Tradução J. Filardo

Por Bernard Homery

1 – Situação geopolítica da Europa do Norte no primeiro quartel do século XVIII

No final do século XVII, a Rússia de Pedro, o Grande, não tinha acesso permanente ao mar, seu único porto, o de Arkhangelsk[1] , localizado na baía do rio Dvina, ao sul do Mar Branco, congelava-se pelo menos cinco meses por ano. A oeste, ela fora privada daquele porto do Báltico pelo império sueco[2] , que o tornara seu mar interior. A Rússia dependia totalmente do seu pesado vizinho e das nações marítimas o que lhe custava caro em taxas pedágio e ela era privada de uma marinha digna desse nome.

Pensando em tirar vantagem na sucessão de seu pai da juventude do novo rei Carlos XII (1682-1718), a Rússia, a Dinamarca e a Saxe-Polônia-Lituânia[3] , criaram uma aliança anti-sueca para tentar destruir o império. O caso não será tão simples e a Grande Guerra do Norte acontecerá a partir de 1700 e terminará somente com o Tratado de Nystad de 30 de agosto de 1721.

Pedro I se apodera desde 1702 do Ingrie. Os suecos haviam construído ali a fortaleza de Nyen no estuário do Neva[4]. Foi a partir desse ponto que ele decidiu fundar sua nova capital política e cultural aberta ao Ocidente: São Petersburgo, reconquista que será erigida em ducado em 1707 e confiada a seu amigo e favorito o Príncipe Alexander Danilovich Menshikov *. O eleitor de Hanover George I de Brunswick-Lüneburg (1660-1727) que se tornará em 01 de agosto de 1714 o Rei George I do Reino Unido ingressará na coalizão em 1709. Ele descendia pelas esposas de James Stuart (VI da Escócia e Inglaterra) e, desde a Revolução Gloriosa, a lei britânica, Bill of Rights, proibia qualquer príncipe católico romano de aceder ao seu trono. Agora, seu primo Jacques II havia se convertido ao catolicismo em seu exílio de Saint-Germain en Laye.

Em 27 de junho de 1709, a batalha de Poltova em solo ucraniano opõe os exércitos de Pedro I e Carlos XII depois de uma longa jornada. Este último, derrotado, refugia-se junto aos otomanos, onde permanecerá cinco anos antes de regressar à Suécia, em dezembro de 1715, para retomar a luta. Esta derrota sueca marca o começo do declínio de seu império e o surgimento da Rússia como uma nova potência europeia. As possessões suecas serão divididas entre os membros da coalizão. A Dinamarca-Noruega invade a Suécia a partir do oeste e a Rússia finalmente consegue capturar a totalidade da Finlândia em fevereiro de 1714.

Em 1715, Charles XII retornou ao cenário do norte da Europa e abriu uma frente norueguesa. Durante esta campanha ele foi morto por uma bala perdida em Fredriksten em 11 de dezembro de 1718.

A Grande Guerra do Norte termina após uma série de tratados bilaterais de paz. Os suecos assinaram o de Estocolmo em 1719 com o eleitor de Hanover, que se tornara, neste meio tempo, o rei britânico George I. Georges I é pessoalmente recompensado por seu envolvimento na coalizão ao receber os ducados de Bremen e Verden. Estes serão a fonte de tensão entre a Suécia e o Reino Unido. Os tratados de Frederiksborg, em 1720 com a Noruega, e de Nystad em 1721, com a Rússia, pelo qual o novo rei da Suécia, Frederico I (1625-1751), ratifica a transferência de suas posses bálticas: Estônia, Livônia, Ingria, Karelia e na parte sudeste da Finlândia. Este tratado foi assinado por último porque a Suécia esperava preservar as possessões Bálticas com o apoio da França. Mas esta última não pertencia à coalizão e suas relações com o Reino Unido não eram excelentes. Essa insatisfação sueca dará lugar no século XVIII, a novos confrontos russo-suecos.

A partir daí a Rússia entrou com tudo na corte das grandes potências europeias, enquanto a Suécia perdia sua influência sobre elas.

 

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