O Papel do Símbolo no Rito Moderno

 

Ir.’. Joaquim G. Santos,
Membro da Loja de S. João Fiat Lux nº 537, Oriente de Lisboa, filiada ao G.’.O.’.L.’..
https://independent.academia.edu/joaquimSantos4

 

No âmbito do debate Maçônico, quando se conjugam Simbolismo e Rito Francês emergem frequentemente alguns lugares comuns, que não são mais do que o reflexo de ideias que se foram cristalizando ao longo do tempo, tendo vindo a alimentar várias vulgatas e preconceitos, sobre o caráter mais ou menos simbólico deste Rito.

Entre Irmãos praticantes de Ritos com expressão litúrgica mais extensa (tais como o REAA ou o RAPMM) predomina a opinião de que o Rito Francês é simbolicamente mais pobre, fundando-se a mesma sobretudo no aspecto mais “despojado” dos seus Rituais de Loja Azul.

Pelo contrário, muitos Irmãos obreiros de Lojas Francesas defendem que o mesmo se trata de uma forma mais ligeira e pragmática de fazer Maçonaria, na qual se perde menos tempo com aspectos simbólicos e rituais extensos, que já não são importantes para o aqui e agora.

O que há de verdade nestas suposições e, em que medida na prática atual, se deve contextualizar o papel do Símbolo no Rito Francês?

Para se tentar encontrar respostas para estas questões, teremos de as enquadrar num âmbito mais vasto, que passa naturalmente por uma reflexão relativa à função do Simbolismo na Maçonaria, em geral.

Leia mais em:  SIMBOLISMO NO RITO MODERNO OU FRANCÊS

O ABC da Falsa Empatia

Tradução J. Filardo

Charles Chu
Repensando o óbvio.

Empatia: o que é, o que não é, e como cultivá-la.

A empatia nunca me veio naturalmente.

Quando adolescente, sentia como se houvesse uma barreira psíquica, uma parede invisível de vidro emocional, que me impedia de cultivar amizades, de sentir como se eu pertencesse a alguma coisa. Durante muito tempo, culpei os outros por isso. Mais tarde, me dei conta da verdade - eu mesmo havia construído a parede; a solidão, era minha própria recompensa.

Para mim, a empatia sempre foi uma habilidade e não um talento. O que aprendi, aprendi com a prática - e parte dessa prática sempre envolveu livros.

Uma leitura interessante que explora a empatia é a coleção de ensaios de Leslie JamisonOs Exames de Empatia: Ensaios, que estreou em 11º lugar na lista de best-sellers do New York Times.

Para entender o que é empatia e como cultivá-la, ajuda entender primeiro o que ela não é.

Leia mais em  ABC DA FALSA EMPATIA

Published in: on fevereiro 12, 2018 at 12:26 pm  Comments (1)  
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Militares e maçons franceses – Ligações perigosas

Tradução J. Filardo

por John Moses Braitberg

Entre o exército francês e a Maçonaria existe uma velha história. Tão antigos quanto a maçonaria, existem pontos de passagens simbólicos ente as duas instituições. Mas se ser militar e maçom era óbvio em séculos passados, já não ocorre o mesmo hoje, visto que a prática da Arte Real permanece suspeita em um corpo cuja alta hierarquia continua ligada à franja mais conservadora do catolicismo. No entanto, militares maçons existem ali. E nós os encontramos. Mais discretos do que em qualquer outro lugar, eles têm a missão de fortalecer os laços entre a nação e seu exército diante, principalmente, da ameaça terrorista.

Era 3 de dezembro de 2016 na sede do Grande Oriente da França. O templo Arthur Groussier transbordava de gente, tamanho era o número de irmãos e irmãs interessados em assistir ao colóquio “A Maçonaria diante da ameaça do islamismo radical” na presença do Grão-Mestre do GODF, Christophe Habas. Organizado pela Loja Perspectiva Maçônica cujo venerável é tenente-coronel da reserva, este colóquio tinha como patrocinador trabalhista a Associação de Defesa e República – ADER – ou a fraternal do pessoal da defesa, cujo presidente é um general 63 anos, hoje reformado.

Embora seu nome tenha sido frequentemente mencionado e sua qualidade de maçom tenha sido divulgada, e não de maneira benevolente, este militar na alma tanto quanto ancorado em um republicanismo matizado de conservadorismo, não se atém àquilo por que seu nome é citado. O mesmo vale para algumas centenas de membros da associação Inter obediencial que ele preside, e cujos membros são recrutados principalmente entre os quadros de nível médio das três forças, com exceção da polícia militar que tem em Os Amigos de Moncey a sua própria e muito ativa fraternal.

 

Continuar a ler em :  MILITARES E MAÇONS

Published in: on fevereiro 7, 2018 at 9:56 am  Comments (1)  
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Paganismo moderno em Portugal

wicca

Por Rita Cipriano

De acordo com o inquérito “Percepção do Paganismo em Portugal”, a maioria dos pagãos em Portugal são mulheres, entre os 20 e os 40 anos, com habilitações académicas acima da média e uma tendência demarcada para os cursos na área das Ciências Sociais (50%), sobretudo relacionados com História. O Culto da Deusa (todas as religiões pagãs reconhecem a existência de uma divindade feminina, com origem no culto ancestral da deusa-mãe), as Tradições Celtas e o Wicca — três dos muitos caminhos que existem dentro do Paganismo modernos —, que remonta aos anos 40 quando as formas sobreviventes de adoração pré-cristã foram descobertas pelo britânico Gerald Gardner, como explica o site da PFI Portugal, são as vertentes mais praticadas em Portugal. “A primeira leva do Wicca surgiu há umas décadas e depois deu origem a uma segunda que começou a prestar mais atenção às tradições do passado, há mitologia, os diferentes cultos, sejam celtas ou nórdicos. E agora, ao que me parece, é o que está a crescer a toda a força — as pessoas começam a ir mais para aí. O que vão buscar é sobretudo a mitologia, as lendas, os costumes populares”, explicou Mário Pinto.

Existe ainda uma percentagem significativa de inquiridos que admitiu conhecer e interessar-se pelos Cultos Nórdicos, que seguem a mitologia nórdica e os seus muitos deuses e deusas. Pode parecer estranho tendo em conta a realidade portuguesa, mas os dois investigadores acreditam que faz todo o sentido porque trata-se de um conjunto de tradições que “vai bater em sítios muito comuns, pelo menos na vertente tribal”, explicou Mariana Vital. Para Mário Pinto uma das “conclusões engraçadas” do estudo é a de que “muitas das [vertentes mais] referidas são também aquelas em que a prática pode ser o que nós quisermos”. “Há um enorme grupo que se sente à vontade com tradições que pode ser eles próprios a definir — como é que a quer praticar.” E depois surgem “o grupo definido de tradições estabelecidas”, como o Wicca ou o Druidismo.

 

Leia a matéria completa em  PAGANISMO EM PORTUGAL

Published in: on fevereiro 5, 2018 at 3:23 pm  Comments (2)  
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Considerações sobre o Rito Moderno ou Francês

Ir.·. Antonio Onias Neto - M .´. I .´. (+ 2013)
Ex-Sob.·. Gr.·. Insp.·.
Geral do Supr.·. Cons.·. do R.·. M.·.

Muito se critica e pouco se conhece a respeito do Rito Moderno ou Francês. Uma das mais infantis acusações (?) ou afirmativas gratuitas que se faz sobre o Rito é ser ele ATEU. É lamentável que maçons, que deveriam conhecer um pouco de filosofia e teoria do conhecimento, façam confusão entre ateísmo e agnosticismo. O Rito Moderno, por saber que a atitude filosófica da Maçonaria é a pesquisa constante da verdade, e por outro lado, ao ver que a verdade, para que seja considerada em todo o seu sentido, deve ser absoluta e infinita, abraça a corrente de pensamento que reconhece a impossibilidade do conhecimento do Absoluto pelo homem em sua finitude e relatividade, ou seja o AGNOSTICISMO. Afirmando assim uma posição de humildade perante o Absoluto, o que deveria ser característica de todo Maçom.

Acrescente-se mais que o Gnosticismo, como teoria da possibilidade de conhecimento (não confundir com os chamados "Gnósticos" do início da Era Cristã), afirma que é possível conhecer o absoluto. Ora, o Ateísmo, ao afirmar categoricamente a inexistência de Deus, pertence à corrente gnóstica, posto que, nessa assertiva, mostra ser possível conhecer o Absoluto, donde podemos concluir que o ateu jamais será agnóstico e o agnóstico não pode ser ateu, pois suas teorias da possibilidade do conhecimento se chocam frontalmente.

Por outro lado, há religiões, como o Budismo, que, em sua origem, tomam uma posição agnóstica, não se preocupando em explicar o Absoluto, reconhecendo a impossibilidade de definí-lo. Desta forma, o Rito Moderno acolhe em seu seio, sem nenhum constrangimento, irmãos das mais diversas profissões religiosas e filosóficas, posto que, mesmo sendo ele agnóstico, não impõe aos seus membros o agnosticismo, mas exige deles uma posição relativa quanto à possibilidade de que outros Irmãos, que abraçam outra filosofia, estejam certos, ora quem é dono da verdade não tem necessidade de pesquisá-la ou procurá-la.

Outra afirmativa que se faz sobre o Rito Moderno é sua anti-religiosidade, o que não passa de outra confusão, que os dicionários, se consultados, ajudariam a esclarecer. O prefixo "anti" quer dizer "contra". O que melhor caberia para o Rito é o prefixo "a", que significa "inexistência", "privação"; e é empregado no sentido de eqüidistância entre o "a favor" e o "contra". A maçonaria é eqüidistante das religiões, não é uma seita religiosa, e os Irmãos que assim a tornam são, evidentemente, ou aqueles que procuram desvirtuá-la, ou aqueles que insatisfeitos com suas religiões procuram na Maçonaria uma nova religião ou a compensação para as suas frustrações místicas.

E, é baseado na eqüidistância perante as religiões que o Rito Moderno não adota a existência da Bíblia no Triângulo de Compromissos, Altar de Juramentos para outros Ritos. Os defensores da colocação da Bíblia alegam que deve haver um "livro da lei revelada". Ora, a Bíblia só passou a ser adotada em algumas Lojas a partir de 1740, antes disso Anderson e os demais Maçons aceitavam a obrigação do "Livro da Lei", Lei Maçônica, Lei Moral. Acrescente-se, ainda, que existem religiões, tais como a Umbanda, o Candomblé, a Pajelança, e outras, com diversos adeptos entre nós, que possuem um livro da lei revelada, cuja tradição é oral. Perguntamos, que livro religioso se colocaria na presença de tais Irmãos?

Vemos constantemente Irmãos Judeus e Muçulmanos, quando Iniciados e em suas exaltações, compelidos a jurarem sobre a Bíblia Cristã, em tradução Católica ou Protestante, numa autêntica violação de suas consciências e dos princípios maçônicos, ou numa prova de que tais juramentos são falsos. Nosso "Livro da Lei" são os princípios da Sublime Ordem, quando muito as Constituições das Potências às quais pertença a Loja, onde constam tais princípios, ou, ainda, as Constituições de Anderson, em sua redação original, que deu origem à institucionalização da moderna Maçonaria. Aproveitamos para transcrever o artigo primeiro da Constituição de Anderson, que é bastante claro a respeito do assunto: "O Maçom está obrigado, por sua vocação, a obedecer a Lei Moral, e se compreender seus deveres, nunca se converterá em um estúpido ateu nem em um irreligioso libertino. Apesar de nos tempos antigos os Maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países em que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não impor-lhes outra religião senão aquela que todos os homens aceitam, e dar-lhes completa liberdade com referência às suas opiniões particulares. Esta religião consiste em ser homens bons e leais, quer dizer, homens honrados e probos, seja qual for a diferença de denominações ou de convicções. Deste modo, a Maçonaria se converterá em um centro de União e é o meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que, fora dela, teriam permanecido separadas".

Após a leitura deste texto, muito pouco se poderá acrescentar a respeito, além de que há religiões que não permitem ao homem se ajoelhar perante seu semelhante, como exigem alguns Ritos, o que não é permitido no Rito Moderno. Mais uma vez o Rito prova, com sua atitude, ser eqüidistante e respeitar a religião de todos os Irmãos. Bom seria que os Irmãos, que se intitulam religiosos, estudassem um pouco a história e o conteúdo de outras religiões além das nossas, saindo de uma posição sectária, proibida pela Ordem.

Outra "terrível" acusação que se faz ao Rito é não invocar e tampouco adorar o "GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO", tendo inclusive evitado o uso de seu nome nos Rituais. Ora, meus Irmãos, por mais boa vontade de que possamos estar imbuídos, jamais deixaremos de invocar as entidades religiosas a que estamos ligados dentro de termos e Rituais próprios de nossa religião, e, estaremos desta forma sempre ferindo e violando as crenças e as formas de adoração de outros Irmãos. Deixemos as adorações e as invocações para fazê-las em nossas Igrejas, nossas Sinagogas, nossos Templos religiosos, nossos Centros, nossos Terreiros, nossas Casas e evitemos fazê-las em Loja, onde temos a obrigação de não forçar qualquer Irmão a repetir fórmulas com as quais sua consciência não possa concordar.

Quanto ao não uso do nome do Grande Arquiteto do Universo nos Rituais: este uso só começou a ocorrer a partir da Convenção de 1877, por conclusão do relator da proposta de exclusão do seu uso nos Rituais do Grande Oriente de França, e, é bom lembrar que este Irmão relator era um religioso, o pastor protestante Frederico Desmons. Este foi o grande motivo para que a Grande Loja Unida da Inglaterra rompesse relações com o Grande Oriente de França

No entanto, o Grande Oriente da Bélgica, desde 1872, vedara a invocação e a inclusão do Grande Arquiteto do Universo nos seus Rituais, e nem por isso a Potência inglesa rompera relações com os belgas. O principal fundamento para a exclusão do nome do Grande Arquiteto do Universo dos Rituais é terem os Irmãos, como se pode observar, utilizado dia a dia o símbolo do Princípio Criador da Energia inteligente, do Ente Supremo, do mesmo modo que se vulgarizou o termo Deus, particularizando o seu emprego, invocando-o e adorando-o, conforme sua religião e não como símbolo de todas as concepções que se tenha do que é a Origem do Universo.

Antes de encerrar essas breves considerações gerais sobre o Rito Moderno ou Francês, não poderíamos esquecer o problema dos "Landmarks". O que são "Landmarks"? O próprio nome diz: são marcas de terra, limites, lindeiros, e como tal devemos considerá-los, jamais como dogmas.

Lembremo-nos: NA MAÇONARIA NÃO EXISTEM DOGMAS, EXISTEM PRINCÍPIOS. No Brasil, existe uma verdadeira psicose pelos "Landmarks" de Mackey, e, no entanto, quando a Maçonaria veio para nossa Pátria, eles sequer existiam, tendo aparecido apenas em 1858. Meus Irmãos, fica a pergunta: quem deu poderes, que entidade inspirou ao nosso Irmão Mackey para firmar dogmas dentro da Sublime Ordem? Particularmente um deles: o 25º, que não permite qualquer alteração, ferindo o princípio da investigação constante da verdade, da evolução, da pesquisa, de se afirmar progressista: nada pode mudar a partir dele, é o dogma da imutabilidade, da não evolução. É evidente que o Rito Moderno, dentro desses termos, não poderia aceitar os "Landmarks" de nosso querido Irmão, que pretendeu impedir um dos fundamentos da Maçonaria: A LIBERDADE.

Meus Irmãos, diversos são os "Landmarks" mais conhecidos, tais como os de Findel, de Lecerff, de Pound, de Mackey, de Grant, que chegam a 54, e muitos outros. Qual deles é o profeta da Maçonaria que recebeu inspiração divina pra que se afirme ser sua catalogação a correta? Que Congresso Maçônico mundial concluiu serem estes ou aqueles os "Landmarks" aceitos universalmente? Deverão os "Landmarks", mesmo que universais, estacionarem no tempo e no espaço? Apenas como lembrança, devemos citar que muitos dos nossos Irmãos de outros Ritos e de outras Potências concordam plenamente conosco na tese que abraçamos sobre os "Landmarks".

Conclamamos aos Irmãos de todos os Ritos e de todas as Potências: devemos nos preocupar com aquilo que nos une, e, relegar ao segundo plano o que nos separa. Este é o fito primordial do Rito Moderno quando dá origem à instituição de um "Grande Oriente": admitir a diversidade dos Ritos, unindo, numa mesma Potência, Irmãos das mais diversas posições filosóficas, num verdadeiro Universalismo, pois este é o princípio fundamental da Sublime Ordem.

 

A Campanha do Desarmamento

– Perdeu, véio! Desce do carro e pro chão. Passa a aliança…”

Meu pesadelo se materializava: assaltantes armados, a ponte levadiça levantada, a princesa dormindo tranquila no interior do castelo… O sol ainda não nascera, 6 da manhã.

Ato contínuo, o vagabundo abriu o carro, que ficara atravessado na rua, e retirou um celular e uma bolsa contendo um velho laptop e obrigou-me a me levantar e ir em direção ao interior da casa, o que para mim era inconcebível. O bandido, “de menor” era um franzino adolescente que foi conduzindo-me dizendo que só queria saber quem estava na casa. Eu sentia as duas mãos dele me tocando, o que significava que dera a arma ao comparsa.

Avaliei a situação, considerando a presença de uma arma de fogo na cena e a perspectiva de ter ladrões armados dentro do castelo. Quando ficamos fora da visão do primeiro vagabundo, virei-me e, aos gritos, ataquei o vagabundo visando a traqueia. O capacete o protegeu, mas ele perdeu o equilíbrio e correu. Eu gritava com todos os pulmões: “Pega Ladrão! Pega ladrão!” Ele correu, montaram na moto e se escafederam.

Por pura sorte, ou porque o piloto estivesse mais preocupado em manobrar a moto para a fuga, eles não dispararam nenhum tiro. Corremos grande risco, mas a invasão do castelo era algo inconcebível.

Esse evento levou-me à decisão de aderir à campanha do desarmamento. Possuo algumas armas registradas, uma sem registro herdada de meu sogro e alguns exemplares de coleção, peças velhas enferrujadas, uma garrucha antiga, “dois tiros e uma corrida”, com uma bela coronha de madeira entalhada mas que na mão de um vagabundo poderia ser usada para intimidar, visto que ninguém discute com uma arma.
Assim, dirigi-me ao Distrito Policial do bairro para informar-me sobre a campanha.

Aí começou a pantomima terceiro-mundista.

O distrito policial, pasmem, apesar de inscrito como posto de recolhimento de armas da campanha, não dispunha de senha de acesso ao sistema da campanha de desarmamento! Ou seja, não estavam “credenciados” para recolher as armas. O funcionário que me atendeu disse ter a impressão de que a Guarda Municipal – a GCM – mais conhecida como Guarda de Cemitérios e Mausoléus, estava credenciada.

Ato contínuo, liguei para o Comando da GCM, expliquei a situação, fui transferido para uma simpática assessora que informou:

1 – Os números de telefone da Inspetoria do Butantã;

2 – O nome do Inspetor encarregado: Inspetor Ivan – que há algum tempo fora transferido para outra inspetoria, ou seja, nem o Comando da GCM sabe quem são os encarregados das inspetorias.

3 – Informou que a GCM poderia, inclusive, enviar uma viatura até minha residência para retirar as armas, evitando assim que eu transitasse com as peças (mesmo com a guia de transporte da Polícia Federal, há sempre um risco.) Achei genial, porque considerando a limitada jurisdição da GCM – guarda de próprios municipais, cemitérios e mausoléus, – eles estariam fazendo alguma coisa de útil.

Liguei, em seguida, para a Inspetoria do Butantã, onde constatei que o Inspetor Ivan foi transferido há algum tempo para outra unidade, e conversei com o encarregado do recebimento de armas da campanha. Ele contradisse a informação do Comando da Guarda de que uma viatura pudesse ser deslocada para coleta das armas. Informou que o novo Inspetor era Aldo, mas que ele estava em gozo de licença, e que não havia ninguém além dele que pudesse autorizar tal deslocamento.

Tudo bem. Brazil! Zil! Zil! Fora o sinal de desorganização e falta de unificação de informações, ainda restava a emissão da guia de transporte da PF e a condução das peças à Inspetoria da Guarda de Cemitérios.

Nesse momento, decidi entregar somente armas registradas e o revolver que herdei de meu sogro. As armas antigas, eu as desmontei completamente e vou descartar peça por peça no lixo reciclável, ou vou fazer uma escultura-quadro em homenagem à campanha do desarmamento.

Aproveitei para fazer uma coisa que adoro fazer: desmontar coisas. Procurei no Youtube um vídeo “Como desmontar um rifle Winchester 3030 e remover o percursor” e achei um muito bom. O modelo era o que mais se aproximava da Carabina Rossi Lever Action .38 que eu possuo.

Desmontei completamente o mecanismo (só não mexi nos canos, porque era muito primário. Um parafuso só) e remontei. O gatilho deu um trabalhão, porque a mola soltou e eu não conseguia recolocar a mola no suporte. Examinei cuidadosamente a peça e descobri um pequeno furo na haste e – EUREKA! – percebi como eles montam. Passei um pino pelo furo e girando a mola, ela foi retraindo até ficar todinha encolhida. Depois de montado, retirado o pino, o mecanismo funcionou.

Também deu um trabalhão alinhar o furo do gatilho e do cão com o corpo da arma, mas no final essa parte ficou perfeita. Só não consegui montar uma peça da alimentação da arma que sobrou no final da montagem. Não fazia mal, porque a arma será, pelo menos teoricamente, destruída.
Por via das dúvidas, esmerilhei o pino do percursor, e assim capei a arma. Agora é o Belo Antonio… Os outros dois revólveres também passaram pelo mesmo tratamento – esmerilhei o percursor do cão, inutilizando as armas. Se forem desviadas – nunca se sabe – quem as receber vai, pelo menos, ter algum custo para consertá-las.

Uma vez decidido quais armas seriam rendidas ao governo, emiti as competentes guias de transporte e dirigi-me à Inspetoria da Guarda de Cemitérios e Mausoléus para realizar a entrega.

Sexta-Feira. 17:30 hs. Pergunte: Conseguiu entregar? Não, naturalmente. Mas, um funcionário informou que eu poderia voltar no domingo, quando o armeiro estaria de plantão e receberia as armas. Como a guia de transporte vencia no dia 8, segunda-feira, preferi passar pelo posto no domingo, pois segunda é sempre mais complicado.

Domingo. 10:00hs. Pergunte: Consegui entregar? Não, naturalmente. Dessa vez o funcionário estava de plantão, mas eles não recolhem armas aos domingos. O sistema da PF não funcionava, a xerox estava fechada e não seria possível emitir os comprovantes de entrega.
Depois de ouvir a lenga-lenga de reclamações contra a PF que teria mudado o protocolo, perguntei se poderia trazer na segunda feira, e fui informado de que também não seria possível por problema de plantão do encarregado.
Perguntei se poderia então levar na terça-feira e se ele poderia perguntar ou pedir ao Inspetor a autorização para recolher as armas em domicílio.

Terça-Feira. Liguei de manhã e fui informado que o Inspetor Aldo não se encontrava e também que não seria possível entregar as armas, mesmo que emitisse a guia de transporte, porque o armeiro encarregado da recepção estava de guarda e não poderia deixar o seu posto.

Liguei novamente à tarde e finalmente eles concordaram em mandar uma viatura recolher as armas. Confesso que insisti nisso por uma questão de princípio apenas, porque de toda forma tive que acompanhar a viatura em meu carro para ultimar a entrega no posto de recolhimento. Eu podia ter emitido novas guias de trânsito e ido até lá sem problemas.

A entrega foi finalmente realizada e os vouchers no valor total de R$ 600.00 me foram entregues como indenização pelas armas rendidas.

Como podem ver, uma ideia que pode até ser boa (não vou discutir os aspectos políticos dela) encontra percalços na execução, diante da desorganização e desinformação dos órgãos envolvidos.

Agora, só me resta desapegar da última arma que possuo – uma PT57 linda – e rendê-la também ao governo…

Published in: on janeiro 12, 2018 at 10:06 am  Deixe um comentário  
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Projetando Felicidade: O pêndulo Prazer-Propósito

Tradução J. Filardo

“O que eu desejo para meus netos” – Daniel Kahneman

A maioria dos livros sobre a felicidade decepciona.

Uma exceção rara é Felicidade por projeto, um pequeno volume publicado por Paul Dolan, professor de Ciência do Comportamento na London School of Economics.  O vencedor do Nobel e autor de best-sellers, Daniel Kahneman o chama de “ousado e original”. Mas o que, exatamente, é ousado e original nele?

Experiências ou Avaliações?

Tradicionalmente, muitas vezes medimos a felicidade perguntando às pessoas como elas estão satisfeitas com suas vidas.

Isso parece justo, mas há um problema. Não podemos confiar em nossas lembranças.

Quando eu reflito sobre o quão feliz eu fui, eu estou avaliando - eu relembro uma imagem do passado e a processo. Mas a psicologia nos diz que minha avaliação é muito, muito diferente de minha experiência - a vida como eu a vivo de momento a momento.

Há uma série de vieses cognitivos - efeito de pico final, viés egocêntrico, efeito de positividade, viés de mudança, etc. – que nos fazem lembrar diferentemente de como nós experimentamos.

Isso significa que (no pior caso), apesar de viver miseravelmente por 20 anos, podemos então avaliar experiências passadas como felizes.

 

Leia mais em  O pêndulo

Published in: on janeiro 1, 2018 at 10:45 am  Deixe um comentário  
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A Maçonaria Mista é inevitável ?

Contribuição do Ir.’. José Maria B. Batalla
Loja Fernando Pessoa, 4001
GOSP/GOB – RM – São Paulo

Tradução J. Filardo

Por Solange Sudarskis 

 

Ir.’. Maria Deraismes do Droit-Humain

O que se pode ver?                                                             

Basta, portanto, passar diante de uma escola ou colégio na hora da saída. Os jovens se atropelam, meninos e meninas misturados, mais apressados uns que outros ao passar pela porta e se reencontrar fora. A escola nos oferece seu fluxo da diversidade; diversidade social, étnica, cultural e, naturalmente, de gênero (sem mistura de idade e por uma boa razão). Depois, gradualmente formam-se grupos de fofocas, de amizade. O movimento se organiza por grupos de afinidade, onde se observa a separação de gênero, as meninas e meninos juntos, mas separados, formando pequenos bandos unisex, alguns namorados, embora testemunhas de uma proximidade mista ao redor deles, amiguinhos e amiguinhas. Com sua liberdade, a juventude se agrupa; os clãs se formam rompendo a diversidade do interior da escola.

Os professores saem um pouco mais tarde, a maioria são mulheres.

Vamos agora a um lugar da competição esportiva. Oh, mas as equipes participantes são exclusivamente masculinas ou femininas! Nada de diversidade no campo (exceto no tênis de duplas mistas). Os espectadores são em sua maioria homens.

Aqui estão dois exemplos das muitas questões que podem surgir sobre o tema da diversidade de gêneros.

O que precisa ser entendido por diversidade de gênero?

Em uma sociedade, a diversidade de gênero traz à mente imediatamente a noção de mistura com base em diferentes critérios: gênero, nível social, cultura, etnia, religião (ou não), associação a um compromisso político, nacionalidade …

No alvo de uma reflexão sobre este tema na Maçonaria, nos ateremos a somente um critério controverso, que é o do gênero.

 

Continue a leitura em:  LOJAS MISTAS SERÃO UMA REALIDADE NA MAÇONARIA?  QUANDO?

 

Inclua na sua biblioteca:

enfngmjbjocpflal

Livro essencial na biblioteca do maçom estudioso. Pode ser adquirido em papel ou eletrônico no site da Amazon.com

Restaurantes Usam Psicologia de Menu para fazer você gastar mais dinheiro: Aqui estão 7 técnicas para evitar ser feito de bobo

Tradução J. Filardo

Por Melissa Kravitz/AlterNet

Especialistas desconstroem o processo de criação de menu para ajudá-lo a pedir o que você realmente deseja.

O que você preferiria pedir? Uma tigela de macarrão com queijo de $ 10 ou uma fritada de massa cozida com quatro queijos artesanal coberta com pão ralado de $ 12?
Para muitos, o jantar está nos detalhes. O fraseado, colocação, preço e outros elementos menos óbvios de apresentar cada prato em um menu de restaurante podem influenciar um pedido de refeições de forma que os clientes não têm sequer consciência.
“Seres humanos são criaturas visuais, antes que vejamos ou cheiremos qualquer coisa, nós olhamos para ela”, diz Cenk Fikri, diretor e fundador da consultoria de restaurantes Cenk Fikri Inc., que consulta chefs para projetar menus que vendem pratos com uma grande margem de lucro.
O Instagram ajudou nas habilidades dos clientes de visualizar e predeterminar se um prato vale a pena pedir antes mesmo de pisar no restaurante. Recentemente, encontrei dois colegas para o almoço, nenhum dos quais abriu o menu do restaurante em que nenhum de nós já havia estado antes, já que o popular aplicativo de compartilhamento de fotos já havia guiado suas escolhas de refeições. Mas o layout e os gráficos estrategicamente atraentes, ainda que sutis em um menu, podem ter uma influência muito maior sobre seu pedido do que você percebe.
Pronto para sair do ciclo de gastos elevados da psicologia do cardápio? Deixe os especialistas desconstruírem o processo de criação do cardápio para ajudá-lo a comer o que você realmente anseia durante sua próxima refeição fora de casa.

Leia mais em:  Psicologia de Cardápio

Published in: on dezembro 16, 2017 at 2:55 pm  Deixe um comentário  
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A Arte da Memória e Maçonaria

Tradução J. Filardo

por Clarence A. Anderson

O Pensador, Rodin

Quando um candidato entra no caminho iniciático da Maçonaria, uma das primeiras coisas que ele descobre é que há uma grande quantidade de memorização envolvida. Os oficiais executam o ritual de memória, e longas palestras memorizadas lhe são apresentadas. Finalmente, talvez para sua consternação, ele descobre que deve memorizar um diálogo antes que possa avançar para o próximo grau.

Por que a memorização é tão importante em Maçonaria? Como a prática de decorar o ritual entra na Maçonaria? A memorização ainda tem valor nos tempos modernos? Considerando a importância tradicionalmente dada à memória na Maçonaria, surpreendentemente pouco foi escrito sobre isso. Uma busca em enciclopédias maçônicas e livros de referência revela praticamente nada.

Leia mais em:

A Arte da Memória e Maçonaria