Edgard da Costa Freitas Neto [1]

Introdução

O início do mês de setembro de 1874 parecia ser mais um período comum na Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI. A Maçonaria era uma instituição poderosa no então Império mais poderoso do mundo. Gozava de prestígio social, exercia sua autoridade sobre todas as Grandes Lojas provinciais e coloniais e tinha entre seus membros muitos nobres, inclusive o príncipe herdeiro e seus imediatos na linha de sucessão, além de clérigos, industriais e homens de classe média alta, formando uma vasta rede de cidadãos por todo o Império Britânico.

A Maçonaria representava um baluarte de valores tipicamente britânicos: a defesa da liberdade de consciência, da liberdade de religião, da liberdade de expressão, da liberdade econômica.

Seu Grão Mestre desde 1870 era George Frederick Samuel Robinson, mais conhecido como o Marquês de Ripon, estrela ascendente do Partido Liberal[2], membro de família inglesa tradicional, cristão anglicano e proeminente em todos os governos liberais desde 1861, sendo inclusive membro do Conselho Privado da Rainha e, de 1868 até 1873, Presidente do Conselho de Ministros sob o governo do Liberal Gladstone.

E, voltando ao ano de 1874, foi no dia 2 de Setembro daquele ano, às vésperas do começo da Sessão trimestral da GLUI, que o Grão-Mestre, Marquês de Ripon, surpreendeu a todos com uma sucinta carta de renúncia:

Caro Grande Secretário – Cumpre-me comunicar-vos que me acho presentemente inabilitado a preencher por mais tempo o cargo de Grão Mestre, à vista do que, nas mãos dos Membros da Grande Loja, eu dele me exonero. Exprimindo-vos nesta meus sinceros agradecimentos pela amabilidade que sempre recebi, sinto profundamente o desgosto que causará minha renúncia. Seu, com toda a consideração, Ripon (The Roman Catholic Freemason: past, present, and future, MELLOR, 1972)[3]

A renúncia caiu como uma bomba na Assembleia.

 

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