Por Christian Belloc

Masonic banner with symbols and text: "CONHECE-TE A TI MESMO E CONHECERÁS O UNIVERSO E OS DEUSES" and "LUX ET VERITAS".

Muitas filosofias e muitos mestres da sabedoria, em várias formulações, em todos os tempos e épocas, adotaram esse princípio fundamental: você é o que busca; A verdade está bem no fundo do seu eu mais profundo, etc. O caminho maçônico é provavelmente um dos que nos guia mais intensamente nessa busca interior.

No entanto, a fórmula parece desconcertante à primeira vista para quem não dedica tempo a refletir. Porque sugere que somos a resposta para nossas próprias perguntas, que as respostas essenciais devem ser buscadas dentro de nós e não fora de nós, e que o caminho para mais luz e sabedoria, para nós, maçons, é, antes de tudo, uma jornada profunda dentro de nós mesmos.

A fórmula de Sócrates é bem conhecida: “Conheça-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses“.

Outra fórmula nos convida a interpretar o que parecemos ou acreditamos ser em nossa aparência, a descobrir o que realmente somos em nossa profundidade: “Eu sou o que busco“.

É um convite para dar um passo atrás em relação a nós mesmos, para arrancar todos os véus que tornam nossa objetividade tão difícil e limitam nosso livre-arbítrio. Busca, medo, educação, tradições familiares ou religiosas, preconceitos conscientes ou inconscientes, certezas: essa libertação para avançar em direção a mais luz e sabedoria não é um caminho fácil; Exige força de vontade, método, ferramentas e muito tempo.

Mecanismos para defender nossas certezas: será uma questão de renunciar a todos os nossos apegos, ou pelo menos iluminá-los com a luz da nossa consciência. É uma nova visão de nós mesmos, que não exige que nos neguemos, mas que, tendo eliminado todos os filtros subjetivos da visão de nós mesmos, nos permite entender, ver, a parte universal que nos conecta ao outro e ao mundo em sua plenitude.

O Caminho Maçônico e seus Legados

O modo maçônico disso é um modo simbólico poderoso que utiliza o modo simbólico da construção. Herdeiros dos maçons operacionais, que em ofícios hierarquicamente organizados construíam construções reais que muitas vezes eram sagradas, somos convidados a uma construção mais global, a de uma humanidade mais esclarecida, mais temperada, mais fraternal. Mas o que nosso caminho maçônico, especulativo e não operativo como no passado, nos diz? E isso, da câmara de reflexão, e para onde nossos vigilantes e sessões nos levam desde nossos primeiros passos em direção à luz?

Isso nos dá outro objetivo, que não é a construção física, mas a reconstrução de si mesmo, chamada de trabalho sobre si mesmo, o templo interior.

Conhece a ti mesmo voltando aqui, pois o Maçom que não se conhece realmente pelo que é nunca conhecerá o outro. Se ele não concordar em se corrigir, apagando suas arestas ásperas, não será uma pedra fácil de montar com seus semelhantes e não contribuirá para a melhoria da humanidade. Se ele não se amar, também não saberá como amar os outros e trabalhar pela nossa busca pela fraternidade. Conheça-se a si mesmo é um exercício exigente; Exige dominar os próprios impulsos, as paixões, identificar as próprias imperfeições e enfrentá-las de frente. É uma tarefa bela, muito nobre, que felizmente não é exclusiva dos maçons, mas que, de qualquer forma, reúne todos aqueles que se juntaram às nossas ordens maçônicas.

O Caminho para a Humildade e a Fraternidade

O maçom nessa busca sabe que não é e nunca será perfeito; ele simplesmente tende, com o apoio de seus irmãos e irmãs, com a força e ajuda dos símbolos, com a egrégora da oficina, a melhorar. Lutar contra o próprio ego, progredir lentamente rumo à humildade, permite que entenda o outro antes de julgá-lo; Abandonar o eu do egoísmo, para descobrir o eu do ser mais profundo, constitui o caminho. Essa busca e construção de um templo interior belo e estável exige, portanto, abandono e reconstrução, para renascer mais sábio e brilhante. Somos a pedra em sua versão da metáfora alegórica dos antigos construtores, e assim, assim como eles a esculpiam com suas ferramentas, nós nos metamorfoseamos internamente com seu simbolismo.

O rito, os símbolos, o poder teatral do traje, a harmonia vivida, a solene preciosismo do ritual, tudo nos eleva. Isso nos convida e nos permite viver melhor o mundo, nos envolver nele, fazendo nossos valores brilharem através de nossas ações, enquanto damos um passo atrás e nos distanciamos daqueles que radicalizam opiniões ou dividem a humanidade. Com o tempo, os anos, as sessões que se acumulam, o trabalho permanente (que é a regra para qualquer maçom que realmente pretenda permanecer assim), com nossos símbolos e seus significados, tudo irradia nossas ações e palavras, e nos torna mais justos, mais humanos, mais aceitáveis na sociedade.

E quando as paixões nos conquistam novamente, porque nunca seremos perfeitos, estamos mais inclinados a perceber isso e pedir desculpas aos outros para compensar. Tendo revisitado e reformado nosso templo interior, e armados com nossas ferramentas, raciocinaremos com mais liberdade e calma, ignorando o que antes nos poluía.

Maturação e renovação interna

Essa visita e renovação do nosso templo interior exige tempo, maturação, assiduidade às sessões ao vestir, aprender os símbolos e sua lenta maturação. Exige humildade, pois nos impõe antes de qualquer trabalho ver todas as nossas impurezas ou facetas que são muito afiadas, e inevitavelmente nos leva a relativizar o que importa ou menos importante.

Os sábios, dizem os hindus, abandonaram o amor pelo ouro e pela prata para amar a sabedoria e os homens, mas quem nasce rico pode se aproximar da sabedoria aceitando colocar suas riquezas materiais em segundo plano em sua existência. O eu é um ego centrado, egoísta por natureza, repleto de barreiras que turvam nossa visão do mundo e dos outros, preconceitos que são arame farpado que nos fazem relutar em descobrir o outro. O eu, que resulta da visita ao templo interior e de sua renovação por meio do trabalho de reflexão simbólica, é sua versão purificada, restaurada à sua essência mais pura, e nos abre tanto à fraternidade quanto à sabedoria.

“Eu sou o que busco” finalmente significa que somos o principal obstáculo no caminho: o autoconhecimento é, de fato, a chave para o processo.

Fonte: https://450.fm