Por Ivan A. Pinheiro

Da adequação ou inadequação de os Templários serem tomados como símbolos na Ordem Maçônica[1]
Este é o quinto e último artigo do Ensaio em formato de Série que explorou a Questão Templária na Maçonaria a partir de um recorte cronológico bastante específico: nos seus primeiros tempos. Os vínculos entre as Ordens, a Templária e a Maçônica são antigos, de naturezas diversas, por vezes controversos e, não raro, surgem mesclados ao movimento das Cruzadas. Tendo em vista, e os autores são unânimes acerca desse aspecto, que a Ordem do Templo ao longo dos seus quase 2 (dois) séculos de existência passou por inúmeras mudanças, a ponto de não ser exagero dizer que, se a Ordem era “Uma”, passou a ser “Outra” quando consideradas as datas extremas da sua existência, surgiu a questão de pesquisa que motivou este ensaio histórico-crítico: afinal, a qual dos Templários, os primeiros ou os últimos, a Maçonaria elegeu como símbolos, modelos a serem seguidos?
Contribuiu sobremodo para estimular esta investigação, baseada na literatura, a pesquisa de Brum (2022), que revela vínculos estreitos entre os personagens fundadores que coabitaram os espaços-tempo de Troyes (França) e Toledo (Espanha) no início da Baixa Idade Média (séc. XI) e um grupo muito específico ao Oriente, o dos “muçulmanos-nizaris-ismailitas-drusos”, e isto, é bom lembrar, em meio às Cruzadas à Oriente e à guerra da Reconquista em curso na Península Ibérica.
Embora algumas das ideias de Brum possam ser encontradas aqui e ali, principalmente em Ralls (2004), coube a ele a primazia de reunir os argumentos e as evidências que contestam a informação mais disseminada na literatura: a de que os Templários surgiram como monges-guerreiros para defender os peregrinos e a Terra Santa. Sim, pois na avaliação de Brum, os Templários fundadores, quando sequer ainda eram conhecidos como tal, eram, antes de tudo, filósofos, sem dúvida cristãos dedicados, mas também pensadores cujas mentes abertas e sempre em busca de saberes ignoravam as fronteiras geográficas, religiosas ou culturais, eram ecléticos e, pode-se dizer, ecumênicos; portanto, até onde as circunstâncias permitiam, mais distantes dos dogmatismos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) e também dos seus interesses político-institucionais seculares mais imediatos.
Esse é o principal mérito do que nesta Série foi denominado “hipótese-Brum”: estimular novas e inusitadas reflexões e estudos sobre um tema em que até então não se supunha haver novidade, afinal, a maioria dos autores repete as velhas informações – o mais do mesmo. Em razão das associações já estabelecidas na historiografia, de algum modo e em alguma medida, o que aconteceu na Ordem do Templo, pela via do simbolismo, deveria reverberar no seio da Ordem Maçônica, razão pela qual o tema mereceu as reflexões de um ponto de vista desta última quando lido pelo autor deste Ensaio.
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Da adequação ou inadequação de os Templários serem tomados como símbolos na Ordem Maçônica
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