Tradução José Filardo

Por Claudia Roth Pierpont

A biografia de Walter Isaacson retrata um homem obcecado com o conhecimento e quase impossível de conhecer.

Ilustração de Tamara Shopsin; Gravura de Hulton Archive / Getty

Na Florença renascentista, várias caixas identificadas colocadas por toda a cidade permitiam que os cidadãos fizessem denúncias anônimas de vários crimes morais – em 1461, por exemplo, o monge artista, Filippo Lippi, foi acusado de ter um filho com uma freira. Mas o crime que o governo estava realmente tentando controlar era a sodomia, tão notoriamente prevalecente que a gíria alemã contemporânea para um homossexual era Florenzer. A natureza comum da infração não apagava a ameaça de graves consequências. Em 1476, Leonardo da Vinci, à beira de seu vigésimo quarto aniversário, foi nomeado como um dos quatro homens que haviam praticado “tal maldade” com o aprendiz de dezessete anos de um ourives local. Resta pouca dúvida de que Leonardo tenha sido preso. Embora qualquer tempo que ele tenha passado na prisão tenha sido breve, e o caso foi encerrado dois meses depois, por falta de testemunhas corroborantes, ele teve muito tempo para refletir sobre as possíveis penas legais: uma grande multa, humilhação pública, exílio, suplício na fogueira. É impossível saber se essa experiência afetou o hábito do artista, mais tarde citado como uma marca de seu caráter, de comprar pássaros engaiolados do mercado apenas para libertá-los. Mas parece estar relacionado com os desenhos que ele fez, nos anos seguintes, de duas invenções fantásticas: uma máquina que ele explicou significar “abrir uma prisão de dentro para fora” e outra para romper barras de janelas.

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