Tradução J. Filardo

Autor Desconhecido

 

Como em todas as tradições místicas, antigas e modernas, os números desempenham um papel fundamental para nos ajudar a alcançar uma compreensão mais profunda e os números mantêm as chaves do pensamento esotérico. E não é diferente na Maçonaria Especulativa. Desde o início dos tempos, os adeptos dos mistérios ocultos descobriram verdades místicas através da compreensão dos números e sua importância para o desenvolvimento do universo. De fato, pode-se dizer que a ciência dos números é a própria fórmula com a qual Deus criou o universo visível. Dentro do catecismo da Maçonaria Especulativa, há uma variedade de números que possuem um valor espiritual mais profundo. Este trabalho se concentrará em um número específico, o número sete. Conforme afirmado na Enciclopédia de Maçonaria de Albert Mackey:

“Em todo sistema de antiguidade há uma referência frequente a esse número, mostrando que a veneração por ele procedeu de alguma causa comum. Ele é, igualmente, um número sagrado entre os gentios e na religião cristã. O doutor Oliver diz que isso dificilmente pode ser atribuído a qualquer evento, excetuando a instituição do sábado. Godfrey Higgins acha que a circunstância peculiar, talvez acidental, do número de dias da semana coincide exatamente com o número de corpos planetários que provavelmente adquiriram para ele seu caráter de santidade. Os Pitagóricos o chamavam de número perfeito, porque era composto por três e quatro, o triângulo e o quadrado, que são as duas figuras perfeitas. Eles também o chamavam número virgem, e sem mãe, comparando-o a Minerva, que era virgem sem mãe, porque não pode, por multiplicação, produzir nenhum número dentro de dez, como duas vezes dois, quatro e três vezes três, nove; nem dois números, por sua multiplicação, podem produzi-lo.”

O número Sete era considerado sagrado não apenas por todas as nações da antiguidade do Oriente, mas também era tido em grande reverência pelas nações posteriores do Ocidente. Consistindo em uma união entre o número três (o símbolo da Trindade Divina e dos três elementos que compõem a matéria) e de quatro (o símbolo das forças ou elementos cósmicos), o número Sete aponta simbolicamente para a união da Deidade com o universo. Este número, que também representa o triunfo do Espírito sobre a Matéria e a plenitude dos Mistérios Divinos, corresponde à letra hebraica Zain. O número sete é universal, como Zain, que é considerada a Letra do Universo.

Os Pitagóricos consideravam o algarismo Sete como a imagem e modelo da ordem divina e harmonia na natureza. A partir deles, a origem astronômica desse número é estabelecida além de qualquer dúvida. O homem, sentindo-se dependente dos poderes celestiais, olhava para os céus em busca de compreensão e clareza espiritual. Ao estudar o firmamento, os astrólogos antigos entendiam que os Sete planetas permaneciam a uma distância igual um do outro e giravam na mesma trajetória. Daí a ideia sugerida por este movimento é a da harmonia eterna do universo.

A maior e mais brilhante das luminárias tornou-se assim o símbolo da mais importante e mais alta dos poderes; incorporada aos planetas toda a antiguidade numerada como Sete. Nesta conexão, o número Sete tornou-se especialmente sagrado com eles, e sempre preservou sua importância com os astrólogos. Com o tempo, estes foram transformados em Sete divindades. Os egípcios tinham Sete deuses originais e superiores; os fenícios Sete kabiris; os persas, Sete cavalos sagrados de Mitra; os Parsees, Sete anjos opostos por Sete demônios e Sete moradas celestes paralelamente a Sete regiões inferiores. Para representar mais claramente essa ideia em sua forma concreta, o sete deuses foram frequentemente representados como uma divindade de sete cabeças. Todo o céu estava submetido aos Sete planetas; portanto, em quase todos os sistemas religiosos nós encontramos Sete céus. Alguns filósofos disseram que nossas almas têm 7 focos no corpo material; os cinco sentidos, a voz e o poder gerador.

O corpo tem sete partes óbvias: cabeça, peito, abdômen, duas pernas e dois braços. Existem sete órgãos internos, estômago, fígado, coração, pulmões, baço e dois rins. A parte dominante, a cabeça, tem sete partes para uso externo, dois olhos, duas orelhas, duas narinas e uma boca. Existem sete coisas vistas, corpo, intervalo, magnitude, cor, movimento e permanência. Existem sete inflexões da voz, os sons agudos, graves, circunflexos, ásperos, suaves, longos e curtos. A mão faz sete movimentos; para cima e para baixo, para a direita e esquerda, à frente e atrás e circular. Existem sete evacuações; lágrimas dos olhos, muco das narinas, saliva, sêmen, duas excreções e transpiração. O conhecimento médico moderno corrobora o ditado antigo de que, no sétimo mês, a prole humana se torna viável. A menstruação tende a ocorrer em séries de quatro vezes sete dias, e certamente está relacionada a Luna de maneira oculta.

O Castiçal de Ouro dos Sete Ramos foi um notável ornamento emblemático do Tabernáculo de Moisés, Êxodo 25:31.

Observem-se os sete anos para o arrependimento; sete igrejas da Ásia, sete anjos com trombetas, sete castiçais dos Lugares Santos, sete selos, sete trombetas, sete reis, sete mil mortos, sete frascos de ira a serem derramados acompanham o Apocalipse. Existem inúmeros casos em que o número sete detém um valor significativo ao longo da história do pensamento e da introspecção humanos. Esse número, em particular, tinha um valor especial, por estar diretamente relacionado ao entendimento de nossa natureza divina e à harmonia com a divindade. Essa ideia numérica foi aplicada pelos cristãos – (especialmente durante a Idade Média) – usando amplamente o número Sete no simbolismo de sua arquitetura sagrada. Assim, por exemplo, a famosa Catedral de Colônia e a Igreja Dominicana em Regensburg exibem esse número nos menores detalhes arquitetônicos. Também podemos fazer analogia entre muitas referências bíblicas do número sete à Maçonaria. Por exemplo, tA história de Salomão construindo o templo em que O rei Salomão completou o templo em sete anos. (1 Reis 5:13; 2 Crônicas 2:2). De acordo com 1 Reis 6:38, a obra do templo levou sete anos dizendo:

“E no décimo primeiro ano, no mês de Bul, que é o oitavo mês, a casa foi concluída em todas as suas partes e de acordo com todas as suas especificações. Foram sete anos na sua construção.”

O número sete também possui um valor místico significativo na Maçonaria. Mais uma vez citando Mackey:

“Sete é um número sagrado no simbolismo maçônico. Tem sido sempre assim. Nas instruções mais antigas do século XVIII, dizia-se que uma Loja exigia sete para torná-la perfeita; mas a única explicação a ser encontrada em qualquer uma dessas cerimônias da sacralidade do número são as sete artes e ciências liberais, que, de acordo com a antiga lenda do ofício, eram o fundamento da Maçonaria. No ritualismo moderno, o simbolismo dos sete foi transferido do Primeiro para o Segundo Grau, e ali é feito para se referir apenas aos sete degraus das Escadas Sinuosas; mas o sete simbólico pode ser encontrado difundido de várias maneiras em todo o sistema maçônico.”

São necessários sete irmãos para abrir uma loja perfeita: O Venerável Mestre, dois Vigilantes, dois Diáconos, o Tesoureiro e o Secretário (para trabalhar são necessários apenas cinco). Os sete oficiais representam como a consciência humana funciona como expressões da Fonte sempre prevalecente de todo ser. Eles representam as partes coordenadas que conectam a natureza externa do homem com seu princípio divino mais íntimo. Eles fornecem os canais necessários para os diferentes níveis espirituais e materiais para manter perfeita harmonia. Como afirma o ritual, “a harmonia é o apoio de todas as instituições, especialmente a nossa”.

Diz-se que o número sete é um número “perfeito” porque contém os números três e quatro. Na geometria, a base da maçonaria, o triângulo e o quadrado são as “figuras perfeitas”, e é ele mesmo indivisível e não pode ser criado por multiplicação. Esse entendimento é melhor exibido no emblema de um Maçom: O Avental.

O avental é composto de três partes: uma aba triangular, número três, e uma base quadrada, número quatro. A soma deles é o número sete. Conforme mencionado anteriormente, o quadrado simboliza os 4 elementos: terra (minerais do esqueleto, ossos, consciência física), agua (fluidos físicos, consciência emocional), ar (mente, pensamento abstrato), fogo (energia, consciência espiritual) O triângulo simboliza a trindade do ser, os três aspectos de Deus ou três luzes maiores e as três fases da existência humana (corpo, mente, espírito, conforme expressas atravessando os três graus da maçonaria de loja azul) ou as três luzes menores, exemplificado pelos três principais oficiais de uma loja. Representando simbolicamente também os três pilares cabalísticos dos quais emanam as sephirot. Juntos, o quadrado base e o triângulo da abeta representam os sete níveis de consciência que podem ser acessados pelas sete artes e ciências liberais: gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, astronomia e música. O avental ou o “distintivo de inocência” do maçom torna-se, assim, um símbolo do trabalho sincero do homem em direção à perfeição dos elementos materiais ao temperamento, sob a orientação das qualidades divinas. Nesse estado aperfeiçoado, ele pode encontrar seu criador, tornando-se conscientemente um com o TODO.

É óbvio que na superfície há uma referência mínima ao número sete no sentido particular, mas seu simbolismo está profundamente enraizado em toda a estrutura emblemática maçônica. Há muita informação que deve ser procurada pelo maçom enquanto atravessa a jornada de graduação. Supõe-se que poucos teriam estudado essas verdades esotéricas antes de entrar na maçonaria, e menos ainda as decorado. Acredito que era o plano que o Maçom procurasse os mistérios ocultos além da explicação de seus graus para se educar e se iluminar até uma compreensão mais profunda e um pouco mística.

As lições em três graus são uma oferta das chaves para destrancar as portas que conduzem à iluminação cósmica, com a qual é o objetivo e o dever de todo Maçom “guardar, ocultar e nunca revelar”. Valorizar, preservar e exemplificar o universo por nossos pensamentos, palavras e ações.

O Grau de Companheiro é o grau mais envolvido em estudos, desde a sugestão das Três Grandes Luzes e três oficiais principais da loja como influenciando o Maçom até o estudo da Cabala e da escada de Jacob, até a compreensão dos pilares, nossos sentidos e seu significado físico e espiritual, e para o estudo da alquimia e o significado astrológico dos sete planetas e como somos afetados por eles fisicamente, à medida que sua posição nos céus nos influencia espiritualmente. Aqui, “Assim como acima, é abaixo”, não tem significado maior. Ao nos aprofundarmos honestamente, adquirimos uma compreensão mais profunda do universo exterior e unimos as naturezas carnal e divina dentro dele, tornando-nos assim o número sete. A perfeição do homem encarnada em uma vida divina.

 

Referências:

Albert G. Mackey’s Enciclopédia da Maçonaria foi publicado originalmente como dois volumes; Volume I (1873) & Vol. II (1878)

Obras e Palestras Padrão da Maçonaria Antiga – Na jurisdição da Grande Loja de Pedreiros Livres e Aceitos do Estado de Nova York, 2014

Bíblia King James. Copyright 2015