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Leituras Selecionadas do Editor-Chefe J.Filardo

O que dizer sobre Pierre-Joseph Proudhon, o maçom anarquista?

Tradução José Filardo

Por Guy Chassagnard

Todo mundo conhece Pierre-Joseph Proudhon, nascido em 1809 em Besançon, falecido em 1865 em Paris, mais ou menos, como um anarquista, polemista e revolucionário pacifista. E todo mundo se lembra, sem dúvida, que ele era impressor independente e executivo de empresa (!), antes de anunciar a famosa fórmula que asseguraria a sua fama: A propriedade é um roubo, em um dos seus escritos sob o título particularmente austero: O que é a propriedade? ou Investigação sobre o princípio do direito do governo.

O que é se conhece pouco é sobre o seu ingresso – em 08 de janeiro de 1847 – na Maçonaria.  É por isso que merece ser contado aqui, mesmo que se ignore se ele foi convidado a se tornar um maçom ou se solicitou a sua admissão. O que é certo, porém, é que seu primo Melchior Proudhon era então Orador da Loja Reunidas Sinceridade, Perfeita União e Amizade Constante, localizada no oriente de Besançon. Antes de receber a Luz, Proudhon devia naquela noite responder por escrito às três perguntas usuais. Se a resposta que ele deu às duas primeiras foi satisfatória:

– O que deve o homem aos seus semelhantes?

– Justiça para todos os homens.

– O que ele deve ao seu país?

– Dedicação.

Já a terceira provocou grande reação entre os irmãos presentes:

– O que ele deve a Deus?

– A Guerra!

Lembremo-nos de que, na época, a crença em Deus era uma obrigação importante na maçonaria francesa … Além disso, não puderam deixar de pedir a Proudhon que se explicasse, quando ele entrou de olhos vendados no templo. Isso ele fez de bom grado, em sua forma habitual de contestador: “Sim, nós devemos fazer guerra contra Deus.  Ele disse que o único perfeito.  Por que não conseguiremos atingir a mesma perfeição. E até lá devemos fazer guerra contra ele e provar a ele que, através do nosso trabalho e nossos esforços contínuos na ciência da vida, devemos atingir o mesmo grau de perfeição.”

Apesar desta proposta um pouco incomum e inesperada, Proudhon foi ritualmente iniciado na forma usual pela Loja de Besançon.

Ele voltou à loja um dia? É duvidoso, a não ser uma vez em 1861, ainda como aprendiz em uma loja da Bélgica. Quatro décadas depois, o mundo maçônico não se afirma menos em suas colunas que a sua “intervenção súbita” tinha trazido os maçons de volta às tradições maçônicas reais, das quais eles se desviaram muitas vezes, e prestou à Instituição, que havia se deixado invadir por um misticismo determinista, “o serviço de a despertar de seu estupor e lembrá-la de que sua tradição exigia dela outras tarefas e não a fundação de uma nova religião.”

Muito tempo depois, citando a sua entrada solene na Maçonaria, Proudhon se explicaria da seguinte maneira: “Ao declarar guerra contra todos os deuses substanciais, causadores, verbais e justiceiros e redentores, Elohim, Jeová, Alá, Christos, Zeus, Mitra, etc. eu sem saber estava inserido na mente inconsciente da Maçonaria. ”

Para mais informações, consultar: Da Justiça na Revolução e na Igreja, de P.-J. Proudhon (1858).

© 2014 Guy Chassagnard – chassagnard@orange.net- Todos os direitos reservados –

Publicado em: http://www.gadlu.info/miscellanea-macionica-que-dire-de-pierre-joseph-proudhon-lanarchiste-maconnique.html

3 comentários em “O que dizer sobre Pierre-Joseph Proudhon, o maçom anarquista?

  1. Depoimento de um Ir.: Adormecido e hoje “pedreiro anarquista”.
    … Alega-se que em Maçonaria tem-se a obrigação de buscar a verdade e de usar a franqueza (com humildade e moderação), ainda que as verdades doam em quem as ouve. Demorei muito tempo em minha vida para me libertar da ideologia das religiões judaico-cristãs.
    Aristóteles afirma:
    “Pelo estudo das coisas visíveis pode chegar-se a verdade”.

    É verdade que todos os ateus são diferentes, mas acho que muitos deles como livres pensadores e humanistas seculares modernos na busca da verdade espiritual compartilham meus valores humanos.

    Agradecido pelo privilégio de ter estado entre gentis ‘irmãos’ Homens de Bons Costumes e tudo de bom que me foi deixado aperfeiçoar e aprender nesta nobre instituição iniciática e eclética. Quando ativo participante ouvi muito, falei pouco mas conversei com irmãos bem informados, observei bastante, pesquisei, li muitos jornais e livros maçônicos, tudo o que pude e sempre tirei algum ensinamento para a minha vida maçônica ou profana.
    Familiarizei me com a história da Maçonaria, investiguei a sua origem e seu formato atual. Explorei o sentido oculto dos seus símbolos e absorvi a interpretação. Conheci instrumentos de trabalho, como o malhete, o bastão, as espadas, o esquadro, o compasso, a régua, o maço e o cinzel, a bolsa de PProp∴ e Inf∴, a Bolsa de Beneficência, documentos e o próprio Pavilhão Nacional. Alguns até comuns da vida profana, mas que através do ensinamento maçônico, cada um com seu significado, transformam-se em verdadeiras ferramentas de vida, de coragem, de esperança, de trabalho.
    Aprendi palavras novas e com meu avental aprendi que esta é a mais honrosa insígnia do maçom, emblemático do trabalho e indica que sempre temos que ser ativos e laboriosos na construção de um mundo melhor. Aprendi que a caridade do maçom não tem limites, mas esse deve sempre agir com os ditames da prudência. Compreendi que a maior caridade é a que fazemos para nós mesmos, cuidando de nossa mente e de nossa família, renovando constantemente nossos pensamentos, simplesmente dizendo a si mesmo que não quer pensar erradamente, procurando eliminar as impurezas mentais, substituindo-as pelas nossas potencialidades mais sublimes, nossas virtudes. Tive a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa levada a efeito pelos irmãos da Maçonaria.
    Meus amigos, sabeis que a vossa desgraça é a minha desgraça, a vossa alegria é a minha alegria, não importa a hora e o momento. Enquanto eu possuir forças, mesmo como observador “adormecido” e testemunha podeis contar com minhas mãos para ampará-los e com minhas palavras e fidelidade para apoiá-los. Sois meus irmãos e assim vos reconheço, até o fim dos tempos. Que cada um, seja todos, seja união, sendo união será somente luz.

    Com um bom coração, sem dúvida pode-se ser um Homem Livre pensando por si, Livre Pensador (pesquisar, analisar, estudar, refletir, debater, questionar, duvidar e concluir racionalmente…) e de Bons Costumes para quebrar paradigmas, trabalhar para fazer a diferença e contribuir para um mundo melhor, mais justo e perfeito.

    Acredito que a Maçonaria redespertará, e que num futuro bem mais próximo do que imaginamos tudo mudará para termos mais livres pensadores. E esse fator manterá sua unidade simbólica e espiritual perene.
    Obrigado, pelo privilégio de como eterno aprendiz e ainda poder colocar três pontos (nada a ver com a Santíssima Trindade mas com a permanente lembrança dos compromissos assumidos: sentir, pensar e agir; vontade, sabedoria e inteligência; Liberdade, Igualdade, Fraternidade no final de minha assinatura.

    Um Tríplice e Fraternal Abraço a todos,
    Oiced Mocam
    (pseudônimo do escritor)
    Or.: de Porto Alegre/RS
    consultorcomercial@gmail.com

    Autor do E-Book :
    RELIGIÕES: Tudo o que você precisa saber antes de morrer

  2. Interessante conhecer a história contada de outro ângulo, bem como despir de dogmas e dos aproveitadores que oportunamente declaram como suas as ideias de grandes mentes do passado.

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