E se a iniciação começasse quando algo em nós finalmente concordou em morrer?
Há palavras que nossa era acha difíceis de suportar. A morte é uma delas. Aprendemos a empurrá-la para fora do campo cotidiano, a medicalizá-la, a torná-la quase invisível e, acima de tudo, a evitar encará-la por muito tempo. A sociedade contemporânea sabe como prolongar a vida, afastar certas doenças, reparar corpos e multiplicar os meios para desviar nossa atenção da nossa finitude. No entanto, ela permanece diante de uma realidade que nenhuma tecnologia ainda pode abolir: toda existência humana conhece um limite.
A Maçonaria aborda essa questão de forma diferente. Ela não busca apenas evocar a morte física, mas tornar a morte uma linguagem simbólica que nos permite pensar sobre a transformação do homem. O texto dedicado à morte iniciática na série ” Obreros de Hiram Abiff ” insiste precisamente nessa ideia: o que morre durante o processo iniciático não é o corpo, mas um estado anterior de consciência, com seus apegos, ilusões e confinamentos.
Essa perspectiva confere à palavra ” iniciação ” uma profundidade particular. Ser iniciado não consistiria mais apenas em receber um ensinamento, descobrir símbolos ou entrar em uma tradição. Seria uma questão de aceitar que uma parte do homem que éramos não poderia continuar vivendo exatamente da mesma forma. Em outras palavras, iniciação não seria simplesmente uma aquisição. Também seria uma desapropriação.
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Morrer para si mesmo para renascer: o significado profundo da morte iniciática
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