William Almeida de Carvalho*

I- Introdução


Os estudos maçônicos universitários têm sofrido um incremento substancial, principalmente na Europa. A França lidera essa nova safra de maçonólogos (não necessariamente maçons) universitários, como se pode constatar pelo trabalho de levantamento de Charles Porset – Franc-maçonnerie, Lumières et Révolution, Trente Ans d’Études et de Recherches. Na Inglaterra, a pesquisa universitária é extremamente precária, apesar da criação de uma cadeira universitária maçônicas na Universidades de Sheffield. Essa deficiência inglesa na pesquisa universitária é superada pelos estudos e anais da primeira (1886) e maior loja de pesquisa maçônica do mundo: a famosa Quattuor Coronati Lodge de Londres. Os holandeses também criaram uma cadeira universitária maçônica na Universidade de Leyde. Os norte-americanos dão a sua contribuição original com o trabalho de Steven C. Bullock – Revolutionary Brotherhood, Freemasonry and the Transformation of the American Social Order, 1730-1840 – e os escoceses com o livro do profano David Stevenson – The Origins of Freemasonry. Scotland´s Century, 1590-1710, traduzido recentemente no Brasil pela Madras. Numerosos trabalhos começam a aparecer na Alemanha, Áustria, Itália, Espanha e na Bélgica.
Os pioneiros dos estudos universitários do fato maçônico na França na década de 60 foram os maçons Pierre Chevalier, falecido em 1998 e Daniel Ligou, atualmente aposentado da pesquisa maçônica. Os estudos desbravadores de Augustin Cochin e François Furet influenciaram muito a recente historiografia francesa sobre maçonaria.
As contribuições importantes de Ran Halévi sobre sociabilidade maçônica, atualmente contestadas por Pierre-Yves Beaurepaire, que desponta como um dos principais historiógrafos maçônicos nesse limiar do século XXI, não podem ser desprezadas.
Em 2001 criou-se na França um Espace de Recherches et d´Échanges Maçonnologiques – EREM, que tem agido como uma verdadeira câmara de compensação de teses e estudos maçônicos.
No Brasil, nos nossos contatos com a Prof. Esther Bertoletti, criadora e gestora do Projeto Resgate (http://www.comciencia.br/reportagens/501anos/ br02.htm) está se discutindo a possibilidade de criarmos um Fundo Maçônico na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro para reunir todos os manuscritos e documentos atinentes à maçonaria brasileira num só local a exemplo da Biblioteca Nacional da França. O fundo maçônico francês recebeu, quando da implosão do império soviético, centenas de caixas de manuscritos e documentos da ex-KGB russa de peças pertinentes ao Grande Oriente de França. Tais documentos ficaram disponíveis aos pesquisadores a partir de 2001.

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