Por Gabriel Simon Machado[1]

Introdução

Trata-se de uma instituição orgânica e internacional, repleta de mistérios e desinformações, encharcada em tradições ritualísticas e esoterismo, marcada por uma história de cunho político e ânsias liberais[2]. Um antigo refúgio para os perseguidos em razão de credo; uma rede de sociabilidade; um canal de acordos e comunicação entre elites heterogêneas: a Maçonaria brasileira vem se desenvolvendo no país desde sua instalação oficial no começo do século XIX3, expressando em seus trabalhos e discursos a forte e crucial influência do pensamento europeu de caráter iluminista e liberal, tomando para si a função de proliferar esse ideário na intelectualidade brasileira.

 O estudo sobre a instituição maçônica, seja no âmbito da simbologia ou no caráter organizacional e de atuação, tem se desenvolvido, mesmo que lentamente, na historiografia brasileira. A década de 1990 se torna um marco interessante na historiografia profana, que é contemplada com a publicação de obras monumentais e de suma importância para a compreensão da trajetória da maçonaria no Brasil: refiro-me principalmente à obra de Eliane Colussi (1998), “A maçonaria gaúcha no século XIX”; assim como os trabalhos de Alexandre Mansur Barata (1999, 2002), intitulados “Luzes e Sombras: a ação da maçonaria brasileira (1870-1910)” e “Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada e Independência (Brasil, 1790-1822)”. Tais publicações alteraram substancialmente o árduo trabalho de se pesquisar sobre maçonaria no Brasil; contexto que é geral, senão pelas avançadas pesquisas do tema na Europa, em contextos e arquivos nacionais de história maçônica, destacando autores como Alex Mellor, Paul Naudon e Maurice Agulhon.

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