Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

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O Regime (e Rito) Escocês Retificado (RER): senão um novo, um olhar complementar

Ivan Antônio Pinheiro [1]

Introdução

A julgar pelo título, o leitor é capaz de imaginar que “vem heresia por aí”, afinal, como admitir um novo olhar por sobre uma instituição já centenária, para alguns, milenar, portanto lastreada em pura tradição? Sim, à primeira vista há uma contradição, mas esta não resiste, como demonstrarei, a um olhar histórico-crítico capaz de trazer luz à cegueira dos apaixonados, como há muitos no RER em particular e na Maçonaria em geral, onde a taxonomia bibliográfica já os reúne em um grupo: os românticos, cuja visão só se explica pelo conforto (vaidade, necessidade?) da identificação com os heróis da saga, alguns já entronizados, e destes, até o mal realizado é justificado em nome de um suposto bem.

Destarte, “um novo olhar” pretende questionar alguns pontos admitidos como já pacificados, mas sem qualquer pretensão de estabelecer uma nova ou mesmo verdade alternativa, mas antes a de despertar e provocar outra tradição, que de tão antiga hoje parece em desuso, quase esquecida: a reflexão crítica. E não faço a crítica pela crítica, tão somente exploro uma das mais caras faculdades humanas – o conhecimento pela cognição – que tem, na Maçonaria, um campo fecundo para o seu exercício, e tenho mesmo dúvidas se o seu desenvolvimento (pela via da reflexão crítica) não é um dos principais desideratos da Ordem.

A motivação inicial para este texto surgiu da solicitação, por parte do Deputado Mestre, de um trabalho que destacasse, no RER, a herança da Estrita Observância Templária. Mas tão logo iniciei as leituras que poderiam dar sustentação ao trabalho, foi crescendo a percepção que alimento desde as primeiras leituras sobre o RER: ao contrário do que habitualmente é afirmado, o RER pretendia, sim, retificar; não o Rito Escocês Antigo e Aceito (REEA), pois este ainda não existia, mas a Maçonaria em geral e, se se quiser manter a correspondência com a designação mais próxima, não o REAA, mas a sua matriz que, à época, já estava constituída: o Rito de Heredom. Mas a questão, como aos poucos se mostrará, é mais ampla. Essas reflexões preliminares já haviam me levado a publicar o texto que dá título à primeira seção deste artigo, cujo conteúdo foi então, agora, resgatado e atualizado. Ademais, as leituras me levaram a perceber elementos que até então não só não haviam me chamado a devida atenção, como, de acordo com o mainstream da literatura-RER apontam, senão em sentido contrário, diverso ao que ora apresento. Daí porque ora, reunidos, os apresento como “um novo olhar” sobre o RER.

O texto, então, reúne questionamentos e reflexões sobre as seguintes “verdades” que denomino estabelecidas porque reproduzidas à exaustão e sem questionamentos, ressalvas ou senões pelo autores: 1) que o RER não pretende retificar o REAA; 2) que os Rituais são os mesmos desde que o RER foi concebido e estruturado nos Conventos de Lyon (1778) e Wilhelmsbad (1782); 3) o que eu tenho percebido como sendo uma das maiores preocupações dos autores retificados, explicar que o RER combina elementos de 3 (três) fontes: o “Escocismo Francês”, a Maçonaria dos Elus Cohen e, a Maçonaria da Estrita Observância Templária; e, finalmente 4) chamar a atenção para um traço da personalidade de Jean Baptiste Willermoz (JBW) que, reconhecido e elogiado como mentor intelectual do RER, raramente tem destacada a sua habilidade como político e questionadas determinadas iniciativas. Em esforço para melhor organizar a pauta os temas foram distribuídos em seções específicas, mas reconhece-se que algumas, sem prejuízo, também poderiam ser incluídas em outras, mas também por isso, o texto por vezes parece se repetir – o que foi feito em reforço aos argumentos -, o que remete ao convite para apreciação da totalidade da obra.

Não poderia, de pronto, deixar de reconhecer que este texto não teria sido possível não fossem as matérias do blog Primeiro Discípulo, único veículo, no Brasil,[2] que atualmente publica regularmente conteúdo genuinamente RER para além do simples historicismo. Além das análises e considerações próprias, o blog apresenta traduções, do Francês, mas também do espanhol, o que não é de somenos importância, sobretudo em um país culturalmente monolíngue.

Rito Escocês … Retificado. Afinal, retifica o quê?

De regra, em qualquer evento RER que reúna praticantes de outros Ritos, uma das primeiras preocupações do apresentador é esclarecer, afinal, qual o significado da expressão “retificado”. A preocupação é procedente, sobretudo no Brasil, aonde o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) é o mais praticado. Afinal, retificar, como verbo transitivo direto corresponde a:

Tornar reto; alinhar: retificar o traçado de uma estrada. Deixar exato, correto; corrigir: retificar um cálculo. Realizar a retificação, o conserto de; consertar: retificar um carro usado. Dispor de maneira harmônica; arrumar: retificava a estante;[3

e como verbo pronominal: “Comportar-se de modo certo, correto: ele me ofendeu, mas se retificou”. Ou seja, a expressão “retificado” sugere que tudo o que lhe antecede no texto … não é exato, não é correto, não é harmônico, … daí que necessita ser corrigido, retificado. É, pois, uma questão que de pronto merece ser esclarecida para evitar constrangimentos. E mesmo para os que não são praticantes do REAA, a situação pode se revelar embaraçosa, pois um Rito que se apresenta como retificado, pela própria denominação sugere (inadvertidamente ou não) uma posição de superioridade frente, pelo menos, ao que retificou.

O Maçom Retificado já conhece o esclarecimento que se segue, habitualmente apresentado sob dois argumentos: 1) o da anterioridade, pois o RER é anterior ao REAA, portanto este não poderia ser retificado por aquele; e, 2) a questão templária (vide Cavaleiro Ramsey), esta sim, o efetivo objeto da retificação expressa na designação do Rito. Esse é o esclarecimento oficial, by the book, repetido à exaustão em circunstâncias análogas à apresentada.

Embora tudo seja processo, pois sempre há o antes (acontecimentos relacionados) e o depois cujos prazos são indefinidos, o período de referência do surgimento do RER habitualmente citado está compreendido entre 1778-82, anos em que ocorreram os chamados Conventos fundadores – o de Lyon e o de Wilhelmsbad, respectivamente.

Ademais, é amplamente citado na literatura maçônica que o REAA tem as suas raízes no Rito de Heredom, Ismail (2020, p. 25), entre outros (ROCHA, 2021) afirma que “Os 25 graus do Rito de Heredom e sua difusão nos Estados Unidos é que deram origem ao REAA”. Por oportuno, Muniz (2016, p. 56) esclarece:

A princípio todos os “graus superiores” eram chamados de “Graus de Perfeição e daí veio o nome de “Rito de Perfeição” ou “Rito de Heredom”. O nome Heredom é uma referência ao Mons Magorum invisibilis (monte dos magos invisíveis), descrito em um dos documentos rosacruzes e explicados por Thomas Vaughan (1621- 1666), que foi o tradutor do Fama Fraternitatis para o inglês. É denominada de Montanha da Iniciação e mostra a influência recebida pelo sistema de Altos Graus do hermetismo e rosacrucianismo.

E em “Rito de Heredom” (2021) pode ser lido que:

A palavra “Heredom” é um tanto enigmática, dando margem à imaginação, quanto a sua origem […] Segundo René Guénon, em matéria intitulada “Heredom”, publicada no site da “Madras Editora” […] É assim que em 1196, fundou-se na Escócia a “Ordem dos Cavaleiros do Oriente”, cujos membros tinham como ornamento uma cruz entrelaçada por quatro rosas. Essa Ordem foi trazida da Terra Santa no ano de 1188 da Era Cristã, da qual o rei Eduardo I da Inglaterra (1239-1307), veio a fazer parte dela. Um século após a fundação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, ou seja, por volta do ano de 1300, em seguida a última Cruzada em que, também, tomara parte o rei de uma Ordem estabelecida no Monte Moriá, na Palestina (lugar escolhido por Salomão para a construção de seu Templo), fundaram um Capítulo dessa mesma Ordem, fixando-lhe a sede dos Hébridas e, mais tarde, em Kilwinning, denominando essa Ordem de “Ordem de Heredom” […] Com a supressão da Ordem dos Templários, muitos se refugiaram na Escócia e alistando-se sob a bandeira do rei escocês Robert Bruce I, foram decisivos em diversas batalhas, em especial, em 1314, na vitória na Batalha de Bannockburn. Em 24 de junho de 1334, em agradecimento, o rei criou a Ordem do Cardo. No ano seguinte, esta Ordem se fundiu à Ordem de Heredom. A influência Templária era sentida na Ordem do Cardo, com a acolhida de seus graus, que passaram, junto aos graus de cavalaria, a serem conferidos no Grande Capítulo Real de Heredom, dando origem à criação de graus que formaram, mais tarde, o Rito de Heredom.

Há, pois, estabelecido na literatura, um nexo histórico no qual muito provavelmente acontecimentos verídicos são combinados à ficção (criação enaltecedora, a saga do herói): Cruzadas-Ordens de Cavaleiros Religiosos-Escócia-Templários-KilwinningHeredom-REAA.

Ao Rito de Heredom foram acrescentados mais 8 (oito) Graus até chegar aos atuais 33 do REAA, embora a ordenação (denominação e conteúdo) neste não siga, rigorosamente, à daquele. Ismail (2020, p. 27) cita Ribeiro que, por sua vez, recorre a Pike:

Os oito novos graus têm sua origem em outros ritos praticados na França por volta de 1765. Os graus de Chefe do Tabernáculo (230), Príncipe do Tabernáculo (240), Cavaleiro da Serpente de Bronze (250) e Escocês Trinitário (260) pertencem a uma mesma série em que o último denota a origem. O mesmo ocorre com o 270, Grande Comandante do Templo. O 290, Grande Escocês de Santo André, encontraria sua origem no grau supremo da Ordem da Estrela Flamejante, de 1766. Quanto aos dois últimos graus anexados, Grande Inspetor Inquisidor Comandante (310) e Soberano Grande Inspetor Geral (330), sua origem francesa seria encontrada no seio da Mère Loge Écossaise du Contrat Social, da qual Grasse-Tilly era membro antes de partir para a América.

Em outros (MUNIZ, 2016), mas também em Ismail (2020, p. 25) pode ser lido que

[…] em 1756, surgiu o “Conselho dos Cavaleiros do Oriente”, dirigido por maçons da classe média (burgueses), com o intuito de organizar os Altos Graus do rito. Já os maçons de classe mais alta e da nobreza […] criaram o “Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente, em 1758 […] [este] conseguiu prevalecer […] se tornando a legítima “incubadora” do Rito de Heredom, aparentemente concluído no formato de 25 graus no início dos anos 60 daquele século, e inventando a patente de [Etienne] Morin que garantiu a exportação do rito para o novo continente (ISMAIL, 2020, p. 25).

Embora por inúmeras vezes já se tenha referido à expressão “Rito”, é importante que seja conceituada com maior rigor, o que ora se faz a partir do que pode ser lido em Rito de Heredom (2021):

Em nossa Ordem, o termo Rito recebe uma configuração mais particular. Rito na Maçonaria, segundo o “Dicionário Enciclopédico Maçônico do REAA” […] “(…) é um conjunto de regras sobre as quais são praticadas as cerimônias, onde são transmitidas as informações, orientações e as práticas, e instruções simbólicas, realizadas através de lendas, sinais, toques e palavras (…)”. “(…) Foi na França, no início do século XVIII, que o termo “Rito” começou a ser usado, não apenas como um grupo de cerimônias relacionadas, mas como Graus associados sob um controle e administração comum”. Já no Dicionário Completo Maçonaria […] “A palavra “Rito”, na Maçonaria, tem dois sentidos diferentes. Quando se escreve com letra maiúscula, é um conjunto de graus maçons, formando um todo coerente para designar um Rito particular da Maçonaria (REAA, Adonhiramita, York, etc.). A palavra “rito”, escrita com letra minúscula, é um conjunto de regras que fixam o desenvolvimento e as formas de trabalho em Loja, os diversos cerimoniais, como rito do despojar dos metais, o desenvolvimento dos trabalhos de uma Loja, etc.”.

A proliferação de Ritos e Graus, iniciada no séc. XVIII, veio para acomodar as duas grandes cosmovisões no seio da Maçonaria que também passava por profundas transformações, de Operativa à Especulativa com a presença crescente dos “aceitos”: grosso modo por ora designadas como científica e metafísica – a primeira produto da Modernidade e do Iluminismo; a segunda, do renascimento das ciências ocultas (magia, cabala, astrologia, hermetismo, etc.) concomitante à ciência moderna (experimental, dedutiva, lógica, racional, etc.) (YATES, 1990; ROSSI, 1992). Movimento esse (a proliferação de Ritos) que experimentou crescimento exponencial com a difusão e grande acolhida à tese do Cavaleiro Andrey M. Ramsay.

A cronologia revela que à época do desenvolvimento do RER (1778-1782) a espinha dorsal do REAA, os 25 Graus e a organização interna do Rito de Heredom, já estava constituída, assim como os demais Graus, dispersos ou não, já se encontravam presentes em outros Ritos. A título de exemplo, a Jerusalém Celeste, figura-chave no RER, correspondia ao 190 Grau (Grande Pontífice) no Rito de Heredom que, transposto para o REAA, manteve o mesmo ordenamento e ganhou denominação complementar: Grande Pontífice ou Sublime Escocês.

Não é razoável crer que JBW não tivesse conhecimento desse embate geral que se verificava no seio do universo maçônico, assim como da principal questão que opunha os Antigos aos Modernos: adoção de um Rito confessional (católico) em linha com as Old Charges defendida pelos Antigos vs a religião natural (secular deísta com abertura ao ateísmo) adotada pelos Modernos de 1717.

Portanto, se entre 1778-1782 porque o REAA ainda não havia sido criado, o que só acontecerá no início do séc. XIX, não poderia mesmo haver proposta no sentido à sua retificação, não obstante, uma das principais críticas – o grau de vingança[4] -, e contra a qual já se debatia JBW, já estava inserta no Rito de Heredom:

Uma suposta herança desse “jacobismo” nos graus escoceses estaria preservado no famoso grau de vingança do REAA, o 300 grau, de Cavaleiro da Águia Branca e Preta, que era o penúltimo grau (240) do Rito de Heredom. Nele, pode-se encontrar o fruto de Ramsey e o sonho dos jacobitas: os maçons vingando a morte do último GrãMestre dos Templários, Jacques de Molay, traído pelo Estado e pela Igreja. Seria uma alegoria para uma almejada vingança da morte do rei Carlos I, morto [1649] a mando do Parlamento, e de Jaime II, destronado por intolerância religiosa (ISMAIL, 2020, p. 24).

S.M.J., estão criadas as condições de admissibilidade, pelo menos a título de hipótese, do intento de o RER, na sua gênese pretender, sim, retificar o que, entretanto, só mais tarde viria a ser denominado de REAA. Ademais, há ainda outros fatos que, no mínimo, despertam a curiosidade do investigador:

  • primeiro, nunca foi segredo que o intento de Martinez de Pasqually (MP) era fazer dos Elus Cohen uma ponta de lança para reformar a francomaçonaria. E é possível que isso tenha mesmo entusiasmado JBW, do qual se diz que era conhecedor e praticante de inúmeros Ritos, razão pela qual já revelava desapontamento, senão com a Ordem, com alguns dos rumos em curso;
  • segundo, de acordo com Ursin (2014, p. 60), “Em 06 de maio de 1772, ele [Martinez de Pasqually] embarca para São Domingos [hoje Haiti] para “recolher uma herança” e morre em Porto Príncipe, em setembro de 1774”; por fim,
  • de acordo com Ismail (2021, p. 46):

Em 1763, Etienne Morin, portando sua patente que lhe outorgava autoridade para estabelecer o Rito de Heredom no continente americano, concedeu outra patente a Henry Andrew Francken. Começando por Santo Domingo, Jamaica e, provavelmente, Louisiana, em 1767 o Rito de Heredom já estava sendo concedido em New York e de lá rapidamente se espalhou por todo o país, com dezenas de Grandes Inspetores disputando irmãos candidatos, sem divisões de territórios, e concedendo outros graus franceses ou até mesmo inventando novos graus para atrair mais clientes. Um verdadeiro caos.

Ou seja, quando MP, cuja influência sobre JBW é conhecida, chegou a São Domingos, o Rito de Heredom já estava estabelecido. Ademais, desde 1770 ele vinha trabalhando em um dos textos fundantes do RER, o “Tratado da Reintegração dos Seres – em sua primeira propriedade, virtude e potência espiritual divina” (PASQUALLY, 2008). Durante o período que esteve em São Domingos MP e JBW mantiveram intensa correspondência, por meio da qual, inclusive, o primeiro repreende o segundo em razão dos desvios (pela aproximação com a EOT) frente à doutrina da retificação. Teria MP comentado com JBW sobre o cenário maçônico, certamente contrário à sua visão, mas que lhe era dado a conhecer na ilha? E, desgostoso, orientado JBW a redobrar os esforços no sentido à expansão dos Elus Cohen que, lembre-se, possuía o intuito retificador?

Da série de textos de Pierre Noel,[5] mas também de outros traduzidos e comentados pelo blog Primeiro Discípulo, pode se extrair que: se inicialmente JBW nutria uma entusiasmada admiração por MP, o que hoje o faria ser considerado um “seguidor”, passado algum tempo a convivência fez com aquela diminuísse, chegando mesmo ao desapontamento, e para tal não faltaram motivos: da falta do cumprimento de promessas e entregas (comportamento evasivo e displicente de MP) à excessiva ênfase nas práticas teúrgicas (inacessíveis à JBW), passando, inclusive, como visto acima, por constrangimento público determinado à distância – por carta e desde Santo Domingo. A citação a seguir, também extraída do blog, “dá o clima” entre ambos bem como o do entorno:

Porém, se a Ordem Cohen estava mergulhada em caos, por sua vez o estado da Franco-Maçonaria na França também não era nada bom, podemos dizer que era deplorável, consequência da desordem gerada pelo conflito em seus Graus Escoceses, que se reforçou por ocasião da morte do Conde de Clermont em 1771, sucedido por Louis Philippe, Duque de Chartres e de Orleans.[6]

Empreendedor, pragmático (caso contrário não teria logrado sucesso como homem de negócios) e católico fervoroso, aos poucos JBW foi buscando novos caminhos, de um lado, a proximidade com o Barão Karl Gotthelf von Hund e a sua Estrita Observância Templária (para JBW um exemplo de organização e disciplina) e, de outro, após o falecimento de MP, o empreendimento que veio a ser conhecido como as Lições (reunidas nos Cadernos) de Lyon, levado a cabo de 1774-76 e que contou ainda com a participação de Saint-Martin e outros.

Parece-me claro que, sim, aos poucos JBW foi elaborando o projeto para uma nova Ordem que pretendia retificar as falhas (ou o que entendia como tal) tanto da Maçonaria Elus Cohen, como da Estrita Observância Templária que, se de um lado exibia a organização e a estrutura que faltavam à primeira, de outro apresentava a fragilidade da defesa intransigente, de von Hund, de que a Maçonaria era a legítima herdeira do legado templário, inclusive, do acervo patrimonial. Cabe lembrar que JBW e outros (a exemplo de R. Salzmann e dos irmãos Türckeim) já trabalhavam na reforma da EOT desde a morte de von Hund em 1776.

Assim, é provável que a crítica de JBW à EOT não se limitasse à questão templária, eis que os lioneses a consideravam muito pobre, apreciação que dois séculos após também será reconhecida por JeanFrançois Var (notório estudioso do RER) quando refere aos Rituais da EOT, julgados rudimentares e desprovidos de qualquer valor iniciático verdadeiro: “[…] De gestualidade, um moralismo banal, nada mais […]”.[7] De tal modo que, se no primeiro momento JBW viu nos Elus Cohen e em MP uma alternativa (esperança?) ao seu desapontamento com os rumos da Ordem em geral, no momento subsequente passou a vislumbrar fazer “de dois, um”, mas não poderia, é claro, abandonar as raízes operativas (escocesas -francesas) da Maçonaria, daí então, o “três em um”.

Finalmente, observo um ponto incompreensivelmente não explorado na literatura: tanto a EOT quanto os Elus Cohen, no mais alto nível eram comandados por “superiores incógnitos (também apontados como “desconhecidos”)”. Esse traço comum teria positivamente atraído JBW ou ele teria identificado aí, como católico, mais uma oportunidade (além da questão templária) à espera de retificação? Nessa linha, ao invés e no lugar dos “superiores incógnitos/ desconhecidos”, Deus e a hierarquia celeste. Em ambas, em contraste com o Iluminismo objetivo e racional que dominava as demais Ordens, já estava estabelecido um ambiente místico, terreno fértil aos seus propósitos de criar uma maçonaria especulativa de caráter eminentemente cristão. De outro lado, quando pressionado por JBW (pelos atrasos, pela ausência de esclarecimentos, etc.), MP responsabilizava os tais Superiores … o que, sobremodo, desagradava o primeiro.

Em síntese: s.m.j., à luz da cronologia dos acontecimentos é razoável admitir que o objetivo de JBW foi sim criar uma nova Ordem capaz de cumprir o papel de retificadora, inclusive das que como tal já se consideravam, como é o caso da EOT e também da Maçonaria Elus Cohen.

Ora, qual a vantagem de, agora, promover essa leitura revisionista? Algumas, conforme aos poucos se tornará mais claro à medida que se desenvolvam os próximos tópicos.

Uma das principais é chamar a atenção para os aspectos que distinguem o RER dos demais Regimes e Ritos, pois as diferenças, por exemplo, tornam legítimo o seguinte questionamento: o RER deve fazer parte da institucionalidade maçônica contemporânea, que submete os Graus Simbólicos (Lojas Azuis) a uma Potência e os Altos Graus (por alguns denominados Filosóficos, mas também Superiores) a outra completamente autônoma e independente da primeira? Ou, para maior fidedignidade à concepção original – notadamente a ideia de Regime -, deveria se constituir como uma Ordem à parte? A separação em dois Corpos Administrativos, em especial no caso do Grau de Mestre Escocês de Santo André, circunstancialmente não pode comprometer a formação que tem a sua origem nas Lojas Azuis? Finalmente, há que se refletir e ponderar se em nome da regularidade pontos essenciais não têm sido sacrificados e que, no limite, podem levar ao conhecido Paradoxo do Navio de Teseu. A questão que me parece central é: qual a organização e a estrutura que se revelam mais adequadas para que ele, o Regime, cumpra os mais altos propósitos idealizados pelos pais fundadores?

A abordagem histórica (com linhas do tempo) é predominante na literatura maçônica, e o RER no Brasil não foge à regra, quando então são apontadas as suas três raízes; vide, por exemplo, duas das publicações mais recentes: Puretz et alli (2022) e Souza e Paulo (2022). Por vezes, segue-se um ou outro comentário sobre os traços legados pelos respectivos DNA mitocondriais, mas nada que revele a importância e a singularidade do RER no contexto mais amplo – passado, presente e futuro -, sendo antes apresentados como curiosidades históricas. O reconhecimento do propósito retificador do RER, independentemente da alusão (que neste caso ilude porque restringe) ao REAA (Heredom), mas à Maçonaria em geral, forçosamente conduziria à exploração das seguintes questões de pesquisa:

  • por que estes, e também por que não outros, traços específicos foram os escolhidos (por JBW e os demais mentores do RER) a partir de cada DNA?
  • e como estes traços se combinam, se complementam, reciprocamente se atribuem significados e mutuamente se reforçam no sentido à constituição de um novo todo (Regime/Rito) diferenciado dos demais?

Ao invés de dirigir o foco exclusivamente para a sua história, são essas as questões me parecem centrais para o estudo e, por conseguinte, o entendimento do Rito.

Visto por esse prisma, penso que a personalidade exclusiva do RER seria, pela via do contraste, mais destacada, sem a pretensão de ser melhor que os demais, mas teria sublinhadas as suas singularidades, o que, per se, constituiria não apenas um norte, mas estabeleceria diretrizes mais bem definidas para o estudo, a análise e a interpretação simbólica (lato sensu) que hoje se perde em meio à amplitude que é tão característica do REAA.

Destarte, o reconhecimento da diferenciação – produto do intento retificador da realidade à época vigente -, viria ao encontro, por exemplo, do que é afirmado nas Considerações Introdutórias ao Ritual do Aprendiz (GOB, 2018, p. 16-17):

Primeira característica importante do RER, sem dúvida, é a unicidade estilística e autoral de seus rituais (os graus foram escritos pelas mesmas pessoas no mesmo período). Esses rituais permaneceram preservados praticamente sem alterações, por mais de 200 anos […] Uma segunda característica que torna o RER singular é a existência de uma doutrina própria, de forte caráter cristão, que não encontra semelhança em outros ritos […]

Se salientadas as singularidades do RER, o que inclui o seu propósito retificador (parcial, é claro) frente ao REAA, é de se imaginar que estas implicariam em um novo posicionamento frente à bibliografia, tornando-se claro, por exemplo, que o acervo disponível ao maçom retificado, ao contrário, é muito maior, a começar pela Bíblia, notadamente o Novo Testamento, e as suas incontáveis exegeses, mas também, para não me estender em demasia, toda a literatura identificada como “patrística” e a dos demais Doutores da Igreja estendendo-se ao largo período da escolástica. A literatura-REAA é aplicável, quando muito, a uma das raízes do RER – o escocismo -; assim, para alcançar a sua maior e mais elevada expressão o estudioso deve recorrer às demais fontes conforme a matéria objeto de estudo.

Finalmente, em carta datada de 10/10/1810, Willermoz diz ao Príncipe Charles de Hesse:

Vossa Alteza se recorda, sem dúvida, que o tempo que os deputados do convento geral haviam acordado para duração dessa assembleia foi insuficiente para aperfeiçoar a multidão dos trabalhos projetados, ocupando-se então daqueles que eram mais importantes; e continuando em seguida limitando-se a esboçar a reforma dos graus simbólicos e os da Ordem Interior […] (grifo nosso).[8]

Portanto, inequívoco e de “viva voz”, o ímpeto reformador-retificador do autor e da sua obra.

“Esses rituais permaneceram preservados, praticamente sem alterações, por mais de 200 anos”

O leitor atento observou que o título desta seção corresponde a um destaque de uma das citações anteriores. A rigor a frase não é livre de dúvidas em razão do tempo verbal empregado – permaneceram -, que sugere ter havido alterações a partir de um determinado momento. Qual seria a data de referência? Se for o ponto médio entre 1778-1782, significa então que aquelas foram introduzidas a partir do final do séc. XX …, mas introduzidas aonde, no ritual de qual Grau? Contudo, sejam quais forem, para os fins que seguem essas supostas alterações mais recentes são de somenos importância pois, de regra, o entendimento disseminado na literatura é o apresentado, entre outros, por Souza e Paulo (2022, p. 15):

Mas diferentemente do que aconteceu a todos os Ritos e Regimes contemporâneos, o RER nunca sofreu as alterações que os outros sofreram ao longo das décadas […] Daí nasce sua originalidade nos tempos atuais, não de uma originalidade de nascença, mas de uma fidelidade ao desenho inicial de seus fundadores (grifo nosso).

No que tange ao foco deste texto, como demonstrarei, ambas as citações (a do GOB e a de Souza e Paulo) não correspondem à realidade dos fatos, e o olhar a partir de outra perspectiva também descortina não só um novo entendimento, como uma postura diferenciada sobre diversos aspectos e ensinamentos do RER. De outro lado, como argumentei em Pinheiro (2021), tendo a discordar, na citação acima, quando os autores afirmam que a “[…] originalidade nos tempos atuais, não de uma originalidade de nascença […]”, pois defendo o contrário: no contexto da época, e ainda hoje, ao propor a retificação dos termos dados, o RER é, sim, original, desde nascença – o único ponto que me afasta de uma afirmação mais categórica é o desconhecimento de todos os demais (dezenas) Ritos.

Um simples perscrutar histórico já levantaria dúvidas quanto à possibilidade de uma construção dessa natureza, eminentemente sociocultural, ser mantida na integralidade durante tanto tempo, sobretudo face às adversidades ocorridas no Velho Mundo, a começar pela gênese do RER em meio à Revolução Francesa. E quase 1,5 século após, duas guerras que envolveram praticamente todo o Velho Mundo, antecedidas da ascensão e disseminação de uma ideologia que, quando não persegue ostensivamente, se revela contrária e desestimula qualquer prática pública que aluda às crenças metafísicas. Não que esses fatos, per se, introduzam alterações nos escritos originais, mas ao criarem obstáculos ao livre (público) exercício de determinadas práticas, a exemplo da abertura de Lojas maçônicas, favorecem o surgimento de idiossincrasias em meio aos Ritos originais que, embora pontuais, criadas e disseminadas nas catacumbas, alimentam a pretensão da universalidade, como se cada uma fosse a única e verdadeira portadora das tradições.

Não obstante, abandono a visão generalizante e, para demonstrar o que afirmei, retorno a Pierre Noel em tradução livre no blog Primeiro Discípulo conforme os endereçamentos que seguem às citações.

Na descrição da ritualística do Terceiro Grau P. Noel afirma:

As nove tochas, dispostas como no grau de Aprendiz não se acendem senão quando o candidato está deitado no caixão. Introduzido a loja de costas (andando para trás) descobre o mausoléu antes de iniciar as nove viagens, “reduzidas a três”, no curso das quais escuta três máximas das quais existem várias versões […] (grifo nosso).[9]

Ora, se existem várias versões … não se pode afirmar que o Ritual é único, universal, e não imagino que aqui o autor esteja aludindo à problemática habitual às traduções. Admitir as diferenças suscitaria pesquisas no sentido a responder: quando e em que circunstâncias surgiram tais versões? São diferenças de somenos importância ou, de algum modo, implicam em ressignificações de maior relevância? Ou ainda, ao contrário, se foram ajustadas ao contexto (históricoregional) para reforçar a mensagem central?

“Finalmente resolveu-se não utilizar o título sugerido por Willermoz, reconhecendo, porém, que as lojas de Viena e de Berlim tinham o direito de conservá-lo caso desejasse”.[10] Ora, s.m.j., trata-se de mais uma evidência de que, se não existem (e não posso afirmar porque desconheço todas as trajetórias) foram criadas as oportunidades para a existência de variações entre os Rituais hoje em uso. O episódio, ocorrido durante o Convento de Wilhelmsbad, também chama a atenção para atitudes e estratégias utilizadas para solucionar situações de impasse: transigir, conciliar e abrir exceções.

Duas questões merecedoras de atenção e que em alguma medida talvez dignas, senão de uma retificação histórica, de adendos quando comentadas.

A primeira:

Depois da leitura do catecismo do terceiro grau, os delegados se pronunciaram acerca do conjunto dos três graus. Após uma última súplica de Charles de Hesse, os rituais foram adotados, sob reserva de ratificação posterior pelas lojas do Regime, dando-se as Províncias até o final de 1783 para outorgar seu acordo final (o que jamais ocorreu).[11]

Ora, como visto, é lugar comum afirmar-se que o RER foi gestado nos e entre os dois Conventos citados. Na prática, como era de se esperar, porque habitual, as primeiras reflexões antecederam, e talvez de muito, o primeiro Convento. De outro lado, dizer que o RER desde que foi discutido e aprovado (nos dois Conventos) não tenha sofrido alterações, não corresponde à realidade dos fatos pois, conforme se vê, a aprovação definitiva jamais ocorreu.

Qualquer afirmação categórica além de não excluir as demais corre o risco de ser esvaziada à luz do surgimento de novas evidências documentais; todavia, mantida a coerência, não podem ser afastadas enquanto conjecturas e produtos da reflexão desapaixonada. Mas algo é certo: não se pode afirmar, livre de críticas, que os Graus simbólicos foram aprovados e desde então não sofreram alterações; no máximo pode ser dito que o projeto de JBW et alii foi hegemônico, provavelmente pelos seus méritos, porque efetivamente é original, mas não se pode excluir que tenha sido favorecido pelo adormecimento histórico que acometeu o Regime, eis que desde então ficou livre de debates, críticas e aprimoramentos por aqueles que, tendo-o colocado em prática, submetido a testes, poderiam tê-lo feito.

A segunda:

Willermoz apresentou o rascunho de um projeto para servir de base ao “Ritual do quarto Grau”, o que deu origem a uma discussão acirrada […] apresentou o primeiro esboço do novo escocismo; O Quarto Grau de nossa Maçonaria retificada: sobre a qual se fazem várias observações. (op. cit.)

O ocorrido por ocasião do delineamento do Quarto Grau, conforme se verifica, guarda analogia com o que se passou com os demais graus simbólicos; nas palavras de P. Noel: “Uma conclusão aqui se impõe: coube a Willermoz a tarefa de redigir a versão definitiva do Quarto Grau” (op. cit.). Em síntese: tampouco o último Grau do Simbolismo – o de Transição -, quiçá o mais importante e polêmico, foi concluso no Convento de Wilhelmsbad, no máximo pode ser dito que ali foram abertas as discussões que, sabe-se, foram acirradas, certamente pelas controvérsias que envolviam o projeto de JBW. Desse modo, cabem aqui as mesmas perguntas já formuladas.

Assim, a valer a tese da inalterabilidade, o RER, tal como hoje em uso, nunca foi uma unanimidade e tampouco expressão da maioria dos presentes ao Convento de Wilhelmsbad. Mas não apenas os Rituais tiveram a apreciação obstaculizada, outros documentos relativos à organização e às regras de funcionamento da Ordem também não foram apreciados e conclusivamente aprovados.

Com efeito, as citações a seguir deixam à evidência que as definições sobre os Rituais se estenderam para além de Wilhelmsbad:

Em 5 de maio de 1785, o Diretório de Auvérnia decidiu que o nome do Aprendiz agora seria Phaleg, após as revelações do “Agente Desconhecido”, sendo Tubalcain um metalúrgico, sua iniciação só poderia ser “impura”, O aprendiz deve ser despojado de seus metais. Phaleg, descendente de Sem, abençoado por Noé, foi “quem primeiro instituiu a Maçonaria e o primeiro a ter uma loja” […] A redação final dos rituais se deu entre novembro de 1787 e abril de 1788, tempo em que Louis-Claude de Saint Martin viveu em Lyon.[12]

Mas não apenas isso … como pode, JBW, católico fervoroso, certamente profundo conhecedor das Escrituras, ter “deixado passar” a questão de Tubalcain/Phaleg? Ademais, a descendência de Noé, assim como as suas obras, inclusive a Torre, já havia, décadas antes, sido exaltada nas Constituições de Anderson (ANDERSON, 2012).

As raízes: o Escocismo, Os Elus Cohen e a Estrita Observância Templária

Em primeiro lugar, como todo processo, o desenvolvimento do RER se deu a partir de etapas hoje já bem identificadas; assim, como mencionado, é provável que a gênese intelectual do RER esteja ligada às reflexões sobre a EOT que se seguiram às mortes dos Barões Weiller (emissário de von Hund para a introdução da EOT em França) e, logo após, a do próprio von Hund, portanto bem antes do Convento das Gálias (Lyon). Mas pode ter acontecido ainda antes, por ocasião da decepção de JBW com MP e a Maçonaria Elus Cohen. É quando tem início, então, o amálgama – o enxerto das suas três raízes. Mais concretamente, é provável que a doutrina e a ritualística sejam produtos dos “Cadernos de Lyon”, amadurecidos no Convento de 1778, mais discutidos e parcialmente consolidados em 1782. Em que pese a relevância de JBW, a própria duração do processo, longa, revela que o RER não foi uma iniciativa pessoal e exclusiva, resposta a uma circunstância ocasional e específica, mas antes um produto amadurecido e moldado a várias mãos em razão das similaridades, largamente citadas na literatura, de pensamentos, crenças, valores e atitudes existentes entre JBW, o Príncipe Charles de HesseCassel, o Duque Brunswick e Jean de Turckheim, entre outros, sem esquecer as notáveis contribuições de Saint Martin.

Além disso, pela própria natureza das raízes, que em si já são produtos miscigenados, não é clara a identificação precisa se este ou aquele elemento da doutrina e da liturgia (do RER) são provenientes exclusivamente ou não desta ou daquela origem (Rito). E não é demais lembrar: os elementos que compunham determinado Rito à época de JBW, não necessariamente são (e provavelmente não são) os mesmos ainda que hoje o Rito carregue a mesma denominação. Quanto ao escocismo (expressão largamente utilizada), as palavras de Mata (2020) deixam claro que o terreno sobre o qual nos deslocamos é escorregadio:

Os conceitos “Maçonaria Escocesa”, “Escocismo” ou “Escocês”, são muito vagos e impossíveis de definir, exceto pela particular gênese formal/ritual que refere a Mason Word […] (p. 60).

Quando nos perguntamos sobre a verdadeira natureza do termo “Escocês”, esta palavra pode ter múltiplos significados e, por vezes, é difícil aplicar uma definição precisa de acordo com os usos que lhe foram feitos […] três significados […] Primeiro, “escocês” seria o nome de um dos mais antigos altos graus, que passou por numerosas variantes ao longo dos anos […] Um segundo sentido, por extensão, levaria a converter em sinônimos de altos graus […] Finalmente, na década de 1760, um corpo maçônico chamado “Madre Logia Escocesa” apareceu em Marselha […] Esta denominação manifesta a legitimidade pretendida por aquela loja mãe para todos os graus […] (p. 63-4).

Segundo Roger Dachez, o termo “escocês” parece simplesmente traduzir que, entre os primeiros maçons na França e na Inglaterra, a memória do importante papel da Escócia na maturação final do sistema especulativo maçônico permaneceu. As palavras escocês, escocismo, chegaram a significar tudo o que a maçonaria designou como eminente, eleito, particularmente digno de respeito e honra, sem ter a ver com uma origem própria relacionada com a própria Escócia […] Cronologicamente, “Escocês” supõe-se, em primeiro lugar, ser um nome dos mais antigos graus mais altos. Foi em Paris, a 11 de dezembro de 1743, que encontramos o primeiro testemunho da existência do termo […] (p. 64).

No início do século XIX, a corrente animada pela Loja Mãe Escocesa fundiu-se com o Rito Escocês Antigo e Aceito, uma versão francesa da maçonaria dos Antigos, trazida das Antilhas e dos Estados Unidos da América pelos maçons refugiados de Santo Domingo (p. 66).

De pronto é possível estabelecer uma conexão: o desenvolvimento do escocismo, no velho continente, parece estar ligado à chegada, em 1715, da Casa Stuart (escoceses católicos) na França; com ela veio o Mason Word – Rito (já praticado na Inglaterra) sucessor das Antigas Obrigações que, aos poucos e a partir de várias incorporações, deu origem aos demais Ritos, muitos já extintos, até chegar aos contemporâneos. Estaria nas citações acima o esclarecimento para designação das Lojas que reúnem os primeiros (do 40 ao 140 – chamados Inefáveis) dentre os Altos Graus no REAA, serem denominadas de Lojas de Perfeição? Lembrando que o REAA, com 33 Graus, tem como matriz o Rito de Heredom (25 Graus), proveniente da Escócia.

Antes de avançar nas considerações próprias a este texto cabe ainda um esclarecimento, pois uma das questões mais frequentes no estudo da Maçonaria diz respeito à identificação do Rito Primordial – aquele que deu origem a todos os demais. Grosso modo há três posicionamentos:

• esta é uma questão de menor importância porque sem solução, como tudo está relacionado com algo que lhe antecede, a busca pelo Rito Primordial só conduziria a uma recorrência ao infinito, às origens da humanidade como, por exemplo, pode ser visto no preâmbulo histórico que antecede as Constituições (ANDERSON, 2012);

• não há termos de comparação e tampouco linhas inequívocas de sucessão entre os modos como eram recepcionados os maçons pelas Corporações – e Gould (2017) mostra que eram bastante diversos – na fase Operativa e desta para a fase Especulativa;

• assim, aqueles (modos) devem ser reconhecidos mais e antes como práticas (usos e costumes locais) do que Ritos como anteriormente definidos neste texto que, então, passam a existir (como termo de referência) a partir de 1717, notadamente com a introdução da Lenda de Hiram e do Grau de Mestre Maçom.

Joaquim Villalta Mata, pesquisador espanhol, Grau 33 no REAA, citado acima, defende que o Mason Word seria o Rito de transição, originário na Escócia protestante calvinista em resposta aos Estatutos do católico W. Shaw, foi levado à Inglaterra e, pelos Stuarts, à França, desde onde influenciou, com maior ou menor força todos os demais Ritos.

Sob o título “Os Reordenamentos Depois de Wilhelmsbad”,[13] seguido do sugestivo subtítulo “A Meia Verdade de Willermoz”, tem início a apresentação da quinta e última parte de P. Noel.

O convento, longe de ter o êxito esperado, serviu na verdade para dar o toque final a vida da Estrita Observância. As lojas alemãs se opuseram a aceitação da reforma de Lyon […] Os franceses, ao contrário, desejavam completar o trabalho começado. Na celebre carta que dirigiria a Charles de Hesse em 10 de outubro de 1810, Willermoz explica em termos cuidadosamente escolhidos que só revelam o que ele queria dizer a seu distante correspondente:

Vossa Alteza se recorda, sem dúvida, que o tempo que os deputados do convento geral haviam acordado para duração dessa assembleia foi insuficiente para aperfeiçoar a multidão dos trabalhos projetados, ocupando-se então daqueles que eram mais importantes; e continuando em seguida limitando-se a esboçar a reforma dos graus simbólicos e os da Ordem Interior. O esboço dos três primeiros, considerados o suficiente para satisfazer a impaciência das lojas e capítulos, bem como para os fazer conhecer o verdadeiro espírito que havia dirigido esse trabalho, foi impresso e distribuído aos deputados. Uma comissão especial formada pelos irmãos de Auvérnia e de Borgonha, tidos como os mais instruídos, foi encarregada de fazer – de forma mais minuciosa – a revisão e a redação definitiva com a faculdade de se colocar em contato com irmãos de Lyon e Estrasburgo que julgassem mais capazes de ajudar (sic) a aperfeiçoar esse imenso e importante trabalho. A redação definitiva adotada pelas três grandes Províncias francesas e da Itália foi apresentada ao Eminente Grão Mestre Geral que a aprovou em 1789. Depois foram publicadas nos capítulos da França.

Mas isso era apenas metade da verdade. Segundo as moções, os graus azuis haviam sido finalizados em Wilhelmsbad, estando incompleto somente o quarto grau e os graus da Ordem Interior. Os Cavaleiros de Auvérnia e de Borgonha não fizeram parte de nenhuma comissão de rituais e Willermoz havia excedido as prerrogativas do mandato recebido continuando com o trabalho sobre os graus azuis. Então, Brunswick em 1787 aprovou a versão que o lionês lhe propôs, mas jamais [sic ?] teve conhecimento da redação final dos graus, o que viria a ocorrer apenas no ano seguinte.

A redação final dos rituais se deu entre novembro de 1787 e abril de 1788, tempo em que Louis-Claude de Saint Martin viveu em Lyon.

Os textos-fontes, da primeira à quinta e última parte da tradução de P. Noel, possuem ainda diversos elementos que seriam merecedores de serem transcritos; todavia, para não cansar o leitor, mas sobretudo para convidá-lo à leitura dos “originais”, deixo-os por ora à margem. Ademais, as citações já trazidas são suficientes aos objetivos declarados, bem como ao encaminhamento das próximas seções.

Pelas informações até o momento trazidas ao texto penso já ter ficado claro que:

  • se as raízes do RER – a Maçonaria Retificada de Dresden (EOT) e os Elus Cohen – foram adubadas com o ânimo retificador, é(era) de se esperar que o seu fruto – o RER – carregue(asse) no DNA a mesma índole;
  • como é natural a todo produto resultante de um longo processo, o RER sofreu inúmeras alterações, notadamente após o Convento de referência – Whilhelmsbad, 1782 – tendo-se estendido a redação final dos livros rituais por mais de uma década após. Chamo a atenção para um destaque extraído da citação anterior: “Seja como for, a última versão dos Rituais Azuis enviada em 1802 ao Venerável Mestre […]”, isto é, após o surgimento oficial do REAA, em 1801;
  • são notáveis, no RER, as impressões digitais da EOT, assim como dos Elus Cohen, mas não podem ser deixadas à margem as contribuições de outros Ritos, a exemplo do Sueco e do Francês (também chamado Moderno); finalmente,
  • em que pese a relevância de JBW, o RER não teria logrado sucesso não fosse a ação coordenada e o apoio intelectual e político de outros personagens, circunstância que será mais explorada na próxima seção.

A Dimensão política de Jean Baptiste Willermoz

É habitual encontrar, na literatura, loas à JBW pela sua obra, quer no universo maçônico, mas também pela sua vida privada repleta de iniciativas beneficentes. Nada, diria, demasiado em exagero, pois é próprio à Maçonaria tecer alargados elogios, até mesmo quando é difícil reconhecer tamanho merecimento; compõem o que se poderia denominar de cultura institucional. Mas se não há excesso, certamente há parcialidade, pois as apreciações tendem a destacar somente os aspectos positivos, quase “santificando-o”. Entretanto, e cabe lembrar, o objetivo deste texto é chamar a atenção para “um outro olhar”. Assim, s.m.j., as citações já trazidas autorizam questionar: teria Willermoz se aproximado do princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”? Não se pretende, é claro, descontruir JBW, e tampouco denegrir a sua imagem, mas antes e tão somente, restituir-lhe a humanidade – um homem normal, demasiado humano, com vícios e virtudes, idealista e denodado convicto da nobreza de ideais que desejava ver disseminados e postos a serviço e para o bem dos seus semelhantes.

Em primeiro lugar, já foi comentado que JBW “utilizou” a EOT, mas o inverso também parece ter sido verdadeiro: provavelmente o Barão von Hund (também convicto dos seus ideais) tendo percebido o espírito empreendedor, a liderança e a habilidade política de JBW, deste também se “utilizou” para estender a EOT em território francês.

Um dos aforismos mais difundidos na política nacional, atribuído a Ulysses Guimarães, conhecida raposa no cenário brasileiro, recomenda que não se entre em reunião sem que tenha, antes, tudo resolvido. Assim, antes mesmo da realização do Convento de Whilhelmsbad, JBW já estabelecera aos seus idealizadores, o Duque de Brunswick e o Príncipe Charles de Hesse-Cassel, como condição essencial (para o êxito da Reforma e a nova Ordem então em gestação) abandonar o que P. Noel denomina de “ficção dos templários”.

O Convento de Whilhelmsbad foi palco da continuação dos embates iniciados desde o ocorrido nas Gálias: de um lado os lioneses em defesa de um projeto (produto dos Cadernos de Lyon + revisão da questão templária na EOT) e, de outro, os alemães contrários à redução do escopo (status) da EOT. De um lado os cristãos católicos, do outro os protestantes, ainda que a própria Alemanha estivesse dividida. Era de se esperar um ambiente tenso e disputas acirradas.

Um delegado alemão, von Kortum, desejava destacar que a tríplice natureza do homem, ainda que ensinada “por muitos dos antigos doutores da Igreja”, não era mais que especulação filosófica e que, para um cristão, bastava saber que “sua alma separada do corpo era imortal”. Willermoz respondeu que essa doutrina estava conforme a Santa Escritura e era citada por São Paulo de forma explícita: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1. Ts. 5:23). Não obstante essa oposição, o Convento decide que a instrução deveria ser aprovada “salva retificatione” (sob reserva de ratificação) […] Chefdebien, delegado da Terceira Província (Occitania), adversário declarado de Willermoz desde que esse lhe negara acesso a Grande Profissão, declara não haver necessidade de uma classe intermediária dado que “O Novo Testamento começa no ponto exato onde termina o Antigo Testamento”. Finalmente ficou resolvido que o quarto grau seria considerado como “simbólico” e formaria uma classe intermediária entre a maçonaria e a Ordem Interior, sendo seu objeto essencial a ressurreição de Hiram e a reconstrução do Templo.[14]

É provável que se não fosse a habilidade política e a capacidade de convencimento de Willermoz, o Projeto não teria chegado até onde chegou pois, com efeito:

O trabalho do Convento ultrapassou a questão de seus rituais. A origem da Ordem, seus verdadeiros fins e sua organização foram o objeto principal das discussões nas sessões (que ocorreram com debates muito intensos e por vezes assumindo um certo caráter tempestuoso).[15]

De outro lado, quando necessário ou conveniente, ele também soube contornar para superar os obstáculos que o separavam dos objetivos. Finalmente, a citação a seguir que já poderia ter sido incluída em mais de uma das seções anteriores, foi deixada para o final porque ela também suscita reflexões acerca da dimensão política de JBW:

O Grau de Mestre Escocês de Santo André

Esse último, dito simbólico, não havia ainda sido incluído por Willermoz até o ano de 1809, quando já estava com 79 anos e muito solitário:

Anteriormente anunciei a Vossa Alteza, que o trabalho de redação para terminar o quarto grau foi em 1789 … forçosamente suspenso. Vinte anos se passaram, mas no ano passado depois da grande enfermidade que me afetou, vendo que estava praticamente só eu restava de todos aqueles que participaram na obra, assustei-me por perceber o perigo que corria e senti vivamente as consequências desagradáveis que se dariam caso essa lacuna no Regime Retificado não fosse preenchida antes de minha morte, assim comprometo-me a fazer isso […]

Nessa carta dirigida a Charles de Hesse, o Patriarca Liones recordava que o Convento não havia lançado, senão, as bases para o quarto grau, com o quadro da Nova Jerusalém e do Monte Sião tendo o Cordeiro Triunfante em seu cume. Por outro lado, abstém-se de relatar que os “discursos” e a “introdução final” são obras inteiras de suas mãos e que constituem uma introdução à doutrina de Martinez e um excelente prelúdio aos ensinamentos da (Grande) Profissão, que nunca foi prevista (planejada), e com razão, pelos Deputados do Convento… De fato, esses textos explicitaram, por fim, a filiação espiritual do conjunto total da obra.[16]

É provável que desde o início o Grau de Mestre Escocês de Santo André ocupasse um lugar central no Projeto de JBW; por que, então, não lhe teria antes dedicado maior tempo e atenção? Talvez, em 1778, nas Gálias, ainda não tivesse tido tempo suficiente, não estivesse suficientemente amadurecido, mas e em 1782, já em Wilhelmsbad? E por que não nos anos logo a seguir, quando tudo indica teria trabalhado de forma isolada em razão das dificuldades de comunicação e deslocamento? Teria o caráter radicalmente inovador do Projeto vis-à-vis os demais Ritos demasiadamente preocupados com os Altos Graus e questões mais seculares, sido o motivo para JBW tê-lo afastado dos debates, notadamente com os (nobres) membros alemães? Negligência com um dos filhos diletos? Difícil de crer. Seja qual tenha sido a motivação, do início ao fim os Rituais simbólicos consumiram quase 25 anos. E note-se: “fim”, aqui, corresponde sim, tão somente à expressão e à vontade exclusiva de JBW, o que afasta, em definitivo, o período de referência (1778-1782) historicamente reproduzido. Fico a pensar: e se ele (JBW) não tivesse se dado conta e ficado assustado com a possibilidade da sua morte e o risco das suas implicações para o RER? E isso após ter vivido a experiência junto aos Elus Cohen e a obra inacabada de MP. Deixo ao livre juízo do leitor.

Aos olhos do apaixonado e benevolente, as atitudes de JBW frente às mais diversas circunstâncias e contingências (p ex, a Revolução) nas quais se deram as discussões sobre o RER, tudo pode ser mais do que justificado, pode (deve?) mesmo ser enaltecido. Já um olhar mais isento e crítico, próprio dos investigadores, não encontra dificuldades para não só levantar questionamentos como também para arguir aspectos éticos.

Considerações finais

A motivação para as leituras que deram origem a este texto foi uma demanda do Deputado Mestre da Loja de MESA Victor Meirelles acerca do legado da EOT presente no RER. Entretanto, à medida que as leituras avançavam o problema inicial de pesquisa foi perdendo expressão, não abandonado, mas diluído frente à emergência de outras questões julgadas igualmente ou talvez mesmo mais relevantes porque, em síntese, autorizam a crítica, pelo menos a título de hipótese, a determinados cânones encontrados na literatura-RER e já enumerados na Introdução.

A crítica, vista como um novo olhar oportuniza ampliar e também consolidar os conhecimentos, enquanto que “seguir a manada” pouco acrescenta. Assim, ao invés de uma apresentação fechada à Loja, com o habitual recurso ao Microsoft PowerPoint®, ofereço um ensaio crítico e analítico com as devidas fontes para todos aqueles que desejarem se aprofundar no tema e/ou contestar as ideias ora defendidas.

O estudo do RER, no Brasil, precisa dar um salto qualitativo, ir além dos marcos históricos constitutivos, bem como da análise e interpretação dos símbolos isoladamente. Entretanto, antes, penso que a realidade dos fatos precisa ser (re)estabelecida como ponto de partida, para então, e desde aí, alçar voo para o nível de espiritualidade e religiosidade não confessional que distinguem o RER. Há os que, mesmo sem bases sólidas, tudo defendem em nome da fé, mas essa também pode ser atingida (auxiliada) pela razão.

Parece-me inequívoco que JBW possuía um Projeto de Rito, se desde o início completamente concebido e estruturado, não é tão certo, o mais provável é que a partir do delineamento preliminar das linhas gerais, elas foram pouco a pouco redesenhadas e acomodadas em meio aos debates e às condições de possibilidades. Natural, também, que para concretizar o seu projeto tivesse lançado mão aos elementos (constituintes de outros Ritos) à época disponíveis, e a estes acrescentado algumas inovações (a exemplo do triângulo com o dístico et tenebrae eam non comprehenderunt), pois o intuito era colocar ordem no caos – e neste ponto se assemelha ao REAA. Com algum esforço esse inventário pode ser encontrado na literatura, a começar pelo texto de P. Noel tantas vezes citado, mas também em Verval (1987).

Todavia, há importantes lacunas à espera de preenchimento. Por exemplo: por que, no RER, houve a mudança na posição das tochas, tendo sido abandonada a tradição francesa em favor da escocesa? Qual o significado dessa mudança no contexto do RER? Ainda: por que os painéis dos Graus, antes atrás, foram colocados à frente do altar? Isso encerra algum significado de maior expressão ou é meramente um recurso para chamar a atenção ou mesmo tem apenas propósitos decorativos? Por que, sendo a Maçonaria tão pródiga no trato dos símbolos, os animais que figuravam em um dos painéis da EOT foram eliminados e, em seu lugar, nominadas as virtudes correspondentes? Essa é apenas uma pequena amostra de algumas entre as inúmeras questões que demandam estudos para identificar as razões de ser e estar, de cada peça, no mosaico que constitui o Regime.

De outro lado, vislumbra-se um caminho alternativo, mas também complementar e quiçá identificado como apofático, sobretudo para ressaltar o caráter retificador do RER: por que JBW teria escolhido determinadas peças e não outras?

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Notas:

[1] Graduado em Estatística pela ENCE (1979); graduado em Economia pela UCAM / FCPERJ (1980); Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (1989), Mestre (1994) e Doutor (2000) em Administração pela UFRGS. É professor associado do Departamento de Ciências Administrativas da UFRGS. E-mail: ivan.pinheiro@ufrgs.br

[2] Exceto, é claro, a página do Grande Priorado Retificado do Brasil: https://gprbcbcs.org/.

[3] Fonte: https://www.dicio.com.br/retificar/. Acesso em: 03.11.20

[4] A bem da verdade, no REAA há outros graus que sugerem, entre outras atitudes, comportamentos e valores, também a vingança. Pessoalmente considero exagerada a ênfase conferida à vingança, trata-se, no caso, de uma leitura enviesada, pois essa (a vingança) é mesmo criticada. Uma leitura mais imparcial e ampliada observa que a luta (da Ordem) é em favor da liberdade e contra qualquer forma de tirania e opressão, independentemente se provenientes do aparelho estatal, da sociedade civil ou do clero.

[5] O primeiro pode ser lido em: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao -rito-escoc%C3%AAs-retificado-primeira-parte. Acesso em: 03.06.22.

[6] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/jean-baptiste-willermoz-na-escola-de-martinez-depasqually-g%C3%AAnese-do-regime-escoc%C3%AAs-retificado. Acesso em: 03.06.22.

[7] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-primeira-parte. Acesso em: 04.06.22.

[8] 8 Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-quinta-parte-parte-final. Acesso em: 07.06.22.

[9] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-segunda-parte. Acesso:06.06.22.

[10] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-terceira-parte. Acesso em: 06.06.22.

[11] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-terceira-parte. Acesso em: 06.06.22.

[12] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-quinta-parte-parte-final. Acesso em: 09.06.22.

[13] 13 Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-quinta-parte-parte-final. Acesso em: 10.06.22

[14] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-terceira-parte. Acesso em: 10.10.22.

[15] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-terceira-parte. Acesso em: 06.06.22.

[16] Fonte: https://maconariacrista.wixsite.com/ritoretificado/post/da-estrita-observ%C3%A2ncia-ao-rito-escoc%C3%AAsretificado-quinta-parte-parte-final. Acesso em: 10.06.22.


Publicado em Revista Ciência & Maçonaria – Vol 9 – #1 – jul/dez 2022


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