Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

E-Mail: revista.bibliot3ca@gmail.com – Bibliotecário- J. Filardo

Propostas de ação

J. Filardo  M⸫M⸫

Open for business…

O tempo urge, as mudanças sociais e políticas acontecem em velocidade vertiginosa em nossos dias, e a Maçonaria continua marcando passo, sem sair do século XVIII.

Se buscarmos suas origens, descobriremos que ela nada mais é que uma corporação semelhante às corporações medievais e, consistentemente, com as atuais corporações conhecidas como sociedades anônimas. E entre as empresas é muito comum citar o exemplo do tubarão que se movimenta sem cessar, pois se parar de se mover, ele morre.

A imobilidade pode custar muito à Ordem e considerando a existência e qualidade de inúmeras ferramentas corporativas voltadas para o desenvolvimento em condições adversas de mercado, mister se faz que ela chame à ordem os seus membros para, juntos, colocar a capacidade de cada um a serviço da busca de um caminho que assegure a permanência da corporação.

Isso posto, preparamos esse post que representa as primeiras contribuições, AO FINAL DO TEXTO, às quais espera-se que se somem muitas outras.

Introdução

Por sua natureza discreta, A Maçonaria evita a exposição e, consequentemente, gera fantasias e teorias da conspiração, principalmente em nossos dias em que as informações circulam instantaneamente na rede internacional de comunicações, conhecida como World Wide Web e mais popularmente como Internet.

Assim, considerando que esse texto será lido por maçons e não-maçons, é preciso esclarecer algumas coisas, antes de passarmos ao fulcro de nosso objetivo.

O que é a Maçonaria.

A Maçonaria é uma instituição de caráter nacional, ou seja, cada país controla a sua maçonaria, sem ingerências externas do tipo Vaticano. O controle nacional é feito por uma (ou mais) Grande Loja que reúne lojas situadas dentro da sua jurisdição. Tem natureza organizacional, cada loja sendo independente para se transferir a outra Grande Loja, caso assim o decida.  As lojas elegem um Grão Mestre que representa a Grande Loja e as Lojas da sua jurisdição.

Por razões históricas, o ingresso nas lojas é restrito ao sexo masculino (existem lojas mistas ou femininas, mas a rigor não são consideradas Maçonaria, mas organizações maçônicas). Cada loja define quem tem direito a visitá-la.

A Maçonaria como senda de aperfeiçoamento equivale ao Budismo, o Taoismo, o Catolicismo, o Protestantismo, o Islã, enfim, diferentes caminhos que buscam, mutatis mutandis, um aperfeiçoamento pessoal, com ou sem perspectivas sobrenaturais.

A Cabala ─ uma Via de Conhecimento – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Maçonaria é considerada uma grande escola filosófica onde cada maçom procura se aperfeiçoar como indivíduo, pai ou cidadão. Não está ligada a nenhuma religião, embora tenha sido organizada por protestantes, o que vai de certa forma influenciar sua visão de mundo sem, contudo, limitar a crença do maçom, exceto quanto à exigência da crença em um princípio criador do mundo, que muitos confundem com o deus da bíblia, o deus de Abrahão. Isso é bastante complicado e exigirá mais informações para sua total compreensão.

Uma série de artigos pode ser consultada nesse sentido:

A Maçonaria entre a história e as lendas de fundação – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Estrutura do Craft Inglês e a questão da religião em Maçonaria – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Maçonaria Inventada – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Colonização Maçônica Inglesa: Na contramão dos princípios maçônicos – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Em uma simplificação extrema, podemos dizer que existem basicamente duas correntes de Maçonaria: a corrente inglesa (responsável pela institucionalização da Maçonaria enquanto organização) e a corrente francesa, originária da mesma fonte que a maçonaria inglesa, mas com características a ela conferidas pelos usos, costumes e ideologia franceses.

A Maçonaria surgiu na Escócia, no século XVII, em um meio católico de onde se propagou para a Irlanda e Inglaterra. Ela tinha um envolvimento político muito intenso com os reis católicos escoceses da dinastia Stuart a quem apoiavam incondicionalmente.

A Maçonaria Jacobita – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Em função da disputa pelo trono da Inglaterra protestante desde 1543, com Henrique VIII, a ocupação do trono inglês por um rei católico gerou muita tensão que culminou com a deposição do rei James II Stuart e a usurpação do trono por um protestante, William de Orange.

Nesse contexto, a coroa inglesa protestante, para se garantir, fundou em 1717 (século XVIII) a Grande Loja de Londres, que só vai mesmo funcionar a partir de 1723. Essa Grande Loja fiscalizava lojas existentes e autorizava a formação de novas lojas, naturalmente, mediante pagamento. E essa Grande Loja reivindicou para si a invenção da Maçonaria Simbólica que, de fato, havia sido inventada na Escócia cem anos antes. Como instrumento de exercício do poder da Coroa, ela realmente só viria a funcionar quando conseguiu escolher um Grão Mestre nobre. Desde então ela é dirigida por um membro da família real inglesa. Atualmente é o Duque de Kent, primo da Rainha Elizabeth II.

Aquele rei James II Stuart que foi usurpado no século XVII, teve que se exilar na França onde reinava seu primo Luís XIV. Ele foi para lá com toda a sua corte e com ela uma loja maçônica que seguia o modelo fundado no século XVII, a Maçonaria Jacobita.

A Maçonaria em França – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Essa loja gerou a fundação de outras lojas que, finalmente, acharam a solução inglesa de controle da maçonaria muito interessante e fundaram a sua Grande Loja da França, neste momento também comandada por nobres.

No início não havia grandes diferenças entre lojas inglesas e francesas, mas com o passar do tempo, as peculiaridades francesas foram influenciando a maçonaria, culminando com uma divergência fundamental entre a visão inglesa e a visão francesa.

Inicialmente, os ingleses foram revolucionários ao fundar uma Grande Loja em que faltava um aspecto fundamental entre os maçons anteriores à fundação dela: a crença em Deus. Essa nova maçonaria precisava encontrar uma forma de alienar católicos, ou seja, impedir a entrada de católicos sem passar por preconceituosa, ou revelar suas verdadeiras motivações.

A Natureza da Maçonaria – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Assim, eles encontraram uma forma particularmente engenhosa que está sintetizada no Artigo 1º da Constituição da Grande Loja de Londres:

“Um maçom é obrigado por seu título a obedecer à lei moral e, se compreende bem a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados em cada país a praticar a religião daquele país, qualquer que fosse ela, agora é considerado mais conveniente apenas obrigá-los a seguir a religião com a qual todos os homens concordam, isto é, ser homens bons e verdadeiros, ou homens de honra e probidade, quaisquer que sejam as denominações ou confissões que ajudam a diferenciá-los, de forma que a Maçonaria se torne o centro de união e o meio para estabelecer uma amizade sincera entre homens que de outra forma permaneceriam separados para sempre”.

O conceito “religião com a qual todos os homens concordam” é o que se conhece como religião natural e como os católicos consideram que o único caminho para a salvação é o catolicismo e eles jamais poderiam fazer parte de alguma coisa que fosse uma religião natural.

Muito habilmente, eles (Pastor Desaguliers e Pastor Anderson) também definiram que o maçom “nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso”, ou seja, acreditará em um deus e terá uma religião, o que satisfazia os protestantes.

Essa omissão da obrigação da crença em um deus muito parecido com o dos católicos funcionou no início, mas isso gerou uma reação violenta dos maçons que seguiam o modelo tradicional escocês de Maçonaria, provocando a fundação de uma segunda Grande Loja que se baseava no modelo tradicional e que, no limite, forçou a Grande Loja de Londres a um compromisso em que esta praticamente se rendeu e passou a adotar os conceitos da Grande Loja dos Antigos. Em 1813, diante do perigo que representava Napoleão para os ingleses, o Regente ordenou aos Grãos Mestres das duas lojas que se unissem, o que efetivamente aconteceu.

Pois essa questão da obrigatoriedade da crença em um ser supremo, o Grande Arquiteto do Universo – GADU, também gerou problemas na França, sob os ventos da Revolução Francesa que trouxe a ideia da República secular, e livrou a França (infelizmente não totalmente, diga-se de passagem) da aristocracia. Esse espírito novo levou a Maçonaria francesa a remover a figura do GADU de seus documentos, provocando a ira dos ingleses e um rompimento que caracteriza a existência de duas correntes majoritárias em Maçonaria no nível mundial.

Quando o GODF abandona a questão do GADU – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Sem entrar em nuances dos conceitos, a Maçonaria Inglesa transformou-se em um braço da coroa, voltado para garantir a fidelidade aos valores ingleses, uma instituição conservadora que elegeu a sociabilidade e a beneficência como valores fundamentais. Por sua natureza estrutural ela leva à fraternidade e ao exercício de influências invisíveis na sociedade, porém não mais que um clube inglês, só que mais amplo.

A Maçonaria francesa adotou um posicionamento mais político em que a influência invisível sobre a sociedade tem um peso maior, assim como a defesa dos valores republicanos. O comando dela, diferentemente dos ingleses, não é reservado a um estamento político ou institucional, apesar de que pela sua dinâmica de recrutamento acaba atraindo profissionais liberais de classe média em sua maioria.

Expansão

Expansão da Maçonaria – Países Baixos e Bélgica – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

As duas correntes de Maçonaria começaram a se expandir, seguindo lógicas de ocupação geopolítica. A Maçonaria Inglesa, por exemplo, acompanhou a expansão do Império Britânico, tanto pelos interesses comerciais que ela facilitava nessa expansão, quando pela criação de locais de congregação de maçons em trânsito que o esquema de lojas proporcionava. Também a popularidade da Maçonaria entre os militares levava a que cada batalhão tivesse sua loja, e os batalhões eram a ponta de lança da expansão do Império Britânico e as lojas, assim que organizadas, procuravam cooptar comerciantes, funcionários e autoridades locais com vistas a facilitar o domínio e, também, o comércio. Com o tempo, os navios cargueiros (que sempre tinham uma loja a bordo) ao chegarem ao porto, hasteavam sem demora uma bandeira maçônica para chamar a atenção dos maçons locais e dizer “estamos abertos aos negócios”.

A Maçonaria francesa, por outro lado, era muito popular entre povos oprimidos, enquanto herdeira do espírito da Revolução, ainda que nada tenha feito para provocar a revolução, vez que a maioria dos maçons eram aristocratas ou membros de uma classe média conservadora. Ela inspirava os nativistas e aparecia como um farol de liberdade. As novas gerações de estudantes logo ingressavam nas lojas e ao regressar a seus países, levavam consigo o espírito revolucionário.

Como a Maçonaria Uniu a Itália – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Maçonaria espalhou-se rapidamente pela Europa, onde reis olhavam o exemplo inglês e sonhavam com o poder sobre os maçons, ou revolucionários viam o potencial de mudança que a maçonaria prometia.

A Maçonaria em Portugal – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Da Europa chegou à América onde serviu estrategicamente à libertação dos povos.

Brasil

A Maçonaria no Brasil – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A Maçonaria chegou às nossas praias no final do século XVIII. Em Salvador, foi fundada em 1797 a loja Cavaleiros da Luz, à qual pertenceu Cipriano Barata que participaria da Conjuração Baiana (1798) e mais tarde da Revolução Pernambucana (1817).

Em 1804, foi fundada no Rio de Janeiro a Loja “Reunion” por brasileiros e marinheiros franceses, sob a Jurisdição do Grande Oriente de Ile de France, dentro da tradição da Maçonaria Francesa.

Quando se conseguiu reunir número suficiente de membros fundou-se uma loja chamada Comércio e Artes e aí começou a história da Maçonaria brasileira. 

Os detalhes podem ser encontrados em:

História do GOB segundo José Castellani – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Os Andradas, boas biscas… ou “Os lamentáveis acontecimentos que cercaram o fechamento do GOB em 1822” – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Quando o GOB era socialista e a guinada maçônica brasileira ao conservadorismo – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Quimera Maçônica brasileira

Não podemos esquecer que o ponto fundamental em maçonaria, o conceito essencial é o RECONHECIMENTO. Ou seja, eu posso saber tudo sobre maçonaria, posso até ter sido iniciado em maçonaria, mas se os outros maçons não me reconhecerem como um deles, eu não sou maçom. Simples assim.

Um maçom que trai seus compromissos de confidencialidade, seriedade, honestidade, compaixão e tantos outros assumidos ao ingressar na Maçonaria poderá ser deserdado e nenhum outro maçom o reconhecerá como tal. Muito frequentemente, esses trânsfugas da Ordem aproveitam seus conhecimentos e montam arapucas maçônicas, prometendo aos incautos o ingresso na Maçonaria mediante pagamentos de gordas somas. Suas vítimas somente descobrirão o golpe quando quiserem visitar lojas maçônicas legítimas e não puderem entrar.

A grande consequência da aplicação desse conceito é que grande parte das lojas maçônicas brasileiras não goza do reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra ─ GLUI que é, erroneamente, considerada a central da Maçonaria mundial, quando ela é apenas a mais antiga Grande Loja da Maçonaria moderna e tem jurisdição somente sobre as lojas inglesas que pertencem ao seu sistema. E a GLUI tem uma política simples de reconhecimento de lojas fora da Inglaterra: (i) a loja deve pertencer à Grande Loja Nacional que tem jurisdição sobre as lojas do país e (ii) a loja precisa respeitar 8 condições, a saber:

  1. Ter a regularidade de origem.
  2. Ter crença no Grande Arquiteto do Universo e na sua vontade revelada, preliminar indispensável com vista ao recrutamento dos seus membros.
  3. Fazer assumir aos novos iniciados as suas Obrigações sobre o Volume aberto da Lei Sagrada, que varia em função da crença dos neófitos, mas simboliza o facto da Revelação vinda do alto garantir o juramento que deve ser pronunciar.
  4. Que todos os membros da Grande Loja e das Lojas que dele dependem sejam do sexo masculino e não mantenham – ao nível maçônico – relações com lojas ou instituições que admitam mulheres.
  5. Que a Grande Loja tenha uma jurisdição soberana sobre todas as Lojas que dela dependam. Por outras palavras, que ela seja uma instituição responsável, independente e autônoma, com plena autoridade sobre os três graus simbólicos da sua jurisdição. Não será nem substituída, nem partilhará a sua autoridade com um Supremo Conselho ou qualquer outra organização que pretenda dirigir os três primeiros graus.
  6. Que as três Grandes Luzes da Franco-Maçonaria, a saber, o Volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso, estejam sempre expostos durante os trabalhos da Grande Loja ou das lojas suas subordinadas.
  7. Que toda a discussão a propósito de religião ou de política seja interdita em Loja.
  8. Que os princípios relativos aos antigos Landmarks, costumes e usos da Franco-Maçonaria sejam estritamente observados.

Consequentemente, muitas lojas que são regulares, ou sejam, rezam pela cartilha inglesa e cumprem os oito pontos de regularidade, não são, contudo, reconhecidas, por não pertencerem às duas organizações reconhecidas no Brasil, que são o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas Estaduais Brasileiras, cada uma em seu estado da federação.

Apesar de um discurso positivo (Regularidade das Potências Maçônicas no Brasil – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA), na realidade a GLUI prefere ter poucos interlocutores com jurisdição abrangente. Por exemplo, o Grande Oriente do Estado de São Paulo – GOSP, totalmente regular e com jurisdição sobre mais da metade das lojas do estado de São Paulo, não é mais reconhecido depois de se desligar do Grande Oriente do Brasil.

Consequência?  Os maçons de lojas não reconhecidas não podem frequentar lojas da Grande Loja Unida da Inglaterra ou pelo menos teoricamente, as lojas de Grandes Orientes e Grandes Lojas reconhecidas pela GLUI. No caso da Inglaterra talvez isso possa ser problema, porque a GLUI é hegemônica e há pouca ou quase nenhuma maçonaria alternativa.

Mas, em outros países existem muitas lojas regulares não reconhecidas que podem ser visitadas, caso aceitem.

No Brasil, as lojas são soberanas, ou seja, têm autonomia para tomar certas decisões e, assim, há lojas esclarecidas que preferem exercitar a fraternidade maçônica que as jogadas políticas nacionais, e acolhem maçons de lojas não reconhecidas. Elas costumam aterem-se à regularidade, ou seja, cumprem os oito pontos, mas fecham os olhos à questão política do reconhecimento.

É importante avaliar que o maçom brasileiro, mesmo os maçons conservadores que tendem a seguir submissamente as determinações da GLUI em relação aos pontos de regularidade, entende que a Maçonaria tem o dever de mudar a sociedade. Os maçons ingleses entendem que o maçom mudará a sociedade pelo exemplo em sua comunidade, nunca por um protagonismo da Maçonaria nos acontecimentos.

No Brasil acontece um fenômeno interessante. Baseado no fato de que a nascente Maçonaria de raiz francesa debuta na sociedade com um enorme grau de intervenção política, vez que praticamente realizou a separação da colônia da metrópole teve grande protagonismo em diversas revoltas nativistas; combateu e promoveu em grande medida a abolição da escravidão negra e, em seu canto de cisne, praticamente proclamou a República, o maçom brasileiro ingressa na Maçonaria imbuído desse espírito de intervenção e mudança social característicos da vertente francesa.

Na realidade, porém, a estrutura da maçonaria com suas lojas que reúnem pessoas de igual pensamento somente favorece o desenvolvimento de movimentos, permite a discussão de assuntos delicados que poderiam ser vistos com maus olhos se discutidos abertamente, enfim, ajuda no intercâmbio de ideias que, na presença das condições necessárias, poderiam levar a uma ação política ou social abrangente, pois as ideias circulam por toda a rede.

Mas, a Maçonaria enquanto instituição não atua politicamente, até porque ela é composta de membros de todas as classe e ideologias e ela se autodestruiria se começasse a privilegiar esta ou aquela tendência.

Uma das consequências disso que eu chamo de esquizofrenia maçônica, o candidato a maçom, como todo cidadão brasileiro que já ouviu falar de Maçonaria, enxerga somente essa práxis política da qual maçons tão ciosos de segredos se vangloriam e acabam por reforçar um comportamento excepcional como se fosse a regra.

Ao ingressar na Ordem, ele depara com a realidade dos fatos, ou seja, que a instituição nada fará devido a seus princípios centenários e confunde, por ignorância, a posição da Maçonaria com passividade e reacionarismo.  Em muitos casos, ele se declara decepcionado e abandona sua loja.

De quem é a culpa?  Não se trata aqui de apontar para esse ou aquele, mas o sistema de recrutamento tem sua responsabilidade, o “padrinho” do candidato tem sua responsabilidade e, finalmente, a loja tem sua parcela de responsabilidade, por não esclarecer todos esses aspectos no instante da admissão.  Prefere-se estender um véu de segredo potencialidades, postergar o esclarecimento de muitos aspectos, tratar o aprendiz como um parvo com as clássicas afirmações: “tudo a seu tempo; você saberá na hora certa; ainda não é para seu grau; paciência”.

Algumas lojas, na ânsia de cumprir o sétimo ponto de regularidade, a proibição de discussão política ou de religião, acabam mesmo não discutindo nada, oferecendo sessões chatas e desinteressantes, lojas onde a liderança é desincentivada e o trabalho social ignorado. No frigir dos ovos, os maçons dessas lojas nada fazem por suas comunidades nem procuram a união com outros irmãos para uma ação mais abrangente.

E isso está asfixiando a Maçonaria e provocando deserções em grande número entre os melhores candidatos, pois a decepção é sinal de que, bem orientada, sua vontade de fazer alguma coisa seria crucial para tirar a Ordem do marasmo em que se encontra.

Esse é o motivo pelo qual mais uma vez venho trazer à baila esse assunto, ao ler o excelente artigo do Ir⸫ Walter Roque Teixeira, de Blumenau, Competências Individuais e Maçonaria Moderna, que publicaremos em seguida, em que ele propõe um esforço para “acordar” a Maçonaria com um projeto muito semelhante a outro proposto por mim no século XX ao Grão Mestre da época.

Mas, primeiro, republicarei o artigo escrito por mim em 1987 na revista A Verdade da Grande Loja do Estado de São Paulo no qual elaborei e encaminhei ao Grão Mestre Salim Zugaib uma proposta que infelizmente não foi levada adiante na ocasião.

Clique abaixo para ler:

PROPOSTA POR UMA AÇÃO MAIS EFETIVA DA ORDEM

De fato, consegui realizar o projeto no século XXI, com o advento da internet, mas de forma muito menos eficiente, pois foi realizado com inscrições voluntárias, sem apoio institucional.  Dei a ele o nome de Projeto 81 Nós. No momento está fora do ar, pois vendi o domínio e estou presentemente sem servidor.

Para aproveitar integralmente o artigo seguinte, leia primeiro este:

TRIMTAB COMO PARADIGMA DE LIDERANÇA

E, finalmente, o excelente artigo do Irmão Walter

COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS E A MAÇONARIA MODERNA


2 comentários em “Propostas de ação

  1. Na visão organizacional e histórica da Ordem foi muito esclarecedor o vosso artigo. Congratulação.

  2. Sabe o que mais deixa- me atônito, sem palavras??? Uma divisão, fragmentação de lojas, potências…ahhh eu sou da Grande num sei o quê,ahhh eu sou do Grande lugar nenhum…a somos regulares de origem,somos criadores do universo paralelo …poupem- me de tantas asneiras, onde lamentavelmente ocorre a fragilidade.Ou seja ninguém se entende, ninguém se aceita, ninguém se respeita,e todos saem perdendo….vaidade de vaidades.Muito me desanima,e sem perspectiva de melhoras.O despreparo de muitos que estão dentro de lojas soma- se e perpetua- se anos à fio.

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