Por Henrik Bogdan ***

Nas formas institucionalizadas de esoterismo, a partir do século XVIII, a construção da tradição está frequentemente ligada a reivindicações de legitimidade e autoridade, fato talvez mais óbvio em sociedades iniciáticas maçônicas.[1] A questão da legitimidade, ou regularidade como é frequentemente chamada na Maçonaria, pode ser vista como um discurso central nesse tipo de organização, um discurso que muitas vezes é usado de forma polêmica. Ao longo da história da Maçonaria, um grande número de organizações foi rotulado como “irregular” ou “clandestino” pelas chamadas Grandes Lojas “regulares”, mas sempre houve alguma confusão sobre quais organizações deveriam ser rotuladas como formas irregulares de Maçonaria. Segundo alguns, o termo se aplica apenas a organizações não regulares que afirmam “fazer” maçons; ou seja, organizações que atuam nos três graus de Ofício da Maçonaria, enquanto outras incluem os chamados sistemas de altos graus, ou até mesmo organizações semelhantes às da Maçonaria, mas que não fazem reivindicações formais de representar a Maçonaria. Às vezes, o termo “maçonaria marginal” é usado para esses últimos grupos, termo cunhado por Ellic Howe em 1972 em seu estudo sobre certas organizações obscuras ativas na Inglaterra no final do século XIX. Howe definiu a maçonaria marginal da seguinte maneira:

O termo ‘maçonaria marginal’ é usado aqui por falta de uma alternativa melhor. Não era Maçonaria ‘irregular’ porque aqueles que promoviam os ritos não iniciavam Maçons, ou seja, conferiam os três graus de Ofício ou o Santo Arco Real. Portanto, eles não invadiam a reserva exclusiva da Grande Loja e do Grande Capítulo.


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A Sociologia do Construto da Tradição