Tradução J. Filardo

por Russell R. Boedeker, 32° K.C.C.H.***

Muitos de vocês podem estar familiarizados com o termo “Alquimista”. Para a maioria, este termo evoca imagens dos primeiros experimentadores tentando converter quimicamente chumbo ou metais básicos em ouro, e a busca pelo elixir químico da vida. Esses experimentadores de fato existiram, sendo o seu trabalho o precursor da química moderna. Assim como havia alquimistas “operativos”, também havia alquimistas “especulativos”. Os alquimistas especulativos são frequentemente associados à filosofia hermética e empregam símbolos de metais, elementos, planetas e processos químicos para descrever e entender o processo espiritual de aprimoramento pessoal. O fundador da filosofia hermética foi um sábio egípcio chamado Hermes Trismegisto. Os egípcios acreditavam ser ele o autor de todas as artes e ciências. Deificado por diferentes culturas, ele era conhecido como Thoth pelos egípcios, Mercúrio pelos romanos e Hermes pelos gregos. Embora com toda a probabilidade tenha existido um grande sábio chamado Hermes, é impossível desvincular o homem histórico da massa de relatos lendários sobre ele. Um dos famosos escritos de Hermes foi a Tábua de Esmeralda, que contém treze frases que resumem o pensamento hermético.

Do século XVI ao XVIII, o Hermetismo se conectou com a Alquimia; e pelo que parecia mero jargão químico e símbolos sem sentido, suas verdadeiras explicações foram ocultadas das massas e da igreja, que provavelmente teria declarado hereges muitos alquimistas.

Sem o conhecimento da maioria dos maçons, muitos dos símbolos encontrados na Maçonaria simbólica, ou “Loja Azul”, vieram até nós a partir da Alquimia. Em seu livro, “Simbolismo dos Graus Azuis da Maçonaria”, Albert Pike descreve essas relações e afirma que “Por essa e muitas outras provas sabemos que os símbolos da Maçonaria foram introduzidos nela pelos filósofos herméticos da Inglaterra…” [5]. Manly P. Hall em seu trabalho, The Secret Teachings of All Ages, afirma: “… ele [Hermes] foi o autor dos rituais de iniciação maçônica… Quase todos os símbolos maçônicos são de caráter hermético”. Apesar disso, fiquei surpreso ao encontrar uma escassez de pesquisas sobre a relação entre Alquimia e Maçonaria.

Como Albert Pike nos informa da forte conexão da Maçonaria de Loja Azul com a Alquimia, eu me perguntava se essa conexão continuava na Loja de Perfeição do Rito Escocês, que de muitas maneiras é uma continuação e conclusão dos graus da Loja Azul. Neste artigo vamos fazer um levantamento dos símbolos dos graus do Rito Escocês desde o 4º até o 14º para ver se podemos encontrar alguma conexão com os símbolos da Alquimia. Meu objetivo é duplo ao fazer isso: primeiro, expor o leitor à conexão entre Alquimia e Maçonaria, e segundo, encorajar outros pesquisadores maçônicos a explorar esta área de estudo muito interessante e amplamente inexplorada. Deve-se notar que eu sou um pesquisador em maçonaria e não um alquimista. Este artigo foi escrito do ponto de vista de um pesquisador em maçonaria. Vamos agora explorar a Loja da Perfeição em uma caçada à Química Escocesa!


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