Marco Antonio Lopes Granados Campillo

 

 

INTRODUÇÃO

Tentar descrever aos leitores acerca do objeto maçonaria e a participação da mesma ou de seus agentes no processo de independência do Brasil é mergulhar num campo repleto de suposições, areias movediças, pântanos, invenções de tradições em cima de tradições e demais expressões pomposas que dão um “ar” de labirinto e pseudo-resgates a qualquer tema que tenha como objeto a maçonaria e outras instituições do gênero, até mesmo para aqueles que discorrem sobre em trabalhos mais extensos, independentemente da formação do proponente e se o mesmo é ou não maçom, pois suas narrativas estão de forma a se lamentar ou pedindo desculpas ao leitor de forma implícita por não terem total certeza de suas afirmações ou por não poderem fazê-lo por motivos dignos, desconhecidos por nós e talvez não compreensíveis para um leitor que não tenha vínculo com a arte real e sua hierarquia.

O mistério acerca da maçonaria se desenvolve com a própria definição de mistério, pois além dela representar um conhecimento que só os Iniciados na mesma tendem a acreditar que possuem, a forma que este conhecimento é passado (através de rituais/a Iniciação) também constitui um mistério no sentido de segredo e para ampliar ainda mais nosso horizonte, este mistério, é um mistério considerado ANTIGO e por isso mais fascinante, querendo-se remontar as Antigas Escolas de Mistérios. Por isso, a Maçonaria também é conhecida como uma Escola de Mistérios.

A sociedade está sempre criando cerimônias de recepção ou passagem para consagrar algum estágio ou conquista na vida do homem, atribuindo a este, nova identidade. O que a maçonaria faz é dar o toque da tradição e antiguidade a este aspecto pedagógico, tentando resgatar valores e situações ora esquecidos ou adormecidos na labuta do dia a dia.

Para tentarmos entender o funcionamento e/ou significados de uma Escola de Mistérios e consequentemente da Maçonaria, temos que estar familiarizado com diversos termos e temas, que servirão de terreno para nossa construção e para isso a intertextualidade2, interdisciplinaridade[1], as “disciplinas auxiliares”[2] “da História”, bem como paráfrases[3], se farão presentes a todo momento, levando os leitores sejam eles iniciantes ou iniciados em História, a fazerem leituras que ocasionarão em desdobramentos crítico-interpretativos dos conhecimentos/processos históricos de âmbito geral que serão subsídios para nossa conclusão. A maçonaria como veremos durante todo o trabalho, é um desvelar autovelante, pois não teremos condições de colocar um ponto final definitivo sobre a participação da mesma e de seus agentes no processo de independência do Brasil.

 

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