Por Márcio dos Santos Gomes
Imagem relacionadaCharge de c.1870 a respeito da Questão Religiosa

Na Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como “Revolução dos Padres”, e na Confederação do Equador, de 1824, ambas com foco em Pernambuco e de influência maçônica, a liderança principal encontrava-se nas mãos de padres e frades formados em Olinda. Em 1817, dos 310 ditos subversivos, havia 60 padres e 10 frades. Em 1824 havia 40 padres, com destaques para a liderança de Frei Caneca, e do Padre Mororó, outra importante liderança, ambos executados a tiros. “O iluminismo chegou ao Nordeste pelas mãos dos padres Oratorianos…” (Terra, 1996).

“A Constituição de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Império. O Brasil havia herdado de Portugal o “regalismo”, que subordinava a Igreja ao Estado. O monarca, exercendo a chefia do Estado, era o representante supremo da Santa Sé no país. Os membros da Igreja eram pagos e sustentados pelo Estado, como se fossem funcionários públicos, por isso o imperador tinha o direito do “padroado”, podendo nomear os sacerdotes para os principais cargos religiosos. Ainda pelo direito do “beneplácito” (Art. 102, § XIV), as bulas e breves do papado somente eram aplicadas após a aprovação do imperador.” (Gomes, 2016)

“Com essa independência em relação a Roma, o padre brasileiro atuava politicamente, raramente respeitava o voto de castidade e muitos viviam com sua mulher e criavam filhos. A vinculação a partidos políticos facilitava a nomeação e promoção. Os bispos que defendiam a moralização da Igreja lutavam contra a subordinação ao império e muitas vezes entravam em choques com as autoridades, na tentativa de impor aos seus subordinados as doutrinas que vinham de Roma e não tinham o beneplácito do imperador.” (Gomes, 2016)

“Grandes políticos do império, inúmeros sacerdotes e membros das irmandades religiosas eram militantes de lojas maçônicas. Entretanto, em 1864, Pio IX, através da bula “Syllabus”, proibiu qualquer ligação da Igreja com a Maçonaria. Em 1873, o bispo de Olinda, dom Vital Maria de Oliveira, disposto a reformar o clero e as irmandades, ordenou que os padres abandonassem a maçonaria e os maçons fossem excluídos das irmandades religiosas, encontrando muitas resistências. O mesmo fez o bispo do Pará, dom Antônio de Macedo Costa. Aí eclodiu a chamada Questão Religiosa, também conhecida como Questão Maçônica ou Questão dos Bispos.” (Gomes, 2016)

 

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