Militares e maçons franceses – Ligações perigosas

Tradução J. Filardo

por John Moses Braitberg

Entre o exército francês e a Maçonaria existe uma velha história. Tão antigos quanto a maçonaria, existem pontos de passagens simbólicos ente as duas instituições. Mas se ser militar e maçom era óbvio em séculos passados, já não ocorre o mesmo hoje, visto que a prática da Arte Real permanece suspeita em um corpo cuja alta hierarquia continua ligada à franja mais conservadora do catolicismo. No entanto, militares maçons existem ali. E nós os encontramos. Mais discretos do que em qualquer outro lugar, eles têm a missão de fortalecer os laços entre a nação e seu exército diante, principalmente, da ameaça terrorista.

Era 3 de dezembro de 2016 na sede do Grande Oriente da França. O templo Arthur Groussier transbordava de gente, tamanho era o número de irmãos e irmãs interessados em assistir ao colóquio “A Maçonaria diante da ameaça do islamismo radical” na presença do Grão-Mestre do GODF, Christophe Habas. Organizado pela Loja Perspectiva Maçônica cujo venerável é tenente-coronel da reserva, este colóquio tinha como patrocinador trabalhista a Associação de Defesa e República – ADER – ou a fraternal do pessoal da defesa, cujo presidente é um general 63 anos, hoje reformado.

Embora seu nome tenha sido frequentemente mencionado e sua qualidade de maçom tenha sido divulgada, e não de maneira benevolente, este militar na alma tanto quanto ancorado em um republicanismo matizado de conservadorismo, não se atém àquilo por que seu nome é citado. O mesmo vale para algumas centenas de membros da associação Inter obediencial que ele preside, e cujos membros são recrutados principalmente entre os quadros de nível médio das três forças, com exceção da polícia militar que tem em Os Amigos de Moncey a sua própria e muito ativa fraternal.

 

Continuar a ler em :  MILITARES E MAÇONS

Published in: on fevereiro 7, 2018 at 9:56 am  Comments (1)  
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Paganismo moderno em Portugal

wicca

Por Rita Cipriano

De acordo com o inquérito “Percepção do Paganismo em Portugal”, a maioria dos pagãos em Portugal são mulheres, entre os 20 e os 40 anos, com habilitações académicas acima da média e uma tendência demarcada para os cursos na área das Ciências Sociais (50%), sobretudo relacionados com História. O Culto da Deusa (todas as religiões pagãs reconhecem a existência de uma divindade feminina, com origem no culto ancestral da deusa-mãe), as Tradições Celtas e o Wicca — três dos muitos caminhos que existem dentro do Paganismo modernos —, que remonta aos anos 40 quando as formas sobreviventes de adoração pré-cristã foram descobertas pelo britânico Gerald Gardner, como explica o site da PFI Portugal, são as vertentes mais praticadas em Portugal. “A primeira leva do Wicca surgiu há umas décadas e depois deu origem a uma segunda que começou a prestar mais atenção às tradições do passado, há mitologia, os diferentes cultos, sejam celtas ou nórdicos. E agora, ao que me parece, é o que está a crescer a toda a força — as pessoas começam a ir mais para aí. O que vão buscar é sobretudo a mitologia, as lendas, os costumes populares”, explicou Mário Pinto.

Existe ainda uma percentagem significativa de inquiridos que admitiu conhecer e interessar-se pelos Cultos Nórdicos, que seguem a mitologia nórdica e os seus muitos deuses e deusas. Pode parecer estranho tendo em conta a realidade portuguesa, mas os dois investigadores acreditam que faz todo o sentido porque trata-se de um conjunto de tradições que “vai bater em sítios muito comuns, pelo menos na vertente tribal”, explicou Mariana Vital. Para Mário Pinto uma das “conclusões engraçadas” do estudo é a de que “muitas das [vertentes mais] referidas são também aquelas em que a prática pode ser o que nós quisermos”. “Há um enorme grupo que se sente à vontade com tradições que pode ser eles próprios a definir — como é que a quer praticar.” E depois surgem “o grupo definido de tradições estabelecidas”, como o Wicca ou o Druidismo.

 

Leia a matéria completa em  PAGANISMO EM PORTUGAL

Published in: on fevereiro 5, 2018 at 3:23 pm  Comments (2)  
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A Campanha do Desarmamento

– Perdeu, véio! Desce do carro e pro chão. Passa a aliança…”

Meu pesadelo se materializava: assaltantes armados, a ponte levadiça levantada, a princesa dormindo tranquila no interior do castelo… O sol ainda não nascera, 6 da manhã.

Ato contínuo, o vagabundo abriu o carro, que ficara atravessado na rua, e retirou um celular e uma bolsa contendo um velho laptop e obrigou-me a me levantar e ir em direção ao interior da casa, o que para mim era inconcebível. O bandido, “de menor” era um franzino adolescente que foi conduzindo-me dizendo que só queria saber quem estava na casa. Eu sentia as duas mãos dele me tocando, o que significava que dera a arma ao comparsa.

Avaliei a situação, considerando a presença de uma arma de fogo na cena e a perspectiva de ter ladrões armados dentro do castelo. Quando ficamos fora da visão do primeiro vagabundo, virei-me e, aos gritos, ataquei o vagabundo visando a traqueia. O capacete o protegeu, mas ele perdeu o equilíbrio e correu. Eu gritava com todos os pulmões: “Pega Ladrão! Pega ladrão!” Ele correu, montaram na moto e se escafederam.

Por pura sorte, ou porque o piloto estivesse mais preocupado em manobrar a moto para a fuga, eles não dispararam nenhum tiro. Corremos grande risco, mas a invasão do castelo era algo inconcebível.

Esse evento levou-me à decisão de aderir à campanha do desarmamento. Possuo algumas armas registradas, uma sem registro herdada de meu sogro e alguns exemplares de coleção, peças velhas enferrujadas, uma garrucha antiga, “dois tiros e uma corrida”, com uma bela coronha de madeira entalhada mas que na mão de um vagabundo poderia ser usada para intimidar, visto que ninguém discute com uma arma.
Assim, dirigi-me ao Distrito Policial do bairro para informar-me sobre a campanha.

Aí começou a pantomima terceiro-mundista.

O distrito policial, pasmem, apesar de inscrito como posto de recolhimento de armas da campanha, não dispunha de senha de acesso ao sistema da campanha de desarmamento! Ou seja, não estavam “credenciados” para recolher as armas. O funcionário que me atendeu disse ter a impressão de que a Guarda Municipal – a GCM – mais conhecida como Guarda de Cemitérios e Mausoléus, estava credenciada.

Ato contínuo, liguei para o Comando da GCM, expliquei a situação, fui transferido para uma simpática assessora que informou:

1 – Os números de telefone da Inspetoria do Butantã;

2 – O nome do Inspetor encarregado: Inspetor Ivan – que há algum tempo fora transferido para outra inspetoria, ou seja, nem o Comando da GCM sabe quem são os encarregados das inspetorias.

3 – Informou que a GCM poderia, inclusive, enviar uma viatura até minha residência para retirar as armas, evitando assim que eu transitasse com as peças (mesmo com a guia de transporte da Polícia Federal, há sempre um risco.) Achei genial, porque considerando a limitada jurisdição da GCM – guarda de próprios municipais, cemitérios e mausoléus, – eles estariam fazendo alguma coisa de útil.

Liguei, em seguida, para a Inspetoria do Butantã, onde constatei que o Inspetor Ivan foi transferido há algum tempo para outra unidade, e conversei com o encarregado do recebimento de armas da campanha. Ele contradisse a informação do Comando da Guarda de que uma viatura pudesse ser deslocada para coleta das armas. Informou que o novo Inspetor era Aldo, mas que ele estava em gozo de licença, e que não havia ninguém além dele que pudesse autorizar tal deslocamento.

Tudo bem. Brazil! Zil! Zil! Fora o sinal de desorganização e falta de unificação de informações, ainda restava a emissão da guia de transporte da PF e a condução das peças à Inspetoria da Guarda de Cemitérios.

Nesse momento, decidi entregar somente armas registradas e o revolver que herdei de meu sogro. As armas antigas, eu as desmontei completamente e vou descartar peça por peça no lixo reciclável, ou vou fazer uma escultura-quadro em homenagem à campanha do desarmamento.

Aproveitei para fazer uma coisa que adoro fazer: desmontar coisas. Procurei no Youtube um vídeo “Como desmontar um rifle Winchester 3030 e remover o percursor” e achei um muito bom. O modelo era o que mais se aproximava da Carabina Rossi Lever Action .38 que eu possuo.

Desmontei completamente o mecanismo (só não mexi nos canos, porque era muito primário. Um parafuso só) e remontei. O gatilho deu um trabalhão, porque a mola soltou e eu não conseguia recolocar a mola no suporte. Examinei cuidadosamente a peça e descobri um pequeno furo na haste e – EUREKA! – percebi como eles montam. Passei um pino pelo furo e girando a mola, ela foi retraindo até ficar todinha encolhida. Depois de montado, retirado o pino, o mecanismo funcionou.

Também deu um trabalhão alinhar o furo do gatilho e do cão com o corpo da arma, mas no final essa parte ficou perfeita. Só não consegui montar uma peça da alimentação da arma que sobrou no final da montagem. Não fazia mal, porque a arma será, pelo menos teoricamente, destruída.
Por via das dúvidas, esmerilhei o pino do percursor, e assim capei a arma. Agora é o Belo Antonio… Os outros dois revólveres também passaram pelo mesmo tratamento – esmerilhei o percursor do cão, inutilizando as armas. Se forem desviadas – nunca se sabe – quem as receber vai, pelo menos, ter algum custo para consertá-las.

Uma vez decidido quais armas seriam rendidas ao governo, emiti as competentes guias de transporte e dirigi-me à Inspetoria da Guarda de Cemitérios e Mausoléus para realizar a entrega.

Sexta-Feira. 17:30 hs. Pergunte: Conseguiu entregar? Não, naturalmente. Mas, um funcionário informou que eu poderia voltar no domingo, quando o armeiro estaria de plantão e receberia as armas. Como a guia de transporte vencia no dia 8, segunda-feira, preferi passar pelo posto no domingo, pois segunda é sempre mais complicado.

Domingo. 10:00hs. Pergunte: Consegui entregar? Não, naturalmente. Dessa vez o funcionário estava de plantão, mas eles não recolhem armas aos domingos. O sistema da PF não funcionava, a xerox estava fechada e não seria possível emitir os comprovantes de entrega.
Depois de ouvir a lenga-lenga de reclamações contra a PF que teria mudado o protocolo, perguntei se poderia trazer na segunda feira, e fui informado de que também não seria possível por problema de plantão do encarregado.
Perguntei se poderia então levar na terça-feira e se ele poderia perguntar ou pedir ao Inspetor a autorização para recolher as armas em domicílio.

Terça-Feira. Liguei de manhã e fui informado que o Inspetor Aldo não se encontrava e também que não seria possível entregar as armas, mesmo que emitisse a guia de transporte, porque o armeiro encarregado da recepção estava de guarda e não poderia deixar o seu posto.

Liguei novamente à tarde e finalmente eles concordaram em mandar uma viatura recolher as armas. Confesso que insisti nisso por uma questão de princípio apenas, porque de toda forma tive que acompanhar a viatura em meu carro para ultimar a entrega no posto de recolhimento. Eu podia ter emitido novas guias de trânsito e ido até lá sem problemas.

A entrega foi finalmente realizada e os vouchers no valor total de R$ 600.00 me foram entregues como indenização pelas armas rendidas.

Como podem ver, uma ideia que pode até ser boa (não vou discutir os aspectos políticos dela) encontra percalços na execução, diante da desorganização e desinformação dos órgãos envolvidos.

Agora, só me resta desapegar da última arma que possuo – uma PT57 linda – e rendê-la também ao governo…

Published in: on janeiro 12, 2018 at 10:06 am  Deixe um comentário  
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Restaurantes Usam Psicologia de Menu para fazer você gastar mais dinheiro: Aqui estão 7 técnicas para evitar ser feito de bobo

Tradução J. Filardo

Por Melissa Kravitz/AlterNet

Especialistas desconstroem o processo de criação de menu para ajudá-lo a pedir o que você realmente deseja.

O que você preferiria pedir? Uma tigela de macarrão com queijo de $ 10 ou uma fritada de massa cozida com quatro queijos artesanal coberta com pão ralado de $ 12?
Para muitos, o jantar está nos detalhes. O fraseado, colocação, preço e outros elementos menos óbvios de apresentar cada prato em um menu de restaurante podem influenciar um pedido de refeições de forma que os clientes não têm sequer consciência.
“Seres humanos são criaturas visuais, antes que vejamos ou cheiremos qualquer coisa, nós olhamos para ela”, diz Cenk Fikri, diretor e fundador da consultoria de restaurantes Cenk Fikri Inc., que consulta chefs para projetar menus que vendem pratos com uma grande margem de lucro.
O Instagram ajudou nas habilidades dos clientes de visualizar e predeterminar se um prato vale a pena pedir antes mesmo de pisar no restaurante. Recentemente, encontrei dois colegas para o almoço, nenhum dos quais abriu o menu do restaurante em que nenhum de nós já havia estado antes, já que o popular aplicativo de compartilhamento de fotos já havia guiado suas escolhas de refeições. Mas o layout e os gráficos estrategicamente atraentes, ainda que sutis em um menu, podem ter uma influência muito maior sobre seu pedido do que você percebe.
Pronto para sair do ciclo de gastos elevados da psicologia do cardápio? Deixe os especialistas desconstruírem o processo de criação do cardápio para ajudá-lo a comer o que você realmente anseia durante sua próxima refeição fora de casa.

Leia mais em:  Psicologia de Cardápio

Published in: on dezembro 16, 2017 at 2:55 pm  Deixe um comentário  
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A regra dos 20%: Aplicando o segredo de Benjamin Franklin e Isaac Newton

Tradução J. Filardo

Por Zat Rana

Brincando na interseção de ciência, arte e negócios. Eu escrevo para reduzir o ruído.
http://www.designluck.com.  CNBC, Business Insider interno, World Economic Forum, etc.

 

O termo Eureca foi usado pela primeira vez pelo matemático grego Arquimedes.

Ele estava entrando no banho quando percebeu que o nível da água aumentou quando ele entrou na banheira. Sua constatação repentina foi que o volume de água deslocada devia ser igual ao volume da parte de seu corpo que ele submergiu.

Conforme se conta, ele gritou“Eureca!”duas vezes em seguida, para comemorar. A palavra agora é comumente usada para reconhecer uma descoberta repentina ou invenção.

Leia Mais em  A Regra dos 20%

O mundo secreto da Maçonaria Feminina

Publicado na BBC, este curto documentário sobre a maçonaria mostra que até mesmo nossos irmãos e IRMÃS ingleses conseguem viver em paz e civilizadamente desde 1908.

Vejam no link abaixo

O mundo Secreto da Maçonaria Feminina

Published in: on novembro 9, 2017 at 8:51 am  Comments (2)  
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Os arquivos de vieram do frio

Tradução J. Filardo

 

porPierre Mollier

Aqueles não familiarizados com elas, muitas vezes pensam que as bibliotecas são lugares entediantes e empoeirados. Eles ignoram quanto a história de alguns livros ou manuscritos pode, às vezes, ser extraordinária. Assim, entre 1940 e 1945, os arquivos maçônicos franceses vão conhecer uma verdadeira epopeia. Uma epopeia que vai levar uma parte deles a atravessar a Europa no meio de bombas, e a desaparecer no turbilhão da história. Depois de serem considerado, por muito tempo, perdidos para sempre, meio século mais tarde, para a surpresa de arquivistas e historiadores, os redescobrimos conservados cuidadosamente em um edifício do antigo da KGB em Moscou. Depois de negociações arriscadas, eles finalmente voltariam para a França no início dos anos 2000. Hoje, depois de anos de investigação, conhece-se melhor a saga dos “Arquivos russos”.

Na véspera da II Guerra Mundial, tudo indica que os arquivos da Maçonaria desde o século XVIII estavam quase completos faltando apenas serem bem inventariados ou explorados. A derrota da França, que colocou o país sob o jugo nazista e permitiu aos seguidores de Maurras liquidar a República e tomar as rédeas do poder abre um período de perseguição à Maçonaria. Desde o Segundo Império e especialmente a partir dos anos 1880, a Maçonaria aparece aos olhos do público francês como “a igreja da República,” a ponta de lança da democracia e dos direitos humanos. Ela é considerada por todos os opositores do regime – esta extrema direita que assume o poder em Vichy – como o inimigo a ser derrotado. Da mesma forma, para Alfred Rosenberg e os teóricos do nacional-socialismo alemão, a Maçonaria é o poder oculto que dirige nos bastidores a vida política das democracias europeias.

 

leia mais em  Arquivos Russos

Published in: on novembro 8, 2017 at 12:21 pm  Deixe um comentário  
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O Brazil e a Invasão Clerical

Capturar

As Vidas Secretas de Leonardo da Vinci

 Tradução José Filardo

Por Claudia Roth Pierpont

A biografia de Walter Isaacson retrata um homem obcecado com o conhecimento e quase impossível de conhecer.

Ilustração de Tamara Shopsin; Gravura de Hulton Archive / Getty

Na Florença renascentista, várias caixas identificadas colocadas por toda a cidade permitiam que os cidadãos fizessem denúncias anônimas de vários crimes morais – em 1461, por exemplo, o monge artista, Filippo Lippi, foi acusado de ter um filho com uma freira. Mas o crime que o governo estava realmente tentando controlar era a sodomia, tão notoriamente prevalecente que a gíria alemã contemporânea para um homossexual era Florenzer. A natureza comum da infração não apagava a ameaça de graves consequências. Em 1476, Leonardo da Vinci, à beira de seu vigésimo quarto aniversário, foi nomeado como um dos quatro homens que haviam praticado “tal maldade” com o aprendiz de dezessete anos de um ourives local. Resta pouca dúvida de que Leonardo tenha sido preso. Embora qualquer tempo que ele tenha passado na prisão tenha sido breve, e o caso foi encerrado dois meses depois, por falta de testemunhas corroborantes, ele teve muito tempo para refletir sobre as possíveis penas legais: uma grande multa, humilhação pública, exílio, suplício na fogueira. É impossível saber se essa experiência afetou o hábito do artista, mais tarde citado como uma marca de seu caráter, de comprar pássaros engaiolados do mercado apenas para libertá-los. Mas parece estar relacionado com os desenhos que ele fez, nos anos seguintes, de duas invenções fantásticas: uma máquina que ele explicou significar “abrir uma prisão de dentro para fora” e outra para romper barras de janelas.

Leia mais em: As Vidas Secretas de Leonardo da Vinci

Published in: on outubro 13, 2017 at 12:57 pm  Deixe um comentário  
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Gambito de Franklin: Como (Não) Tomar uma decisão como Benjamin Franklin

Tradução José Filardo

Por Charles Chu

 

Em 1772, quase 4 anos antes da Declaração de Independência dos Estados Unidos, Benjamin Franklin escreveu uma Carta a Joseph Priestley com conselhos sobre como tomar uma decisão difícil:

Gráfico Pró-Con de William Patton (1835-1889)

“Quando esses casos difíceis ocorrem, eles são difíceis principalmente porque, enquanto os examinamos, todos os motivos pró e contra não estão presentes na mente ao mesmo tempo; mas às vezes um conjunto se apresenta, e em outros momentos outro, o primeiro ficando fora da vista. Daí os vários propósitos ou inclinações que prevalecem alternadamente, e a incerteza que nos deixa perplexos.

Gráfico Prós-Contras de William Patton (1835-1889)

“Para superar isso, minha maneira é dividir uma folha de papel na metade por uma linha em duas colunas; escrevendo no topo de uma coluna Pró e na outra Contra. Então, durante uma análise de três ou quatro dias, coloco sob os diferentes cabeçalhos pistas resumidas dos diferentes motivos, que em diferentes momentos me ocorreram, a favor ou contra a medida. Quando eu assim as tenho completamente em uma única visão, eu me esforço para estimar seus respectivos pesos; e onde eu acho dois, um de cada lado, que pareçam iguais, eu os risco. Se eu julgar que duas razões contra correspondem a de três razões a favor, eu risco as cinco; e, assim, procedendo, encontro onde está o equilíbrio; e se depois de um dia ou dois de mais consideração, nada de novo que seja importante me ocorre em ambos os lados, eu chego a uma conclusão adequada”.

Essencialmente, Franklin recomenda que elaboremos um gráfico pré e contra: (1) anote os prós e os contras, (2) risque resultados opostos que se equilibram mutuamente e (3) escolha o lado que vencer.

A técnica tem sido tremendamente popular, com blogues notáveis ​​como A arte da masculinidade “melhorando” a técnica, adicionando pesos numéricos, probabilidades, etc.

Há apenas um problema aqui.

Não é assim que nós realmente tomamos decisões.

 

Gambito de Franklin

Em Obliquidade: Por que nossos objetivos são melhor alcançados indiretamente O economista e consultor John Kay nos conta sobre a década que passou em uma consultoria econômica, vendendo modelos matemáticos caros a grandes corporações.

O que Kay descobriu foi que, em muitos casos, os modelos não estavam sendo utilizados para tomar decisões:

“Um dia, fiz-me uma pergunta: se esses modelos eram úteis, por que não construímos modelos semelhantes para nossa própria tomada de decisão? A resposta, percebi, era que nossos clientes também não usaram realmente esses modelos para a tomada de decisão. Eles os usaram interna ou externamente para justificar decisões que eles já haviam tomado “.

Muitos de nós, especialmente aqueles com diplomas extravagantes, acreditamos que pensamos racionalmente e depois tomamos decisões. Mas o que muitas vezes fazemos é tomar uma decisão (de forma complexa, que não entendemos bem) e depois racionalizar.

Isto é o que Kay chama Gambito de Franklin,citando uma linha daAutobiografia de Franklin:

“… uma coisa tão conveniente é ser uma criatura razoável, uma vez que isso permite encontrar ou fazer uma razão para tudo o que se tem a fazer”.

Seres humanos abominam a incerteza e, em um mundo muito complexo e impossível para qualquer um de nós compreender plenamente, muitos de nós nos agarramos a explicações simples (ideologias) ou tentamos nos proteger com a falsa segurança de números em uma planilha.

Embora as recomendações de Franklin tenham sido tomadas fora do contexto (quem realmente acha que se pode ensinar a tomada de decisões com uma única postagem de blogue?), Kay argumenta que Franklin entendeu bem os limites de seu conselho:

“Franklin também sabia que a álgebra moral era geralmente uma racionalização para uma decisão tomada de forma mais oblíqua. … O relatório da entrevista, a proposta de empréstimo, a avaliação de impacto, a avaliação de risco geralmente são exemplos do Gambito de Franklin … Eles são escritos para racionalizar a decisão que já foi tomada “.

Na verdade, vemos um tom cautelar no último parágrafo da carta de Franklin, alertando contra a excessiva dependência de quantificação:

E embora o peso de motivos não possa ser tomado com a precisão de quantidades algébricas, ainda assim, quando cada um é considerado de forma separada e comparativa, e o todo está diante de mim, acho que posso julgar melhor e tenho menos chances de dar um passo precipitado; e, na verdade, encontrei grande vantagem nesse tipo de equação, no que pode ser chamado de álgebra moral ou prudencial “.

Qualquer um que tenha estado em um relacionamento romântico sabe o quão difícil é listar os prós e contras de qualquer decisão difícil.

Como podemos saber se ainda amaremos alguém quarenta anos no futuro, ou se nossa escolha de se casar ou não se casar era a correta? Qualquer caminho que escolhermos pode nos deixar profundamente arrependidos, e nunca saberemos se a alternativa era melhor.

Então, como nós realmente tomamos decisões? Devemos simplesmente escolher irracionalmente qualquer coisa que nossas emoções nos dizem e esperar pelo melhor?

 

Icaro

Se todos os modelos estiverem errados - se todas as tentativas de entender o mundo serão necessariamente insuficientes, alguns de nós podem fazer uma pausa e dizer: “Bem, então, para que tentar? Por que não rolar os dados, tomar decisões ao acaso e viver com o que vier?”

Este pensamento é infundado. Embora nunca possamos tomar uma decisão perfeita, isso não nos impede de tomar decisões melhores. Em vez de descartar o pensamento crítico e a racionalidade, o que devemos fazer é continuar a melhorar nossos métodos:

“Certamente, devemos fazer o nosso melhor em álgebra moral. Devemos aprender tanto quanto pudermos sobre a estrutura das relações entre objetivos, estados e ações, mesmo que não possamos descrever todas as opções possíveis. Nosso conhecimento do mundo pode ser limitado, mas devemos reunir todas as informações disponíveis e fazer estimativas dos fatores que não conhecemos. Devemos usar os computadores e recursos analíticos mais poderosos para lidar com a complexidade. Devemos definir nossos objetivos, nos concentrar neles e nos recompensarmos e aos outros pelo progresso em relação a eles “.

Mas não podemos melhorar nossos métodos sem primeiro admitir para nós mesmos que os que usamos agora são defeituosos. O ego é o inimigo.

Devemos reconhecer que muitas vezes estamos jogando o Gambito de Franklin, que os seres humanos são criaturas fracas que navegam a modernidade com máquinas evolutivas mal construídas e que muitas vezes somos propensos a um excesso de confiança - em outras palavras, o que precisamos é de humildade.

A Queda de Ícaro – Rubens

Lembro-me de Ícaro a quem, na mitologia grega, foi concedida uma poderosa ferramenta por seu pai - asas de penas e cera. Com essas asas, um Ícaro excessivamente confiante voou até muito perto do sol. As asas derreteram, e Ícaro caiu do céu até sua morte.

Num momento em que as fronteiras entre países e povos estão menos definidas do que nunca, meu grande medo é que todos voemos e caiamos juntos.

 

Publicado em: https://betterhumans.coach.me/franklins-gambit-how-to-not-make-a-decision-like-benjamin-franklin-21dcdf181f71

 

Published in: on outubro 4, 2017 at 3:57 pm  Comments (1)  
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