Tradução J. Filardo

Por –Philippe VERDIER

Pintor maldito e mártir, Gauguin foi consagrado como o iniciador da pintura moderna na exposição do centenário na Orangerie em 1949. Uma parte da obra, as esculturas e as cerâmicas, ainda permanece no cone de sombra da irradiação projetada pelo pintor. A personalidade de Gauguin reforça a mensagem de suas criações, porque ele era um daqueles artistas cuja biografia não se confunde, em essência, com o conjunto de seus trabalhos. Sua vida, como a de Rimbaud, foi uma aventura. Ligado primeiro ao impressionismo e depois ao movimento simbolista, ele iria denunciar o primeiro em nome do que Kandinsky chamou princípio espiritual da arte, e se proteger contra os perigos de desviacionismo literário inerente ao segundo, em nome da perfeita coincidência do significante e do significado na obra plástica. O exotismo de Gauguin expressa a busca dolorosa que ele perseguiu para redescobrir o valor existencial dos símbolos mágicos e religiosos, laços de harmonia entre tempo integralmente vivido pelo homem e o mistério de um destino que se inscreve na intemporalidade.

 

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