Por Paulo Roberto Marinho de Almeida
A posição das Colunas B e J no Templo do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) é um assunto que merece ser estudado com atenção. Este texto não pretende dar uma resposta definitiva. A intenção é apenas provocar uma reflexão: seriam as Colunas B e J mais bem compreendidas quando colocadas dentro do Templo, junto à porta de entrada?
A questão é importante porque, na Maçonaria, os objetos não estão presentes apenas para ornamentar o Templo. Eles fazem parte do simbolismo e da pedagogia maçônica e, assim como as ferramentas e os elementos da antiga Maçonaria Operativa, são utilizados pela Maçonaria Especulativa para transmitir ideias e ensinamentos. Assim, aquilo que vemos pode nos ajudar a compreender aquilo que não vemos.
Aplicando esse princípio às Colunas B e J, podemos fazer uma pergunta simples: se elas são utilizadas para ensinar, não seria melhor que estivessem à vista dos Irmãos durante os trabalhos?
É importante separar o que está escrito na Bíblia daquilo que foi criado ou interpretado posteriormente pela tradição maçônica. Os textos bíblicos, ao descreverem o Templo de Salomão, mencionam duas grandes colunas, chamadas Jaquim e Boaz. Em 1 Reis 7:21, elas aparecem relacionadas ao pórtico do Templo. Em 2 Crônicas 3:15-17, são apresentadas como estando diante do Templo, uma de cada lado.
Portanto, nas Escrituras encontramos as duas Colunas com os nomes de Jaquim e Boaz, a sua relação com o pórtico, a proximidade com a entrada do Templo e a sua importância na construção. Mas há algo que não encontramos: a Bíblia não chama Jaquim e Boaz de “colunas vestibulares”. Essa expressão pertence à linguagem de costumes maçônicos, utilizada muito provavelmente porque os manuais reguladores do século XIX denominavam como “vestíbulo” a sala que antecede o Templo, e não “átrio”, como ocorre atualmente.
O que nos parece conclusivo é a menção às “Colunas diante do Templo” encontrada nas Escrituras, enquanto a denominação “Colunas vestibulares” é de concepção maçônica, e não uma expressão bíblica. Portanto, “diante do Templo” não significa necessariamente fora do Templo ou no vestíbulo (átrio).
A Bíblia não diz simplesmente que Jaquim e Boaz estavam “fora do Templo”. Em 1 Reis, elas são relacionadas ao pórtico. O pórtico é justamente uma área de passagem entre o exterior e o espaço do Templo. Assim, podemos imaginar as colunas junto à entrada, integradas à arquitetura do pórtico.
Isso, naturalmente, não significa que o pórtico do Templo de Salomão seja exatamente igual ao átrio de um Templo maçônico do REAA. São construções diferentes e fazem parte de sistemas diferentes.
A descrição bíblica permite uma pergunta: se as colunas estavam junto ao pórtico e à entrada do Templo, seria necessário colocá-las fora do espaço onde os maçons realizam seus trabalhos?
A Maçonaria ensina por meio de palavras, mas também e, principalmente, por meio de símbolos. O Aprendiz não apenas ouve falar do esquadro; ele vê o esquadro. Não apenas ouve falar do nível; ele vê o nível. Não apenas ouve falar do prumo; ele vê o prumo. Esses objetos ajudam a transformar uma ideia abstrata em algo que pode ser visto e lembrado.
Com as Colunas B e J não seria diferente. As colunas deixam de ser apenas partes de uma construção e passam a representar ensinamentos que o maçom vai compreendendo aos poucos. Sendo assim, como as Colunas B e J fazem parte da pedagogia maçônica, não seria importante que permanecessem visíveis durante os trabalhos?
Quando as colunas ficam no átrio, o maçom entra no Templo e as deixa para trás. O símbolo continua existindo, evidentemente, mas já não está diante dos olhos daqueles que estão recebendo as instruções. Será que isso é realmente o que se pretende?
Não seria melhor compreender que as colunas, posicionadas junto à porta, mas dentro do Templo, continuariam representando o limite e a passagem, ao mesmo tempo em que permaneceriam presentes durante os trabalhos?
É interessante lembrarmos que a tradição maçônica relaciona as Colunas B e J às colunas de fogo e de nuvem mencionadas no livro do Êxodo, quando o povo hebreu era conduzido por uma coluna de nuvem durante o dia e por uma coluna de fogo durante a noite. O REAA adotou essa alegoria justamente pela função muito clara dessas colunas de guiar o povo, indicando o caminho.
Se a tradição maçônica relaciona essas imagens com as Colunas B e J, não seria mais pedagógico que elas permanecessem visíveis para aqueles que estão percorrendo o caminho iniciático?
Uma característica importante do ensinamento maçônico é partir de algo concreto para chegar a uma ideia – do objeto para o pensamento. A Pedra Bruta pode lembrar o homem que precisa aperfeiçoar-se; o Prumo pode lembrar a retidão; o Nível pode lembrar a igualdade; o Esquadro pode lembrar a correção das ações. O mesmo acontece com as Colunas Jaquim e Boaz, que podem representar diferentes ensinamentos e conceitos presentas nas instruções.
Sendo assim, colocá-las em um lugar fora da visão dos obreiros durante os trabalhos não acabaria diminuindo a relação entre o símbolo e o ensinamento? Não é exatamente isso que acontece quando o próprio ritual fala das colunas, mas o Irmão não pode vê-las naquele momento?
Paulo Roberto Marinho de Almeida – Grande Comissão Permanente de Liturgia do REAA
Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro
Bibliografia.
Rituais dos Graus Simbólicos do REAA – GLMERJ
Guia dos Maçons Escocezes – 1834
Biblia Sagrada.
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