Fonte: https://www.freemasons-freemasonry.com/strasb.html

Bibliotecário

Esses Estatutos, que sem dúvida se baseiam nos antigos costumes e leis do ofício, foram discutidos e acordados em duas assembleias de Mestres e Membros, realizadas no modo de um capítulo,” (“em Kappitelsweise”), a primeira em Regensburg no dia de Páscoa de 1459, e a segunda logo depois em Estrasburgo, quando foram definitivamente adotados e promulgados. O espírito da Constituição Imperial Alemã é claramente visível em todas as suas características. A expressão “in Kappitelsweise”, que não é usada por nenhuma outra guilda, deriva da reunião conventual dos monges beneditinos, que eram chamados de “Capitula” ou Capítulos. Assim também, nas Constituições da Inglaterra Antiga, e no Ato do Parlamento de Henrique VI, encontramos a reunião dos maçons chamada de “Capítulos, Congregações, Assembleias e Câmaras.” Todos os preceitos desses estatutos, que foram mantidos em segredo dos profanos e lidos pelo menos uma vez por ano nas Lojas, referem-se especialmente à obrigação moral dos irmãos uns para com os outros, e respiram por todo o lado um espírito de amor fraternal, integridade rigorosa e moralidade.

Curiosamente, encontramos a figura do Capataz (Parlirer) na estrutura das lojas medievais alemãs, uma figura intermediária entre o Mestre da Loja e os Companheiros, uma espécie de vice-Mestre da Loja (talvez representada hoje pelos Vigilantes).

Outra curiosidade é uma espécie de Grão mestrado colegiado, onde um entre três Mestres de Obra (provinciais) assumia um papel um pouco mais importante que os demais (juiz, por exemplo).

Apesar da reivindicação inglesa de que a Grande Loja de Londres era a primeira Grande Loja jamais fundada, notamos que em Estrasburgo, mais de 250 anos antes, uma Grande Loja já fora fundada.

A Constituição dos Maçons de Estrasburgo mostra que aquela loja tinha jurisdição sobre três províncias maçônicas que eles chamavam de Capítulo, seguindo a terminologia do beneditinos, os responsáveis pela preservação e disseminação da Maçonaria por toda a Europa. Os beneditinos são o elo perdido entre os Colégios Romanos de Construtores e os Monges Construtores medievais.

Também é importante notar a consagração das Constituições segundo as Antigas Obrigações de acordo com a religião vigente da época (católica) uma vez que Lutero somente viria a surgir cerca de cinquenta anos mais tarde. Quando a Maçonaria especulativa surge na Escócia, no século XVII, a realidade religiosa mudara. Os escoceses eram então protestantes, mas particularmente, presbiterianos e a consagração das constituições abandona a virgem maria e os quatro santos coroados com o advento da Palavra de Maçom, mas os maçons ainda são obrigados a crer em deus para serem aceitos.

Quando surge a espúria e ilegal Grande Loja de Londres em 1723, os maçons de Londres adotam uma postura iluminista que dispensa a figura de deus, e somente retornará ao conceito tradicional quando cede à pressão da Grande Loja dos Antigos e retoma a exigência da crença em deus com a grande loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Mas, esse é um assunto que merece uma discussão mais alongada.


Leia o texto da Constituição clicando no link abaixo.

As Constituições dos Maçons de Estrasburgo – 1459