Tradução J. Filardo

Donald Trump/Wikimedia Commons

Matthew Rozsa  

Há mais de oitenta anos, um então obscuro filósofo alemão escreveu um ensaio que previa a razão essencial por trás do apelo político duradouro do presidente Donald Trump. Seu nome era Walter Benjamin; nascido em uma família judia em Berlim, Benjamin esteve presente em um momento crucial da história e testemunhou a chegada de Hitler ao poder. Na época em que escreveu seu ensaio mais famoso, ele era um exilado que vivia na França em meio a dificuldades financeiras, tendo reconhecido que o incêndio do Reichstag três anos antes significava que os nazistas haviam alcançado o poder total na Alemanha.

Em 1936 – enquanto Hitler estava violando tratados internacionais impunemente e preparando a Alemanha para a guerra (uma ameaça que muitas potências ocidentais não levaram a sério) – Benjamin, um marxista e judeu que obviamente se opunha aos nazistas, postulou que os fascistas modernos têm sucesso quando são artistas. Não qualquer artista – um palhaço de circo ou um malabarista que virou fascista não serviria.  Especificamente, os fascistas modernos eram artistas com uma estética distinta, que apela às queixas das massa, encorajando seus apoiadores a sentir que eles estão se expressando pessoalmente por meio de seu demagogo preferido.

A percepção de Benjamin, que parece ter sido amplamente esquecida, é que manter o fascismo fora do poder significa reconhecer como ele usa o entretenimento estético para criar seus movimentos. Isso exige que admitamos, por mais desconcertante que seja, que Trump é um artista – embora cafona, superficial e transparentemente auto-engrandecedor.  Mais importante ainda, seu movimento, a multidão MAGA, tem uma estética distinta que ele criou e alimentou.


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