Joaquim G. Santos

A historiografia dos Rituais Maçónicos tem sido feita, na maior parte dos casos, fundamentalmente com base na correlação dos textos das sucessivas revisões, produzidas ao longo de três séculos de prática, com as correntes de ideias político filosóficas suas contemporâneas.

Se é certo que esta linha de raciocínio se tem revelado profícua, resultando hoje claro que alterações de paradigmas político-sociais, ou obedienciais, suscitaram sempre revisões de rituais, não é menos verdade que um ritual maçónico tem sempre, para além de uma componente cultural, também uma vertente iniciática.

Muito embora a primeira destas facetas reflita sempre o contexto sociologico-filosófico­politico da época, a segunda, que integra os Arcanos do Ritual, remonta, em geral, a uma tradição anterior, dependendo essencialmente da compreensão, ou da simples perceção de um corpus esotérico, que se apresenta também com caráter evolutivo, ao longo da cadeia iniciática.

Linhas de investigação recentes, mais centradas em alguns elementos da História Material da Maçonaria, tais como os Quadros de Loja, ou os Paramentos, têm-se revelado de extrema utilidade na compreensão de rituais dos séculos XVIII e XIX, sublinhando aspetos à partida não evidentes, apenas com base na leitura dos textos.

Um exemplo flagrante desta situação sobressai quando se estuda a História e, a Simbólica, do Quadro de Loja de Companheiro, no REAA.

Neste caso, é notória a existência de uma ligação direta entre a evolução das representações iconográficas, e as sucessivas revisões dos rituais, reflexo das subsequentes alterações verificadas, quanto ao entendimento do conteúdo simbólico deste Grau.

Este tem vindo, progressivamente, a diferenciar-se do Primeiro Grau, bem como a incorporar novos símbolos, em consequência de diversos sincretismos, traduzindo-se todo este processo num grande enriquecimento do corpus do Companheiro Escocês, e do seu Quadro de Loja.

Todavia, no que concerne ao aparecimento deste elemento de decoração do Templo, tudo começou no século XVIII.

 

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