosotros?
  4. Todo hombre puede estar en ese estado; pero la tosquedad y a menudo las razones mecánicas impiden unirlo prácticamente.

Esta discriminación es algo que comparte otra divulgación francesa del mismo año, el

Sceau Rompu, (1745) y que prosigue en esa misma línea el Luquet en sus dictados, y donde esa exposición sobre la tosquedad basada en la ruralidad como incapacidad para proyectarse y de ser portador de la suficiente argamasa como para que la masonería le diga que «no tiene lugar para nadie que construye sus muros simbólicos sin el cemento del amor fraternal».

Por otro lado, anotar que la traducción que presenta la editorial Pardes estos dos términos se han traducido directamente como «Masones Especulativos y Masones Operativos», según reza en la nota que coloca a pide página de la traducción. Prosigue el catecismo:

  1. ¿Cuántas Clases de Masones hay?
  2. Masones de Teoría y Masones Práctica P. ¿Qué aprendéis siendo Masón de Teoría?
  3. Una buena moral, a purificar nuestras costumbres y volvernos agradables a todo el mundo.
  4. ¿Qué es un Masón de Práctica?
  5. Un obrero tallador de piedras y que eleva perpendiculares sobre sus bases.

Con relación a lo expuesto se insiste en ese levantar verticalmente de forma unánime, a modo de aquellos que levantan muros, y el Masón de Teoría, sería el aceptado masón

especulativo que debe aprender por su condición, a obtener una buena moral, a purificar los modales y ser agradable con todo el mundo. Deberá observar el silencio, el secreto, la prudencia y la caridad y huyendo de las calumnias y la intemperancia ya que el Arte Real los francmasones siempre ha tenido la querencia de unir la práctica de la virtud y las artes liberales heredadas de la antigüedad.

Y ese objetivo se propone a costa de rebajar al simple cantero, al masón de práctica, que le ha donado al primero sus herramientas y conocimientos para sobre ellos cimentar una fraternidad, para despues despojarle de toda su ciencia, de su ser y estar en el sitial de la construcción masónica.

En todo caso, esta no es la novedad , sino que una divulgación deje tan claro que los masones operativos no tenían ninguna connotación espiritual u esotérica y que evidentemente no parecen tener hueco en la masonería de nuevo cuño por su falta de empatía y amor fraternal, lo cual crea una paradoja puesto que tales afirmaciones van en contra de la corriente mítica que ha encumbrado a los masones operativos a modo de los grandes constructores de las catedrales con toda su carga mística-esotérica.

En textos como la Divulgation de 1745, o la de 1748: Le Nouveau Catéchisme de Francmaçons, o los rituales del Marqués de Gages de 1763, o incluso en los rituales del Duque de Chartres de 1784, todos ellos se alinean en dejar claro el motivo diferencial entre Masones Prácticos y Teóricos (Operativos y Especulativos), y en esas apreciaciones no se encuentra entre ellos grandes diferencias de concepto.

Es más, uno de los últimos rituales calificado como provenientes de la rama de los Modernos, y ya finalizando el siglo XVIII, como es el Cuerpo Completo de la Masonería, adoptado por la Gran Logia de Francia, (1761? o 1774?) este prosigue en la misma tesitura.

Pr. ¿Cuántos tipos de Masones hay?

Rp. Hay dos tipos: los Masones de Teoría y los Masones de Práctica.

Pr. ¿Quiénes son los Masones de Teoría?

Rp. Son aquellos que aprenden una forma de moral, y purifican sus hábitos, y se vuelven agradables a todo el mundo.

Pr. ¿Quiénes son la Masones de Práctica?

Rp. Son los que tallan la piedra, y elevan la perpendicular sobre sus bases.

Estas definiciones en la instrucción del 2º Grado del Régulateur, (1786) las vuelve a remarcar, pero con una diferencia entre uno y otro, pero rebajando cada vez más las funciones del Masón de Práctica.

  1. ¿Cuántos tipos de Masones hay?
  2. Hay dos tipos, unos de Teoría y otros de Práctica
  3. ¿Qué aprenden los Masones de Teoría?
  4. Una buena moral que sirve para depurar nuestras costumbres y para hacernos agradables para todos los hombres. P. ¿Qué es un Masón de Práctica?
  5. Es el obrero de edificios.

Esta idea de la distinción entre ambos se va a mantener hasta finales del siglo XVIII, aunque en parte se irá disolviendo, pero aun así surge alguna tardía divulgación que se desmarca de tales paradigmas, como sucede con Mahhabone (1766), este texto va un poco más allá al dejar atrás ya que asume el nuevo estadio en el cual el nuevo miembro de la logia debe tener tanto de gentleman como de cantero:

  1. ¿Qué aprendiste al convertirte en Gentleman Masón?
  2. El Secreto, la Moral, y la buena camaradería.
  3. ¿Qué aprendiste al convertirte en un Masón del Oficio?
  4. A tallar la piedra en escuadra, a dar forma a la piedra, poseer el nivel la destreza con la perpendicular.

 

Es evidente que la exposure Mohhabone asume y adopta a las dos tipologías, por supuesto a los gentleman como su basamento esencial, pero asumiendo al elemento operativo como herencia valiosa que le ayudará a elevarse al nuevo estadio que plantean los gentleman, los cuales «trabajan de lunes a sábado, con una tiza, un carbón de madera y un tiesto que viene a significar la Libertad, el Fervor, y el Celo, esta es una propuesta un tanto diferente del futuro universo especulativo».

LA HERENCIA DE LOS ANTIGUOS Y LOS COWANS SIGLO ADELANTE…

Sin embargo, dentro de la corriente de los Modernos y en seno del Continente esta cuestión termina prácticamente despareciendo, salvo por la excepción del Régulateur, que ya he reseñado, en cambio y a modo de contraste exponer que, en la corriente de los Antiguos, esta recobra la vieja línea marcada por los prejuicios.

Así es como plantea la situación un texto en castellano: Catecismo de Instrucción del REAA de la Gran Logia de España (GLE)[20].

  1. ¿Puede un Masón seguir siendo Cowan?
  2. Ese hombre que ingresa por mera curiosidad, por ganar posición social o ventajas en los negocios, el falso masón es el verdadero cowan, una fuente sutil de problemas en el interior del cuerpo del Oficio, que seguramente afectará a la vida de la Hermandad sino se tiene cuidado.

 

La pregunta que podríamos hacernos es ¿Por qué se sigue recogiendo en diversos textos del REAA la propuesta de Anderson de 1738, en un documento del 2011 de la Masonería

de Tradición española?

A juzgar por lo que exponen algunos francmasones anglosajones esto es relativamente fácil de entender, dado que los cowans son elementos exógenos a los gremios a la francmasonería especulativa, ya que son obreros sin la palabra, que desean entrar en nuestras fraternidades…, y por tanto este término ha sido el ideal para definir la situación.

En lo cual además incide ritual como el Duncans ´Masonic Ritual and Monitor de 1866, y perteneciente a la herencia Antigua, el cual se significa de este modo:

  1. Brother Tyler, your place in the Lodge. (Hermano Guarda Templo ¿Cuál es tu lugar en Logia?)
  2. Without the inner door. (En la Puerta interior)
  3. Your duty There? (¿Cuál es su deber?)
  4. To keep off all cowans and eavesdroppers, and not to pas o repas any but are duly qualified and have the Worshipful Master´s permission. (Mantener alejados a todos los cowans y espías, y no dejar pasar a ninguno debidamente cualificado y sin permiso del Venerable Maestro)

Como ya expuse, en el resto de los cuadernos rituales franceses de raíz moderna del siglo XIX pierden prácticamente toda la referencia a persistir en esas tesituras, salvo en el Rito Francés Filosófico que retoma la cuestión, pero desde perspectivas novedosas y distintas.

CONCLUSIONES:

A raíz de lo expuesto sobre los famosos cowans, se puede resumir lo siguiente:

  • Tenemos en el arranque de toda esta historia en el área anglosajona a unos canteros rurales (amuralladores) coexistiendo en tiempo, y circunstancialmente en los mismos lugares con los potentes sectores del Oficio (piedra) de marcado carácter urbano: gremios, guildas, corporaciones, etc.
  • Canteros rurales que sufrieron el señalamiento de los gremios del Oficio como canteros marginales, o mano de obra circunstancial, a los que se designa en diversos documentos como «Cowans». (Canongate, Glasgow, Morher Kilwinning, York, Lodge Aitchison´s Haven).
  • Cowans, que, en los Antiguos Deberes, y en algunas otras reglamentaciones y documentos aparecen mencionados en lo relativo al ejercicio y reglamentación

del Oficio, en los cuales se les asigna una cierta especificidad laboral de carácter rural circunscrita a levantar muros y pequeñas construcciones en el medio rural, y por tanto a eso se les reduce en cuanto a sus ámbitos de trabajo y dedicación. (Estatutos de Shaw, manuscritos Dumfries, Wilkinson).

  • Término que viene de los usos operativos de Escocia, y que aparece en suelo inglés y sus textos reglamentarios en los finales del XVII y principios del XVIII, extendiendo dicho término en lo relativo a la masonería a cualquiera que no fuera masón especulativo.
  • Como tales obreros de la cantería rural no estaban insertos en las urbanas agrupaciones gremiales del Oficio, quedando al margen de la posesión de la Masson´s Word (Palabra del Masón), que daban opción a más trabajo u beneficios de protección.
  • Tales cowan va apareciendo en el seno de la ritualidad a comienzos de la epoca especulativa como tales cowans, pero tambien bajo descripciones: espías, intrusos, etc., y bajo la pretensión de entrar en masonería de forma encubierta,

tal y como presentan diversos textos. (Masons´s Confesion, Constituciones de Anderson,)

  • Son fruto del acoso y de campañas de ridiculez tanto en los rituales, como por otros medios: canciones y dibujos, en los cuales se les presenta tal y como sucede en el Ahiman Rezon, como inmorales y abominables.
  • En la ritualidad francesa el término cowan va adquiriendo otras acepciones ya comentadas: espías, intrusos, y como indignos profanos, perdiendo la raíz original, apareciendo ciertas problemáticas de traducción y de interpretación al perder la raíz.
  • Adaptación del término cowan a la mass media masónica francesa, transformado su presencia a modo de masones de práctica, como punto de ruptura y separación entre el mundo operativo y el especulativo, al cual se le presenta como un simple obrero que levanta columnas, y sin actitudes dada su tosquedad.
  • Retorno al concepto de la marginalización operativa, significando a modo de cowans a ciertos sectores del Oficio: los artesanos y los Compañeros, (Régulateur du Maçon).
  • Práctica desaparición dentro de la raíz de los Modernos en el siglo XIX de tales significaciones denigratorias.
  • Presencia de los viejos clichés operativos dentro de la corriente de los Antiguos, y bien entrado el siglo XIX. ( ritual Duncans Monitor)

En general este estudio ha querido incidir en cómo un término que ha estado presente a lo largo de más de un siglo en nuestros rituales, como los cowans, este  ha ido mudando y mutando, de forma interesada  en cuanto a definiciones, difusión y desarrollo, a cuyo sector del Oficio se le ha marcado a sangre y fuego bajo algunas concepciones como canteros, artesanos, o compañeros pero bajo percepciones peyorativas, o  tratamientos como espías, intrusos, aborrecibles, o abominables de lo cual se ha servido la masonería  para denigrar y significar determinadas actitudes, cuando en realidad como dice Bob Walker de la Gran Logia de Escocia, nunca estos [cowans] ha representado un problema o una amenaza para la masonería.[21]

Sin embargo, se ha dado toda una concomitancia en querer presentar a los cowan bajo diferentes denominaciones como personas que no son capaces de construir en el seno de  la masonería nada, porque les faltaría como dice un masón inglés «el cemento que supone el amor fraternal», recurriendo a la misma biblia en la que el libro de Ezequiel 13: 10-15 le dedica un cruel azote a estos sencillos canteros rurales que construyen muros sin argamasa «Así desbarataré la pared que vosotros recubristeis con lodo suelto, y la echaré a tierra, y será descubierto su cimiento, y caerá, y seréis consumidos en medio de ella; y sabréis que yo soy Jehová. Cumpliré así mi furor en la pared y en los que la recubrieron con lodo suelto; y os diré: No existe la pared, ni los que la recubrieron».[22]

No deja de ser curioso que una fraternidad como la masónica basada en el objetivo de «reunir los disperso», haya mantenido por tanto tiempo esa discriminación y denigración.

Un término el de los «cowans» que, de no ser por la atención o estudio de autores como Mackey, Joseph Fort Newton, H. Carr o Sudarkis… hubiera quedado en el olvido, perdiéndose toda su huella.

Aquí quedan las investigaciones y reflexiones que he podido pergeñar para sacar a flote las vieja dudas masónicas que desde la edad aprendiz masón venía arrastrando con relación a estos extraños canteros rurales, los cowans.

Victor Guerra. MM.

Presidente del Circulo de Estudios de Rito Frances Röettiers de Montaleau

 

Notas

[1] Que ningún Maestro ni Compañero del Oficio recibiera algún cowan para trabajar en su sociedad o compañía, ni enviara a ninguno de sus sirvientes a trabajar con los cowans.

[2] Popow, Corine. James Hogg. The Founder of the Psychological Novel. Dissertation. 2004 3 Hurtado, Amando. Nosotros los Masones. Editorial MASONICA.2014.

[3] Dictionnaire vagabond de la pensée maçonnique. Éditions Dervy.2017

[4] The Buildres. Astory and Study of Masonry. Grand Lodge of Iowa. 1914. 6The Early Masonic Catechisms. Quatuor Conorati Lodge nº 2076. 1975.

[5] MS. on two lines withgo owl.

[6] https://hermetismoymasoneria.com/s13doc2a.htm.

[7] Révaguer, Marie-Cécile. Les âges de la vie pour le franc-maçon britannique du XVIIIe siècle In: Les Âges de la vie en Grande-Bretagne au XVIIIe siècle. Presses Sorbonne Nouvelle, 1995.

[8] En la traducción de Renato Torres, para el libro: Catecismos Masónicos (1696-1750). Edito Pardes. Este traduce la frase como: Os habeis sentado como cowan, yo os levanto como masón.

[9] P. – ¿Qué altura debería tener un asiento de masón?

  1. – Dos agujas de campanario, un respaldo y una techumbre, todo a la altura de la rodilla.
  2. B.- Se enseña que el asiento de un cowan está hecho de piedra volcánica con el fin de que se hunda rápidamente. Y está situado mitad en la logia, mitad afuera con el fin de que el cuello del cowan esté bajo el canalón en tiempo de lluvia y que el agua le penetre por entre los hombros y le salga por sus zapatos.

[10] El ilustrador W. Hogarth en 1730 parodia este curioso castigo en su obra Night . Ver: MulveyRoberts, Marie. Hogarth on the Square: Framing the Freemasons. Journal for Eightieth-Century Studies. Vol. 23. 2003.

[11] «Cuando los pecaminosos Cowans surcaban la marea, el Arca del Masón triunfante cabalgó». 14 «Cuando Hombres de Calidad, Eminencia, Riqueza y Aprendizaje, aplican para ser recibidos, ellos son respetuosamente aceptados, después de la debida examinación; porque a menudo demuestran ser buenos Señores (o Fundadores) del Trabajo, y no emplearán a Cowans cuando se puedan tener verdaderos masones; ellos también son los mejores Oficiales de Logias, y los mejores Diseñadores, para el Honor y la Fuerza de la Logia; más que eso entre ellos la Fraternidad puede tener un Noble Gran Maestro; pero esos Hermanos están igualmente sujetos a los Cargos y Regulaciones, excepto en lo que concierne más inmediatamente a los Masones Operativos».

[12] «Pero los libres y aceptados masones no permitirán que los Cowans trabajen con ellos, ni serán empleados por Cowans sin una necesidad urgente; e incluso en ese caso no deben enseñar a Cowans, sino que deben tener una Comunicación separada; ningún obrero será empleado en el trabajo propio de los masones libres».

[13] «HERMANO V. W.: Ha sido nombrado Tyler de esta Logia, y lo invisto con el implemento de su oficio. A medida que la espada se coloca en las manos del Tyler, para permitirle efectivamente protegerse contra el acercamiento de cowans y espías, y no sufrir que nadie pase o repase, a menos que esté debidamente calificado, por lo que debe amonestarnos para poner un guardia sobre nuestros pensamientos, vigilancia en nuestros labios, colocar un centinela sobre nuestras acciones; evitando así el acercamiento de cualquier pensamiento o acto indigno, y preservando las conciencias sin ofender a DIOS y al hombre».

[14] http://mvmm.org/c/docs/eng/wilson.html.

[15] Stevenson, David. Les Premiers Francs-Maçons. Les Loges Écossaises originelles et leurs membres. Éditions Ivoire-Clair. 2000.

[16] http://pierresvivantes.hautetfort.com/archive/2013/12/15/rene-guenon-et-les-origines-dela-franc-maconnerie-les-limit-5247265.html#_ftn3, (René Guénon y los orígenes de la masonería:

los límites de una mirada).

[17] Régulateur du Maçon. Editor Masonica. Es.

[18] Berton, Hugues ; Imbert, Christelle. Les Enfants de Salomon. Approches historiques et rituelles sur le Compagnonnages et la franc-maçonnerie. Éditions Dervy. 2015

[19] Anatole de Maontaignon. Etat des ouvriers ramenés d’Italie par Charles VIII, 1497-8. Archives de L´Arte Français. T. 1. 1906.

[20] : Lectura de Instrucción por preguntas y Respuestas, basadas en los catecismos y textos tradicionales del REAA. GLE. 2011.

[21] Are there Cowans in our midst?

http://www.themasonictrowel.com/Articles/General/other_files/are_there_cowans_in_our_ midst.htm

[22] Ezequiel 13. 14-15

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